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Rabiscos e divagações

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Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos e um neto.
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Rabiscos e divagações
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Agostinho Neto
"Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos"
Vital Farias
"Não há vento favorável para quem não sabe a que porto quer chegar"
Luiz Carlos Prestes
"Eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim"
Paulinho da Viola
"Quando a riqueza de poucos afronta a miséria de muitos, a insegurança é de todos"
Josué de Castro


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wDivagações e citações - Sábado, Junho 20, 2009


Catedral de Brasília

A primeira vez que fui a Brasília, visitei a catedral metropolitana. Isto faz muito tempo, mas mantenho viva a sensação que a visita me provocou.
     Sabendo que sou ateu, alguns amigos se surpreenderam. Perguntaram-me o que achei da catedral. Respondi: — divina! Foi uma gargalhada geral, pensaram trata-se de uma ironia.
     Eu disse que a achei o que poderia e deveria ser uma catedral. A simplicidade, simetria, harmonia e leveza de uma estrutura formada por uma mesma peça replicada dezesseis vezes. Em conjunto, esta peça dá a idéia de algo que sai da Terra e se eleva aos céus, como braços em oração.
     Entramos na catedral descendo, como se fôssemos para o ventre da Terra, dando a sensação de que chegamos a um abrigo. O silêncio se impõe, voluntário, espontâneo.
     À chegada, há o efeito de entrarmos por um pequeno túnel pouco iluminado e chegarmos à luz, graças ao vitral que compõe todo teto. Os anjos pendurados dão um toque de irrealidade.
     A forma circular da catedral remete à idéia de infinito.
     Se eu fosse imaginar o céu, certamente ele teria a simplicidade monástica, a alvura marmórea e a limpeza despojada da catedral de Brasília.
     A catedral não foi feita para Deus, mas para os homens. É um lugar de recolhimento, contemplação, meditação e oração.

     Só poderia ter sido concebida por um ateu, um comunista.

     As fotos são de Martin Fiegl


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MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sábado, Junho 20, 2009
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wDivagações e citações - Domingo, Junho 14, 2009


Era início de noite quando peguei um táxi no Catete. Logo que entrei, o motorista puxou assunto, falando das dificuldades da vida. Quase não falei, ouvia com atenção e fazia curtos comentários. Eu me dirigia para o Estrela da Lapa para comemorar o aniversário de Marisa Brandão, amiga maravilhosa, herdeira do imenso sentido de solidariedade do avô, Octavio Brandão.
     Quando chegamos ao Passeio Público, o taxista desabafou: — eu não sei o que fazer... minha mulher quer porque quer que eu vá à igreja dela, mas eu não quero.
     Silente estava, silente continuei. Ele insinuando uma pergunta e eu, interessado em não interferir, fingia não perceber. Ao atravessarmos os Arcos da Lapa ele fez a pergunta direta: — o que o senhor acha?
     Não havendo escapatória, respondi: — se um casal se ama, é o que importa no casamento; quando há amor, há respeito, se o senhor respeita a prática religiosa dela, ela deve respeitar sua forma de viver.
     Ele: — o senhor acha? O que devo dizer a ela?
     Senti-me um Preto Velho em plena segunda-feira, no terreiro, com a responsabilidade de aconselhar um estranho que a mim recorreu sem nem saber quem sou.
     Respondi: — deve dizer que a ama e respeita a opção dela pela igreja; e dizer que se ela também o ama deverá respeitar sua opção, pois a religião que é contra o amor e o respeito entre o casal não faz o bem.
     Enquanto eu me despedia, vi que o taxista estava comovido e grato. Despi-me do ar de Preto Velho e adentrei o recinto sacralizado pelo som do Panela di Barro tocando Choro.

O varão

— Senhor! Tende piedade de mim, sinto-me solitária, meu leito está vazio. Peço-vos, ó Senhor, dai-me um varão que complete minha vida, compartilhe minha felicidade e preencha o meu leito.
— Ide, Terezinha! Trazei o varão à Minha aprovação.
— Obrigada, Senhor, por concederdes a Vossa graça de, em Vosso louvor, eu conseguir um varão que se junte a mim.

— Senhor, ó Senhor! Vossa humilde serva agradece a Vós pelo varão enviado. Ele é um homem digno, honesto e trabalhador, dá-me segurança e afeto, respeito e amor.
— Terezinha, este varão não se uniu a ti em orações e louvores a Mim?
— Senhor! Ele não tem fé em Vós, mas age de acordo com Vossos princípios e lutou toda vida por liberdade, justiça, paz, igualdade, fraternidade...
— Terezinha, de que servem estas coisas se não contribuem para Nossa messe?
— Perdoai-me, Senhor, sabendo-o humilde e justo, simples e solidário, amante e respeitador, atencioso e leal, perdoai-me Senhor, achei que dispensado fosse que ele louvasse Vosso nome.
— Terezinha! Acreditas em humildade daquele que não se curva diante de Deus?
— Perdoai-me, Senhor! Ele é tão amoroso...
— Blasfemas, Terezinha? Acreditas no amor sem Deus?
— Não, Senhor! Perdoai-me! Ele é verdadeiro e sincero...
— Terezinha! Há verdade sem Deus?
— Não, Senhor! Perdoai-me! Ele é puro e bondoso, justo e honesto...
— Terezinha! Tudo sem Deus é nada, nada com Deus é tudo! Busca um varão que nada disto tenha, mas que partilhe contigo as orações e os louvores ao Meu nome.
— Obrigada, Senhor! Por Vossa clemência e infinita bondade!


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MANOEL CARLOS PINHEIRO - Domingo, Junho 14, 2009
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Junho 12, 2009


Cinqüenta anos de Literatura

— Bom dia, Manoel Carlos, acabei de receber... Agradecido por sua lembrança.
— De nada, Moacir, eu telefonei para dar os parabéns.
— Obrigado, Manoel Carlos.
— São oitenta e dois anos, não é, Moacir?
— Sim, Manoel Carlos, eu quero ver vocês chegarem a esta idade...
— Espero que daqui a vinte ou vinte e cinco anos você se canse de repetir isto.

     Ontem Moacir Lopes completou oitenta e dois anos. Ele não comemora seus aniversários. Aceita homenagens à sua obra literária, mas recusa homenagens à sua pessoa. Ao fim da noite, aceitou bebermos um pouco em petit comitté.
     Em dezembro de 1959 foi publicado o romance Maria de cada porto, estréia literária de Moacir Lopes. “
Maria de cada porto, estréia de um jovem ex-marinheiro, romancista até debaixo d’água, um nome que ainda muito iremos ouvir, com certeza. Uma beleza de livro” – Jorge Amado.
     Muitos escritores contemplam o mar em suas obras, apresentando-o com uma bela paisagem. Alguns escritores fazem do mar o cenário de suas obras literárias. Moacir Lopes transformou o mar em personagem vivo de alguns de seus romances. Não é por acaso que um filme sobre ele se intitula: “Moacir Lopes, o romancista do mar”.
     Sinto-me privilegiado por desfrutar do convívio com este fabuloso escritor, pois ele tem vasto e profundo conhecimento literário, capaz de sagazes e reveladoras observações sobre tudo que lê.
     Traduzido em muitas línguas e publicado em vários países, Moacir tem uma grande obra literária:
Maria de cada porto – romance – 1959
Chão de mínimos amantes – romance – 1961
Cais, saudade em pedra – romance – 1963
A ostra e o vento – romance – 1964
O navio morto in Os dez mandamentos – conto – 1965
Belona, latitude noite – romance – 1968
Por aqui não passaram rebanhos – romance – 1972
As viagens de Poti, o marujinho – infanto-juvenil – 1974
As pedras das sete músicas – infanto-juvenil – 1976
A situação do escritor e do livro no Brasil – ensaio – 1978
O passageiro da Nau Catarineta – romance – 1982
Calígula, o imperador devasso – minibiografia – 1982
O Capital ao alcance de todos – condensação da obra de Karl Marx – 1986
A dança do tarô – texto poético-literário – 1994
O navio morto e outras tentações do mar – contos – 1995
O Almirante Negro (Revolta da Chibata, a vingança) – romance – 2000
Guia prático da criação literária – ensaio didático – 2001
Onde repousam os náufragos – romance – 2003
As fêmeas da Ilha da Trindade – romance – 2006
A Ressurreição de Antônio Conselheiro e a de seus 12 apóstolos – romance – 2007


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MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Junho 12, 2009
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wDivagações e citações - Sábado, Junho 06, 2009


Um ano sem Toinho

     No dia 28 de maio completou um ano do falecimento inesperado de Toinho Alves, criador e diretor musical do Quinteto violado. A partida de Toinho significou uma grande perda para a cultura pernambucana, foi também uma grande perda pessoal para mim, pois fomos amigos por muitos anos.
     Sempre que eu ia ao Recife, além de me dar todas informações sobre a vida pernambucana, com indicações de lugares onde eu deveria retornar ou conhecer, Toinho fazia questão de sairmos juntos. Na minha recente ida ao Recife, já sem Sílvia e Toinho, senti muito a ausência do amigo.
     No convite para a missa de um ano, Dudu alves, filho de Toinho e também integrante do Quinteto Violado, botou uma foto que tirei do pai dele, tenda nas mãos uma escultura do próprio Toinho,usada na capa de um CD. Senti-me participante da homenagem.


Foto de Manoel Carlos Pinheiro



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MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sábado, Junho 06, 2009
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Maio 25, 2009


Sonho com Toinho

     Outro dia eu tive um sonho do qual Toinho Alves, do Quinteto Violado, era o protagonista. Escrevi uma mensagem para Dudu Alves, filho de Toinho e como o pai, integrante do Quinteto Violado. Ele respondeu e eu enviei outra mensagem em resposta ao que ele me escreveu.
     As três mensagens podem ser lidas aqui.

A diferença

     Ontem, como costumo fazer, peguei um táxi da Santáxi, cooperativa de taxistas de Santa Tereza. O taxista cumprimentou-me efusivamente, pois há muito tempo eu não viajava com ele, segundo observação dele mesmo. No trajeto, conversamos um pouco e repentinamente ele ficou com ar compungido e começou a falar com a voz embargada. Disse-me que lamentava muito que Sílvia não soubesse que ele voltou a estudar, pois só o fez graças ao incentivo dela. Depois ele me disse que na Santáxi há muitas “pessoas muito legais”, mas também há “alguns imbecis” que não têm sensibilidade e que não convivem bem com outras pessoas, mas que Sílvia era uma unanimidade, que era surpreendente a capacidade dela de despertar bons sentimentos até nos “imbecis”.
     Como não poderia deixar de ser, eu me emocionei. Sílvia viveu pouco tempo, mas não foi uma vida em vão, por onde passava, ela fazia a diferença, sempre propiciando boas coisas a quem tivesse o privilégio de encontrá-la.
     Desejo que eu, por carregar comigo parte dela, consiga viver, a exemplo dela, de amor e para o amor.



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MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Maio 25, 2009
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Clicar nas fotos para ver os álbuns correspondentes
Praia do Porto - Costa Dourada
Litoral Sul de Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Parque das Emas
Goiás - Mato Grosso do Sul
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Chapada dos Guimarães
Mato Grosso
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Serra dos Órgãos
Estado do Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Campos do Jordão
São Paulo
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Provetá - Ilha Grande
Estado do Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Candeias
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Mercado São José - Recife
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Piedade
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Pouso Alegre
Minas Gerais
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Pão-de-Açúcar
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Cristo Redentor
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Nascente - Pão-de-Açúcar
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Poente - Floresta da Tijuca
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Maracanã
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Niterói
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Quinta da Boa Vista
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Zona Norte
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Micos
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Igreja da Penha
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro