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Rabiscos e divagações

Auto-retrato
Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos e um neto.
Contato
Rabiscos e divagações
"Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós"
Agostinho Neto
"Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos"
Vital Farias
"Não há vento favorável para quem não sabe a que porto quer chegar"
Luiz Carlos Prestes
"Eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim"
Paulinho da Viola
"Quando a riqueza de poucos afronta a miséria de muitos, a insegurança é de todos"
Josué de Castro


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wDivagações e citações - Sábado, Novembro 29, 2008


Marola

Em 1999, o pintor Jean-François De Bus mostrou-me seu quadro “Salon”. Ao vê-lo, imediatamente eu me lembrei do famoso baile da Ilha Fiscal. Expliquei ao pintor que no dia 9 de novembro de 1889, em homenagem à oficialidade do encouraçado chileno Almirante Cochrane, foi realizada uma grande festa, exemplo de opulência e desperdício imperiais, na qual foram consumidos mais de dez mil litros de cerveja e mais de trezentas caixas de vinho e champanhe, além de quase uma tonelada de camarão, dezenas de faisões, centenas de perus, dentre outros ingredientes das iguarias servidas em almoço e baile para, respectivamente, 500 e 4.500 convidados. Na festa, muitos perderam a compostura, no dia seguinte, pelo chão, foram encontradas condecorações militares e peças do vestuário íntimo feminino.
Consta que, ao chegar à festa, D. Pedro II escorregou e quase levou um tombo, ao recompor-se disse: “o monarca escorregou, mas a monarquia não caiu”.
Na mesma noite do baile, em reunião no Clube Militar, Benjamin Constant pediu plenos poderes para desencadear o movimento que resultou na Proclamação da República. Ao fim da reunião, enviou emissários a expoentes da Marinha, que aderiram ao movimento, dentre eles, almirantes Alexandrino e Wandenkok e capitães-de-mar-e-guerra Lorena e Veloso.
Duas semanas depois do baile da Ilha Fiscal, a família real acordou de madrugada, D. Pedro II saiu do Paço Imperial em um coche preto, em um cortejo aberto por duas mulheres vestidas de preto e fechado por soldados da cavalaria. Às três da manhã, no cais Pharoux, o imperador pisou pela última vez o solo pátrio.


Convite para o baile da Ilha Fiscal


     Há muito tempo é evidente que a crise econômica nos atingiu. Há cerca de dois anos, o IBGE mudou a metodologia de agregação de dados e o governo festejou a “melhora” refletida. É muito cinismo. Cada ano é uma panacéia: Fome Zero, Primeiro Emprego, PAC, Pré-sal, blá-blá-blá. Houve um ano que Lula saía pelo Nordeste acusando a oposição de não aprovar o FUNDEB, que não passaria da inclusão do pré-escolar no FUNDEF, como um entrave ao desenvolvimento do país. Mentia deslavadamente para os analfabetos que o ouviam.


Salon, de Jean-François De Bus, poderia se chamar “Crise brasileira“



Aqui no Cárcere - Agostinho Neto

Aqui no cárcere
eu repetiria Hikmet
se pensasse em ti Marina
e naquela casa com uma avó e um menino

Aqui no cárcere
eu repetiria os heróis
se alegremente cantasse
as canções guerreiras
com que o povo esmaga a escravidão

Aqui no cárcere
eu repetiria os santos
se lhes perdoasse
as sevícias e as mentiras
com que nos estraçalham a felicidade

Aqui no cárcere
a raiva contida no peito
espero pacientemente
o acumular das nuvens
ao sopro da História

Ninguém
impedirá a chuva

Cadeia da PIDE de Luanda
Julho de 1960


notícia triste condolências



MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sábado, Novembro 29, 2008
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Domingo, Novembro 23, 2008


Improviso

     Lula desmoralizou muitas coisas no Brasil, até mesmo o escândalo. Lembrando o magistral conto de Graciliano Ramos, em que o cigano retorna para entregar a chefia do bando ao fazendeiro, muitos dos que Lula acusava de corruptos, tornaram-se seus acólitos, atribuindo a ele a chefia do bando. Os ex-acusados e atuais aliados, depois de tudo que se viu no governo Lula, só poderiam ser julgados em juizados de pequenas causas.
     Lula desmoralizou até o improviso. Atualmente, sempre que alguém se prepara para falar de improviso, as pessoas pensam nas coisas estapafúrdias com que Lula, a cada improviso, agride o bom senso e a inteligência de todos nós.

     Na cerimônia de denominação oficial do Auditório Sílvia Borges, senti-me na obrigação de agradecer, num improvisado discurso. Foi muito difícil, pois a necessidade de dominar minha emoção se sobrepunha à concentração na concatenação das idéias. Ao menos consegui ser breve.

     A seguir, o vídeo do improviso. Também, vendo o vídeo, transcrevi o que disse para que todos possam entender.




Acessos alternativos: aqui e aqui

     Cumprimento a todos, especialmente o Superintendente do Ibama e o Presidente da Asibama. Agradeço, em nome dos amigos e familiares de Sílvia, aos servidores do Ibama por esta homenagem que simboliza o vínculo permanente e eterno entre Sílvia e a instituição.
     Sílvia entrou casualmente no Ibama. Em 2002, ela havia sofrido um infarto, recuperava-se em casa e eu, preocupado com o ânimo dela, com medo de que ela entrasse em depressão, descobri numa sexta-feira que era o último dia de inscrição para o concurso de Analista Ambiental do Ibama, pela internet, pois a inscrição convencional se encerrara uma semana antes. Telefonei para ela e, apesar da discordância dela, emiti o boleto, fui ao banco, efetuei o pagamento e tal. Por poucos minutos não perdi a inscrição para o concurso que mudou a vida dela.
     Desde que entrou no Ibama, Sílvia sentiu que encontrara sua verdadeira casa. Ela sempre teve compromisso com as coisas que fazia, como professora, como educadora, mas quando entrou no Ibama, ela dizia que se não fossem os vínculos familiares, provavelmente ela se... ela sairia por estes brasis afora, onde tivesse o Ibama, e a vida dela teria como referência maior a atividade no Ibama.
     Sílvia partiu prematuramente, levando parte significativa de nós com ela, deixando conosco, em nós, parte dela .Espero e desejo que parte dela se incorpore a este auditório, contribuindo para que ele seja mais do que um espaço físico, seja um fórum permanente de debate das questões ambientais, das alternativas do nosso desenvolvimento dentro da perspectiva da sustentabilidade sócio-ambiental.
     Todos aqui, de alguma maneira, conheceram Sílvia, de modo que não preciso fazer um resumo biográfico e nem seria adequado. Contudo, tentarei em três frases definí-la. A primeira frase, de Vital Farias, em que o músico paraibano define cantador. Ele diz que cantador... "Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor da sua terra, a marca de sangue dos seus mortos e a certeza de luta de seus vivos". Provavelmente quem conheceu Sílvia associaria esta definição a ela. Os que mais bem a conheceram talvez a associassem a uma outra frase, do poema "Do povo buscamos a força", de Agostinho Neto, em que o "Fundador da Nação Angolana" diz: "Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós". Pureza e justiça eram imanentes a Sílvia. A terceira frase não é de pensador, poeta ou músico, é minha. Eu tive o privilégio de conviver com Sílvia na sua condição de mulher, arrebatadora e apaixonada. Eu digo que Sílvia foi uma mulher com sangue nos olhos, fogo nas veias, amor na mente e liberdade no coração.

Muito obrigado.



MANOEL CARLOS PINHEIRO - Domingo, Novembro 23, 2008
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Terça-feira, Novembro 18, 2008


Casa cheia

     Anna Maria Assis Ribeiro foi minha colega de trabalho. Nem posso dizer que éramos amigos, pois não saíamos juntos para almoço, não trabalhávamos nos mesmos projetos, praticamente não conversávamos. Por outro lado, jamais tivemos atritos ou conflitos. Eu a considerava uma simpática colega de trabalho, mas não propriamente amiga, isto não a desmerece, é a verdade, pura e simples. Ela provavelmente concorda comigo e talvez tenha de mim impressão parecida com a que tenho dela. Anna Maria fez um comentário interessante sobre isto, está na lista de comentários listados aqui
     É dela o texto que posto a seguir. Creio que ele dispensa comentários, mas ganha em valor para quem ler o comentário dela, pois fica bem contextualizado.



CASA CHEIA


                 Anna Maria Assis Ribeiro


“Olha! Presta atenção! Uma nota blue!” Ela fala sorrindo para o Homem. Ele não responde. Nunca responde. Mas sorri. Vai ver escutou. A poltrona onde ele deveria estar havia sido comprada depois, muito depois que ele se foi. Mas, tem certeza: ele havia de sentar-se nela, ao lado do som, ouvindo atento a harmonia requintada de Joe Pass. Ele e os outros. Quer dizer, alguns não escolheriam aquela cadeira. Iriam preferir o sofá ou, quem sabe até, iriam sentar-se em uma das cadeiras da mesa de jantar, espalhando jornais. Ou, ainda, disputariam com ela a espreguiçadeira. O Pai, com certeza faria isto. Iria usar da prerrogativa de mais velho. Logo ele. Tão moço. Mais moço do que ela é agora. São tantos os que se foram. Foi triste, muito triste, quando aconteceu. Depois, aos poucos, foram voltando. Assim, sem aviso. E as conversas continuaram do ponto em que haviam parado. E, mais que isso – ela percebia – lá no dentro dela, entendiam e se interessavam pelo que contava. Vai daí que contava. Nem tudo, pra todos. Para alguns, o que tinha para contar nem ia interessar. Então selecionava. Mas às vezes era uma festa porque o que havia acontecido era tão importante que todos apareciam, distribuindo-se pela sala, atentos ao relato emocionado do acontecido. Foi assim quando nasceu a segunda neta. Contou tudo: desde a hora em que chegou esbaforida, vinda de uma reunião de trabalho, até o momento em a pegou nos braços. “Vocês não podem nem imaginar! É linda! Quer dizer é feia como todos os recém-nascidos. Mas é linda! E eu, gente! Sou bis-avó”. Pergunta curiosa para a Avó: “O que foi que você sentiu quando eu nasci?”. Claro que ela não respondeu. Nem precisava. Perguntou só por perguntar por que muitas e muitas vezes a Avó contara. O sorriso do Pai é de orgulho. Pudera! Ele sim! Bisavô duas vezes! Neste dia o Homem não estava. Quer dizer, estava. Havia presenciado tudo, junto a ela. Depois, muito depois, quando passou a aparecer como os outros ele, num sorriso mudo, perguntou e ela informou: “está com 22 anos! Uma bela moça. Estuda medicina”. Viu admiração nos olhos dele e ficou orgulhosa da neta. Uma vez ele ficou zangado e ela percebeu por que. Se ele falasse teria dito: “você desmanchou o meu estúdio”. É verdade. Ela fez isto, sim. Agora é um quarto de hóspedes. Responde sorrindo: “logo você vai me dizer isto! Aprendi com você a dar um fim no que tem fim. Não tinha mais sentido. E eu nunca vou tocar como você. Pra que gravar?” Ele se rende e a expressão significa: “Gostaria de dizer o contrário. Mas você nunca vai tocar bem.” O Filho intervém, mudamente: “você teria tocado bem se não fosse tão preguiçosa. Afinal aprendi meus primeiros acordes com você.” Curiosa ela pergunta: “vocês, por aí, tocam juntos?” O Homem e o Filho olham para ela espantados e ela se dá conta: eles não se conhecem. Nem mesmo se escutam. Que coisa! O Pai também toca violão. Como ela. Assim, descuidadamente. Mas ele não faz qualquer comentário. Está olhando com estranheza para o micro. Ela sorri: como ele ficaria encantado em ter um. Quando se foi, ainda se usava régua de cálculo. Até para calcular logaritmo! Não se usa mais isto, não, Pai. A sua, a régua, onde anda? Sumiu como tantas outras coisas ou será que você levou quando foi? O Pai apenas sorri. Mas ela desconfia que sim. Ele não largava aquela régua. Ela volta-se para o Tio. Ele está de botas de montaria. Hermès. São botas Hermès! Lindo como sempre foi, encarrapitado no braço do sofá, implicando com a Mãe que lhe dá um piparote na cabeça. Eles nem parecem perceber a Avó, que ao lado, lê Proust e que de longe, de muito longe, fala: “há que se ter vivido para ler Proust”. De hoje ela responde: “sabe, vó, eu hoje leio Proust. Estou mais velha do que você, não é incrível?”

O telefone toca. É um amigo: “vem pra cá. O que é que você está fazendo, nesta hora, nesta casa vazia?” Ela sorri. Ele não sabe de nada!



MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Novembro 18, 2008
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Terça-feira, Novembro 11, 2008


Convite e esclarecimentos



Esclarecimentos
1. A foto não é montagem
2. Sílvia é a do meio
Esclarecendo o esclarecimento
"Sílvia é a do meio" é a legenda que ela usou ao postar a foto no Orkut.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Novembro 11, 2008
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Sábado, Novembro 08, 2008


Centenário da Cidade Maravilhosa

     Em 2007, foi comemorado o centenário do frevo. Todos sabem que o frevo - música, ritmo e dança – surgiu no Século XIX. Como então o centenário em 2007? É que o mais antigo registro escrito da expressão frevo, corruptela de ferver, data de 1907.
     Neste sentido, é possível dizer que em 2008 comemora-se o centenário da Cidade Maravilhosa. Após as transformações urbanísticas realizadas nas administrações Pereira Passos e Souza Aguiar, o Rio de Janeiro, antes conhecido como “Porto Sujo”, “Cemitério dos Europeus” e “Capital da Morte”, passou a ser chamado de “Cidade Maravilha”, até que, durante a realização da Exposição Nacional de 1908, Coelho Netto, numa crônica no jornal “A Noticia”, usou a expressão consagrada internacionalmente: Cidade Maravilhosa.
      Citando Manoel Carlos Pinheiro e Renato Fialho Junior in”Pereira Passos, vida e obra”, Coleção Prefeitos do Rio, publicação do Instituto Municipal de Urbanismo Pereira Passos, da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro - ISBN 978-85-87649-08-9

      A Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro foi fundada por Estácio de Sá, no Século XVI, com o objetivo de servir de linha de defesa contra as investidas dos franceses, apoiados pela Confederação dos Tamoios.
      No processo de consolidação da cidade, havia dificuldade de sua expansão, pois ela se situava em estreita faixa de terreno entre a montanha e o mar, faltando espaço físico, além disto, faltava água potável. Por isto, Mem de Sá transferiu a cidade para o Morro do Castelo.
      Nos séculos XVII e XVIII o Rio de Janeiro teve como função principal servir de porto por onde escoavam o ouro de Minas Gerais e o café do médio vale do rio Paraíba do Sul.
      Em 1763 o Rio de Janeiro se tornou a capital do Vice-Reino. Com a chegada da família real, em 1808, a cidade teve grande expansão econômica e desenvolvimento cultural. A partir de meados do século XIX, intensificou-se a chegada de imigrantes europeus à cidade. A população do Rio de Janeiro dobrou em duas décadas, o número de habitantes passou de 274 mil, em 1872, para 522 mil, em 1890. Este crescimento desordenado propiciou a formação, sobretudo nas áreas centrais da cidade, de cortiços, aglomerados residenciais sem saneamento básico, situados em ruas estreitas e sombrias, pelas quais circulavam animais. Insalubridade, mau cheiro, imundície e epidemias conferiram à cidade a fama de porto sujo, chamada de “Cemitério de Europeus”.
      A expansão da cidade foi viabilizada pelos meios de transportes. Ao longo das estradas de ferro a cidade se expandiu de forma linear, com maiores concentrações de casas em torno das estações, com expansão radial de ruas a partir das estações, ficando os bairros “partidos” pela ferrovia. A Estrada de Ferro Central do Brasil (1854) levou a cidade à Zona Oeste e, posteriormente, a parte da Baixada Fluminense, a caminho de São Paulo; a Estrada de Ferro Rio D’Ouro (1883) levou a cidade para parte da Baixada Fluminense na direção da Região Serrana; a Estrada de Ferro Leopoldina (1886) levou a cidade a se expandir para a Zona Norte.
      No caso dos bairros nobres, o bonde foi responsável pela expansão. Foram implantadas linhas de bonde na Zona Sul (Glória, Catete, Flamengo, Botafogo, Jardim Botânico, Copacabana, Ipanema e Gávea); em áreas do Centro-Norte (São Cristóvão e Gamboa), posteriormente desvalorizadas com a expansão portuária e industrial; em parte da Zona Norte (Tijuca, Alto da Boa Vista, Vila Isabel, Grajaú, Engenho Novo e Méier); e em Santa Tereza.
      As barcas propiciaram, a partir de 1870, a expansão de Niterói.
      Após a Proclamação da República, na Administração Barata Ribeiro (1893), foram deflagradas ações do chamado higienismo, um conjunto de intervenções que objetivavam a cura do “organismo doente”, o “miasma” em que se transformara a Cidade do Rio de Janeiro.
      Rodrigues Alves, ao se tornar Presidente da República, mesmo na condição de representante da oligarquia cafeeira, resolveu fazer do Rio de Janeiro, cidade em que viveu como estudante do Colégio Pedro II, a porta de entrada do Brasil, capaz de atrair capitais estrangeiros.
      Iniciada na Administração Pereira Passos e concluída na Administração Souza Aguiar, a reforma do Rio de Janeiro se propôs a promover o embelezamento das áreas centrais, a abertura de grandes vias de circulação e o saneamento básico. Sob a consigna “Rio: civilize-se!”, Pereira Passos promoveu o desmonte de cortiços, política popularmente apelidada de “Bota-Abaixo”, o que desencadeou a aceleração do processo de favelização e de periferização dos subúrbios, com sua conseqüente proletarização, provocando a migração de camadas médias urbanas para áreas mais nobres da cidade. Em conseqüência, deu-se a segregação sócio-espacial do Rio de Janeiro.
      Na reforma, coube ao Governo Federal a modernização do porto, a abertura das avenidas Central e do Mangue e o saneamento. Coube à Prefeitura do Distrito Federal a demolição dos cortiços, o embelezamento, o alargamento de ruas e a construção de suntuosos prédios, além do combate a epidemias como na Campanha da Vacina, pela erradicação da febre amarela, e na vacinação obrigatória, contra a varíola.
      Em 1908, durante a Exposição Nacional, numa crônica publicada no jornal A Noticia, Coelho Netto fez o primeiro registro escrito da expressão que passou a designar o Rio de Janeiro: Cidade Maravilhosa.

Avenida Beira-Mar, em 11 de julho de 1906



MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sábado, Novembro 08, 2008
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Segunda-feira, Novembro 03, 2008


Pais, filhos e mestres

     Sempre que as crianças reclamavam de alguma coisa em relação aos professores, seja uma nota injusta, uma abordagem incorreta de matéria curricular ou algum comportamento que consideravam impróprio, Sílvia, em tom de brincadeira, dizia: — quer que mamãe vá lá bater nele? Diga que sim e mamãe vai lá.
     Não era por acaso que ela fazia esta brincadeira. Na verdade, nossa orientação sempre foi que nossas crianças resolvessem seus próprios assuntos, mesmo deixando claro o nosso apoio, apenas em grau de recurso, quando elas eram pequenas, é que nós interferimos. Com a brincadeira, Sílvia ridicularizava a possibilidade de interferência.
     Sílvia, durante muitos anos, deu aulas de Biologia e Aconselhamento Genético para turmas de Psicologia e de Biologia, Evolução e Genética para turmas de Biologia. Por ter uma carga horária muito alta, com aulas de manhã e à noite, sempre exigiu fazer os horários que lhe fossem mais convenientes. Quando se tornou chefe de departamento, passou a conciliar mais, a abrir mão de suas prerrogativas para facilitar a composição com os demais professores.
     Para facilitar a própria vida, ela procurava marcar provas com antecedência. Certa vez, com a prova já marcada, outra disciplina teve prova marcada para o mesmo dia e a turma pediu que Sílvia mudasse a sua prova. Ela se recusou, argumentou que marcara a prova antes e que caberia à turma ter evitado que a outra prova fosse marcada para o mesmo dia. Como os alunos estavam habituados e verem Sílvia ser “boazinha”, deixaram as duas provas marcadas e muitos resolveram faltar à prova de Sílvia, apostando que ela os deixaria fazer prova noutra data, ou até que no dia, vendo poucos alunos, ela adiaria a prova, apesar dos avisos dela, afirmando que não mudaria a data da prova nem faria segunda chamada.
     Quem faltou à prova ficou com nota zero. Foi um chororó medonho, mas ela manteve-se irredutível. Alguns alunos ficaram inconformados, houve até quem esboçasse apresentar atestado médico. Antes que o fizessem, Sílvia disse que alguém que aparecesse com atestado médico e houvesse feito prova de outra disciplina não faria a prova e seria acusado de falsidade ideológica, pois ela, na condição de professora, não poderia aceitar fraude.
     Certa noite, Sílvia chegava para dar aula e o diretor da faculdade, meio sem jeito, chamou-a, apresentou um casal, os pais de um aluno, dizendo que eles queriam conversar com ela sobre a nota do filho, por ter faltado à prova. Sílvia, dirigindo-se ao diretor, disse: — professor, esta é uma instituição de ensino superior, nela professores e alunos devem resolver seus assuntos, mas para os pais não perderem a viagem, como minha mãe mora aqui perto, eu posso chamá-la para conversar com eles.

Auditório Sílvia Ferreira Borges

     Em homenagem à nossa amada e pranteada Sílvia, o auditório do edifício-sede do Ibama do Rio de Janeiro receberá o nome dela. No ato de descerramento da placa, haverá uma solenidade, para a qual os amigos estão convidados. A seguir, haverá um coquetel.
Data:
17 de novembro de 2008, às 16 horas
Local:
Superintendência do Ibama do Rio de Janeiro
Praça XV, 42 – 8º andar
Centro – Rio de Janeiro - RJ



MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Novembro 03, 2008
Comentário e zombaria:




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Praia do Porto - Costa Dourada
Litoral Sul de Pernambuco
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Parque das Emas
Goiás - Mato Grosso do Sul
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Chapada dos Guimarães
Mato Grosso
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Serra dos Órgãos
Estado do Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Campos do Jordão
São Paulo
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Provetá - Ilha Grande
Estado do Rio de Janeiro
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Candeias
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
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Mercado São Josá - Recife
Pernambuco
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Piedade
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Pouso Alegre
Minas Gerais
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Pão-de-Açúcar
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Cristo Redentor
Rio de Janeiro
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Vista de Casa
Nascente - Pão-de-Açúcar
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Poente - Floresta da Tijuca
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Maracanã
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Niterói
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Quinta da Boa Vista
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Zona Norte
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Micos
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Igreja da Penha
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro