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Microsoft e Google
Em 1996, Ed Fries, então gerente do grupo de desenvolvimento do Word, mudou de área e levou consigo sua admin, Pam Wagner. Os admins são os assistentes administrativos, figuras indispensáveis em qualquer empresa. Só que a Pam era idolatrada pelo grupo. Adorável e totalmente safa, resolvia qualquer parada.
O novo gerente do Word, Antoine Leblond, tinha o terrível desafio de contratar um substituto para Pam, tarefa que já estava demorando várias semanas. Nesse meio tempo, a bagunça reinou no departamento.
Em 29 de março daquele ano, uma sexta-feira, Antoine finalmente anunciou que tinha encontrado alguém. Seu nome era Meredyth. Ela começaria na segunda-feira seguinte. Alívio.
Só que, lá pelas 10h30m da segunda-feira, já estava claro para toda a equipe que a Meredyth definitivamente não era a Pam e que ainda tinha muito que aprender. Basta dizer que grudava nas paredes papeizinhos decorados com afirmações do tipo "Eu mereço ter sucesso! Sim, eu mereço!" e ostentava na porta uma plaquinha cor-de-rosa com seu nome estampado. De quebra, um Post-It logo abaixo onde se lia: "Por favor, pare, entre e diga alô". Como se não bastasse esse festival de breguices, ainda pregava etiquetinhas em forma de coração na porta das salas dos programadores. Aaargh!
Naquele dia, após o almoço, as coisas se complicaram um pouco quando a boa e velha Pam apareceu para ver como estavam indo as coisas e certificar-se que a Meredyth estava se ambientando bem. Só que a novata, que obviamente tinha sérios problemas de baixa auto-estima, não recebeu nada bem essa atitude, que classificou como intromissão. Foi muito rude com a Pam e o tempo fechou.
A equipe viu aquilo e ficou indignada. Começou a borbulhar um sentimento generalizado de que talvez a desajeitada substituta devesse ser dispensada, mesmo que fosse preciso peitar coletivamente a decisão do Antoine. Os atritos foram se agravando ao longo do dia, e qualquer coisa que a Pam fizesse ou dissesse tinha como resposta uma patada da Meredyth.
Às 15h, na reunião semanal da equipe, já havia forte cheiro de motim no ar. Antoine apresentou formalmente Meredyth ao grupo. Mas a jovem, obviamente nervosa e meio trêmula, soltou logo os cachorros, dizendo que estava sendo muito mal tratada pelos funcionários do setor. E daí para começar a chorar não demorou muito.
Os participantes entreolharam-se em silêncio. O chefe ficou boquiaberto. Meredyth ainda balbuciou algumas reclamações e choramingou que sempre tinha desejado trabalhar na Microsoft. Soluçou e disse que aquele seu primeiro dia na empresa também seria o seu último. Descontrolada, virou-se e saiu da sala aos prantos.
Os programadores ficaram estáticos. E, menos de um minuto depois, Meredyth voltou à sala ainda banhada em lágrimas.
— Esqueci minha bolsa - disse, fazendo beicinho.
Pegou a bolsa sobre a mesa e ia sair da sala novamente, quando deu uma paradinha à porta, virou-se para os camaradas e disse:
— Ah, a propósito, primeiro de abril! - e saiu batida.
Retornou à sala logo depois, para receber aplausos de pé. "Meredyth" era uma atriz contratada somente para a pegadinha de primeiro de abril...
A armação foi idéia de Bruce Oberg, um dos líderes da equipe, em conluio com Antoine e Pam, tudo meticulosamente planejado.
Well... eis aí uma pequena amostra do humor softie...
Esta estória eu roubei do camarada cat, vulgo Carlos Alberto Teixeira. Trata-se de um trecho de uma reportagem que ele fez, intitulada Como funciona campus da Microsoft em Redmond onde trabalham 30 mil pessoas, publicada na Revista Digital de O Globo. Para ler a reportagem completa, basta clicar aqui. Amanhã, segunda-feira, na mesma revista, será publicada uma reportagem de cat sobre a Google, vale a pena conferir.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Domingo, Setembro 21, 2008
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