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wAgreste |
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Rabiscos e divagações
 Auto-retrato |
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Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos e um neto. Contato |
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Rabiscos e divagações  |
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"Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós" Agostinho Neto |
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"Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos" Vital Farias |
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"Não há vento favorável para quem não sabe a que porto quer chegar" Luiz Carlos Prestes |
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"Eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim" Paulinho da Viola |
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"Quando a riqueza de poucos afronta a miséria de muitos, a insegurança é de todos" Josué de Castro |
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Dezembro 10, 2007 |
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Octavio Brandão
Será publicado mais um livro sobre Octavio Brandão. O autor me pediu um depoimento. A seguir, transcrevo minha resposta e o depoimento que escrevi.
Caro Guedes, envio abaixo e em anexo (documento do Word) o meu depoimento sobre Octavio Brandão. Dentro de minhas limitações, agravadas pela indisponibilidade de tempo, espero que o texto possa ser útil. Limitei-me a um depoimento pessoal, sem maiores dados sobre Octavio Brandão, pois certamente você conhece a vida dele, desde a apresentação de provas geológicas e paleontológicas, em 1915, da existência de petróleo em Alagoas (em meados do século passado, rebatendo as declarações de que não havia petróleo no Brasil, ele dizia, bem humorado: "se no Brasil tem petróleo, não sei, mas em Alagoas tem e eu provei "), até sua queda, durante uma tempestade, num bueiro sem tampa, na rua Primeiro de Março, já aos oitenta anos, passando pela constatação de que havia três livros dele na biblioteca particular de Lênin, todos em Português.
Sinto-me honrado pelo seu gentil pedido.
Grato. Fraterno abraço.
Manoel Carlos
O ARTÍFICE
Com mais de oitenta anos de idade, Octavio Brandão saía sozinho pelas ruas centrais do Rio de Janeiro e recolhia doações em dinheiro entre antigos camaradas comunistas e simpatizantes. De posse do dinheiro recolhido, ia de ônibus para os bairros periféricos e distribuía, de forma organizada, o total recolhido entre antigos militantes desempregados ou famílias de comunistas mortos, assim, ele mantinha uma das práticas do Socorro Vermelho. Nesta atividade, apenas o espírito de solidariedade movia o velho militante, fundador e ex-dirigente do Partido Comunista Brasileiro. Aliás, solidariedade era uma palavra mágica para Octavio Brandão.
A solidariedade de Octavio Brandão não era feita de palavras vãs, mas de atos, também não se limitava às grandes ações coletivas, era parte do seu cotidiano. Certa vez, quando fui submetido a uma cirurgia de urgência, a solidariedade dele se manifestou em visitas diárias, até minha completa recuperação. Noutros períodos, ele freqüentava regularmente a minha casa. Tínhamos longas conversas sobre política, literatura e coisas cotidianas.
O universo literário dele era um dos mais ricos entre todas as pessoas que conheci; além disto ele teve uma das mais extraordinárias experiências políticas e de vida. Com a simplicidade que comentava um episódio cotidiano, ele analisava antigas lendas hindus que foram incorporadas às religiões ocidentais. Ele poderia falar na primeira pessoa do singular, sobre coisas notáveis, sem ser arrogante ou pretensioso, mas não o fazia, contava a vida pelas ações de outros, anônimos e famosos, narrava fatos e destacava o que apreciava nos amigos que ilustravam seus casos: a fidelidade aos princípios filosóficos, a coerência entre idéias e prática de vida, o espírito de fraternidade. Lamentavelmente, por serem conversas pessoais, não registrei seus relatos de convívio com alguns de seus amigos, como Wan Min, fundador do Partido Comunista Chinês, com a espanhola Dolores Ibárruri, La Pasionaria, com o búlgaro Dimitrov, que presidiu a Internacional Comunista, e com o Camarada Walter, codinome do líder da resistência ao nazi-fascismo nos Bálcãs, o Marechal Tito. Octavio Brandão poderia ter vivido os últimos dias de vida na Iugoslávia, presidida pelo amigo Tito; poderia buscar honrarias e fama, mas preferiu viver em Santa Tereza, levando uma vida simples e modesta. A ele satisfazia ter lutado toda a vida e jamais ter traído os seus princípios éticos, morais, políticos e ideológicos. Queixava-se apenas de não ser convocado pelo PCB para desempenhar novas tarefas.
Quando Leôncio Basbaum lançou Vida em Seis Tempos, Octavio Brandão ficou deprimido, coisa incomum, destoante do seu comportamento. Ele me disse que não sabia que Leôncio passara por aqueles momentos de angústia e que, caso soubesse, o teria procurado para conversa, discussão, apoio. O livro de Leôncio registra embate entre ambos, mas mesmo quando se tratava daqueles com quem teve sérias divergências políticas, a solidariedade e o espírito de companheirismo o moviam. As desavenças não eram pessoais, eram políticas.
Por ter vivido na União Soviética no período stalinista, Octavio Brandão comentava muito o culto à personalidade e às revelações dos chamados crimes de Stálin. Ele costumava dizer: — Stálin foi um gigante, nos acertos e nos erros. E comentava que todos os avanços e grandes feitos na URSS eram atribuídos ao "Paizinho", toda atividade criadora era inspirada no exemplo do guia. Depois, veio o desencanto provocado pela surpreendente revelação dos tais crimes de Stálin. Muitos intelectuais, no Mundo inteiro, se afastaram do movimento comunista, alguns chegaram a ponto de renegarem o socialismo. Octavio Brandão falava com serenidade sobre o desencanto que tomou conta de muitos conhecidos dele. Em geral, os mais desencantados eram os mesmos que mais exaltaram a figura de Stálin. Octavio Brandão ressaltava que, mesmos entre os que criticaram o personalismo antes das denúncias, muitos se abateram, mas que a vida seguia seu curso, que a História tem marchas e contramarchas, e que a Humanidade cumprirá o seu destino de construir um Mundo de paz, no qual a solidariedade supere a beligerância.
Era sempre bom ouvir uma mensagem otimista, de fé na Humanidade, de um homem que viveu na URSS em plena Segunda Guerra, quando ficou sitiado por soldados nazistas, participou dos imensos sacrifícios e perdeu a própria mulher, a poetisa Laura Brandão, enterrada no cemitério dos heróis do Kremlin. Ao se referir a este período, ao contrário de outras pessoas com que convivi, que evitavam tocar no assunto, Octavio Brandão contava com naturalidade, em tom melancólico, o que foi viver a grande guerra, "uma das maiores tragédias da Humanidade". Quando eu o ouvia falar da guerra, pensava que outros participantes me diziam que, naquela situação, as pessoas se bestializavam, desumanizavam-se, faziam coisas terríveis. E calavam. Talvez pelo peso de más lembranças de ações cometidas. Octavio Brandão não tinha o que silenciar, se a guerra mostra o aspecto monstruoso da maioria, também revela a bravura, o heroísmo, o espírito de solidariedade, o humanismo de gente como o amigo Octavio Brandão. Muitos se referiam a ele como um "duro", um "seco", quase insensível, implacável nos embates. Pela convivência, pude observar um homem perspicaz, com senso de humor, sensível e sereno, tive o privilégio de constatar que Octavio Brandão exemplifica e personaliza a possibilidade de endurecer sem perder a ternura.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Dezembro 10, 2007
Comentário e zombaria:
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Dezembro 06, 2007 |
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Transcrito daqui
COM A BOCA CHEIA DE FORMIGAS - Aguinaldo Silva
Em 1978, quando a ditadura já seguia em velocidade de cruzeiro e muitos intelectuais de esquerda haviam dado um jeito de mamar de novo nas tetas do governo que supostamente ainda condenavam, eu ganhei o I Prêmio Abril de Jornalismo no gênero “melhor reportagem individual”, com uma matéria intitulada “Pobres Homens de Ouro”.
Os Homens de Ouro, se vocês não sabem, era o ovo da serpente do qual nasceu o Esquadrão da Morte e seus afiliados da época, todos de sinistra memória. Então, aos olhos de todos, inclusive os meus, os mocinhos (ou seja, a polícia) eram os bandidos.
Esse foi um cacoete que adquirimos naqueles tempos difíceis, e do qual muitos não se livraram até hoje: para estes, a polícia não presta. E os bandidos, mesmo aquele psicopata sedento de sangue do ônibus 174, são apenas heróis românticos, justiceiros dispostos a expropriar o que lhes pertence e que nós, a chamada “elite”, lhes roubamos, porque temos o atrevimento de trabalhar e ganhar dinheiro.
Naquela época, os Homens de Ouro, que eram sete e incluíam o famoso Mariel Mariscot, era o que havia de mais temível. Ao escrever sobre eles, e mostrar como eles progrediram na vida através do terror e da mão grande, eu fui premiado, mas causei preocupação aos amigos, que me perguntavam a toda hora: “você não tem medo?”
Eu tinha. Então eu era – desculpem a falta de modéstia – uma das “estrelas” dos jornais alternativos Opinião e Movimento, para os quais fazia matérias semanais Muitas vezes eu saía de madrugada de minha casa no então ameno bairro de Santa Teresa para entregar meus textos na redação dos jornais no Jardim Botânico. E enquanto atravessava a Rua das Laranjeiras, o Cosme Velho e o Túnel Rebouças no meu Fusca, tinha a nítida sensação de que estava sendo seguido. Em geral estava. Mas as ameaças nunca passavam disso.
Então eu já tinha sido preso (fiquei 70 dias na Ilha das Flores, 45 dos quais incomunicável), e também fui processado três vezes, sempre por delitos de opinião, que permitiam ao então Ministro da Justiça, o dr. Armando “no coments” Falcão, me enquadrar na Lei de Imprensa.
Podia, por causa da prisão e dos processos, ter pedido indenização ao governo atual, como fizeram muitos. Mas não acho que o povo tenha que pagar pelos agravos que sofri em virtude de minhas convicções políticas. Por isso prefiro viver às minhas próprias custas. E se tem alguma coisa da qual vou me orgulhar na hora da morte é de sempre ter vivido do meu trabalho e jamais ter mamado nas tetas de nenhum governo.
Sim, na época eu tinha medo. Mas por mais sangrenta que fosse a ditadura, as aflições que então sofríamos por causa disso não tinham tanto peso quanto têm as aflições de hoje, quando somos supostamente livres. É que na época os militares até podiam impor arbitrariamente sua vontade. Mas pelo menos não eram fundamentalistas, não achavam que tinham a missão divina de reorganizar e assim salvar o mundo. E agora...
Agora os que não concordam com o que está aí também sentem medo. E são seguidos na calada da noite. E são ameaçados. E têm suas contas bancárias secretamente devassadas. E recebem telefonemas sinistros disparados de celulares com IDs privados. E morrem sim, porque alguns, como aquele prefeito lá de Santo André, são mortos nunca se sabe porquê nem como.
Digo a vocês sem maiores rodeios. Neste momento eu sinto medo, e tenho sérias razões pra isso. A julgar pelo que dizem os telefonemas disparados dos tais celulares com IDs privados, por motivos alheios à minha vontade posso até nem terminar a novela DUAS CARAS, que tanta discussão está gerando.
Mas fica o aviso: se eu parar não será por minha própria vontade. E embora, no final de contas, o que eu faço seja “apenas Chinatown”, ou seja, uma novela, se eu não puder terminá-la porque amanheci, como dizem os tais telefonemas: “com a boca cheia de formigas”, espero que um dia Mamãe História se pronuncie e alguém venha a ser responsabilizado por isso.
Mas não se preocupem. Isso ainda não é uma despedida. Até o próximo texto!
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Dezembro 06, 2007
Comentário e zombaria:
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Praia do Porto - Costa Dourada Litoral Sul de Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
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Parque das Emas Goiás - Mato Grosso do Sul Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
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Chapada dos Guimarães Mato Grosso Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
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Serra dos Órgãos Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Campos do Jordão São Paulo Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Provetá - Ilha Grande Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Candeias Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Mercado São Josá - Recife Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Piedade Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Pouso Alegre Minas Gerais Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Pão-de-Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Cristo Redentor Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Nascente - Pão-de-Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Poente - Floresta da Tijuca Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Maracanã Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Niterói Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Quinta da Boa Vista Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Zona Norte Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Micos Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Igreja da Penha Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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