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Rabiscos e divagações

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Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos e um neto.
Contato
Rabiscos e divagações
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Agostinho Neto
"Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos"
Vital Farias
"Não há vento favorável para quem não sabe a que porto quer chegar"
Luiz Carlos Prestes
"Eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim"
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"Quando a riqueza de poucos afronta a miséria de muitos, a insegurança é de todos"
Josué de Castro


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wDivagações e citações - Quinta-feira, Novembro 29, 2007


Cacarejo

     Quando eu era adolescente, uma disputa entre duas éguas de corrida expressou intensamente a rivalidade entre duas cidades pernambucanas: Pesqueira, no Agreste, e Arcoverde, no Sertão. Galega, a égua de Ipojuca, distrito de Arcoverde, era mais rápida no arranque, mas não tinha resistência e, por volta da marca de oitocentos metros, era ultrapassada por Dandoca, a égua pesqueirense.
     Eu e outros amigos adolescentes brincávamos muito com os arcoverdenses, uma das piadas que fazíamos era referente às corridas entre Dandoca e Galega, sem outros concorrentes. Nós dizíamos que em Arcoverde a noticia era dada da seguinte forma: enquanto a briosa Galega obteve o honroso segundo lugar, Dandoca não passou do penúltimo.
     A disputa apenas alimentava a rivalidade preexistente. Arcoverde se chamava Rio Branco e era um distrito de Pesqueira. Em 11 de setembro de 1928, emancipou-se, incorporando algumas fazendas de Buíque, e manteve o nome de Rio Branco, um município autônomo. Por isto em Arcoverde, até os dias atuais, não há comemoração no 7 de setembro, toda a festa é transferida para 11 de setembro.
     Ironicamente, o nome do município é uma homenagem a um pesqueirense que não nasceu no antigo distrito, Rio Branco, mas na parte que continua a ser Pesqueira. A mudança de nome ocorreu em 31 de dezembro de 1943.
     Em 11 de dezembro de 1905, o Papa Pio X investiu Joaquim Arcoverde Albuquerque Cavalcanti como cardeal, o primeiro da América Latina.
     Eu me lembrei da aludida forma de dar uma notícia ao ver, esta semana, anúncio e festa do governo Lula sobre a posição do Brasil nos relatórios do PNUD. Foi mais uma demonstração de cinismo e má-fé de Lula, habituado a mentir e manipular dados, informações e opiniões. Diz-se que a ONU incluiu o Brasil entre os países mais desenvolvidos, mas o Brasil passou de 67º para 70º lugar em IDH, Índice de Desenvolvimento Humano. É para comemorar o quê?
     Parafraseando Doutel de Andrade:
     Lula é uma galinha que cacareja para os pobres e põe os ovos para os ricos.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Novembro 29, 2007
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Novembro 21, 2007


Noturno - Ascenso Ferreira

Sozinho, de noite,
nas ruas desertas
do velho Recife
que atrás do arruado
moderno ficou...
criança de novo
eu sinto que sou.
— Que diabo tu vieste fazer aqui, Ascenso?

O tio soturno
tremendo de frio,
com os dentes batendo
nas pedras do cais,
tomado de susto
sem poder falar...
o rio tem coisas
para me contar:
— Corre, senão o Pai-do-Poço te pega, condenado!

Das casas fechadas
e mal-assombradas
com as caras tisnadas
que o incêndio queimou
pelas janelas esburacadas,
eu sinto, tremendo,
que um olho de fogo
medonho me olhou:
— Olha que o Papa-Figo te agarra, desgraçado!

Dos brutos guindastes
de vultos enormes
ainda maiores
nessa escuridão...
os braços de ferro,
pesados e longos,
parecem querer
suster-me no chão!
— Ai! Eu tenho medo dos guindastes por causa daquele bicão!

Sozinho, de noite,
nas ruas desertas
do velho Recife
que atrás arruado
moderno ficou...
Criança de novo
eu sinto que sou.
— Larga de ser vagabundo, Ascenso!



Ascenso embustecido à beira do Capibaribe, Recife Antigo
Foto: Manoel Carlos PInheiro


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Novembro 21, 2007
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Novembro 16, 2007


Juvenil ou varonil?

      Após a Proclamação da República, por sugestão de Benjamin Constant, a Bandeira do Brasil teve a Coroa Imperial substituída pela esfera azul-celeste com a divisa positivista "Ordem e Progresso", numa referência à máxima do Positivismo "O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim". Benjamin Constant desenvolveu idéias antimetafísicas e antiteológicas, apresentou formulações com base em fatos e dados da experiência e assumiu posições claramente anti-escravistas e republicanas. O Fundador da República certamente utilizava o termo Progresso no sentido atualmente utilizado para Desenvolvimento Humano.
      No dia 29 de novembro de 1905, Pereira Passos, Prefeito do Rio de Janeiro, ex-colega da Escola de Engenharia e amigo de Benjamin Constant, enviou um ofício ao responsável pela educação municipal. Naquela época, o titular do cargo, José de Medeiros e Albuquerque, autor da letra do Hino da Proclamação da República, encontrava-se licenciado, sendo substituído por Manuel Bomfim que seria efetivado no cargo no dia 27 de abril de 1906, data da aposentadoria do titular. Transcrevo na íntegra, com a grafia original, o ofício do Prefeito do Rio.

Ao Sr. Director interino da Directoria Geral de Instrucção Publica
      Considerando como um dos mais elevados fins de assistencia educativa que a Municipalidade tem o dever de proporcionar, com o ensino primario, aos nossos jovens patricios – o de desenvolver-lhes os sentimentos e qualidades civicas, e convencido de que nada poderá concorrer de modo mais efficiente para esse resultado do que o culto da bandeira nacional, representação suprema de nossa Patria e a melhor synthese das suas aspirações de paz e prosperidade, mediante o respeito á lei e o amor ao trabalho, recomendo-vos que providencieis no sentido de ser, ao mesmo tempo elevado e simples, que lhes exalte o sentimento civico sem exceder á comprehensão de suas tenras intelligencias.
      Recomendo-vos, outrossim, que me apresenteis, com a possivel brevidade, um programma de facil realisação, comprehendendo a lettra e musica do hymno a ser adoptado, afim de que desde o inicio do anno proximo lectivo possa ser cumprida essa determinação.
      O mesmo culto á bandeira será prestado nos demais estabelecimentos de ensino e assistencia á infancia a cargo da Municipalidade.
                  Francisco Pereira Passos


      Olavo Bilac fez o poema que foi musicado por Francisco Braga. A letra e a partitura foram publicadas no Boletim da Intendencia de Janeiro a Março de 1906, respectivamente às páginas 160 e 161.
      A adoção do hino nas escolas municipais foi um grande sucesso, a ponto de ser oficializado como Hino à Bandeira Nacional. A partir de então, o Hinário Nacional passou a ser composto por: Hino Nacional (letra: Osorio Duque Estrada, música: Francisco Manuel da Silva), Hino à Bandeira Nacional (letra: Olavo Bilac, música: Francisco Braga), Hino da Independência do Brasil (letra: Evaristo Ferreira da Veiga, música: D. Pedro I) e Hino da Proclamação da República (letra: José de Medeiros e Albuquerque, música: Leopoldo Miguez).
      O Exército Brasileiro, ao cantar o Hino à Bandeira Nacional, considerou que seria mais apropriado que um soldado dissesse: "nosso peito varonil" em vez de "nosso peito juvenil". Contudo, eu tive acesso à publicação original do poema de Olavo Bilac e constatei que a expressão usada é mesmo "nosso peito juvenil", portanto, o uso feito pelo Exército Brasileiro é uma adulteração do hino adotado e oficializado, além de um desrespeito à própria história do surgimento do hino.
      A execução do Conjunto Musical da Polícia Militar do Estado de São Paulo, uma das mais difundidas, usa "nosso peito varonil", como é possível contatar clicando aqui ou abaixo
:
      Flora, minha filha mais jovem, estudou a primeira parte do Ensino Fundamental numa escola de freiras-operárias de uma ordem italiana. Neste colégio, às sextas-feiras, antes do ingresso dos alunos, havia formatura e todos cantavam o Hino Nacional. A segunda parte do Ensino Fundamental, Flora estudou no Liceu Franco Brasileiro, no qual, eventualmente, os alunos cantavam o Hino Nacional brasileiro e, em francês, o Hino Nacional francês. Flora cursa o Segundo Grau no tradicionalíssimo Colégio Pedro II, Unidade Centro, a mais tradicional, e esporadicamente os alunos cantam o Hino Nacional. Em todos os casos, o Hinário Nacional é desconhecido de nossos jovens.

      De acordo com o espírito que inspirou o Prefeito Pereira Passos, o Prefeito do Rio de Janeiro poderia determinar que os alunos das escolas públicas municipais cantassem semanalmente, cada um dos quatro hinos do Hinário Nacional, de forma tal que, uma vez por mês, seria entoado um dos hinos do hinário. A providência seria oportuna e bem-vinda, no momento crítico em que vivemos, com perda de valores éticos, filosóficos, ideológicos e políticos, sobretudo os referentes à identidade nacional e à democracia.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Novembro 16, 2007
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Novembro 12, 2007


Dissolução e solução

     Isto é coisa de meus detratores. Acusam-me, com absoluta injustiça, de ser o responsável pelo apelido de Ademir, meu colega de turma, no Curso Técnico do Colégio Agrícola da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Numa aula de Química, o professor tentava explicar solução ideal, sem variação de volume e sem desprendimento ou absorção de calor. Ademir voltou ao assunto da aula anterior, o que foi maçante para o resto da turma. Ele não conseguia entender a diferença entre mistura e solução, que a primeira permitia a separação de suas substâncias por meios físicos ou mecânicos, sem necessidade de meios químicos. Na verdade, Ademir não entendera o que é ponto de saturação físico, químico ou social, pois ele saturou a paciência dos colegas. Malvados como todos adolescentes, nós começamos a mangar de Ademir que ficava cada vez mais nervoso. O professor Dionísio até que foi muito paciente: — meu caro, peguemos água e açúcar... Quando parecia que Ademir entendera, saía um desatino. A turma gargalhava, Ademir ficava mais nervoso, tartamudeava. O professor retroagia, começava do zero, explicava, perguntava. Nada! No auge da confusão mental de Ademir, o professor perguntou: — meu caro, quando misturamos água com areia, temos o quê? — garapa!
     A sonora gargalhada de toda a turma fez com que o inspetor Sérgio discretamente passasse pelo corredor. O próprio professor Dionisio demonstrou ter dificuldade em conter o riso. Acabou a aula. Desde então, todos no colégio passaram a tratar Ademir como Garapa de Areia.
     Esta semana eu me lembrei do episódio. Numa questão de um teste escolar, neste novo estilo em que não há separação das questões por disciplina, para explicar a diferença entre dissolução e solução, um aluno respondeu: “se um operário caísse em um tanque contendo ácido clorídrico, seu corpo seria corroído pelo ácido, este é um exemplo de dissolução. Se em vez do operário, caíssem Lula e seus ministros, seria uma solução”.

Cento e cinco anos

     Há cento e cinco anos, em 27 de outubro de 1892, nasceu em Quebrangulo, Alagoas, o escritor Graciliano Ramos. Em 19 de outubro, publiquei aqui um excerto de uma crítica de Otto Maria Carpeaux sobre a visão de Graciliano. Noutras oportunidades, referi-me a um fato pouco divulgado que é a influência de Graciliano Ramos no jornalismo brasileiro. Ela foi determinante do estilo simples e objetivo adotado pelos jornais, a partir da primeira metade do século passado. Na condição de editor (na época não era esta a designação), Graciliano cortava o texto dos jornalistas, suprimindo floreios e palavras pomposas. Foi por isto que ele ganhou fama de irascível. Graciliano não perdoava textos prolixos. Mais do que a objetividade, Graciliano Ramos perseguia a clareza, característica essencial da comunicação escrita.


Graciliano RamosJoão Cabral de Melo Neto

Falo somente com o que falo:
com as mesmas vinte palavras
girando ao redor do sol
que as limpa do que não é faca:

de toda uma crosta viscosa,
resto de janta abaianada,
que fica na lâmina e cega
seu gosto da cicatriz clara.

***
Falo somente do que falo:
do seco e de suas paisagens,
Nordestes, debaixo de um sol
ali do mais quente vinagres:

que reduz tudo ao espinhaço,
cresta o simplesmente folhagem,
folha prolixa, folharada,
onde possa esconder-se a fraude.

***
Falo somente por quem falo:
por quem existe nesses climas
condicionados pelo sol,
pelo gavião e outras rapinas

e onde estão os solos inertes
de tantas condições caatinga
em que só cabe cultivar
o que é sinônimo de mingua.

***
Falo somente para quem falo:
quem padece sono de morto
e precisa um despertador
acre, como o sol sobre o olho:

que é quando o sol é estridente,
a contra-pêlo, imperioso,
e bate nas pálpebras como
se bate numa porta a socos.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Novembro 12, 2007
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Novembro 07, 2007


Tortura nunca mais

     Faleceu, aos 56 anos, o jornalista Celson Franco, ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo de Reportagem de 1990, com uma matéria na qual denunciou tortura a que soldados da Aeronáutica foram submetidos para confessarem a autoria do roubo de duas armas. Os torturados eram inocentes, mas isto é o menos importante. Mesmo que fossem culpados não poderiam ser torturados. Poderíamos pensar que a tortura foi um assunto digno de nota, com reportagens premiadas, nos anos que se seguiram ao fim da Ditadura Militar no Brasil. Infelizmente é assunto atual, em pleno terceiro milênio.
     Vivemos tempos de crise.
     Há um retrocesso mundial em questão de princípios. O imediatismo, o casuísmo, o maniqueísmo e outros aspectos e interesses circunstanciais da vida se sobrepõem aos princípios éticos, aos valores morais, às concepções filosóficas.
     De 1 a 30 de setembro, mês sagrado do ramadã, as tropas de ocupação israelense assassinaram trinta e cinco palestinos, entre os quais cinco crianças e uma anciã; feriram cento e setenta e duas pessoas; realizaram duzentos e vinte e nove ataques ataques; setecentas e vinte incursões; detiveram e seqüestraram quatrocentos e catorze palestinos, entre os quais dezenas de adolescente e mulheres; demoliram oito casas; invadiram trinta e nove residências; realizaram seis toques de recolher; promoveram cento e cinqüenta e seis barreiras; quatrocentos e quarenta e cinco controles militares; cercaram as mesquitas de Nablus e Belém; fecharam a mesquita de Abraão em Hebron, além de diversas escolas; e confiscaram terras para a construção de novas bases militares - fonte.
     Não faltam indícios e provas de que os EUA têm raptado e torturado cidadãos do mundo inteiro, basta que eles considerem suspeitos de “terrorismo”, sem culpa formalizada, sem direito de defesa. Além disto, na guerra de pilhagem, em busca de petróleo, invadiram o Iraque, torturam e massacram a população civil e todos os patriotas iraquianos que resistem à invasão.
     Na Inglaterra, quando o brasileiro Jean foi estupidamente assassinado pela polícia, eu desconfiei imediatamente de que se tratava de uma ação truculenta e arbitrária. No debate travado no calor dos acontecimentos, uma brasileira, radicada no exterior, na ocasião, disse algo como: “alguma ele fez”. Não fez. Jean ia pacificamente para o trabalho. Como havia informação falsa sobre ele, os policiais, a título de vingança pelos atentados aos meios de transportes ingleses, o executaram com um tiro na nuca. Ele não fugiu, não portava mochila que pudesse aparentar posse de material suspeito, nada.
     Agora, há indícios e evidências de que em Portugal o “couro come solto” nas prisões. E a polícia, para mascarar sua incompetência investigativa, culpa vítimas.      Aparentemente é assim com os pais da criança inglesa desaparecida. A vítima da vez é a baiana Ana Virgínia Sardinha. Ela foi presa pela polícia portuguesa, acusada de matar o próprio filho. Ela e sua família alegam inocência. Há indícios e evidências de que foi torturada. Sob tortura, há quem confesse o que não fez.
     A diferença entre o casal inglês e a brasileira é que o serviço diplomático da Inglaterra dá assistência e proteção aos seus cidadãos, no caso da brasileira, falta assistência da embaixada do Brasil.
     Afinal, quem pensa nos brasileiros? Aparentemente, integrantes do governo federal têm outras preocupações, seus negócios, como a entrega do país. Daqui a vinte dias, Lula entregará mais uma parte de nossos recursos petrolíferos, por meio de leilão. É o jeito “moderno” de administrar. Quero ver esta “modernidade” nos EUA. Lá, não!
     Quero me somar àqueles que se preocupam com a situação da brasileira em Portugal. A blogosfera pode e deve fazer a diferença. Tortura, nunca mais!

Luz de Luma tem mais informações sobre este assunto.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Novembro 07, 2007
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wDivagações e citações - Sábado, Novembro 03, 2007


Habeas data

     Um grupo de boêmios seresteiros teve o violão apreendido pela polícia em plena serenata. Isto foi em 1955, em Campina Grande, Paraíba. O então recém-formado advogado Ronaldo Cunha Lima, apreciador de seresta, a pedido dos seresteiros, requereu em juízo a liberação do violão, apresentando a seguinte petição:


HABEAS PINHO

Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito da 2ª Vara desta Comarca:

O instrumento do crime que se arrola
Neste processo de contravenção
Não é faca, revólver nem pistola,
É simplesmente, doutor, um violão.

Um violão, doutor, que na verdade,
Não matou nem feriu um cidadão,
Feriu, sim, a sensibilidade
De quem o ouviu vibrar na solidão.

O violão é sempre uma ternura,
Instrumento de amor e de saudade,
Ao crime ele nunca se mistura,
Inexiste entre eles afinidade.

O violão é próprio dos cantores,
Dos menestréis de alma enternecida
Que cantam as mágoas e que povoam a vida
Sufocando suas próprias dores.

O violão é música e é canção,
É sentimento de vida e alegria,
É pureza e néctar que extasia,
É adorno espiritual do coração.

Seu viver, como o nosso, é transitório,
Porém seu destino se perpetua,
Ele nasceu para cantar na rua
E não para ser arquivo de Cartório.

Mande soltá-lo pelo Amor da noite,
Que se sente vazia em suas horas,
Para que volte a sentir o terno açoite
De suas cordas leves e sonoras.

Libere o violão, Dr. Juiz,
Em nome da Justiça e do Direito,
É crime, porventura, o infeliz
cantar as mágoas que lhe enchem o peito?

Será crime, e, afinal, será pecado,
Será delito de tão vis horrores,
perambular na rua um desgraçado
derramando ali as suas dores?

É o apelo que aqui lhe dirigimos,
Na certeza do seu acolhimento,
Juntando esta petição aos autos nós pedimos
e pedimos também DEFERIMENTO.

Ronaldo Cunha Lima, advogado.


     Despacho do juiz Arthur Moura


Para que eu não carregue remorso no coração,
Determino que seja entregue ao seu dono,
Desde logo,
O malfadado violão!


     Ronaldo Cunha Lima foi eleito Deputado Estadual, Prefeito de Campina Grande, Senador da República, Governador do Estado e Deputado Federal. Em 1993, quando era Governador da Paraíba, atirou no ex-governador Tarcísio Burity. Como Ronaldo Cunha Lima sempre exerceu cargo eletivo, teve direito a foro privilegiado e só poderia ser julgado pelo Supremo Tribunal, após autorização do Congresso Nacional. O processo contra ele permaneceu parado no Supremo Tribunal por doze anos. Há uma semana, ao perceber que seria julgado, Ronaldo Cunha Lima renunciou ao mandato de Deputado Federal e o processo retornará à Justiça da Paraíba, devendo se arrastar por muitos anos.
     Talvez Ronaldo Cunha Lima jamais seja julgado ou seu julgamento seja realizado quando ele já não possa ser preso por ter atingido idade que a lei o torna não condenável.
     Sou favorável à manutenção do foro privilegiado para os chamados crimes de opinião, mas não para os demais crimes.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sábado, Novembro 03, 2007
Comentário e zombaria:




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Praia do Porto - Costa Dourada
Litoral Sul de Pernambuco
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Parque das Emas
Goiás - Mato Grosso do Sul
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Chapada dos Guimarães
Mato Grosso
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Serra dos Órgãos
Estado do Rio de Janeiro
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Campos do Jordão
São Paulo
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Provetá - Ilha Grande
Estado do Rio de Janeiro
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Candeias
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Mercado São Josá - Recife
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Piedade
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
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Pouso Alegre
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Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Pão-de-Açúcar
Rio de Janeiro
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Vista de Casa
Cristo Redentor
Rio de Janeiro
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Vista de Casa
Nascente - Pão-de-Açúcar
Rio de Janeiro
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Poente - Floresta da Tijuca
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Maracanã
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Niterói
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Quinta da Boa Vista
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Zona Norte
Rio de Janeiro
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Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Micos
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Igreja da Penha
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro