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wAgreste |
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Rabiscos e divagações
 Auto-retrato |
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Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos e um neto. Contato |
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Rabiscos e divagações  |
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"Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós" Agostinho Neto |
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"Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos" Vital Farias |
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"Não há vento favorável para quem não sabe a que porto quer chegar" Luiz Carlos Prestes |
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"Eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim" Paulinho da Viola |
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"Quando a riqueza de poucos afronta a miséria de muitos, a insegurança é de todos" Josué de Castro |
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Agosto 27, 2007 |
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Desde a adolescência, eu durmo muito pouco, jamais tive insônia ou dormi mal, apenas sinto necessidade de dormir pouco, houve uma época em que eu dormia menos do que atualmente; a rotina atual inclui deitar depois de meia-noite e levantar antes das seis horas. Mesmo aos fins de semana. No domingo, o que muda é que, em vez de trabalharmos após o café da manhã, lemos jornais e conversamos. Se alguém nos visse, por certo pensaria que somos velhos, rabugentos e brigões. E somos. Mas quero dizer que nossos impropérios nas manhãs dominicais não são ofensas mútuas, nem ranzinzice de velhos, mas manifestações de nossa indignação com o que lemos nos jornais.
Neste domingo, a placidez matutina foi interrompida pelas reclamações de Sílvia: — quanta estupidez! Nem um aprendiz de dirigente de grêmio estudantil seria tão pueril. Veja só isto! Como é tosca esta proposta de Paul Singer! Aliás, no início, o jornalista qualifica Paul Singer como um dos principais ideólogos do PT, como se o PT tivesse ideologia ou ideário!
Ainda bem que eu havia acabado de preparar um suco de maracujá, mudando a rotina de leituras e conversas amenas de uma manhã dominical, pois, mais que calmante, ele justifica a denominação dada pelos franceses: fruit de la passion.
Segregação racial
Se há uma coisa que admiro e respeito nos EUA é que lá ninguém pode perguntar qual é o credo de uma pessoa, seja em censo ou entrevista. Esta proibição é a forma de preservação da liberdade de opinião, pois a identificação poderia levar à discriminação.
Atualmente, vivemos no Brasil uma séria crise de valores filosóficos, éticos e morais. O atual prepone e seus aspones, em todos aspectos cotidianos, são fascistóides.
A antiga Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, a exemplo de outras universidades públicas brasileiras, em seu formulário de inscrição para o exame de admissão, exige que o estudante inscrito diga como se reconhece: branco, negro, amarelo, pardo ou indígena.
Quando Flora ingressou no Colégio Pedro II, foi-lhe feita esta pergunta em um formulário impresso. Na resposta, ela assinalou as cinco opções, indicando 20% em cada uma delas. Depois, ela me disse que, caso fosse questionada, justificaria a resposta: se o governo quiser, pode levantar os marcadores genéticos dela, pois ela não se preocupa com esta questão, nem considera que a etnia seja um critério de valorização das pessoas.
Para o çábio çóbrio da çilva, a etnia é fator de discriminação e deve ser registrada em todas as atividades cotidianas. É o mesmo raciocínio, aplicado de forma inversa, da não identificação das crenças individuais como garantia de liberdade de pensamento e de opinião nos EUA.
Para os fascistóides racistas do governo federal, discípulos de Paul Joseph Goebbels, a implantação do segregacionismo racial no Brasil é uma questão estratégica para divisão do povo brasileiro, no processo de implantação de um regime nos moldes do fascismo.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Agosto 27, 2007
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wDivagações e citações - Terça-feira, Agosto 21, 2007 |
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Providência
Postagem inspirada em comentário de Magro, de quem roubei a imagem.
Aspone: — presidente, vazaram imagens de Waldomiro Diniz pedindo propina a um bicheiro (fevereiro de 2004)
Prepone: — vou tomar providência!
Aspone: — presidente, apareceram imagens de um funcionário dos Correios recebendo propina. (maio de 2005)
Prepone: — vou tomar providência!
Aspone: — presidente, apareceram denúncias de que Lulinha (Fábio Luiz Lula da Silva) recebeu dez milhões da Telemar. (junho de 2006)
Prepone: — vou tomar providência!
Bingos, mensalão, Instituto de Resseguros do Brasil, Eletronuclear, Furnas, Infraero, Petrobrás, sanguessugas, vampiros, aloprados, ingênuos, navalha na carne, contas pessoais, cartão de crédito institucional etc. Haja providência!
Nota:
Aspone (domínio público) - assessor de porra nenhuma
Prepone (Millôr Fernandes) - presidente de porra nenhuma

MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Agosto 21, 2007
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Agosto 15, 2007 |
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De Serra, de Terra e de Mar
Geraldo Vandré, Théo de Barros e Hermeto Pascoal
Eu sempre quis ser contente
eu sempre quis só cantar
trazendo pra toda gente
vontade de se abraçar.
Eu tinha no sol mais quente
a terra pra me alegrar
e a serra florando em frente
lavava os seus pés no mar.
E não era de ser feliz,
não era de só cantar
quem tinha tudo o que quis?
Se era pouco o que a gente tinha
por pouco, porém convinha
a vida inteira trocar.
Mas um dia tudo mudou
a vida se transformou
e a nossa canção também
Para ouvir De Serra, de Terra e de Mar, com Geraldo Vandré, por favor, clique aqui ou abaixo
Paraibano, como Geraldo Vandré, Marcelo Melo se mudou de Campina Grande para o Recife ainda criança, formou-se em Agronomia na Universidade Federal Rural de Pernambuco, ganhou uma bolsa de estudos para especialização na Bélgica e depois fez mestrado na França. Em Pernambuco, Marcelo participara da criação do Grupo Construção, na Europa, tornou-se famoso, sobretudo entre os exilados políticos brasileiros, como violonista e violeiro. Participou do disco de Vandré, Das terras do Benvirá, de quem se tornou amigo. Ao fim da gravação, a polícia encontrou cinco gramas de haxixe no carro de Vandré e todo o grupo foi preso e expulso da França, onde o cidadão Marcelo de Vasconcelos Cavalcanti Melo passou a viver semiclandestino. Ajudado pela amiga Françoise Hardy, Marcelo se apresentou em emissoras de rádio e programas de televisão e participou de gravações de discos. Marcelo Melo influenciou alguns violonistas, mas também foi influenciado por eles, pois assimilou o modo como os amigos cabo-verdianos tocavam, próximo ao ponteado de antigos violonistas brasileiros, como Donga e Heitor dos Prazeres. No retorno ao Brasil, reencontrou o amigo Toinho Alves e criaram um grupo musical, inicialmente chamado de Grupo Acauã. Eu assisti apresentações do grupo no Teatro Manguinhos, cedido por Dom Hélder Câmara, depois o grupo ao ser chamado de violados (em vez de violeiros) por crianças de Nova Jerusalém, adotou o nome de Quinteto Violado.
Por meio de Toinho, conheci Marcelo de quem me tornei amigo. Eu me lembro até da belíssima namorada dele, conhecida em Vitória, na temporada do Quinteto Violado no Espírito Santo, na apresentação do espetáculo Berra Boi, em 1973. Eu gravara algumas apresentações na temporada carioca, fiz uma edição que depois Marcelo me pediu emprestada para mostrar a uns europeus e jamais me devolveu. Eu sempre digo que ele pode me acusar de pirataria, em compensação, posso acusá-lo de ser batoteiro aldrabão enquanto ele não me devolver a gravação que deixou com os produtores franceses, ou seja, para sempre.
Ritinha, a namorada capixaba, casou-se com Marcelo e tiveram um filho, Lelo. Nas temporadas cariocas, Ritinha vinha ao Rio e nos tornamos muito amigos. Ela era muito simpática e inteligente. Lembro-me especialmente de duas ocasiões. Uma vez, eu fui passar o fim do ano no Recife e Marcelo recebera uma fita de um disco ainda não lançado, Antologia do Frevo, produzido pelo Quinteto Violado, com a Orquestra de José Menezes. Marcelo botou a fita para tocar no carro, enquanto passeávamos pelo Recife iluminado e Ritinha cantarolava todos os frevos. Noutra ocasião, há cerca de vinte e cinco anos, passei o carnaval no Recife e o Quinteto Violado tocou todas as noites na Pracinha do Diário, revezando-se com uma orquestra recifense. Quando o Quinteto se apresentava com o Balé Popular, eu e Ritinha, com alguns amigos, ficávamos pulando em frente ao palco. Quando o Quinteto e o Balé Popular descansavam, íamos para trás do palco e, enquanto a outra orquestra tocava, eu e Ritinha, sob os gracejos de Marcelo, formávamos uma rodinha com o pessoal do Balé Popular e continuávamos pulando frevo. Durante o dia, enquanto o pessoal descansava, eu seguia blocos, clubes e troças, movido a biocombustível, num dispêndio de energia capaz de aplacar a atual crise energética.
Há pouco mais de dez anos, enquanto dava uma aula de Antropologia, na Universidade Federal da Paraíba, Ritinha sofreu um AVC, foi levada às pressas para o Recife, passou por uma cirurgia de mais de doze horas e conseguiu sobreviver sem seqüelas. Na época, eu fui ao Recife e Marcelo me convidou para almoçar na casa deles. Ritinha ainda estava com a cabeça raspada e muito insegura. Depois do almoço, eu tentava resolver um problema no computador deles e ela me perguntou: — Manoel Carlos, você aprendeu informática como? Fez algum curso? Respondi. Poucos minutos depois, ela me fez a mesma pergunta e eu respondi como se fosse a primeira vez. A cena se repetiu umas seis vezes. Depois, Marcelo me agradeceu, disse que minha reação foi muito boa, pois o médico advertira que ela passaria por uma perda de memória recente, mas as pessoas deveriam agir com naturalidade para que ela não ficasse insegura sobre a própria capacidade. Ritinha recuperou-se completamente.
Em junho deste ano, o choque: Ritinha faleceu aos cinqüenta e um anos de idade. Eu soube depois. O amigo Marcelo certamente está inconsolável. Eu telefonei e não o encontrei em casa, por covardia achei conveniente, pois não sei o que dizer. Se nos encontrássemos, certamente nos abraçaríamos e talvez chorássemos a perda irreparável. Depois, falaríamos de minha querida amiga, Ritinha, a companheira e o amor da vida de Marcelo. Aos poucos riríamos das coisas engraçadas que ela dizia e nos lembraríamos de como Ritinha iluminava tudo à sua volta. Por telefone, não sei como será, mas preciso falar com Marcelo, amigos são amigos em todas as horas.
Para ouvir Das terras do Benvirá, com Geraldo Vandré, com participação de Marcelo Melo (voz, violão e viola), por favor, clique aqui ou abaixo
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Agosto 15, 2007
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Agosto 10, 2007 |
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A Zelite qué dá golpe?
"Os banqueiros não querem que essa turma deixe o governo. Nunca ganharam tanto dinheiro como nestes sete anos" - Lula ao jornal O Estado de São Paulo, em maio de 2002.
O Bradesco, maior banco privado do país, anunciou ontem lucro de R$ 4,007 bilhões no primeiro semestre deste ano, registrando crescimento de 27,9% sobre os resultados do mesmo período do ano passado. A notícia é do Jornal do Brasil, 07/08/2007.
Lucro do Itaú bate recorde do Bradesco - o Itaú lucrou R$ 4,016 bilhões no primeiro semestre deste ano. O crescimento foi de 35,8% no período. O resultado é um pouco maior do que o do Bradesco divulgado na véspera. Mas, com isso, agora é do Itaú o maior ganho da história de bancos privados no país. O Globo, 08/08/2007.
O lucro líquido dos dez bancos que apresentaram balanço do primeiro semestre até agora cresceu 44,5% e atingiu R$ 10,9 bilhões, segundo levantamento da Austin Rating. 'Dificilmente outro setor da economia apresentará um crescimento tão robusto como o apurado pelo setor bancário', afirma o presidente da Austin Rating, Erivelto Rodrigues. A notícia é do jornal O Estado de São Paulo, 08/08/2007.
O lucro líquido do Santander cresceu 112% no primeiro semestre deste ano e atingiu R$ 1,002 bilhão. O resultado foi responsável por 10% do ganho global do banco e representou 33% do lucro apurado em toda a América Latina. “Estamos numa boa velocidade de crescimento semestre a semestre. Isso porque temos conseguido elevar as receitas sempre em nível duas vezes superior ao das despesas”, afirmou o vice-presidente executivo da instituição, José Paiva Ferreira. A reportagem é de Renée Pereira e publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, 27/07/2007.
Certa vez, numa reunião, ouvi Santiago Alvarez, o grande documentarista cubano, dizer uma coisa muito simples: — a realidade não se descreve, interpreta-se. Quando vou fazer um filme, tenho uma tese e uso as imagens da realidade para demonstrá-la, outro cinegrafista, com as mesmas imagens, poderia dar interpretação contrária; portanto não há objetividade, mesmo no cinema documental, sem carga de subjetividade.
Na época da eleição presidencial, muitos dos que se diziam envergonhados pelos escândalos, mudaram de posição e repassaram uma mensagem que dizia algo como: considere apenas os números.
O que alguns amigos não percebem é que os números que eles me enviavam representavam como a economia ia bem, pela perspectiva dos bancos, do capital financeiro. Eu enviava de volta, por exemplo, o IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, demonstrando o quanto nossa vida havia piorado, pela perspectiva dos cidadãos, da qualidade de vida, da preservação ambiental...
Tenho recebido muitas mensagens de pessoas apreensivas, preocupadas com um possível golpe, em marcha, no Brasil. Eu pergunto: golpe de quem contra quem? É mais uma vez a tropa de choque dos corruPTos, com a chantagem desqualificada. Eles são incansáveis, tanto como hienas que devoram nosso país, quanto como permanentes propagandistas. Quem os critica é rotulado de reacionário, de “classe média” insatisfeita porque o povo agora viaja de avião e há filas, o que é outra forma de dizer o que disse o ministro da prosperidade. Mandam que olhemos quem está ao nosso lado antes de engrossarmos as vaias a Lula. Eles estão ao lado de quem? Daqueles que eles tanto desqualificaram. Lula beija a mão de Jader Barbalho e eles acham um gesto muito natural; estão satisfeitos ao lado de Maluf, Sarney, Quércia, Geddel, Edir Macedo e tantos outros. Para eles é natural, pois são seguidores do pior deles: Lula, o agente formado pela CIOLS.
A origem dos boatos do golpe “da Zelite” é esta: uma chantagem àqueles que vaiam o deus deles, deus de pés de barro, atolado no mar de lama em que se tornou este país.
Os motivos da chantagem? Manifestações como esta.
Em 2002, Luciano Martins, sociólogo brasileiro, escreveu que “a irracionalidade e a arrogância do governo americano talvez não sejam apenas atributos pessoais do momento, mas possam se tornar uma atitude coletiva, assim como ocorreu na Alemanha nazista e parece ocorrer em Israel. O atual silêncio do Partido Democrata e de muitos intelectuais americanos parece sugerir que Bush, de algum modo, exprime um sentimento coletivo.”
O que ele afirmou, certamente se aplica ao Brasil. Este deveria o motivo de nossas preocupações, pois os fascistóides, seguidores do agente da CIOLS, chocam o ovo da serpente.
Meu país
A propósito, vejam esta dica que c.a.t., de Catalisando, me enviou.
Original, na voz do autor da letra, João de Almeida Neto: aqui
Em vídeo, voz de Zé Ramalho: aqui
Letra completa: aqui
Saiba mais: aqui
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Agosto 10, 2007
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Agosto 06, 2007 |
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Direito de resposta
Presidente, pela TV: — ninguém consegue botar mais gente na rua do que eu!
Manoel Carlos: — é verdade, nunca na história deste país houve tanta gente na rua da amargura, é o maior número de desempregados em toda história nacional.
Desumanidade
No dia 17 do mês passado, quando vimos na TV imagens de um incêndio, imaginamos que se tratava do aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio de Janeiro, pois já sabíamos que uma parte do aeroporto, ainda em obras de reforma, pegava fogo, inclusive havia um grande tumulto no trânsito nas imediações da Praça XV, por conta do incêndio.
Surpreendeu-nos a notícia de um desastre com um avião, em Congonhas, aeroporto paulistano. A nossa primeira reação foi de incredulidade quando soubemos qual a gravidade do acidente. As informações eram precisas, mas nós não queríamos acreditar, recusávamo-nos a aceitar que tantas pessoas tivessem perdido a vida de forma desnecessária e estúpida.
Quando começamos a aceitar o fato, sentimos um misto de dor e solidariedade em relação aos familiares das vítimas. Sílvia, sempre durona, não resistiu ao ver o desespero de uma mulher que perdera seus dois filhos. Chorou e pediu-me para não ver TV. Naquela noite, não conseguiu dormir. Amanheceu como se ela mesma tivesse perdido familiares. Nossa filha mais nova não estava em casa e esperamos a hora de ela acordar, telefonamos como pais carentes, apegando-nos à nossa filha como gostaríamos de que aquelas pessoas desesperadas pudessem apegar-se aos seus entes queridos, infelizmente falecidos.
Quando nos acostumamos com a dor, uma surda revolta tomou conta de nós. Infelizmente sabemos que nada mudará, os sórdidos interesses prevalecerão, propiciando a continuação de descaso, inconseqüência, irresponsabilidade e impunidade.
O que vimos a seguir provocou-nos náusea. O que deveria ser, antes de tudo, um drama humano se transformou em circo dos horrores por parte da mídia que explorava cada detalhe da tragédia. E em espetáculo de insensibilidade, oportunismo e cinismo por parte de “governo” e “oposição”.
Choremos respeitosamente os mortos. Depois, serenamente, apuremos as responsabilidades. Que sejam proclamados os inocentes e punidos os culpados. E, sobretudo, cuidemos para que outras tragédias anunciadas não se repitam.
Infelizmente creio que não será assim. Ninguém procura a verdade, todos procuram as conveniências. Manipulam dados e informações com o claro intuito de culparem "os outros", de preferência as vítimas ou os adversários.
Estamos indignados com a leviandade das ditas autoridades, a começar pelo presidente, pois poucos dias antes, ele foi fotografado muito triste por ter recebido uma estrondosa vaia. Contudo, na substituição do ministro, em função da crise aérea, estava às gargalhadas, como se não tivesse obrigação de respeitar a dor alheia.
Não me venham falar de golpes, os fatos e as imagens falam por si. Não são apenas incompetentes e irresponsáveis, são monstros sem um mínimo de sensibilidade.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Agosto 06, 2007
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Praia do Porto - Costa Dourada Litoral Sul de Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
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Parque das Emas Goiás - Mato Grosso do Sul Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
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Chapada dos Guimarães Mato Grosso Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
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Serra dos Órgãos Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Campos do Jordão São Paulo Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Provetá - Ilha Grande Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Candeias Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Mercado São Josá - Recife Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Piedade Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Pouso Alegre Minas Gerais Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Pão-de-Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Cristo Redentor Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Nascente - Pão-de-Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Poente - Floresta da Tijuca Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Maracanã Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Niterói Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Quinta da Boa Vista Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Zona Norte Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Micos Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Igreja da Penha Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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