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wAgreste |
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Rabiscos e divagações
 Auto-retrato |
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Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos e um neto. Contato |
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Rabiscos e divagações  |
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"Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós" Agostinho Neto |
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"Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos" Vital Farias |
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"Não há vento favorável para quem não sabe a que porto quer chegar" Luiz Carlos Prestes |
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"Eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim" Paulinho da Viola |
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"Quando a riqueza de poucos afronta a miséria de muitos, a insegurança é de todos" Josué de Castro |
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Maio 31, 2007 |
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Livre pensar
Dois publicitários brasileiros, após a vitória do candidato deles, cheios da grana, em viagem pela Suíça, conversavam à beira de um lago, sobre o poder de convencimento da publicidade. Um deles dizia que conseguiria eleger um presidente demagogo, analfabeto, despreparado, desonesto e mentiroso. O outro, ao observar seis pequenos grupos de turistas, propôs ao amigo que demonstrasse a capacidade de convencimento fazendo os turistas mergulharem nas frias águas do lago. Para cada pessoa que mergulhasse, o proponente pagaria cem euros.
O desafiado não se fez de rogado, caminhou até cada um dos grupos e retornou para perto do amigo. As cinqüenta pessoas dos seis grupos mergulharam no lago. Surpreso, o desafiante perguntou: — como você conseguiu convencê-los?
— Segredo profissional.
— Dobrarei o pagamento se você me contar o que disse àquelas pessoas.
— Para o grupo de alemães, eu disse que é determinação legal; para o grupo de japoneses, eu disse que é tradição; para o grupo de franceses, eu disse que é moda; para o grupo de russos, eu disse que as águas são medicinais; para o grupo de israelenses eu disse que é gratuito; e para o grupo de brasileiros, eu disse que é proibido.
(Li algo parecido numa mensagem que recebi por e-mail, mas não a encontrei para verificar quem a enviou, por isto não dou o devido crédito).
Eu tenho saudade do tempo em que nós, brasileiros, éramos brincalhões e irreverentes, dispostos a cometermos ou tolerarmos pequenas transgressões; para tudo havia o jeitinho brasileiro.
Os tempos mudaram. Praticam-se crimes cada vez mais hediondos, os grandes criminosos são impunes, a corrupção tornou-se técnica de gestão, enfim: vivemos na Era do Cinismo.
Catolicismo
Lula sempre se declarou católico e causou mal-estar o fato de ele se recusar a beijar a mão do papa, mesmo tendo beijado a mão de Jáder Barbalho. Em fotos espalhadas pela internet, viu-se que a primeira-dama fingiu beijar a mão do papa e beijou a própria mão. Contudo, nem tudo está perdido nas relações entre Lula e a Igreja, Bento XVI foi informado de que Lula leva um terço, em todas as suas realizações; há maior prova de catolicismo?
Quarta em dobro
Na próxima quarta-feira, às 16 horas, o Grupo Música Surda se apresentará no Real Gabinete Português de Leitura, à Rua Luís de Camões, Centro, atrás do Teatro João Caetano. Imperdível.
À noite, a partir das 19 horas, reuniremos um pequeno grupo de blogueiros com o escritor Moacir C. Lopes, no restaurante Brasa Grill, à rua Ministro Tavares Lira, 43, esquina do Largo do Machado, onde a comida, mesmo a peso, é excelente e o chope também. O papo justificará a reunião.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Maio 31, 2007
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wDivagações e citações - Domingo, Maio 27, 2007 |
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Eufemismo
O crime não compensa, quando compensa, muda de nome - Millôr Fernandes.
Numa democracia representativa, como a nossa deveria ser, é legítimo que os grupos de interesses se organizem e pressionem seus representantes eleitos, nos poderes Executivo e Legislativo, para que eles assumam e cumpram compromissos de acordo com os interesses dos grupos organizados. Os grupos populares, menos organizados, detêm mais votos, os grupos econômicos dominantes, mais organizados, detêm mais poder econômico e maiores facilidades de elaboração de campanhas publicitárias convincentes. Nos países de expressão inglesa, de tanto estes grupos de pressão freqüentarem as ante-salas, tiveram a sua atividade denominada de lobby. O lobby, como expressão de grupos organizados e pressão sobre representantes eleitos, é uma atividade legítima. No momento que um lobista favorece um governante, um parlamentar ou um funcionário público, deixa de ser lobby e passa a ser corrupção.
Certa vez, eu tive muita dificuldade para obrigar um amigo a convencer a própria mãe a não insistir em presentear minha irmã, servidora pública. (*).
Eu entendo que a mãe de meu amigo, italiana, descendente de camponeses rudes, não consiga perceber a linha divisória do comportamento ético de um servidor público. O que causa estranheza é ver o Ministro da Justiça afirmar que a Ministra Chefe da Casa Civil e o Governador da Bahia, dois próceres do PT, apenas receberam mimos e, por isto, não podem ser tratados como corruptos. Eu conheci Tarso Genro há mais de vinte anos e o achava um homem sério, atualmente, a respeito dele, tenho apenas uma dúvida: quando a frouxidão moral o dominou? Concordo que até eu estou usando eufemismo.
Em 1989, quando foi candidato a presidente pela primeira vez, Lula viajou pelo Brasil inteiro em um avião particular, cedido por um "amigo". O tal "amigo" era o filho de João Alves, o deputado que ficou conhecido por chefiar a denominada máfia dos "Anões do Orçamento". Mais do que isto, o "amigo" era dono da empresa responsável pelo fornecimento da merenda escolar à Prefeitura de São Paulo, à época governada pelo PT. Desde 1986, Lula não ocupava cargo algum, não tinha remuneração, recebia uma aposentadoria mixuruca. Em 2002, a declaração de renda de Lula já demonstrava que ele se tornara milionário, além disto, morava numa mansão, mantivera a filha estudando em Paris, usava roupas Armani, bebia Romanée Conti, ou seja, apresentava um padrão de vida incompatível com seus rendimentos, mesmo considerando-se que FHC havia concedido a ele, Lula, pensão especial, ilegal e imoral, enquadrando Lula como perseguido político que jamais foi.
Como diz Millôr Fernandes, quando compensa, o crime muda de nome, passa a ser receita não contabilizada, mimo ou qualquer outro eufemismo. Às vezes, somos traídos pelo uso das palavras, ao ressuscitar o uso da palavra maracutaia, Lula demonstrou que entendia mesmo do assunto, ele é o verdadeiro Presidente-Maracutaia.
(*) Minha irmã, no exercício de suas atividades, cumprindo seu dever, sem prejudicar outras pessoas, sem favorecimento algum, ajudou, explicou, esclareceu a mãe do meu amigo. O irmão dele era oficialmente casado e separado de fato, vivia com outra mulher e faleceu repentinamente, deixando a companheira grávida. A mãe de meu amigo quis registrar o neto como filho, que de fato era, do seu falecido filho. Não sabia o que fazer, nem como fazer. Meu amigo também não sabia e me consultou. Eu disse ao meu amigo que minha irmã poderia ajudar ou indicar alguém que o fizesse. Depois do caso resolvido, eu mesmo quase briguei com meu amigo, pois ele insistia na tese: - sua irmã fez porque quis e porque era certo, minha mãe só quer demonstrar gratidão. Eu concordava com minha irmã, pois só é certo até não haver recompensa, a partir de então, passa a ser errado, torna-se corrupção. É inaceitável a flexibilização de princípios éticos.
Juca Chaves dizia que perguntou a uma garota:
— por um milhão você irá para a cama comigo?
A garota: — claro, Juca! Com prazer!
Juca: — então eu pagarei quinhentos reais.
A garota: — você pensa que sou prostituta?
Juca: — isto já foi respondido na primeira pergunta, agora é só uma questão de preço.
Que "nunca na História deste país" houve um governo tão corrupto, está demonstrado, a diferença entre seus integrantes é o preço de cada um.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Domingo, Maio 27, 2007
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wDivagações e citações - Terça-feira, Maio 22, 2007 |
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Frase oportuna
14/05/2006
"O PT e o governo conseguiram desmoralizar o escândalo".
Max Camilo, morador de Nova Lima, Minas Gerais.
Citado por Ricardo Noblat
Aqui no cárcere - Agostinho Neto
Aqui no cárcere
eu repetiria Hikmet
se pensasse em ti Marina
e naquela casa com uma avó e um menino
Aqui no cárcere
eu repetiria os heróis
se alegremente cantasse
as canções guerreiras
com que o nosso povo esmaga a escravidão
Aqui no cárcere
eu repetiria os santos
se lhes perdoasse
as sevícias e as mentiras
com que nos estraçalham a felicidade
Aqui no cárcere
a raiva contida no peito
espero pacientemente
o acumular das nuvens
ao sopro da História
Ninguém
impedirá a chuva.
Cadeia da PIDE de Luanda,
julho de 1960
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Maio 22, 2007
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Maio 16, 2007 |
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Leituras e releituras
Acantha, de Banalidades raras, aceitou participar de uma corrente e me indicou. Minha aversão por correntes é inversamente proporcional ao respeito e carinho que tenho por meus amigos, daí eu não conseguir recusar. Esta é bem simples, pois se trata apenas de dizer que livro está na cabeceira, tecendo alguns comentários sobre o mesmo. O mais complicado é indicar alguém. Para mim não ficou claro o número de pessoas que preciso indicar, ela indicou cinco.
Habitualmente eu leio mais de um livro ao mesmo tempo, misturando leituras e releituras. Atualmente leio: Portagem, de Orlando Mendes; Rio de Janeiro, Planos, Plantas e Aparências, de Donato Mello Junior; Gonzaga, um poeta do Iluminismo, de Adelto Gonçalves; Nassau - sangue e amor nos trópicos e Jovita - a Joana d'Arc brasileira, de Assis Brasil; e A vida verdadeira de Domingos Xavier, de Luandino Vieira.
Orlando Mendes nasceu no dia 4 de agosto de 1916, na Ilha de Moçambique. Em 1940, publicou seu primeiro livro, Trajectórias, de poesia. Portagem, publicado em 1966, mas concluído mais de dez anos antes, é mais do que seu primeiro romance, é considerado o primeiro romance moçambicano. João Xilim, o protagonista mestiço, enfrenta problemas e mazelas da sociedade colonial, sobretudo o racismo e a exploração. João Xilim, em vão, busca desesperadamente suas raízes. Orlando Mendes as revela, na linguagem, na caracterização de personagens e na abordagem moçambicana, uma visão nacional, não colonizada.
Rio de Janeiro, Planos, Plantas e Aparências, de Donato Mello Junior; faz uma análise do processo de evolução urbana da cidade. Apresenta o que há de mais significativo na cartografia da cidade, desde o século XVI até o século XX, uma vez que o livro foi publicado em 1988. O autor analisa os principais planos urbanísticos e as mais relevantes intervenções; aborda aspectos teóricos, ideológicos, metodológicos e operacionais. Além disto, há um bom texto histórico.
Gonzaga, um poeta do Iluminismo, de Adelto Gonçalves; é uma biografia do poeta Tomaz Antônio Gonzaga. Além dos fatos relevantes da vida do poeta, o livro é, em alguns aspectos, um ensaio de história social dos lugares em que Gonzaga viveu, desde o nascimento, em 1744, à morte, em 1810: Porto, Olinda, Recife, Bahia, Rio de Janeiro, Porto, Coimbra, Lisboa, Beja, Vila Rica, Rio de Janeiro e Ilha de Moçambique, onde nasceu Orlando Mendes.
Nassau - sangue e amor nos trópicos e Jovita - a Joana d'Arc brasileira, de Assis Brasil; são romances históricos. O primeiro tem como pano de fundo o processo de formação da nacionalidade brasileira. O segundo tem como base a vida de Jovita Alves Feitosa, voluntária na Guerra do Paraguai, talvez o mais vergonhoso episódio da História do Brasil. Ela morreu salvando crianças e mulheres paraguaias de incêndio provocado por soldados brasileiros.
Eu vi mais referências a Luandino Vieira pelo fato de ele recusar o prêmio literário, e os cem mil euros correspondentes, do que por sua obra literária. A verdadeira vida de Domingos Xavier, escrito em 1961, é um libelo contra a exploração e a injustiça coloniais, notadamente, contra a repressão política, as prisões injustificadas, os maus-tratos e a tortura que vitimaram os angolanos. Contudo, é também o prenúncio da guerra de libertação nacional. Luandino Vieira sofreu, ele próprio, o que denuncia, foi preso e torturado. Mesmo que eu admire a vida do escritor, o mérito dele é o estilo literário que o consagra como um dos melhores romancistas da literatura universal.
Após cumprir a parte mais fácil da tarefa que me foi dada por Acantha, eu gostaria de parar por aqui sem precisar indicar outros nomes. Ao indicar, deixo claro que as pessoas não devem se sentir constrangidas em desconsiderarem a minha indicação, em ordem alfabética.
Espero que Amita, de Branco e Preto II, não considere que a indico por vingança, doce vingança, por ela ter me honrado com a indicação a que me refiro aqui
DO, de Ramses Séc.XXI, e eu temos idéias muito diferentes e, no caso de política, muitas vezes contrárias. Apesar disto, gosto muito de ler o que ele escreve e gostaria de saber o que ele lê.
Kafé Roceiro, entre piadas bem contadas e sinopses de filmes, faz críticas à conjuntura, informando e distraindo seus leitores, mas o que ele lê? Tomara que aceite nos dizer.
Leila, de Cadernos da Bélgica, costuma fazer resenhas dos livros que lê, espero que ela não considere um estorvo o fato de eu indicá-la, bem sei que ela deve estar na Bélgica, fazendo o papel de tia solidária e talvez, mesmo que pretenda, não tenha tempo de responder.
Márcia Maia é médica, escritora e mantém Mudança de Ventos e Tábua de Marés, mas encontra tempo para ler, o quê? Eu gostaria que ela nos dissesse.
Milton Ribeiro, costuma nos dar aulas de cinema e música erudita, seria ótimo que ele nos revelasse um pouco mais de seu universo cultural, apresentando suas atuais leituras.
Nora Borges, pernambucana radicada em Madri, de Língua de Mariposa, às vezes comenta os livros que lê, o que faz com graça e emoção, espero que ela possa aceitar a indicação.
Rosângela, de Ilíqüido, é a hospitalidade e gentileza mineiras na Alemanha. Atualmente ela tem viajado muito, mas eu gostaria que ela pudesse nos dizer o que lê.
Sílvia Chueire, de eugeniainthemeadow, também é médica e escritora, como Márcia, tem belos poemas. Ela acha que sou cartesiano como um engenheiro. Eu gostaria que ela nos dissesse o que lê.
Valter Ferraz, de Perplexoinside, tem uma rica experiência e nos emociona ao registrá-la em seus escritos. Gostaria que aceitasse a indicação.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Maio 16, 2007
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Maio 09, 2007 |
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Prêmio de Literatura
No dia 19 de abril deste ano foi anunciado o vencedor do Prêmio de Literatura da União Latina, organização cultural internacional que agrega trinta e oito países. O vencedor foi o escritor moçambicano Mia Couto. Foi a primeira vez que um autor africano ganhou o prêmio, instituído em 1990, que celebra a diversidade cultural e lingüística de países que partilham de um mesmo patrimônio cultural e histórico. Mesmo tendo sido selecionado como finalista, Mia Couto não participou da solenidade de anúncio do prêmio, mas enviou uma mensagem na qual dedicou o prêmio aos escritores moçambicanos, especialmente a José Craveirinha que, segundo Mia Couto, ensinou aos moçambicanos, por via da poesia, a serem cultural e lingüisticamente múltiplos.
Já publiquei alguns poemas de Craveirinha, mas é uma boa oportunidade para fazê-lo outra vez.
Quero Ser Tambor — José Craveirinha
Tambor está velho de gritar
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
corpo e alma só tambor
só tambor gritando na noite quente dos trópicos.
Nem flor nascida no mato do desespero
Nem rio correndo para o mar do desespero
Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero
Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.
Nem nada!
Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra
Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra
Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.
Eu
Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.
Oh velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia.
Só tambor ecoando como a canção da força e da vida
Só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até à consumação da grande festa do batuque!
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor!
Modelo insustentável
Está tudo pronto para a criminosa entrega da Amazônia aos saqueadores que dela retirarão madeira, coletarão amostras genéticas, extrairão ouro, prata e diamante e que, além de deixarem um deserto, agravarão o problema do aquecimento global.
Os criadores de gado e plantadores de soja, ligados a grupos econômicos transnacionais, são alguns dos principais responsáveis pela destruição deste patrimônio da humanidade.
É impossível a preservação da floresta sem um modelo de desenvolvimento com responsabilidade ambiental, social e econômica; com novos paradigmas científicos e técnicos; e baseado no valor da biodiversidade.
Talvez movido pela necessidade de "receitas não contabilizadas", Lula propõe um modelo irresponsável e inconseqüente, mais do que isto, criminoso, no qual o insumo principal é a vida.
Grito Negro — José Craveirinha
Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e fazes-me tua mina, patrão.
Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão
e tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha combustão.
Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão.
Tenho que arder
Queimar tudo com o fogo da minha combustão.
Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.
Contrapeso
Eu sempre quis ser contente
eu sempre quis só cantar
trazendo pra toda gente
vontade de se abraçar
Estes versos de Geraldo Vandré expressam com propriedade a minha vontade, mas somos forçados a abordarmos questões que nos remetem à crítica de pessoas medíocres. Apenas por isto, cito o presidente Lula. Vejam o que escreveu João Ubaldo Ribeiro.
O presidente da República, que encarna uma perigosíssima combinação de inteligência, esperteza e ignorância, ruim para ele e péssima para nós, disse outro dia que chegar à Presidência é "o ápice do ser humano".
E acrescentou: "Não tem nada além disso." Por boa vontade, atribuo a afirmação à incultura e não à pobreza de espírito e valores de quem, aparentemente, se julga à altura, ou mais, de Péricles, Aristóteles, São Jerônimo, Galileu, Santo Inácio de Loiola, Isaac Newton, Churchill e muitos outros de tope semelhante.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Maio 09, 2007
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Maio 03, 2007 |
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Lutar é preciso
Em 1926, as autoridades da Indochina davam como morto o patriota Nguyen Ai Quoc. Quando em 1942 os japoneses tomaram a Indochina, a resistência foi comandada por Nguyen That Thanh, ao que tudo indicava, ele era o mesmo patriota, Nguyen Ai Quoc, anteriormente dado como morto. No dia 28 de agosto de 1942, Nguyen viajava a pé pelo sul da China e queria ver as autoridades de Chungking, motivo suficiente para ser preso pela polícia de Chiang Kai-shek. Por catorze meses ele foi mantido preso, transferido de prisão em treze distritos da província de Kwangsi: Tsingsi, Nanning, Kweilin... até Liuchow, onde foi mantido sob controle domiciliar de onde retornou à fronteira que cruzara dois anos antes. Presumidamente tratava-se de Nguyen That Thanh que seria Nguyen Ai Quoc, mas ele se apresentou apenas como Ho Chi Minh. Na prisão, ele escreveu:
O corpo está preso,
a mente escapa em liberdade:
grandes feitos exigem
mente ampla e bem temperada.
A algumas pessoas que tiveram o privilégio de conhecerem Ho Chi Minh, eu perguntei: — que palavra usaria para defini-lo?
Não sabiam a resposta, mas a dúvida era sempre entre simplicidade, sensibilidade, genialidade, bondade e liderança.
Bandeira Branca
Lília da Fonseca
Java, Bornéu, Coréia, Indochina,
não há mares que nos separem
na ponta das vossas lanças há um grito!
E esse grito
floresce nos nossos olhos,
baila no nosso peito
e como bandeira branca
palpita nas nossas mãos...
Java, Bornéu, Coréia, Indochina,
a que distância estais vós?
tão perto
que uma linguagem nos basta
a de uma bandeira branca...
Lília da Fonseca nasceu em Benguela, Angola, em 21 de maio de 1916.
Pedro Ivo
Castro Alves
Pernambuco! Um dia eu vi-te
dormindo imenso ao luar,
com os olhos quase cerrados,
com os lábios quase a falar.
Do braço o clarim suspenso
— o punho no sabre extenso,
de pedra — recife imenso
que rasga o peito do mar.
E eu disse: — Silêncio, ventos!
Cala a boca, furacão!
No sonho daquele sono
perpassa a Revolução!
'Stá fito — Oitenta e Nove —
Lê Homero — escuta Jove...
Robespierre... Dantão...
Naquele crânio entra em ondas
o verbo de Mirabeau...
Pernambuco sonha a escada
que também sonhou Jacó!
Cisma a República alçada
e pega os copos da espada,
enquanto em sua alma brada:
— Somos irmãos, Vergniaud.
Antônio Frederico de Castro Alves nasceu na fazenda Cabeceiras, no município de Curralinho, atual Castro Alves, na Bahia, em 14 de março de 1847, e faleceu em Salvador, no dia 6 de julho de 1871.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Maio 03, 2007
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Praia do Porto - Costa Dourada Litoral Sul de Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
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Parque das Emas Goiás - Mato Grosso do Sul Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
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Chapada dos Guimarães Mato Grosso Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
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Serra dos Órgãos Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Campos do Jordão São Paulo Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Provetá - Ilha Grande Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Candeias Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Mercado São Josá - Recife Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Piedade Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Pouso Alegre Minas Gerais Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Pão-de-Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Cristo Redentor Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Nascente - Pão-de-Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Poente - Floresta da Tijuca Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Maracanã Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Niterói Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Quinta da Boa Vista Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Zona Norte Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Micos Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Igreja da Penha Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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