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wAgreste |
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Rabiscos e divagações
 Auto-retrato |
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Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos e um neto. Contato |
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Rabiscos e divagações  |
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"Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós" Agostinho Neto |
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"Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos" Vital Farias |
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"Não há vento favorável para quem não sabe a que porto quer chegar" Luiz Carlos Prestes |
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"Eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim" Paulinho da Viola |
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"Quando a riqueza de poucos afronta a miséria de muitos, a insegurança é de todos" Josué de Castro |
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Outubro 27, 2006 |
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PASSADO, PRESENTE E FUTURO - Manuel Bandeira
Só o passado verdadeiramente nos pertence
O presente... O presente não existe:
Le moment où je parle est déjà loin de moi.
O futuro diz o povo que a Deus pertence.
A Deus... Ora, adeus!
SUGESTÃO - Cecília Meireles
SEDE ASSIM - qualquer coisa
serena, isenta, fiel.
Flor que se cumpre,
sem pergunta.
Onda que se esforça,
por exercício desinteressado.
Lua que envolve igualmente
os noivos abraçados
e os soldados já frios.
Também como este ar da noite:
sussurrante de silêncios,
cheio de nascimentos e pétalas.
Igual à pedra detida,
sustentando seu demorado destino.
E à nuvem, leve e bela,
vivendo de nunca chegar a ser.
À cigarra queimando-se em música,
ao camelo que mastiga sua longa solidão,
ao pássaro que procura o fim do mundo,
ao boi que vai com inocência para a morte.
Sede assim qualquer coisa
serena, isenta, fiel.
Não como o resto dos homens.
IMPROVISO - Castro Alves
À Mocidade Acadêmica
Moços! A inépcia nos chamou de estúpidos!
Moços! O crime nos cobriu de sangue!
Vós, os luzeiros do país, erguei-vos!
Perante a infâmia ninguém fica exangue
Protesto santo se levanta agora,
De mim, de vós, da multidão, do povo;
Somos da classe da justiça e brio,
Não há mais classe ante esse crime novo!
Sim! mesmo em face, da nação, da pátria,
Nós nos erguemos na soberba fé!
A lei sustenta o popular direito,
Nós sustentamos o direito em pé!
Recife, 1866
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Outubro 27, 2006
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Outubro 19, 2006 |
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Tragédia aérea
A recente tragédia aérea brasileira custou a vida de cento e cinqüenta e quatro pessoas. O desastre não foi provocado por equipamento defeituoso ou condições climáticas adversas. Pura e simplesmente o desrespeito aos procedimentos padrões, por parte dos pilotos estadunidenses, fez um jatinho colidir com o avião que caiu. Quando soubemos da tragédia, ainda sem maiores informações, tivemos notícias de que um avião estava desaparecido e um jatinho pousara no Campo de Provas Brigadeiro Veloso, na Serra do Cachimbo; procurava-se o avião em Guarantã do Norte, Matupá e Peixoto de Azevedo. Conhecemos todos os lugares citados e, de certa forma, isto nos causa mossa.
O primeiro sentimento foi de apreensão quanto à vida de tripulantes e passageiros a bordo do avião desaparecido; em seguida, uma indagação tomou conta de nós: o que fariam as autoridades brasileiras e a nossa imprensa se os pilotos e passageiros do jatinho fossem bolivianos, colombianos, paraguaios ou peruanos? Provavelmente seriam tratados como suspeitos de efetuarem um vôo clandestino e de serem contrabandistas ou traficantes.
E se fosse um avião com pilotos e passageiros brasileiros em espaço aéreo dos EUA? Provavelmente teria sido abatido tão logo deixasse de fazer contato com as torres de controle de tráfego aéreo.
Quando um governo, como o dos EUA, não acata o Tribunal Penal Internacional; não assina o Tratado de Kyoto, sendo o país que mais polui no Mundo; cria legislação que permite interferir em assuntos internos de outros países; cria o direito à tortura; enfim que, além de romper os princípios do multilateralismo, da autodeterminação dos povos e da cooperação internacional pacífica, comete uma série de desatinos; este governo serve de exemplo para os cidadãos de seu país. Apenas a arrogância estadunidense explica o comportamento dos pilotos assassinos. E nem ao menos sentem remorsos pelas mortes de cento e cinqüenta e quatro pessoas.
Ainda acho que, se eles fossem de outra nacionalidade, estariam presos e não como estão, hospedados em hotel de luxo na Zona Sul do Rio de Janeiro.
Imagino o que seremos nós, brasileiros, em poucos anos. Recebemos o exemplo de um presidente da República que mente ao povo, pratica atos ilícitos e criminosos, cerceia a liberdade de imprensa, despreza princípios morais e éticos. A mulher dele já obteve a cidadania italiana e, cândida que é, declarou que o fez pensando no futuro dos filhos do presidente; será que ela tem a consciência plena de que ele, o apedeuta, matou o futuro de nosso país?
Neste feriado, viajamos a Curitiba e fomos pela mesma empresa que perdeu o avião no recente desastre. Tínhamos um compromisso no Clube Sírio e Libanês, então fomos ao aeroporto Santos Dumont, despachamos a bagagem, pegamos um táxi, participamos do evento e retornamos em outro táxi ao aeroporto. Ao entrarmos no táxi que faz ponto no aeroporto Santos Dumont, o taxímetro estava ligado, Sílvia reclamou e o motorista ignorou a reclamação dela, eu reclamei e ele ficou aborrecido, mas zerou o taxímetro. O valor estava mais alto do que toda a corrida do aeroporto até Botafogo, mesmo ele tendo feito o percurso mais irracional possível. Infelizmente parece que não precisaremos de muito tempo para vermos o reflexo do exemplo que "vem de cima".
Na viagem, a única coisa que nos fez lembrar o desastre aéreo foi, no embarque, a preocupação dos funcionários da empresa em nos pedirem que preenchêssemos nome de alguém, com especificação de telefone e grau de parentesco, que deveria ser avisado em caso de acidente. Macabro.
A cidade de cada um
Cada cidade tem seu povo, sua cultura, sua história e o apropriado é que quem a visite ou nela viva procure se integrar, adotando o jeito de seus cidadãos. Eu é que não tenho jeito. Claro que procuro ver o que cada cidade tem de típico, mas gosto de algumas coisas e procuro fazê-las em qualquer parte do Mundo. Em Curitiba, sinto-me como se estivesse em São Paulo, bem sei que, dizendo isto, desagrado igualmente a paulistanos e curitibanos. Quando fomos a Curitiba em junho, tive dificuldade para encontrar um bom café, mas valeu a pena. Desta vez, não perdemos tempo e corremos para o Exprèss Caffè. Há algumas comidinhas gostosas, um pão de queijo decente, um delicioso croissant de filé picante, mas o bom mesmo é o café, basta dizer que a casa é da barista Isabela Raposeiras.
Imagino o que alguém como Acir Vidal faria em Curitiba. Ele se aposentou no Rio, mas continua a bater ponto nos barezinhos na capixaba Praia do Canto, em Vitória. Em Curitiba, certamente ele faria Hora Extra na esquina das ruas Holanda e Costa Rica, ao som de Chorinho e Samba, comendo um barreado e bebendo um bom chope.
Como parte da arrogante tentativa de adaptar a cidade a mim, eu sei que retornarei a um restaurantezinho em São José dos Pinhais, o Bambino Mio, com poucas mesas e comida maravilhosa, com destaque para a paleta e o marreco, além de massas.
Contudo, quem entende de cidades é o pessoal de Antropologia Urbana e Rita Amaral, Coordenadora do Núcleo de Antropologia Urbana da USP, Universidade de São Paulo, mantém a revista eletrônica Os Urbanitas, cujo número mais recente apresenta:
ARTIGOS
La Cultura: Conceptos tradicionales y nuevos enfoques
Fernando Silva Santisteban
Da arte de comprar e vender autoria: uma digressão sobre os primórdios do direito autoral
Nilton Silva dos Santos
Buenos Aires: viejas cuestiones y nuevas fronteras
Victoria I. Casabona
Links de Ódio - o racismo, o revisionismo e o neonazismo na Internet
Adriana Dias
Migração, resistência e rituais terapêuticos:religiões afro-brasileiras em território português
Luís Silva Pereira
Pereira Passos - vida e obra
Manoel Carlos Pinheiro e Renato da Cunha Fialho Júnior
Cooperativa solidária de alimentos orgânicos do estado do Espírito Santo "O Broto": um despontar para a sustentabilidade
Renata Venturim Bernardino
Dança de Malandros e Mulatas
Denise Mancebo Zenicola
O OLHAR URBANITA
A Garota do Vaso: histórias da comunicação on-line
Rosana Hermann
A cidade é o texto
João Evangelista Rodrigues
POESIA ETNOGRáFICA
Tocando com as mulheres do batuque
Gisela Ramos Rosa
CONTOS URBANOS
Os Suspensórios
João Alexandre Peschanski
ABSOLUTE BEGINNERS
Curitiba: a futura "cidade ideal"
Jéssica Amaral
RESENHAS
Toda Feita: o corpo e o gênero das travestis
Leina Peres Rodrigues
Investigando as Relações entre Futebol e Violência
Graziele Ramos Schweig
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Outubro 19, 2006
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Outubro 11, 2006 |
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Enviada por CAU, mas eu trocaria a última resposta para: "Assim que Lula der os nomes daqueles que ele diz que o traíram".
Dica
Sugiro a leitura de O último Élvis
Frase
Presidente que foge de debate, mostra que prefere ficar escondido atrás de publicidade, paga com dinheiro do povo, em vez de ir para o ringue lutar em igualdade de condições - Luiz Inácio Lula da Silva - 1998, citado por Waldo Viana.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Outubro 11, 2006
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Outubro 06, 2006 |
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Bululu no Mar de Lama
Eu gosto de imaginar Ludwig Feuerbach como tema de carnaval de uma escola de samba carioca, preferencialmente do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro. O enredo seria algo como O rio de fogo materialista, fonte de inspiração gestáltica e energética do carma do Ó do borogodó comunitário. Quem supõe haver alguma dificuldade de apresentação deste enredo, certamente desconhece o carnaval carioca, sobretudo a inventividade dos acadêmicos do Salgueiro, cuja licença poética ficou patenteada em passados carnavais, nos quais eles deram aulas a antropólogos, arqueólogos, biólogos, filósofos, geógrafos, historiadores, paleontólogos, sociólogos e demais acadêmicos, como quando demonstraram a existência das minas do rei Salomão, no Reino da Assombração, exploradas pelos egípcios caldeus, numa ilha maranhense, no seio da selva amazônica, na fronteira do Oeste do Paraná com o Sertão do Cariri; ou quando, baseados nos registros arqueológicos de Sete Cidades, exibiram Luís XIV, criador de maravilhas assírias, difundidas pelos chineses que, na era pré-colombiana, habitavam os pampas.
Pelo regulamento do carnaval carioca, cada escola de samba do Grupo Especial é obrigada a apresentar de cinco a oito carros alegóricos, todas costumam apresentar oito.
No desfile, cada um dos oito carros alegóricos viria com dezenas de esculturais mulheres, de todas as etnias, nuas, pegando fogo! O idealismo absoluto do hegelianismo seria representado por diáfanas. Na homenagem à filosofia grega, um dos mananciais da filosofia alemã, o aristotelismo, por exemplo, teria a abstração representada por tapa-sexos e o silogismo por genitálias expostas. A decadência romana estaria representada por uma festa em homenagem ao deus Baco. O idealismo transcendental do kantismo apresentaria Frei Damião, Padre Cícero, Lampião e Che Guevara. Na homenagem à fenomenologia, a sensualidade do resgate das coisas mesmas daria inveja ao próprio Edmund Husserl. A China também seria homenageada, eu desconheço as interações filosóficas, mas o comércio de bugigangas chinesas, fabricadas no Paraguai, imporia a ala das sacoleiras, na qual desfilariam as atrizes globais e os jogadores de futebol. O relativismo ético etílico dialético absoluto hamletiano teria os intelectuais Chico Buarque, Emir Sader, Frei Beto, José Meyer, Luís Fernando Veríssimo, Marilena Chauí, Paulo Betti e Rosemaria Muraro, em digressões sobre dilemas da compatibilidade do discurso esquerdista aliado à prática neoneoliberal ultraconservadora; neste carro, Marta Suplicy distribuiria algumas roupas usadas da Daslu a quem apresentasse um cartão do Programa Fome Zero, alguns Armani do presidente Lula também seriam doados.
Entre as alas mais aplaudidas, o destaque seria Ali Babá e a Sociologia Política Brasiliense; Ali Babá não compareceria, mas enviaria um comunicado aos quarenta integrantes justificando a ausência por não saber que estava escalado para desfilar na ala; para fazer parte de grupo tão seleto, cada um dos quatrocentos e setenta e oito candidatos deu uma contribuição não contabilizada de seis zeros significativos. A ala Invasão do Haiti teria o Companheiro Bush como destaque e faria, em adereços e fantasias, referências aos Voluntários da Pátria na Guerra do Paraguai. A ala Aloprado também é gente, Lula presidente!, com suas trapalhadas, provocaria a irritação do Diretor de Harmonia, Zezé Dirceu. Um grande sucesso seria a luxuosa e luxuriante fantasia do usineiro Bruno Maranhão, coordenador do Movimento de Libertação dos Sem Terra, destaque da ala Rififi no Alvorada, por terra, boa-vida e caviar, na qual os integrantes quebrariam tudo que vissem pela frente e queimariam fotografias de Lênin, autor do ignóbil lema: terra, trabalho e pão para todos!
O oitavo carro seria a maior aula dos acadêmicos salgueirenses. Dizem as más línguas que a esquerda brasileira só se une na cadeia, mas os salgueirenses provariam o contrário. No último carro, esculturas de Feuerbach, David Friedrich Strauss e outros representantes da esquerda hegeliana teriam a companhia da unida esquerda brasileira, tendo como destaque o professor de Sociologia Política dos Acadêmicos do Salgueiro, o presidente Lula, ladeado pelos seus aliados: Delfin Neto, Edir Macedo, Fernando Collor, José Sarney, Jader Barbalho, Newton Cardoso, Ney Suassuna, Orestes Quércia, Paulo Maluf e Renan Calheiros.
No encerramento do desfile, entre diretores de alas, acenando as cartolas em agradecimento, estariam representantes dos bancos internacionais, Duda Mendonça, Marcos Valério e Família Vedoin.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Outubro 06, 2006
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Outubro 02, 2006 |
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Alguns amigos meus eram muito amigos de Carlos Cardoso, jovem jornalista moçambicano que descobriu e divulgou um caso de corrupção e desvio de dinheiro no Banco de Moçambique e, por isto, foi assassinado. Os meus amigos tinham muito carinho por ele, pois Carlos Cardoso era idealista, alegre, solidário, típico boa praça. Quando ele foi assassinado, os amigos ficaram consternados, houve até uma amiga que ficou em profunda depressão, tendo se submetido a tratamento médico por muitos meses. Mia Couto, também amigo de Carlos Cardoso, o incluiu entre os homenageados, ao receber o Prêmio Mário António, da Fundação Calouste Gulbenkian. O caso Carlos Cardoso teve muita repercussão e resolvi transcrever um artigo de Mia Couto, escrito há três anos, o qual, de alguma forma, me faz pensar no atual processo político brasileiro; ao estabelecer esta relação, posso estar errado, só o tempo dirá.
Merecemos outras primeiras páginas - Mia Couto
Um amigo meu fez um inquérito junto de estudantes seus. A pergunta era simples: acredita que Anibalzinho vai ficar na prisão? Nenhum dos 60 jovens acreditava que Anibalzinho se ia demorar na BO.
Saber se essa impressão sobre a eficácia do aprisionamento corresponde ou não à verdade é um exercício de futurologia.
O importante é o cepticismo generalizado sobre a validade das medidas de punição contra um comprovado e condenado assassino.
O desembarque triunfal e, mais que tudo, a forma como Aníbal Júnior foi trazido para Moçambique só fizeram avolumar suspeitas - fundadas ou não - de que a sua prisão é apenas um cenário provisório de uma trágico-cómica peça de teatro.
E nós estamos pagando bilhete não para sermos espectadores mas para sermos vítimas.
Depois de uma reacção eufórica perante a tenacidade e justeza do juiz Augusto Paulino esse entusiasmo voltou a esmorecer e a incredulidade regressou.
Não é porque os moçambicanos sejam desconfiados por natureza. É porque necessitam que lhes sejam dadas provas de confiança. E a actuação (ou melhor a ausência de actuação) por parte dos órgãos da justiça e do aparelho policial não tem ajudado a recriar essa tão necessária confiança.
O governo moçambicano somou trunfos e fez brilhar a sua imagem aquando da etapa final do "caso Carlos Cardoso".
Um governo que investiga (ou que manda investigar), que prende os suspeitos, e que os julga de forma exemplar, um governo que procede assim só pode merecer prestígio.
Um Presidente que se recusa a interferir mesmo quando o seu filho se senta no banco do tribunal é um caso raro, uma lição de civilidade.
Todo esse ganho a favor do governo (e, afinal, a favor de Moçambique) corre o risco agora de se converter no seu contrário.
As demoras injustificadas no esclarecimento da soltura de Anibalzinho, o arrastar pantanoso do "caso Siba-Siba", as nuvens de poeira que indiciam ligações do crime organizado com alta hierarquia policial, o pouco visível prosseguimento dos processos ainda ligados ao "caso Carlos Cardoso", tudo isso pode constituir-se numa mancha que rapidamente anula o prestígio conquistado.
E pode constituir-se em prova contra um outro julgamento que, de forma subtil, se instalou à margem do tribunal instalado na BO: o julgamento de um Estado suspeito de conivências com o crime.
Um Estado que, como disse Teodato Honguana, em vez de controlar os bandidos corre o risco de ser por eles controlado. Este lavar de mãos está a deixar passar a ideia de que o juiz Paulino foi realmente um caso isolado, um remador solitário contra a corrente.
Estas demoras deixam sedimentar a ideia de quem fez que tudo acontecesse no "caso Cardoso" foi a pressão da sociedade civil.
A justiça fez-se não por causa do aparelho judicial. Mas apesar dele.
Parece evidente o custo político destas hesitações em véspera de eleições. E se vale a pena este desgaste político é porque, no balanço das contas, aquilo que as forças ligadas ao crime têm a ganhar é maior do que o país inteiro tem a perder.
A pergunta é: regressámos à condição de descrentes que antes partilhámos? Regressámos a essa espécie de suicídio de esperança de que, por momentos breves, um homem solitário de nome Paulino nos salvou? Ou voltámos a festejar a justiça e os justiceiros?
O modo como Anibalzinho está dominando as manchetes dos nossos jornais ilustra como as nossas mentes estão ocupadas com gente de baixa categoria e assuntos de muita sujidade.
Moçambique merece ocupar-se de assunto mais digno e mais dignificante. As forças de Lei e da Ordem devem ajudar a lavar a sua imagem e retirar essa personagem dos títulos dos jornais.
Fechando as contas
Comentar eleições é mais desagradável do que discutir a situação do meu time, Santa Cruz, no campeonato brasileiro de futebol, contudo, não tenho como evitar a conclusão do assunto que tratei na postagem anterior.
Para que as pesquisas de opinião estejam corretas, elas precisam coincidir com o resultado eleitoral; para que o resultado eleitoral seja verdadeiro, a urna eletrônica precisa ser confiável; para que as urnas sejam confiáveis, a computação dos votos deve ser exata; para que os votos sejam computados com exatidão, o universo de eleitores deve ser correto.
Usei os dados oficiais do IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, e do TSE, Tribunal Superior Eleitoral. Os dados de população mais recentes são do censo demográfico de 2000 e da estimativa de julho de 2005; os dados eleitorais são de 2000, 2002 e 2004, por isto, em ambos os casos, eu usei os dados de 2000 para haver a coincidência de período. Limitei-me a fazer as contas mais elementares: população = eleitores + não eleitores.
A população abaixo de dezesseis anos não pode votar; em algumas cidades há dados sobre a população de 0 a 14 anos de idade e de 15 a 17; por isto considerei como eleitores todos os habitantes de 15 a 17 anos, o que prejudica o que defendo, pois o certo seria fazer alguns cálculos de interpolação, mas preferi a simplicidade.
Vejamos três casos:
Flores, Sertão de Pernambuco.
População: 20.823
Eleitores: 15.910 (acima de 16 anos)
Habitantes de 0 a 14 anos: 6.709
Habitantes de 15 a 17 anos: 1.455
Para as discrepâncias não aumentarem, considerei como eleitores (maiores de 16 anos) todos os 1.455 habitantes de 15 a 17 anos, apesar disto, eu não consegui fechar minhas contas, pois precisaria afirmar, pelos dados oficiais que:
20.823 = 15.910 + 6.709
Pesqueira, Agreste de Pernambuco.
População: 57.721
Eleitores: 40.532 (acima de 16 anos)
Habitantes de 0 a 14 anos: 18.011
Habitantes de 15 a 17 anos: 3.727
Para as discrepâncias não aumentarem, considerei como eleitores (maiores de 16 anos) todos os 3.727 habitantes de 15 a 17 anos, mesmo assim, precisaria afirmar, pelos dados oficiais, que:
57.721 = 40.532 + 18.011
Barreiros, Zona da Mata de Pernambuco.
População: 39.139
Eleitores: 28.445 (acima de 16 anos)
Habitantes de 0 a 14 anos: 13.059
Habitantes de 15 a 17 anos: 3.013
Para as discrepâncias não aumentarem, considerei como eleitores (maiores de 16 anos) todos os 3.013 habitantes de 15 a 17 anos, mesmo assim, precisaria afirmar que:
39.139 = 28.445 + 13.059
Pelo visto, mais difícil do que me reconciliar com a Aritmética só entender e aceitar que Lula é ou representa forças de esquerda.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Outubro 02, 2006
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Praia do Porto - Costa Dourada Litoral Sul de Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
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Parque das Emas Goiás - Mato Grosso do Sul Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
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Chapada dos Guimarães Mato Grosso Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
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Serra dos Órgãos Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Campos do Jordão São Paulo Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Provetá - Ilha Grande Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Candeias Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Mercado São Josá - Recife Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Piedade Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Pouso Alegre Minas Gerais Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Pão-de-Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Cristo Redentor Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Nascente - Pão-de-Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Poente - Floresta da Tijuca Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Maracanã Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Niterói Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Quinta da Boa Vista Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Zona Norte Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Micos Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Igreja da Penha Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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