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Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos.
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wDivagações e citações - Sábado, Junho 24, 2006


Mayombe

     Na primeira metade do século passado, surgiu na URSS o Realismo Socialista que propunha uma estética do Homem Novo, vivente no socialismo. Não passava de arte panfletária, mecanicista, muito em desacordo com as idéias leninistas, contudo, em pleno stalinismo, angariou muitos seguidores, um exemplo brasileiro é Jorge Amado que publicou Subterrâneos da Liberdade de acordo com a pretendida estética, ao contrário de Graciliano Ramos que se opunha às idéias de Zdanov, principal ideólogo do Realismo Socialista, e publicou Memórias do Cárcere.
O angolano Pepetela foi Comissário Político do MPLA na Luta de Libertação Nacional de Angola e, durante a guerrilha, em plena floresta de Cabinda, em fins de noite, das 22 às 24 horas, Pepetela escreveu o romance Mayombe, Um romance polêmico. Após a Independência Nacional, Pepetela concluiu a revisão do original do livro e, em 1979, o mostrou ao Presidente Agostinho Neto, o qual leu e fez elogiosos comentários com amigos, entre eles, António Jacinto e Luandino Vieira. Em 1980, no ano seguinte à morte de Agostinho Neto, o livro estava no prelo e alguns influentes dirigentes do MPLA e do Governo de Angola tentaram proibir a sua publicação. Contudo, mesmo morto, Agostinho Neto tinha mais autoridade e o livro foi publicado, além disto, ganhou o Prêmio Nacional Angolano de Literatura de 1980.
Pepetela abordou os problemas da guerrilha com uma visão crítica, daí os dirigentes que vestiram a carapuça tentarem impedir a publicação do livro. Mais do que dramas, amores e desamores que têm como pano de fundo a guerrilha, Mayombe abordou mudanças inerentes ao processo revolucionário, coletivas e individuais; o próprio processo revolucionário evidenciando limitações e deformações de seus protagonistas, e a superação por parte de uns, como a mais significativa das mudanças individuais; o livro mostra também que ardilosos militantes camuflam suas posições, se apropriam dos mecanismo de poder e fazem carreira como dirigentes partidários. Mayombe é uma abordagem de problemas universais, de valores em processo de transformação, sob uma forma peculiar, característica dos povos angolanos.
Mesmo fora de Angola há quem considere que Mayombe é um livro panfletário, eu o considero exemplo de literatura engajada, crítica, pungente. Numa conversa com Pepetela, perguntei: — em Mayombe você alterna o narrador onisciente com personagens narradores (técnica que seria usada também por Mia Couto), contudo a mim parece que há certa simpatia por alguns personagens, quase uma identificação, sendo baseado em sua própria experiência e observação, você é um personagem do livro? Pepetela: — eu sou, de certa forma, todos eles, eu me identifico com todos, tanto por cada um deles ter um pouco do meu jeito de ser, pensar e sentir, quanto por cada um deles ser produto do meu jeito de observar pessoas e coisas que me cercam.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sábado, Junho 24, 2006
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Junho 19, 2006


Bola fora

     Há algum tempo, durante um almoço, conversávamos sobre filhos, educação, estudos e coisas afins quando Sérgio contou como o irmão, na adolescência, fora um tormento para a mãe deles e exemplificou com um fato: durante cerca de dois anos, a mãe acordava o irmão dele que se arrastava sonolentamente para a aula de inglês; descobriram que o irmão de Sérgio simplesmente saía de casa (eles moravam na Avenida Atlântica, em Copacabana), deitava-se num banco na praia, dormia por cerca de duas horas e voltava para casa, para dormir mais um pouco.
     Quando Sérgio era coordenador do DCE, Diretório Central dos Estudantes, da PUC, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, eu era coordenador do Centro Acadêmico da Faculdade de Economia e Administração e coordenador do DCE da UFRJ, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Muitas vezes nos reunimos na sede do DCE da PUC e atuamos conjuntamente. Naquela ocasião, surgiu um "pessoal da Engenharia" da UFRJ que produziu um jornal mimeografado independente do denominado movimento estudantil, tratava-se de uma crítica de costumes, inclusive à própria atuação política. Evidentemente o pequeno grupo sofreu enorme pressão, o patrulhismo ideológico. Alguém me mostrou um exemplar do jornaleco e se surpreendeu porque eu li, ri muito e até elogiei o tal jornal. Eu não me lembro muito bem do conteúdo, mas me lembro que no início havia uma advertência aos leitores para que lessem apenas o que fosse apropriado ao nível de consciência de cada um, para isto, havia uma indicação na parte superior de cada página: três dedos indicavam que aquela página era apropriada para a vanguarda, dois dedos para o "entorno" da vanguarda política ou para a "massa avançada" e um dedo indicava que a página era apropriada à leitura pela "massa atrasada". Quase morri de rir com a definição de vanguarda, entorno e massa. O jornal, entre outras coisas, era uma perfeita crítica aos chamados militantes políticos que tratavam os estudantes "comuns" com arrogância e desprezo, mesmo que estes militantes desenvolvessem atividades políticas em nome dos tais estudantes, considerando-se seus legítimos representantes. Era muito difícil participar de uma assembléia política e aturar o emprego de linguajar pseudo-radical por filhinhos de papai, sem projetos concretos para a sociedade brasileira, em discussões de problemas alheios à educação e às perspectivas profissionais de, na época, cerca de um milhão e meio de universitários.
     O grupo do "pessoal da Engenharia" era formado por alguns amigos de Sérgio, os quais, tempos depois, criaram uma revista e o irmão adolescente de Sérgio cresceu e se incorporou ao grupo, como Sérgio mesmo diz, através do humor, ele virou um homem sério, deixou de ser o irmão de Sérgio Besserman, inverteu a situação e Besserman é que virou irmão de Bussunda.
     É curioso observar que os tais grupos políticos criticados pelo "pessoal da Engenharia" continuam com os mesmos métodos: fazem um discurso para a massa atrasada, ou seja, todos nós, povo brasileiro, e outro para a vanguarda, ou seja, eles mesmos. Por exemplo: entre eles, a corrupção "do bem", em prol do PT, é justificada, daí Delúbio não ter sido expulso do PT, mas para a massa atrasada fica difícil justificar o desvio de recursos da Educação e da Saúde para os cofres do PT e para a "companheirada", o chefe de todos eles, Lula, continua a dizer que não viu, não ouviu, não sabe, que "todo mundo faz", que quer a apuração completa, que não há provas, e continua a não explicar, por exemplo, como destinou mais de meio bilhão de reais para ONGs ligadas à reforma agrária. O dinheiro seria suficiente para promover a reforma agrária, ao invés de ser canalizado para os amigos do presidente, apenas para exemplificar, entre as ONGs que recebem dinheiro do desgoverno Lula está a comandada por Bruno Maranhão, cujo pai recebeu a bala trabalhadores de sua usina que reivindicavam o pagamento de décimo terceiro salário; Bruno Maranhão é Engenheiro Mecânico, jamais trabalhou como tal, foi o primeiro presidente do PT em Pernambuco, o primeiro candidato do PT a Governador em Pernambuco, reside em sofisticado prédio de elegante bairro do Recife, em apartamento que ocupa um andar inteiro, é membro da Executiva Nacional do PT e, nos últimos dois anos, recebeu do desgoverno Lula mais de cinco milhões de reais para o desenvolvimento de atividades que ninguém conhece, das quais não prestou conta e só obteve fama nacional porque a destruição do prédio da Câmara de Deputados foi planejada e executada pelo grupo comandado por ele, uma semana depois de Lula dizer que as CPIs do Congresso promoviam "sessões de tortura".
     A realidade brasileira é uma verdadeira desgraça e nos fazia bem vermos Bussunda ridicularizá-la com sua crítica independente e seu humor corrosivo. Sem dúvida, ele nos fará falta, só não podia fazer esta piada de mau gosto em plena Copa do Mundo.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Junho 19, 2006
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Junho 14, 2006


Prosa e Verso

     O mais recente caderno Prosa e Verso do jornal O Globo dedicou a sexta página ao amigo escritor Moacir Lopes. A partir de uma entrevista com o autor, o jornalista fez uma breve apreciação sobre o mais recente romance de Moacir (As fêmeas da Ilha da Trindade) e sobre o próximo romance, que tem no centro da trama Pajeú, um personagem secundário da Guerra de Canudos; ambas disponíveis na internet, para lê-las, por favor, clicar aqui e aqui.
     No dia 11 deste mês, Moacir completou 79 anos de idade e me disse que só vai comemorar o aniversário no próximo ano, pois pretende criar juízo quando se tornar octogenário. Como eu estive adoentado estes dias, não poderia mesmo encontrá-lo para bebemorarmos, então decidimos que comemoraremos previamente o próximo aniversário, ao menos uma vez por semana, coisa que faremos a partir de hoje.
     Como se Moacir não tivesse outra coisa para fazer, vivo a enchê-lo de textos de novos autores ou de autores africanos. E, como ele leva a literatura muito a sério, cada vez que nos encontramos ele tece apropriados comentários sobre os textos que lhe passo, lamentavelmente, não gravo estas conversas, elas bem que mereceriam o registro e a divulgação, nem que fosse aqui, no Agreste. Muito eventualmente, ele faz alguns comentários escritos, como os que publico abaixo. Por coincidência, a amiga Márcia Maia aniversariou ontem, Moacir não sabe disto, mas me encaminhou um comentário sobre o livro mais recente da médica pernambucana e eu o transcrevo. No mais, resta parabenizar ambos pelos respectivos aniversários.


     Manoel Carlos

     Faz algum tempo, nos encontramos, num restaurante, com a poeta Márcia Maia e um grupo de outros amigos seus que se intercomunicam com mensagens criativas, em seus diversos segmentos. Como ando meio louco com vastas pesquisas para um complicadíssimo romance que estou escrevendo, só recentemente pude ler o livro da Márcia Maia, Em queda livre, publicado ano passado. Como já havia lido dela um poema, de que muito gostei, fui surpreendido ao saber que ela já possui uma carreira poética, com dois livros anteriores publicados, tem participado de antologias, até com poemas editados em Portugal. Márcia já demonstra, neste livro que acabo de ler, qualificar-se dentre os mais importantes poetas modernos, de forte apelo ao infinito das sensações, com metáforas simples que atingem o âmago de viagens interiores, como se nos chamasse a viajar com ela no experimento da vida, a exemplo do poema "Insônia": madrugadas de distâncias infinitas/que escorrem liquefeitas à janela/e cintilam no asfalto rua afora/entre cães adormecidos e mendigos/liquefazem-se as distâncias não o tempo/que este escorre indiferente à madrugada... como viajamos ao escutarmos uma sinfonia, com a música penetrando em nossos poros, sem explicações, ou nos extasiamos frente ao retângulo de um quadro para descobrirmos o que haverá no infinito além do que o pintor nos mostrou. Ou, em "Tarde breve": perdi-me a imaginar tardes/distantes/locais onde me encontro se/me perco/num tempo onde me perco/em desencontro/não sei quando me encontro/quando perco... Vale lermos poetas como Márcia Maia para sentirmos que o encantamento é o estado de espírito permanente dos que não se perderam no rol das banalidades, malversações e cretinices do dia-a-dia.

     Aproveito para me referir também a um conto que você me enviou, A terra, de Ló Campomizzi. É um conto extraordinário, de extraordinário simbolismo, a história do homem de cuja terra de origem foi expropriado, expulso, para ser alagada pelo rio Homem, e anos depois, sem o referido alagamento, ele retorna para procurar-se, tentar reencontrar-se com suas origens, com tudo o que ele fora até então, e, não se reintegrando ao seu passado, resolve morrer, quando então o rio Homem é finalmente represado, e as águas alagam sua terra, ele, seu passado, o que restava da memória sua e de seu povo.

     Não sei se o autor, ou autora, quis referir-se, ou foi mera coincidência, ao fato da decisão tomada quando da ditadura militar no Brasil, em 1968, poucos dias após a assinatura do AI5, de alagar a região de Canudos, onde foi trucidada, pelo Exército, sua população de 25 mil habitantes, que lutara tenazmente, com armas primitivas, pela mera sobrevivência. Aventa-se a hipótese de que a construção do Açude Canudos foi ação premeditada para soterrar sob as águas a vergonhosa história do massacre de quase 25.000 pessoas, guerrilheiros, mulheres, velhos, crianças, aleijados. Em 1997, 100 anos após aquele massacre fratricida, em razão de grande seca, apareceram à tona aspectos arqueológicos sobre aquela região da Bahia, mas jamais serão identificados os seres humanos ali enterrados, cada um com seu passado, sua história, sua alma, soterrada sua esperança, inclusive sua cultura.

     Este(a) autor(a), Ló Campomizzi, possui forte talento para este tipo bem moderno de literatura simbolista, ou realismo-mágico, que apresenta um fato, com milhares de interpretações possíveis deixadas ao leitor como recíproca de criação. Domina perfeitamente a técnica narrativa.

     Você, Manoel Carlos, parece estar atraindo, em torno de seu blogue, excelentes escritores.

Abraço
Moacir
>

Na foto, de minha autoria, Márcia Maia, de Mudança de Ventos e Tábua de Marés, o ator José Santa Cruz e Li Stoducto de palavras tortas


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Junho 14, 2006
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wDivagações e citações - Terça-feira, Junho 06, 2006


Mia Couto no Brasil

     Mia Couto fará uma palestra hoje, em São Paulo, às vinte horas no SESC Vila Mariana (Rua Pelotas 141, tel.: 5080-3000), com distribuição gratuita de senhas a partir das dezenove horas.
     No Caderno Prosa e Verso de O Globo foi publicada uma entrevista com o escritor moçambicano. Mia Couto sempre se referiu à influência de Guimarães Rosa na obra dele, mas eu sempre insisti na influência de Arnaldo Santos e Luandino Vieira na africanização do português e, graças a uma pergunta sobre a recusa do prêmio Camões por Luandino Vieira, Mia Couto disse:
não posso especular. Luandino é um grande escritor, merecia o prêmio e eu tenho para com ele uma dívida enorme. Foi ele que me instigou no caminho da reinvenção de um português mais africano, mais afeiçoado às nossas culturas.
     Para ler a entrevista, clicar aqui.
     Para ler o primeiro capítulo do livro O outro pé de sereia clicar aqui.


A taça era dela

     João Cabral de Melo Neto, além de grande poeta, foi diplomata e todos sabem disto, mas poucos sabem que ele quase se tornou jogador de futebol profissional, pois foi titular da equipe infantil do Santa Cruz, mais popular clube pernambucano. Certamente João Cabral seria um bom jogador de futebol, elegante, esportivo e respeitador das regras do esporte. O futebol mudou muito, cada vez mais os interesses comerciais se sobrepõem aos méritos esportivos. Um marco neste aspecto foi a Copa do Mundo da Inglaterra, realizada há quarenta anos, na qual nossos vizinhos, irmãos e rivais argentinos foram considerados selvagens pelo comportamento no jogo contra a equipe anfitriã, pois um jogador portenho chutou uma bandeirinha inglesa. Os ingleses foram considerados cavalheiros, mesmo sendo violentos e tendo as arbitragens a seu favor. Desde aquela copa eu passei a respeitar mais os argentinos. A nossa imprensa não deu a devida ênfase ao fato, mas a música popular registrou, como a música que apresento na voz de Jackson do Pandeiro A taça era dela. Para ouvi-la, por favor, clicar aqui ou abaixo.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Junho 06, 2006
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Junho 02, 2006


No mundo da bola

     Outro dia fui com Sílvia à Livraria da Travessa, a qual Flora costuma dizer que é a mais agradável de todas as livrarias, com estantes à moda antiga, como numa biblioteca, com um café muito bom (sob a responsabilidade de Rodrigues, ex-sócio do Garcia e Rodrigues do Leblon), sem contar a maravilhosa devedeteca, a qual certamente faz de Moacy Cirne, de balaio vermelho, um assíduo freqüentador. A Livraria da Travessa continua a mesma, apenas uma mudança: as vitrines expõem exclusivamente livros sobre futebol. Eu adoro futebol, mas não sinto curiosidade sobre o cardápio do jantar da seleção canarinha, não dou importância ao gosto musical de Ronaldinho, Fenômeno ou Gaúcho, e mudo de canal quando o assunto é fofoca da Copa do Mundo. Por certo verei os jogos, tantos quanto puder, mas peço que me poupem de comentários sobre mesas redondas reunindo especialistas de darem inveja ao Dr. Nova Monteiro todos opinando sobre a cartilagem, em falta ou em excesso, do ligamento... chega! Faço parte da Pátria de Chuteiras, mas não concentrado em regime integral.
     Contudo, como disse anteriormente, adoro futebol. No caso do Brasil, reconheço que não é todo brasileiro que gosta de futebol, quase todos os homens e poucas mulheres respiram futebol por toda a vida. Portanto, o que ousarei afirmar vale apenas para os escritores brasileiros, mas não para as escritoras. Não há um bom escritor brasileiro que não goste de futebol, pois seria ignorar parte significativa da essência do universo masculino nacional.
     Havia um jogador, Domingos da Guia, apelidado de Divino. O filho dele, Ademir, herdou o apelido e ganhou outro: Diabo Louro. Ademir da Guia é o que chamamos de sarará e foi o maestro da Academia de Futebol do Parque Antáctica. Dele foi o gol mais bem feito, mais bonito, que vi, contra o Fluminense, em pleno Maracanã. O Flu atacava e Ademir, na área do Palmeiras, matou a bola do peito, tocou para Ferrari, lateral esquerdo, recebeu na intermediária, tabelou com Dudu e, a partir do meio do campo alternou dribles com tabelas até receber a bola pelo alto, cercado por três defensores adversários, um deles puxou a camisa de Ademir, o qual, enquanto caía, contorcendo-se, arrastado pela camisa, fazia a bola deslizar da cabeça para o peito, pelo corpo, para a coxa, pela perna e, com o peito do pé, encobriu o goleiro que saía do gol, mandando a bola para o fundo da rede. Do início ao fim, a cena teve um protagonista, todos os demais jogadores se tornaram figurantes daquele homem que, de cabeça erguida, passadas largas, avançava determinado, com dribles de corpo deixou diversos adversários no chão, creio que alguns ficaram parados sob o efeito do encantamento provocado pela magia do Divino, no principal templo do futebol. Não foi por acaso que João Cabral de Melo Neto, grande poeta pernambucano, escreveu o poema abaixo:


Ademir da Guia - João Cabral de Melo Neto

Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.

Ritmo líqüido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o.

Ritmo morno, de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando
o mais irrequieto adversário.


     João Cabral não se notabilizou, como Ascenso Ferreira, por declamar seus versos, mas é sempre interessante ouvir o poema na voz do autor, por isto, ofereço aos amigos um CD de João Cabral por ele mesmo.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Junho 02, 2006
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Praia do Porto - Costa Dourada
Litoral Sul de Pernambuco
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Parque das Emas
Goiás - Mato Grosso do Sul
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Chapada dos Guimarães
Mato Grosso
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Serra dos Órgãos
Estado do Rio de Janeiro
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Campos do Jordão
São Paulo
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Provetá - Ilha Grande
Estado do Rio de Janeiro
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Candeias
Jaboatão dos Guararapes
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Mercado São Josá - Recife
Pernambuco
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Piedade
Jaboatão dos Guararapes
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Pouso Alegre
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Cristo Redentor
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Nascente - Pão-de-Açúcar
Rio de Janeiro
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Poente - Floresta da Tijuca
Rio de Janeiro
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Vista de Casa
Maracanã
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Vista de Casa
Niterói
Rio de Janeiro
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Vista de Casa
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Vista de Casa
Zona Norte
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Vista de Casa
Santa Tereza
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Vista de Casa
Santa Tereza
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