 |
 |
wAgreste |
 |
 |
 |
Rabiscos e divagações
 Auto-retrato |
 |
 |
 |
Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos. Contato |
 |
 |
 |
Rabiscos e divagações  |
 |
 |
 |
"Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós" Agostinho Neto |
 |
 |
 |
"Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos" Vital Farias |
 |
 |
 |
"Não há vento favorável para quem não sabe a que porto quer chegar" Luiz Carlos Prestes |
 |
 |
 |
"Eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim" Paulinho da Viola |
 |
 |
 |
"Quando a riqueza de poucos afronta a miséria de muitos, a insegurança é de todos" Josué de Castro |
 |
 |
 |
 |
 |
|
 |
 |
wDivagações e citações - Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006 |
 |
 |
 |

Evoé
Valdemar de Oliveira:
O frevo - palavra exótica
tudo que é bom diz, exprime.
É inigualável, sublime,
termo raro, bom que dói...
Vale por um dicionário, traduz
delírio, festança, tudo salta,
tudo dança, tudo come, tudo rói...
Pereira da Costa:O nosso capoeira é antes o moleque de gente de música, em marcha, armado de cacete, e a desafiar os do partido contrário (neste caso as bandas rivais), que aos vivas de uns, e morras de outros, rompe em hostilidades e trava lutas, de que não raro resultam ferimentos, e até mesmo casos fatais!...
Mário Sette:Saísse uma música para uma parada ou uma festa e lá estariam infalíveis os capoeiras à frente, gingando, piruteando, manobrando cacetes e exibindo navalhas. Faziam complicados passos...
Frevo de Capiba:
Pernambuco tem uma dança
Que nenhuma terra tem
Quando a gente entra na dança
Não se lembra de ninguém...
Austro Costa:
Não sei se devo ou não devo
Dizer, mas, digo afinal:
— Se até Roma fosse o frevo
Teria a benção papal
Gilberto Freyre:É o chamado frevu uma dança neobrasileira só do Recife. Só do carnaval de rua do Recife. Dança muito sacolejada, com alguma coisa de primitiva na espontaneidade. Mas no meio desse sacolejado, e de acordo com a música carnavalesca que se toque, muito abandono lírico, sentimental, lânguido.
Paulo Fernando Craveiro: O frevo é a explosão coletiva. Violento como um susto. A multidão dançante parece ferver. Todas as vontades de libertação ficam à flor da pele. E o corpo individual e coletivo começa a vibrar; os pés em brasa e a alma voando. A coreografia do frevo nasce de cada dançarino. É também formada de uma variação incomum de passes,que é o ¿passo¿ no seu conjunto de requebros e maneiras de pisar.
Mauro Mota: Os passistas atuam com tanta realidade que até parecem criaturas artificiais, de peças desmontáveis, homens, mulheres e crianças que se desengonçam como bonecos de armar e se consertam no mesmo instante...
Mário de Andrade: A vibração paroxística do frevo é realmente uma coisa assombrosa. É, enfim, um verdadeiro "allegro" num "presto" nacional. É, sem dúvida, o entusiasmo a ardência orgíaca, mais dionisíaca de nossa música nacional.
E aquele rapaz que dançou! Mas, será possível que uma coreografia assim ainda se conserve ignorada dos nossos teatros e bailarinos? Que beleza! Que leveza admirável! É uma fonte riquíssima. É um verdadeiro título de glória, que o país ignora, simplesmente porque entre nós ainda são muito raros os que têm verdadeira convicção de Cultura.
Guerra Peixe: Uma particularidade tem feito com que o frevo conserve o seu vigor rítmico, a importância de sua orquestração e as características de sua forma: é o fato de seu compositor ser, não um "orelhudo", mas, sempre, um músico, que o imagina numa orquestra que, imediatamente, dá forma gráfica musical à sua inspiração - o resultado é que, na composição de frevo, a própria instrumentação é composição.
A não ser em raras exceções, o compositor de frevo é o seu orquestrador.
Nelson Ferreira:
Repare bem
que não tem nada de gavote
e nem de polka e minueto,
nem quadrilha, nem lanceiro,
ou pás-de-quatre,
pois é!
Vassourinhas
Como tudo em Pernambuco, também o hino do carnaval pernambucano> A Marcha Número Um do Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas tembém é cercado de polêmica. Diz-se que, ao compô-lo, em nos idos de 1889, Matias da Rocha aproveitou um trecho de uma melodia já existente. Quando em 1941 Felinho improvisou o solo de saxofone, a melodia foi praticamente recriada. Para ouvi-la, por favor, clicar aqui ou abaixo
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006
Comentário e zombaria:
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
wDivagações e citações - |
 |
 |
 |

Evoé
Valdemar de Oliveira:
O frevo ¿ palavra exótica
tudo que é bom diz, exprime.
É inigualável, sublime,
termo raro, bom que dói...
Vale por um dicionário, traduz
delírio, festança, tudo salta,
tudo dança, tudo come, tudo rói...
Pereira da Costa:O nosso capoeira é antes o moleque de gente de música, em marcha, armado de cacete, e a desafiar os do partido contrário (neste caso as bandas rivais), que aos vivas de uns, e morras de outros, rompe em hostilidades e trava lutas, de que não raro resultam ferimentos, e até mesmo casos fatais!...
Mário Sette:Saísse uma música para uma parada ou uma festa e lá estariam infalíveis os capoeiras à frente, gingando, piruteando, manobrando cacetes e exibindo navalhas. Faziam complicados passos...
Frevo de Capiba:
Pernambuco tem uma dança
Que nenhuma terra tem
Quando a gente entra na dança
Não se lembra de ninguém...
Austro Costa:
Não sei se devo ou não devo
Dizer, mas, digo afinal:
— Se até Roma fosse o frevo
Teria a benção papal
Gilberto Freyre:É o chamado frevu uma dança neobrasileira só do Recife. Só do carnaval de rua do Recife. Dança muito sacolejada, com alguma coisa de primitiva na espontaneidade. Mas no meio desse sacolejado, e de acordo com a música carnavalesca que se toque, muito abandono lírico, sentimental, lânguido.
Paulo Fernando Craveiro:O frevo é a explosão coletiva. Violento como um susto. A multidão dançante parece ferver. Todas as vontades de libertação ficam à flor da pele. E o corpo individual e coletivo começa a vibrar; os pés em brasa e a alma voando. A coreografia do frevo nasce de cada dançarino. É também formada de uma variação incomum de passes,que é o ¿passo¿ no seu conjunto de requebros e maneiras de pisar.
Mauro Mota:Os passistas atuam com tanta realidade que até parecem criaturas artificiais, de peças desmontáveis, homens, mulheres e crianças que se desengonçam como bonecos de armar e se consertam no mesmo instante...
Mário de Andrade:A vibração paroxística do frevo é realmente uma coisa assombrosa. É, enfim, um verdadeiro ¿allegro¿ num ¿presto¿ nacional. É, sem dúvida, o entusiasmo a ardência orgíaca, mais dionisíaca de nossa música nacional.
E aquele rapaz que dançou! Mas, será possível que uma coreografia assim ainda se conserve ignorada dos nossos teatros e bailarinos? Que beleza! Que leveza admirável! É uma fonte riquíssima. É um verdadeiro título de glória, que o país ignora, simplesmente porque entre nós ainda são muito raros os que têm verdadeira convicção de Cultura.
Guerra Peixe:Uma particularidade tem feito com que o frevo conserve o seu vigor rítmico, a importância de sua orquestração e as características de sua forma: é o fato de seu compositor ser, não um ¿orelhudo¿, mas, sempre, um músico, que o imagina numa orquestra que, imediatamente, dá forma gráfica musical à sua inspiração ¿ o resultado é que, na composição de frevo, a própria instrumentação é composição.
A não ser em raras exceções, o compositor de frevo é o seu orquestrador.
Nelson Ferreira:
Repare bem
que não tem nada de gavote
e nem de polka e minueto,
nem quadrilha, nem lanceiro,
ou pás-de-quatre,
pois é!
Vassourinhas
Como tudo em Pernambuco, também o hino do carnaval pernambucano> A Marcha Número Um do Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas tembém é cercado de polêmica. Diz-se que, ao compô-lo, em nos idos de 1889, Matias da Rocha aproveitou um trecho de uma melodia já existente. Quando em 1941 Felinho improvisou o solo de saxofone, a melodia foi praticamente recriada. Para ouvi-la, por favor, clicar aqui ou abaixo
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006
Comentário e zombaria:
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
wDivagações e citações - Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006 |
 |
 |
 |

Na Terra como no Céu
Desde muito jovem eu me tornei ateu. Por certo alguém, ante esta afirmativa, se perguntará se alguém se torna ateu, se é um processo de conversão. Para mim foi um processo de conscientização, de descoberta do materialismo histórico e do materialismo dialético. Embora muita gente, ao saber que eu era ateu, me tratasse como um infectado por doença muito contagiosa, eu sempre convivi, e muito bem!, com pessoas diferentes. Por exemplo, eu me dava muito bem com Padre Cordeiro, Reitor do Seminário de Pesqueira, o qual me permitia amplo e irrestrito acesso ao seminário e eu aproveitava, não para assistir aulas de Latim, mas para jogar futebol e, principalmente, freqüentar o maravilhoso salão de jogos do seminário. Tornei-me amigo de Padre Assis, com quem viajei algumas vezes, inclusive para o Sertão, onde ele foi assassinado por grileiros, tempos depois. Outra viagem muito interessante, eu a fiz em companhia de Padre Assis e D. Hélder Câmara, a qual, noutra oportunidade contarei aqui.
Entre os meus amigos religiosos, destacava-se o próprio Bispo da Diocese de Pesqueira, D. Severino Mariano de Aguiar. Por ter substituído D. Adelmo, um bispo conservador, muito afinado com a elite econômica pesqueirense, D. Mariano não contava com a simpatia de muita gente, sobretudo pelo fato de ele tratar de questões sociais e ter se destacado entre os fundadores e expoentes da Igreja Progressista da América Latina, atualmente absolutamente subjugada às correntes ultraconservadoras.
Às vezes, D. Mariano ia ao seminário e nos encontrávamos, na maioria das vezes, jogávamos gamão. Ele era um bom jogador, bem humorado, tranqüilo; uma tarde, eu parecia o cão chupando manga, os dados davam os pontos que eu desejava e, aos poucos, D. Mariano passou a demonstrar uma certa impaciência, ao fim de mais uma surra, ele tentava evitar o gamão, mas os dados não o ajudavam, então ele fez o sibilante comentário: — só falta dar um e um; não deu, foi pior: dois e um! Havia um cartunista que fazia uma série de sombras, na qual os personagens demonstravam uma coisa enquanto pensavam outra oposta; no caso, a cena era perfeita para a charge, pois ambos olhávamos o tabuleiro e permanecíamos com as feições inalteradas, mas as sombras revelariam D. Mariano blasfemando e eu rolando pelo chão, às gargalhadas.
Eu já morava no Rio de Janeiro, em férias, fui passar o carnaval no Recife, antes fui a Pesqueira com uma namorada e fizemos uma visita a D. Mariano; integrava a equipe dele uma freira, natural do Rio de Janeiro, ao me ver com camiseta e chapéu da Portela, ela disse que era portelense, cantarolamos o samba de enredo (acho que era em homenagem a Manuel Bandeira), enquanto ela nos acompanhava à sala do bispo, ao chegarmos lá, eu havia botado o chapéu da Portela na cabeça da freira (naquela época todas elas usavam hábito); na sala do bispo havia apenas duas cadeiras e não me fiz de rogado, sentei-me numa delas e botei a namorada no colo, enquanto conversávamos. Na primeira oportunidade que ficamos a sós, D. Mariano me disse: — você é danado mesmo! Em poucos minutos, bota uma freira pra sambar, fica aos beijos com uma garota ao colo na minha sala, você quer esculhambar a igreja?
Apesar destas aparentes broncas, D. Mariano sempre encarou com muito bom humor o fato de eu ser ateu. Em uma de minhas voltas a Pesqueira, ao visitá-lo, ele me contou um caso muito interessante. Ao saber que eu passara a morar com a mãe de minha filha mais velha, D. Mariano considerou que eu não me casaria, mas isto não o impediria de abençoar a união e enviou uma carta na qual dizia exatamente isto, desejava felicidade, etc. Contudo, ao enviar a carta escreveu um endereço completamente diferente do meu, em Santa Tereza, e a carta foi parar na Tijuca, o casal que recebeu a carta também não era casado e considerou um sinal dos céus a benção de um bispo. Respondeu à carta e manteve contato com D. Mariano e, mesmo sem jamais ter ido a Pernambuco antes, terminou casando em Pesqueira, numa cerimônia oficiada por D. Mariano. Ao saber do caso, eu apenas comentei: — pois é, D. Severino (como ele permitia que eu o chamasse), ficamos todos bem, o senhor que trouxe ovelhas desgarradas para a igreja, o casal que recebeu uma benção especial e ganhou um grande amigo e eu que continuo longe do reino do céu, pois diga-me uma coisa: o senhor não tem medo de ir pro céu? E ele: — medo? Por quê? Eu: — sabe D. Severino, acho que o senhor vai se sentir muito só lá no céu, este povo que se candidata a ir pro céu é inhenho, atrasado e chato demais! Eu prefiro distância.
Dedico a D. Mariano a música Na Terra como no Céu de Geraldo Vandré, numa execução do Quinteto Violado; para ouvi-la, por favor, clicar aqui ou abaixo
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Fevereiro 20, 2006
Comentário e zombaria:
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
wDivagações e citações - Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006 |
 |
 |
 |

Uma questão de eqüidade
Cada vez mais, tenho visto manifestações sobre uma série de políticas públicas consideradas como afirmativas, de discriminação positiva, de eqüidade e outras adjetivações.
Há um programa, intitulado Programa de Combate ao Racismo Institucional no Brasil, o qual é resultado de uma parceria entre: Ministério Britânico para o Desenvolvimento Internacional (BFID), Ministério da Saúde, Secretaria Especial de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, Organização Panamericana de Saúde e PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. O objetivo do programa está expresso no próprio título e é louvável. Há duas componentes no programa: uma que focaliza a ação municipal e outra que focaliza ações em saúde.
Por conta da segunda componente do programa, foi instituída, pelo Governo Federal, no âmbito do programa, a Política Nacional de Saúde da População Negra, aí é que está o busílis: um programa respaldado por instituições de grande respeitabilidade, em nome do combate ao racismo, promove o segregacionismo!
Eu entendo a existência de alguns programas de saúde destinados a públicos específicos, tais como: Programa de Saúde da Mulher, Programa de Saúde do Idoso, Programa de Saúde da Criança, Programa de Diabetes, Programa de Hipertensão, Programa de Combate ao Câncer, enfim: programas que agrupam públicos com características que os tornam alvos de certas doenças, grupos de doentes crônicos ou doenças de grande incidência que exijam pesquisas ou medidas profiláticas específicas. Então cabe a pergunta: as populações negras têm características biológicas que as tornem diferentes das demais populações? As populações negras exigem programas específicos de saúde por contraírem doenças de negros? Outra pergunta: que marcadores genéticos são usados na seleção dos beneficiários do programa? Mais uma pergunta: este programa está ligado à eugenia?
A superficialidade, a ignorância, a inconseqüência e a irresponsabilidade são as características fundamentais de um governo mergulhado em escândalos, que se preocupa em fazer discurso politicamente correto, na verdade, demagógico, pois objetiva demonstrar que "alguém, finalmente, passou a se preocupar com os negros", quando, na verdade, mais do que reforçar o racismo, promove o segregacionismo.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Fevereiro 13, 2006
Comentário e zombaria:
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
wDivagações e citações - Terça-feira, Fevereiro 07, 2006 |
 |
 |
 |

Dicionário Brasileiro de Quandos
Com lançamento previsto para maio de 2004, finalmente veio a público a primeira edição do Dicionário Brasileiro de Quandos. Trata-se, na verdade, de um apêndice do PMBOK brasileiro, ou seja, um capítulo à parte sobre cronogramas e prazos no gerenciamento de projetos. Meio por acaso, compareci ao coquetel de lançamento, pois eu não sabia do adiamento do lançamento de outro livro. O dicionário ainda não está à venda, mas recebemos um pequeno glossário e a explicação: houve um pequeno contratempo, já superado, e brevemente todos poderão adquirir um exemplar. Abaixo algumas expressões registradas no dicionário.
Brevemente - Quando ainda não há uma data fixada, mas é necessário dar a idéia de que tudo está de acordo com o previsto, sem atraso algum.
Daqui a pouco - As estórias da carochinha sempre começavam: há muito tempo, num país distante, o que deu um tom de irrealidade à expressão muito tempo, mesmo após a supressão do tempo, pois o brasileiro não tem tempo para o uso de muitas palavras, exceto quando joga conversa fora, substituída por pouco, mas o significado é o mesmo de muitíssimo, tanto no passado (há pouco tempo me informaram que precisava fazer o trabalho), como no futuro: daqui a pouco estará pronto.
Dentro em breve - Há dissensão no uso desta expressão em substituição a brevemente, mas esta expressão não tem a força e o peso da palavra substituída.
Depende - Envolve a conjunção de várias incógnitas, todas desfavoráveis e independentes. Em situações anormais, pode até significar sim embora até hoje tal fenômeno só tenha sido registrado em testes teóricos de laboratório. O mais comum é que signifique diversos pretextos para não.
Já está praticamente pronto - O assunto acaba de entrar em pauta, daqui a pouco será tomada uma decisão e brevemente será iniciado o trabalho.
Já-já - Aos incautos, pode dar a impressão de ser duas vezes mais rápido que já. Ledo engano, é muito mais lento. faço já significa passou a ser minha prioridade, enquanto faço já-já quer dizer apenas assim que eu terminar de ler meu jornal, responder os e-mails, beber um cafezinho, prometo que pensarei no assunto.
Logo - Logo é bem mais tempo que dentro em breve e muito mais que daqui a pouco. É tão indeterminado que pode até levar séculos ou milênios. Logo chegaremos a outras galáxias. É preciso também tomar cuidado com a frase Mas logo eu?, que quer dizer Eu? Jamais!.
Mês que vem - Parece coisa de Primeiro Grau, mas ainda tem estrangeiro que não entendeu. Existem apenas três tipos de meses: aquele em que estamos agora, os que já passaram e os que ainda estão por vir. Portanto, todos os meses, do próximo até o armagedon, são mês que vem!!!
No máximo - Esta é fácil: quer dizer no mínimo. Exemplo: entregarei em meia hora, no máximo. Significa que a única certeza é de que a coisa não será entregue antes de meia hora.
Pode deixar - Traduz-se como nunca, mas é mais delicado do que logo eu?.
Por volta - Similar a no máximo. É uma medida de tempo dilatada, em que o limite inferior é claro, mas o superior é totalmente indefinido. Por volta das 5 horas quer dizer a partir das 5 horas.
Prioridade - Dicionaristas e filólogos prestam grande desserviço ao atribuírem à palavra o significado de qualidade do que está em primeiro lugar; se eles estivessem certos não seria usada no plural como em: cinco prioridades do Governo FHC, trezentas prioridades do Governo Lula. Na verdade, prioridade quer dizer aquilo que ainda não foi esquecido, mas sem importância alguma, contudo, deve ser usada sempre de uma forma que quem a ouça pense se tratar de algo de suma importância.
Sem falta - É uma expressão que só se usa depois do terceiro atraso. Porque, depois do primeiro, deve-se dizer: fique tranqüilo, que amanhã eu entregarei. E depois do segundo: relaxa, amanhã estará em sua mesa. Só aí é que vem o amanhã, sem falta.
Um minutinho - É um período de tempo incerto, indefinido, que nada tem a ver com um intervalo de sessenta segundos e raramente dura menos que cinco minutos, podendo chegar a uma hora.
Veja bem - Em geral, é conseqüência direta de depende. Significa viu como pressionar não adianta?. É utilizado da seguinte maneira: mas você disse que dependia apenas da autorização. Resposta: veja bem...
Xiiii!! - Esta interjeição tem variantes regionais como iiiige!!, ôxi!!, eita!! Se dito neste tom, após a frase: não vou mais tolerar atrasos, certo? Exprime dó e piedade por tamanha ignorância sobre nossa cultura.
Zás-trás - Palavra em moda até uns 30 anos atrás e que significava ligeireza no cumprimento de uma tarefa, com total eficiência e sem nenhuma desculpa. Por isso mesmo, caiu em desuso e foi abolida do dicionário.
Na Bahia será lançada uma versão especial do dicionário. Quando? Depende... Veja bem: os orixás foram consultados e já aprovavam a formação de uma comissão, presidida por Dorival Caymmi, e a abertura dos trabalhos terá uma apresentação de João Gilberto, presença confirmadíssima!, após um bavi pela série A do campeonato brasileiro; Caetano Veloso já manisfestou irrestrito e incondicional apoio, ou não, à explicitação de uma linguagem própria que represente a baianidade do tempo presente, futuro e passado, no devenir do quando antecipado, ainda de visu.
Disque raiva
Calma, gente! Não se trata de alarme de um surto de hidrofobia. É outra coisa. Eu recebi um telefonema em minha casa, a qual se situa no entorno da Floresta da Tijuca, numa área de proteção (APA - Área de Proteção Ambiental ou APARU - Área de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana, não sei ao certo), portanto, se tenho cigarras, maritacas, tucanos, micos e outros exemplares da fauna silvestre, também tenho mosquitos por perto. O telefonema era automático, gravado, e uma voz feminina me informou que a minha residência se encontra em área de potencial risco de dengue. Em seguida, vários conselhos, tais como: jogar fora os pneus usados, tampar a caixa d'água, etc. Nada que eu e os vizinhos conhecidos precisemos fazer. Não me incomodou tanto o Ministério da Saúde se referir ao dengue no feminino, pois um governo de apedeutas não falha. O que mais me incomodou foi a coerência: após interromperem, nos recentes três anos, as visitas domiciliares dos agentes de saúde, interromperem os serviços de fumigação, o popular fumacê, suspenderem todas as ações de profilaxia, eles, cândida e cinicamente, dizem: — se você ou alguém de sua família pegar o dengue, a culpa é exclusivamente de vocês, o governo não oferece mais os serviços de saúde, como prevê a Constituição, transfere a responsabilidade ao cidadão, agradece a atenção e avisa que este é mais um serviço do Ministério da Saúde do Brasil para todos. Aí já é achincalhação! Mas sou obrigado a reconhecer: há coerência no modo lullista de governar.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Fevereiro 07, 2006
Comentário e zombaria:
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
wDivagações e citações - Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006 |
 |
 |
 |

Farinha do mesmo saco
Eu não me lembro se em fins de 1996 ou no início de 1997, mas recebemos a notícia com grande antecedência: o Quinteto Violado se apresentaria no Rio de Janeiro em maio. A novidade é que não se apresentaria sozinho, porém junto com Chico Science e Nação Zumbi. Eu conheci muitos músicos brasileiros, pessoalmente ou não, através do pessoal do Quinteto, especialmente de Marcelo Melo e Toinho Alves. Alguns deles não tiveram a fama e o sucesso a que faziam jus, como os baianos Djalma Cão e Gereba, outros mudaram de estilo a caminho da fama, como Fafá de Belém e Djavan. Contudo, mesmo sendo pernambucano, não foi através do Quinteto que tive as primeiras informações sobre Chico Science, embora ouvisse falar do Mangue, mas foi minha filha Luana quem primeiro me mostrou alguma coisa dele. Ela ficou empolgadíssima! Em 1997, Luana concluiu o segundo grau na unidade Centro do Colégio Pedro II (a mesma na qual Flora estuda) e me fez assumir um compromisso, antecipadamente acertado com Toinho Alves: nós iríamos a todas as apresentações e Luana levaria, a cada uma delas, uma pessoa do Pedro II para, ao fim do espetáculo, sairmos para jantarmos com o pessoal do Quinteto e Chico Science. Quando eu contei a alguns amigos, muitos ficaram espantados: Quinteto Violado e Chico Science? São tão diferentes! Em 1998 o Quinteto lançou um CD que reúne diversos estilos da música pernambucana, o título do CD é emblemático: Farinha do mesmo saco. Claro que Chico Science teria participado, mas no dia 02 de fevereiro de 1997, um estúpido acidente automobilístico levou Chico Science. O Quinteto se caracteriza por fazer arranjos que são verdadeiras recriações musicais, não é exatamente o caso da música que ofereço, pois nela o Quinteto manteve a essência de Chico Science.
Para ouvir Macô, por favor, clicar aqui ou abaixo
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006
Comentário e zombaria:
|
 |
 |
 |
 |
 |
|
| Clicar nas fotos para ver os álbuns correspondentes |
 |
Praia do Porto - Costa Dourada Litoral Sul de Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
 |
Parque das Emas Goiás - Mato Grosso do Sul Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
 |
Chapada dos Guimarães Mato Grosso Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
 |
Serra dos Órgãos Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Campos do Jordão São Paulo Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Provetá - Ilha Grande Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Candeias Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Mercado São Josá - Recife Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Piedade Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Pouso Alegre Minas Gerais Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Pão-de-Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Cristo Redentor Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Nascente - Pão-de-Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Poente - Floresta da Tijuca Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Maracanã Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Niterói Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Quinta da Boa Vista Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Zona Norte Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Micos Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Igreja da Penha Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
|