wAgreste
Rabiscos e divagações

Auto-retrato
Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos.
Contato
Rabiscos e divagações
"Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós"
Agostinho Neto
"Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos"
Vital Farias
"Não há vento favorável para quem não sabe a que porto quer chegar"
Luiz Carlos Prestes
"Eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim"
Paulinho da Viola
"Quando a riqueza de poucos afronta a miséria de muitos, a insegurança é de todos"
Josué de Castro


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-- Atual --

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A decisão
A entrevista
A espera
A fuga
A Mata do Caboclo
A ressaca
A vingança
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Amuo
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Atrapalhado
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wDivagações e citações - Terça-feira, Dezembro 20, 2005


Ku Femba

     Em setembro deste ano, com a ajuda de Mia Couto, foi produzida, em Moçambique, a quarta edição do livro Ku Femba, com a aquiescência do autor, foi-me enviada uma cópia digital do livro, infelizmente ainda não lançado. Para ver o comentário sobre o lançamento do livro, por favor, clicar aqui. Para ilustrar esta página, roubei da Ma-Schamba uma imagem, cujo original foi produzido por António Vinte, com palha de bananeira sobre cartolina. Agora, recebo a notícia que transcrevo a seguir.


     Caro Pinheiro,

     Deves estranhar a minha ausência em termos de visita ao teu blog, mas acontecimentos infelizes fizeram com que eu não tivesse cabeça para nada, visto que o João Reis, tio da Fernanda e autor do Ku femba, faleceu um pouco inesperadamente, a 7 de Dezembro. A 11 de Novembro, dia de S. Martinho, deu uma queda e fracturou o fémur. Após inúmeras peripécias, em que foi levado de hospital em hospital, acabou por ser operado 10 dias depois no Hospital Dr. José de Almeida na Parede. Parecia que a sua recuperação estava a correr bem, apesar da infecção urinária e da pneumonia que apanhou no próprio hospital. No dia em que foi para o ginásio fazer fisioterapia, disse à fisioterapeuta que se sentia muito cansado, acabando por falecer durante o sono, no dia seguinte às 2 horas da manhã. Foi-se o "Finish" como era conhecido pelos amigos, Ti Hosi, como lhe chamava a mulher do Malangatana, o Mestre João como lhe apelidavam os ex-alunos ou apenas João como todos nós o carinhosamente interpelávamos.

     Entretanto e a pedido do próprio, foi feita a cremação do corpo e as suas cinzas espalhadas ao vento e no mar no Cabo da Roca, o ponto mais ocidental da Europa, cerimónia que decorreu há exactamente 8 dias, na presença da família. O João Reis queria ser transformado em cinzas, para que elas pudessem servir de renovação a outros seres vivos. Queria ser lançado ao mar, porque era de lá que tinha vindo a vida para a terra e para que pudesse voltar, nas ondas, às terras e aos continentes onde tinha estado e que tinha tanto amado, o seu Moçambique em África e a sua Macau na Ásia.

     O Savana dedicou-lhe um editorial que já te enviei. Abaixo junto uma breve nota biográfica do autor:

     João Salva?Rey, pseudónimo literário de João Correia dos Reis, natural de Lisboa, fixado em Moçambique, Lourenço Marques, desde Janeiro de 1937 até finais de Dezembro de 1975. Na capital moçambicana concluiu os estudos secundários, e iniciou curso universitário, cuja licenciatura acabaria em Lisboa (F.L.L.). Foi docente do ensino técnico, e mais tarde Administrador da Imprensa Nacional de Moçambique onde inaugurou uma Livraria pública para coincidir com o lançamento do Livro também de sua responsabilidade e autoria, Datas e Documentos da História da Frelimo.

     Iniciou?se no jornalismo (desportivo) no jornal "Eco dos Sports", passou depois a repórter, e, sucessivamente, a redactor desportivo, crítico de teatro e de cinema, redactor e chefe de redacção do Jornal Guardian, além de colaboração vária em outros jornais e revistas. Organizou (em duas sessões) um sarau de poesia por ocasião das Festas da Cidade (de L. Marques) em 1959, do qual sairia também, por sua iniciativa, e edição da Poliarte (da qual era sócio) um disco "Poetas de Moçambique", com a inclusão de Reinaldo Ferreira, José Craveirinha, Rui Knopfli e Rui Nogar. Organizou, com Reinaldo Ferreira e Antero Sobral e outros, o Círculo de Iniciação Teatral de L. Marques. Único fundador, e único proprietário do diário A Tribuna, em 1962, para o qual reuniu colaboradores como José Craveirinha, Rui Knopfli (de quem editou o "Reino Submarino") Eugénio Lisboa, Orlando Mendes, Adrião Rodrigues, Luiz Bernardo Honwana (de quem editou o livro "Nós matámos o cão tinhoso") Mário Sampaio, Domingos de Azevedo, Rui Martins, Rui Nogar, Teresa Sá Nogueira, F. Carneiro, e outros - jornal de que voluntàriamente abdicou por interferências estranhas à orientação política até então seguida. Preso pela PIDE em 1964. Funda, igualmente sozinho, o semanário O Jornal, em 1966, que se extinguiria em 1975. Responsável pela 2.ª edição, autoria do prefácio e posfácio da obra de etnologia "Usos e Costumes dos Bantus" do Prof. H. Junod (1975). De regresso a Portugal, ingressou no Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, e depois na Faculdade de Letras de Lisboa, onde desempenhou funções de assistente de História (1978/1987). Em Macau desde 1988, onde foi igualmente assistente universitário e colaborador de jornais, da Revista do Instituto Cultural de Macau, e da Revista Macau.
     Editor da Colecção Cultura Portuguesa do Mar (da Mar-Oceano Ltda).

     Regressou a Lisboa em 2004.

Obras & Artigos Publicados:

- Kufemba (1ª ed.) - Lourenço Marques - 1972
- Kufemba (2ª ed.) - Lourenço Marques - 1974
- A Saga Otomana - Lourenço Marques - 1974
- Datas e Documentos da História da Frelimo - Maputo - 1975
- Kufemba (3ª ed.) - Lisboa - 1977
- Alimentação e Saúde do Atleta - Lisboa - 1983
- A Empresa da Conquista do Monomotapa - Lisboa - 1985
- Desporto Alimentação e Saúde - Lisboa - 1988
- Polémicas de Eça de Queiróz (5 vol.) - Lisboa - 1986/1988
- Trovas Macaenses - Macau - 1991
- Introdução à História da Literatura da China - Macau - 1991
- Memória das Armadas da Índia - Macau - 1991
- Fortalezas Portuguesas do Oriente - Macau - não publicado
- As Igrejas portuguesas do Extremo Oriente (não publicado)
- O Livro de Tao - Macau - 1997 (mais três edições)
- Os 81 Capítulos de Lao Zi - Macau - 2004
- Um Macaense de Trás os Montes 3 Vol. Macau 2004
(Joaquim Morais Alves)

Na Revista do Instituto Cultural

-Ensaio sobre Malangatana Ngoenha e a sua Pintura (1996)
-Manuel Godinho de Erédia e a Descoberta da Austrália (1997)
O Livro de Lao Zi (1999)
Na Revista Macau
Macau e o Tratado de Tordesilhas (1998)
A História do Victor (Marreiros)
Colaboração diversa em jornais de Macau

- Kufemba - 4a Edição - Maputo 2005 (no prelo)


Encontro de blogueiros

     Márcia Maia, médica e escritora pernambucana, autora de Mudança de Ventos e Tábua de Marés, encontra-se no Rio de Janeiro, então, de forma absolutamente improvisada, desorganizada mesmo!, marcamos um encontro, hoje, às 19 horas, de alguns blogueiros com Márcia, no Restaurante Catete Grill, perto da estação do metrô do Catete, à Rua do Catete, 239. Moacy Cirne, de Balaio Vermelho avisou que não irá, pois viajou para o Rio Grande do Norte; dos não-blogueiros, Moacir C. Lopes, autor de A ostra e o vento já confirmou presença. Certamente teremos uma noite agradável, sintam-se todos convidados.

Blogs of Note

Pela Segunda vez, tenho a honra de quinze segundos de fama. É bom, fico grato, principalmente aos elos agrestinos, que verdadeiramente fazem o Agreste. E a vida continua.



MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Dezembro 20, 2005
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Sexta-feira, Dezembro 16, 2005


Viagem de metrô

      Eu e Flora iríamos a pé da Glória até o Largo do Machado, mas chovia e decidimos pelo metrô. De uniforme do Pedro II e cartão magnético à mão, Flora se encaminhou para a roleta enquanto eu me dirigi à bilheteria. Como o preço do bilhete é dois reais e vinte e cinco centavos, para facilitar o troco, dei uma nota de cinco reais e três moedas, duas de dez e uma de cinco centavos. A bilheteira deu o troco e o bilhete, eu já me dirigia para a roleta quando, por puro hábito, resolvi conferir e constatei que ela me dera três reais e cinco centavos de troco. Voltei e disse: — a senhora me deu três e cinco.
Ela: — o senhor me deu cinco e trinta.
Eu: — cinco e vinte e cinco.
Ela: — e trinta!
Eu: — e vinte e cinco!
Ela: — e trinta!!
     Flora já havia descido a escada até a plataforma. O ruído do freio da composição que chegava à estação abafou o tilintar da moeda que deixei cair na bilheteria e o sonoro não da bilheteira. Iniciei uma desenfreada corrida à roleta, desci velozmente a escada e fiz sinal para que a indecisa Flora entrasse no vagão, sinal que pode ter sido confundido com algum código de alarme de fuga para parceiros.
     Cheguei rapidamente à plataforma e olhei para trás, a tempo de ver três guardas da Segurança Metroviária - versão mais polida e mais rígida da violenta Guarda Ferroviária - saídos não se sabe de onde, chegarem à roleta; pulamos para dentro do vagão, as portas se fecharam e a composição iniciou o seu movimento.
     Apesar do nosso brusco movimento, entramos calados e as pessoas em torno, em silêncio sepulcral, olhavam-nos desconfiadas.
     A viagem foi muito rápida, apenas duas estações, mas deu para perceber, em ambas paradas, a evidente decepção dos demais passageiros ao não verem o carro ser invadido pelos guardas metroviários em nossa busca.
     Certamente, nas manhãs seguintes, aquelas pessoas compraram jornais sensacionalistas e, avidamente, procuraram notícias sobre o novo golpe na praça, aplicado por um barbudo de paletó e uma garotinha de uniforme colegial.

Caloteiro

     Lulla pagou antecipadamente o que devia ao FMI. Uma dívida a ser paga apenas pelo próximo governo. Em nenhum momento Lulla negociou a redução da dívida externa, como fez o presidente argentino. Ao contrário, pagou os mais altos juros do Mundo, este é o mais escandaloso mensalão do Governo Lulla.
     Enquanto isto, diversos órgãos federais, em muitas cidades brasileiras, têm os telefones cortados por falta de pagamento. Além disto, no governo do Apedeuta-Mor, nenhuma sala de aula foi construída; nenhum leito hospitalar foi criado... é uma questão de prioridade.
     Não é por acaso que, ao menos no Rio, toda grande rede de loja tem uma financeira própria que empresta dinheiro, esta foi a marca do governo corruPTo: o sagrado pagamento de juros, pagamento feito à custa do nosso suor e do nosso sangue, do povo brasileiro.
     E, só para constar, ainda não recebi de volta o que, compulsoriamente, paguei a mais de imposto de renda no ano de 2004.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Dezembro 16, 2005
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Segunda-feira, Dezembro 12, 2005


Carta aos pais

     Queridos papais, abemssam.
     Eu me dei-me bem no vestibular. Já estou afim de comemorar por que lavei a água, como se diz aí na rossa. Nas prova toda teve jente que foi muito mau, com isso pra mim paçar só fauta o rezutado. A correissão devi saí antes do natal. As prova foi em duas metade. A metade maior foi bijetiva e a metade menor foi dicussiva. Na dicussiva teve redassão, uma molesa. Foi só jogá um agá, era sob a influemça de Luiz Boa nos custume do Brasil. Eu me lembrei-me de tudo. Quando Luiz Boa saiu de Portugal por causo de Bom na Parte, aquele doido que aperta a pansa. Ai Luiz Boa deixou de ser capital de Portugal e foi pra Baía, chegando ao Rio no mesmo dia que abriram o porto se não, como podia atacar? Logo agora que Adriano faz um montão de gol lá na Itália, foi fácil de mim se alembrar do nome do imperador. Tudo isso fez o Brasil ter um futuro promiçório. Eu só no sapatinho, cantarolando os samba do Salgueiro e toda a istória vindo na minha demente. A maioria dos concorrente eram anaufabeto. Na bijetiva, os cara disse que humor-cego era mamifro, tendo a pissão de jacaré, eles só sabe que jacaré no seco anda, com licencia da mal palavra. A nota mais maior deles num chega a zero. Adespois foi só falar no avansso regreçivo da violenssa, dizer qui o matrimoinho do paiz é a educassão, mixturar com os cem teto e cem terra, os índios pirineus, a corrupissão, os trasigiênico, mostrei minha curtura em istória velha e momentânia. Tem gente que paressem terem fenda nos olho, a maioria nem sabem que o ino da Framssa é a La Mayonése. Agora é correr pro abrasso. Desse geito inda viro presidente.

Supermercado

     Laura e Ângela, amigas de infância, tinham o hábito de, todos os anos, viajarem juntas nas férias. E era exatamente o que faziam na cidade. Viajantes experientes, descobriam os melhores restaurantes, os produtos típicos dos lugares, freqüentavam os espaços nos quais as manifestações das culturas locais tinham vez. Contudo, a descoberta de Laura causou espanto.
Ângela: — supermercado de maridos?!
Laura: — isto mesmo! vamos lá, vamos!
Ângela: — mas... marido?! quem compra marido? não que estejamos dispensando, mas não estamos tão necessitadas...
Laura: — vamos lá, ninguém é obrigada a comprar.
     O Supermercado de Maridos era composto por cinco secções, logo à entrada, havia uma placa com o regulamento, o qual informava que a cada secção a cliente podia fazer a aquisição ou seguir adiante, jamais poderia retornar à secção anterior. Além disto, havia um prazo de carência, no qual os maridos poderiam ser devolvidos, mediante uma pequena taxa, o que animou as duas amigas.
     Logo na primeira secção, uma placa anunciava os atributos fundamentais dos maridos nela vendidos: os homens desta secção trabalham e gostam de crianças.
Laura: — são duas qualidades indispensáveis em um marido, você não acha?
Ângela: — achar, eu acho, mas que tal vermos a secção seguinte?
     Ao chegarem à nova secção, sem poderem retornar à primeira secção, as amigas se depararam com uma placa que dizia: os homens desta secção trabalham, gostam de crianças, têm excelente salário e são muito bonitos.
Laura: — querida, não sei se conseguiremos coisa melhor, que tal? afinal, há sempre o prazo de carência...
Ângela: — não nos precipitemos, amiga, pois ainda temos três possibilidades...
     As amigas seguiram para a terceira secção e nela encontraram a placa: os homens desta secção trabalham, gostam de crianças, têm excelente salário, são muito bonitos e dividem as tarefas domésticas.
Laura: — nossa! até eu estou desconfiada... qual será o defeito? se na garantia disser que não é homossexual, levarei agora!
Ângela: — você acha querida?
Laura: — não... você tem razão, vamos rapidamente para a quarta secção!
     À entrada da quarta secção, dizia a placa: os homens desta secção trabalham, gostam de crianças, têm excelente salário, são muito bonitos, dividem as tarefas domésticas, são ótimos ouvintes e maravilhosos amantes.
Laura: — querida, desta vez não haverá discussão, vamos imediatamente para a quinta secção!
Ângela: — meu deus! pense! estou até com as pernas bambas só de imaginar!
     Ofegantes e aflitas, as duas amigas chegaram à última secção e se depararam com a placa, à entrada, que dizia: esta secção responde definitivamente à pergunta: é possível satisfazer as mulheres?
     Até parecia uma peça exaustivamente ensaiada, pois as amigas, em uníssono, responderam: — claro que é! não agüento mais, vamos em busca do homem perfeito!
     Entraram na secção, a qual estava vazia, apenas com uma placa que dizia: é impossível satisfazer as mulheres, por favor, siga adiante e tenha um bom dia..
Observação: este texto foi descarado plagiato de uma mensagem enviada pelo amigo Acir Vidal do grande Contra o Vento, com texto de autoria desconhecida.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Dezembro 12, 2005
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Terça-feira, Dezembro 06, 2005


Dois anos

      Por influência de Flora, que na ocasião criara o Bloggagens, criei o Agreste, fez exatamente dois anos ontem. Quando o criei, havia o propósito de exercitar a escrita, sobretudo através de pequenos contos. Com o tempo, Agreste ganhou uma dinâmica própria e se constituiu quase em uma coluna, com pequenas crônicas. Contudo, o que eu não imaginava que fosse importante, constituiu-se na essência de Agreste: o relacionamento com o que chamo de elos agrestinos. Na retribuição às visitas recebidas, aprendi muito. Conheci muitas pessoas e fiz novas amizades. Neste aniversário, agradeço a todos que fazem parte do Agreste.
      Por falar em aniversário, ontem também foi o aniversário de Rosângela de Ilíqüido a quem parabenizo.
      Na postagem anterior, noticiei o número zero da revista Algo [+] Informação e Análise, na qual foi publicada uma excelente entrevista com um ícone da cultura pernambucana: Brennand. Reproduzo, a seguir, uma das inúmeras perguntas.
Algo [+]: — E que influência recebeu sua cerâmica?
Brennand: — Principalmente, de Paul Gauguin (1848 - 1903), pintor francês com ancestrais peruanos. Chegando a Paris, no final dos anos 40, tive a sorte de ver uma exposição de cerâmicas de Picasso. Recordo, e devo mencionar, que minhas atividades artísticas no Recife eram voltadas para o mundo da pintura a óleo. Todos os meus prêmios, no Museu do Salão do Estado de Pernambuco (1947, 1948), foram obtidos com pintura. Como muita gente boa, eu supunha que a cerâmica estava inscrita entre as artes menores, decorativas e utilitárias. Não merecia respeito. Qual não foi meu espanto ao me deparar com Picasso, mestre dos mestres da arte moderna, pintando pratos e vasos de maneira genial! O golpe de morte aconteceu quando, no Museu Jeu du Paume, descobri um jarro verde assinado por Gauguin, que mais parecia uma peça oriental. Depois foi a vez de Miró, Matisse, Léger, Lorenzo Artigas, catalão como Miró e mestre incomparável da técnica cerâmica. Desde então, exaltei a figura maior de Gauguin. Ele teve a coragem de dar as costas à Europa. A partir deste artista, a idéia de eurocentrismo nas artes plásticas desapareceu. Cultivou a Ásia, a África e a Oceânia. Sua ancestralidade peruana, incaica, foi mostrada ao Mundo sem pudores. Tentava resgatar as culturas de países e regiões que hoje chamamos de Terceiro Mundo. Nasceu-me uma grande identificação com a aventura de Gauguin quando este pronunciou a frase "jamais os gregos", relegando o mundo greco-romano, formador da civilização ocidental. Ele foi em busca da barbárie, no bom sentido, à procura de uma nova estética: "Para fazer-se algo de novo, é preciso voltar às fontes, à infância da humanidade". A influência de Paul Gauguin foi marcante na minha decisão de trabalhar o barro. Identifiquei-me com o seu sentido libertário e a sua vocação ao sacrifício. Foi muito mais forte sua influência no espírito das minhas esculturas do que nas pinturas que, de certo modo, estão próximas do Expressionismo alemão.

      Eu me lembro de minha última visita à Oficina Brennand, quando ele me disse: "
o amigo Ariano Suassuna diz, no que ele tem inteira razão, que, se passarmos à posteridade, passaremos, não na condição de ceramista, escultor ou pintor, mas como obsessivo. Eu sou um obsessivo! A minha atual obsessão é a pintura. Pinto todos os dias, o dia inteiro. Agora mesmo, estava a pintar na minha salinha de trabalho, mas fui avisado da chegada de vocês e vim recebê-los.". É muito interessante a forma tranqüila, sem falsa modéstia ou arrogância, como Brennand se vê. Ele tem a postura de alguém acima do tempo. Talvez nós também tivéssemos esta postura se vivêssemos na Oficina Brennand, pois nela a noção de tempo é dominante e, ao mesmo tempo, parece que o artista, em sua obra, criou a eternidade, refletiu a origem da vida (são tantas as esculturas que usam a forma do ovo! são tantas as formas representativas da fecundação!), a ancestralidade, o próprio futuro. É uma relação dialética: o tempo domina, mas passado, presente e futuro se fundem e nos remetem à contemplação, à reflexão, ante o mistério da arte e da vida, per ômnis saeculu.

MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Dezembro 06, 2005
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Praia do Porto - Costa Dourada
Litoral Sul de Pernambuco
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Parque das Emas
Goiás - Mato Grosso do Sul
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Chapada dos Guimarães
Mato Grosso
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Serra dos Órgãos
Estado do Rio de Janeiro
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Campos do Jordão
São Paulo
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Provetá - Ilha Grande
Estado do Rio de Janeiro
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Candeias
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
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Mercado São Josá - Recife
Pernambuco
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Piedade
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
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Pouso Alegre
Minas Gerais
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Vista de Casa
Pão-de-Açúcar
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Vista de Casa
Cristo Redentor
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Vista de Casa
Nascente - Pão-de-Açúcar
Rio de Janeiro
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Vista de Casa
Poente - Floresta da Tijuca
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Maracanã
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Vista de Casa
Niterói
Rio de Janeiro
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Vista de Casa
Quinta da Boa Vista
Rio de Janeiro
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Vista de Casa
Zona Norte
Rio de Janeiro
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Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
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Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
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Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
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Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
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Vista de Casa
Micos
Rio de Janeiro
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Vista de Casa
Igreja da Penha
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