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Rabiscos e divagações

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Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos.
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"Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos"
Vital Farias
"Não há vento favorável para quem não sabe a que porto quer chegar"
Luiz Carlos Prestes
"Eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim"
Paulinho da Viola
"Quando a riqueza de poucos afronta a miséria de muitos, a insegurança é de todos"
Josué de Castro


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wDivagações e citações - Terça-feira, Setembro 27, 2005


Calamidade

Depois de tsuname, furacões e ciclones, foi preocupante um tremor de terra no Ceará.
Através de nossos contatos, tivemos acesso à correspondência trocada, via telex, entre as autoridades competentes, a qual transcrevo abaixo.

Remetente: Coordenação do Centro Nacional de Controle Sísmico.
Destinatário: Comando da Polícia de Icó ¿ CE
Assunto: Movimento sísmico.
Texto:
Possível movimento sísmico na zona. Ponto.
Muito perigoso, superior Richter 7. Ponto.
Epicentro a 3 km da cidade. Ponto.
Tomem medidas. Ponto.
Informem resultados com urgência. Ponto

Uma semana depois.

Remetente: Comando da Polícia de Icó ¿ CE
Destinatário: Coordenação do Centro Nacional de Controle Sísmico
Assunto: movimento sísmico
Texto:
Movimento sísmico totalmente desarticulado. Ponto.
O tal Richter tentou se evadir, mas foi abatido a tiros. Ponto.
Desativamos as zonas. Ponto.
As putas estão todas presas. Ponto.
Epicentro, Epifânio, Epitácio e outros três cabras filhos da égua detidos. Ponto.
Não respondemos antes porque houve um terremoto da gota serena aqui. Ponto.

Palavra de Presidente

"Nunca diga uma mentira que não possa provar." - Millôr Fernandes

Saiu uma entrevista hipotética de Lula na Zero Hora, com respostas tiradas de artigos publicados por ele no jornal, entre 5 de setembro de 1999 e 31 de março de 2002. Saiu no domingo (28/8/05).

__________________________________________________________________


Zero Hora: — Um Presidente da República pode não saber do que ocorre nos gabinetes do Palácio do Planalto, principalmente em relação a acusações
contra seus subordinados mais próximos?

Lula: — "Não é possível que o Presidente não soubesse de nada, que ele não tivesse idéia do que o seu homem de confiança fazia na sala ao lado da sua
no Palácio do Planalto. Afinal, um presidente da República não pode ser tão desinformado. Aliás, o Presidente deveria ter se dirigido à opinião pública
para, no mínimo, prestar esclarecimentos sobre esses escândalos." (Em 30/07/2000, referindo-se ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao escândalo da violação do painel do Senado.)

Zero Hora: — Por que as denúncias contra o PT apareceram agora?

Lula: — "No Brasil, a opinião pública só fica sabendo das falcatruas que ocorrem em determinados governos quando há brigas envolvendo o centro do
poder. Somente a partir desse tipo de denúncias é que as oposições, a imprensa e a própria sociedade têm meios de aferir a gravidade desses casos
de corrupção." (Em 4/03/2001).

Zero Hora: — A investigação das denúncias por órgãos ligados ao Executivo é suficiente?

Lula: — "Como é que alguém subordinado ao Presidente (referindo-se à criação da Corregedoria-Geral da União) vai investigar as mazelas que a imprensa diz
que são de responsabilidade do próprio governo?" (Em 8/04/2001).

Zero Hora: — No início da crise, no lugar de admitir os erros, o Planalto se concentrou em buscar bodes expiatórios na oposição. A demora não inflou a
crise?

Lula: — "O Presidente da República faria muito melhor se deixasse de lado a busca de bodes expiatórios e o costume de insultar as forças de oposição e
passasse a estudar propostas (..) voltadas para a busca de solução real para as dificuldades crescentes que cercam nosso país. Busca que, evidentemente,
exige mudanças radicais no modelo econômico de recessão e juros extorsivos que é hoje imposto aos brasileiros." (Em 19/09/1999, referindo-se a Fernando
Henrique.)

Zero Hora: — Parte da defesa do PT está baseada no argumento de que a corrupção não foi inventada pelo atual governo. A estratégia de envolver o PSDB tem fundamento?

Lula: — "Aqui no Brasil, essas evidências de que as políticas neoliberais carregam um padrão de corrupção eleitoral não são novidade. O Presidente FH
empurrou para baixo do tapete todas as denúncias de compra de votos pelo seu governo para aprovação da reeleição. A cada novo escândalo denunciado,
realiza uma nova operação abafa. Mesmo quando o seu braço direito foi denunciado." (Em 24/09/2000, referindo-se a Eduardo Jorge.)

Zero Hora: — O PT está sabendo lidar com a postura da oposição diante da crise?

Lula: — "Forjado em uma longa trajetória de atuação oposicionista, o PT compreende mais do que ninguém a importância fundamental da cobrança, da
fiscalização e da crítica exercida pela oposição em qualquer nível de governo. Sem isso, não existe vida democrática." (Em 4/11/2001.)

Zero Hora: — Mas o partido foi acusado de tentar barrar as investigações, lutando contra a criação de CPIs.

Lula: — "O PT, todos sabem, tem lutado de modo firme contra a corrupção, em qualquer nível, e pela absoluta e imparcial apuração dos fatos. Tem
defendido a instalação de CPIs todas as vezes em que as denúncias de desmandos justificam tal medida. É por temer o futuro que se avizinha que os
políticos conservadores vão tentar fazer de tudo para lançar o PT na vala comum da corrupção brasileira. Mas nós temos o antídoto. O PT apura e pune.
E os outros?" (Em 11/11/2001.)

Zero Hora: — Não se corre o risco de a sucessão de denúncias banalizar a corrupção e alimentar um clima de que todos os políticos são iguais?

Lula: — "O corrupto, além de roubar dinheiro público que deveria estar sendo utilizado em obras e serviços para melhorar a vida da grande maioria do povo
brasileiro, destina parte do arrecadado para fazer corrupção eleitoral. A sociedade não pode encarar mais esse escândalo como coisa banal, corriqueira, pensando que 'isso não tem jeito e sempre foi assim´. Tem jeito, sim. Há políticos sérios e comprometidos com a ética e com o bem público. O PT não faz milagres nem é formado por santos." (Em 16/07/2000.)

Zero Hora: — A população só se desilude ou consegue aprender algo com a crise?

Lula: — "Felizmente, o povo brasileiro está ganhando consciência cada vez maior de que é necessário combater radicalmente a corrupção no país. O
impeachment de Collor foi uma vitória histórica e educativa. O fortalecimento da democracia faz crescer a exigência de maior transparência e participação do povo na coisa pública. Quanto mais eu vejo denúncias sérias de corrupção, mais eu me orgulho do papel que o Partido dos Trabalhadores tem desempenhado nessa luta." (Em 19/03/2000.)

Zero Hora: — Que malefícios a avalancha de denúncias traz à população?

Lula: — "Muita gente, ao ver tudo isso sendo revelado pela imprensa, fica decepcionada com o Congresso e com a política de modo geral. É exatamente
isso o que os muitos conservadores e corruptos querem que o povo pense: que todos os políticos e todos os partidos são iguais. Mas isso não é verdade."
(Em 29/04/2001.)

Zero Hora: — O que o Brasil perde quando um governo como o do PT, que sempre defendeu uma nova relação entre o público e o privado, comete deslizes
éticos?

Lula: — "O povo até compreende quando um governo deixa de fazer certas obras ou comete alguns erros, porque errar é humano. Mas a situação no Brasil já
passou dos limites. Ninguém pode aceitar a continuidade dessa relação promíscua entre a coisa pública e os interesses privados, com o Estado sendo usado para beneficiar uma minoria de privilegiados da sociedade." (Em 20/08/2000.)

Zero Hora: — Com a crise, o PT deixa de ser um modelo de moralidade?

Lula: — "Nós, do PT, temos políticas concretas de combate à corrupção. Em praticamente todos os municípios e Estados em que o nosso partido chega ao
governo a arrecadação aumenta e os cofres públicos passam a ter recursos suficientes para investimentos sociais. E isso acontece não apenas porque termina a roubalheira, o clientelismo, o leilão de cargos e postos de direção. É porque o partido tem uma postura ética sólida e um programa de modernização administrativa." (Em 22/12/2000.)

Zero Hora: — O PT não traiu as esperanças do eleitor que desejava mudanças?

Lula: — "À esquerda e a todas as forças democrático-populares do Brasil não lhes é dado o direito de vencer as eleições, chegar ao poder e frustrar as
esperanças do nosso povo. Partidos e políticos têm se sucedido nos governos, fazendo promessas e enganando a grande maioria da população. Isso pode e
deve mudar." (Em 16/12/2001.)

Zero Hora: — O PT teve de abrir mão de suas origens e compromissos para chegar ao Planalto?

Lula: — "É por isso que estão inventando essa história de PT cor-de-rosa, PT light e outras bobagens. Querem fazer crer que a razão principal da nossa vitória se deveria a uma postura "nova" do PT, que estaria abandonando os seus princípios, os seus objetivos, a sua firmeza - e por isso estaria sendo aceito por grande parte do eleitorado." (Em 3/11/2000.)

Zero Hora: — O projeto de reeleição do PT fez o partido admitir o comportamento de que poderia valer tudo para permanecer no poder?

Lula: — "A despeito do que pregaram os formadores de opinião "chapas brancas", está claro que no Brasil atual a reeleição não combina com aspirações
republicanas. O fim da reeleição trará de volta à política fatores preciosos: disputas democráticas e mais equânimes, favorecendo a renovação e o aparecimento de novas lideranças." (Em 3/12/2000.)

Zero Hora: — Onde estaria a solução?

Lula: — "A reforma política é o caminho para a superação dessas mazelas e de outras, igualmente vexatórias, como as recentes denúncias de caixa 2 nas
campanhas presidenciais." (Em 3/12/2000, referindo-se à campanha de Fernando Henrique.)

Zero Hora: — Só a reforma política resolve?

Lula: — "Hoje, o problema atingiu um patamar tão grave que nós teremos de fazer um verdadeiro mutirão para enfrentá-lo. Um mutirão que envolva a
conscientização da sociedade - os eleitores devem exigir cada vez mais as credenciais éticas de seus candidatos - e que mobilize muita competência
investigativa, orientada para o alvo certo: a lavagem de dinheiro, os laços financeiros internacionais, as máscaras legais, o atacado do tráfico de armas e drogas, a infiltração nas instituições públicas dos operadores políticos dessa rede criminosa." (Em 2/09/2001.)

Zero Hora: — Que experiências municipais do PT poderiam ser aproveitadas por um governo federal do PT como forma de diminuir o espaço para corrupção?

Lula: — "Onde o Partido dos Trabalhadores governa, nós temos implantado o Orçamento Participativo. O povo se reúne e decide como aplicar o dinheiro
público. E exerce um controle cada vez maior sobre o governo. Esse é, sem dúvida, um caminho promissor para combater radicalmente a corrupção que está
degradando o nosso país. Um caminho eficaz para tapar os buracos onde está vazando o dinheiro público." (Em 20/08/2000.)

(Carlos Brickmann, Observatório da Imprensa, 06/09/2005)


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Setembro 27, 2005
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Quarta-feira, Setembro 21, 2005


Prelo

Algumas palavras ou expressões, devido à moderna tecnologia e aos recentes processos de produção, perderam o sentido, mas não o uso.
Ainda dizemos copião de filme, prensagem de disco e livro no prelo.
Por isto digo que está no prelo a quarta edição do romance Ku Femba de João C. Reis.
Com a autorização do autor, foi-me enviada uma versão digital, cuja leitura iniciei imediatamente.
Na capa, um desenho de Malangatana, o maior pintor moçambicano.
Em outra oportunidade farei comentários sobre o livro.
Por favor, leiam o extrato do mesmo aqui.


Aos cinéfilos

Em 1983 eu era Secretário Geral do Instituto Cultural Brasil África.
A direção do instituto era constituída pelo Conselho Deliberativo, presidido por Oscar Niemeyer, e pelo Conselho Executivo, cujo presidente era o Professor Edmundo Moniz.
O então Vice-Governador do Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro, era o Secretário Estadual de Cultura, sendo Subsecretário o Professor Edmundo.
Por conta destes fatos, regularmente, após o horário do expediente, o Professor Edmundo Moniz me recebia na Secretaria de Cultura e tratávamos dos assuntos pertinentes ao Instituto Brasil África.
Algumas vezes, participava de nossa reunião o jornalista Sérgio Caldieri, assessor do Professor.
Desde então, eu e Sérgio mantemos uma fraterna amizade.
Apesar disto, fiquei surpreso quando recebi uma mensagem dele, pedindo-me que telefonasse para ele me entregar um exemplar do seu livro recém lançado.
Sérgio publicou o livro: Alberto Cavalcanti, o cineastra do mundo, pela Editora Teatral.
O livro foi muito bem recebido pela crítica e pelo público e, por incrível que pareça, ainda não telefonei para Sérgio, pois a partir desta semana poderei encontrá-lo, de acordo com a disponibilidade dele..
Já sei que se trata de uma reportagem histórica que resgata uma figura muito importante que carece no Brasil do reconhecimento que obteve no exterior.

Mouquice

Em um comentário à postagem anterior, fui acusado de mouco em relação às denúncias sobre a corrupção no governo FHC.
De forma implícita, há a acusação de eu ser leniente e conivente nos crimes praticados por FHC.
Logo eu que sempre denunciei os absurdos do governo FHC!
Logo eu que deixei de apoiar o Governo Lulla quando este passou a coibir as apurações dos desmandos anteriores e a promover operações de abafamento de todas as denúncias!
Que os mafiosos façam pactos entre eles, mas não nos envolvam nisto!
Foi este jogo de chantagem que já deu certo na CPI do Banestado; certo para eles, bandidos, que permaneceram impunes.
Quem me acusa agora deveria se explicar por que não fez as denúncias em dois anos e meio de governo, certamente é pelos mesmos motivos que as faz agora: a busca de um acordo de mafiosos; antes pela associação no crime, agora pela chantagem.
É no mínimo muito suspeito que o principal motivo, constante do parecer do relator do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, para a cassação do mandato de Roberto Jefferson tenha sido: "a afirmação, sem provas, de que existia o mensalão"; não pelos crimes confessados, mas pela única atitude proveitosa: a denúncia do esquema de corrupção e os caminhos para a obtenção das provas, afinal, cada uma das afirmativas do então deputado se confirmou.
O parecer do relator e as ações do presidente do Supremo indicam que a primeira proposta esboçada por Lulla tende a prevalecer.
Ela é baseada no cinismo da afirmativa: todos os crimes praticados pelo PT são práticas comuns no Brasil, portanto devem ser tolerados.
Para isto, basta reavivar a índole denuncista dos lullistas; utilizar o imenso poder de penetração na mídia, associado ao patrulhamento há muito praticado pelos lullistas; assim serão intimidados todos que não seguem o pensamento único que se sobrepõe a tudo.
Eu não temo este tipo de pressão; desde cedo aprendi a conviver e a respeitar o pluralismo e as diferenças; aprendi a ter vontade e idéias próprias, mesmo diferentes do padrão; portanto, não temo quando tentam confundir as minhas críticas sérias com posições oportunistas, adotadas pelos reacionários e bandidos aos quais o governo lullista se associou.
Não venham me dizer que estou a serviço do golpe das elites.
O verdadeiro golpe das elites é a blindagem de Lulla e da Política Econômica que promove - à custa do suor, da fome e do sangue do nosso povo; da devastação ambiental; da desnacionalização de nossas riquezas; das péssimas condições de saúde da população; do desmantelamento da rede pública de educação; do desmonte da previdência social; e de tantas iniqüidades - o maior lucro dos bancos em toda a História do Brasil.
Não podemos aceitar o diversionismo; precisamos apear do poder quem montou e comandou o maior esquema de corrupção da História do Brasil, afinal, não há corruPTo do bem.
Há algumas pessoas que respeito e que vêem as coisas de forma diferente de mim, algumas delas inclusive acreditam na inocência de Lulla.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Setembro 21, 2005
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Quinta-feira, Setembro 15, 2005


Recordar é sofrer

Para termos uma idéia de quão cínico e mentiroso é o presidente Lulla, ao alegar desconhecer que no governo dele foi montado o maior esquema de corrupção da História do Brasil, basta lermos o que foi publicado aqui mesmo em Agreste em agosto de 2004, portanto, há mais de um ano.

Agosto de 2004

Mia Couto é moçambicano. Fosse ele brasileiro, o seu artigo O país dos dez por cento seria pertinente à realidade do nosso país.
Rogério Gentile (Cem anos de gratidão), Dora Kramer (Arrevesada transparência) e Hugo Studart (Custo da Presidência e Os misteriosos cartões de crédito do planalto) além de brasileiros tratam de questões factuais, para nossa infelicidade.


O país dos dez por cento - Mia Couto

Havia um país em que tudo funcionava na base dos dez por cento.
Era o médico:
— Mandas-me esse doente e eu pago-te 10%.
Era a criança de rua para um candidato a criança de rua:
— Deixo-te guardar carros na minha área e dás-me 10 por cento.
Era o chefe:
— Deixo a vossa empresa ganhar o concurso e vocês retribuem com 10 por cento.
Era o polícia:
— Estou a telefonar para lembrar aquela multa que perdoei... recorde-se do combinado.
Era o director:
— Coloquei-te no projecto como técnico... já sabes, não é?
Era o outro chefe em sussurro para o empresário estrangeiro:
— Podem investir no nosso país mas... há comissões, é normal...
Tudo parecia correr bem, no país dos dez por cento. Na aparência, pelo menos... As pessoas trabalhavam a dez por cento, sonhavam nessa percentagem, viviam nessa escassa perspectiva. Tudo a dez por cento.
Mesmo a esperança a ser investida no futuro ocupava apenas uma fracção do coração.
Certo dia, porém, alguém pensou tomar uma iniciativa a 100 por cento. Meu dito, meu feito. O homem arregaçou as mangas e trabalhou.
E logo os amigos, familiares e colegas desataram a rir. Que o esforço seria em vão. Porque, nesse país, o construir era entendido como "comer". E ninguém pode "comer" sozinho. Viria o fiscal e pediria 10 por cento. Viria o camarário e pediria 10% para as licenças. Viria o ministerial e exigiria 10 por cento. Ou mais.
No final, ele acabaria por ficar com menos de 10 por cento das ideias, e do esforço aplicado resultaria quase nada. Que no país dos dez por cento o melhor é não fazer. O melhor é não construir, nem trabalhar. O que é bom e saudável é parasitar os que querem fazer. Sobretudo, os que querem fazer a cem por cento.
E assim, embora aparentando toda a normalidade, o país a dez por cento padecia de uma doença fatal. O problema é que um país a dez por cento só pode ser dez por cento país!

Mia Couto
in Beco com saída - Revista mais

Cem anos de gratidão - Rogério Gentile

Delúbio Soares de Castro, o tesoureiro do PT, é um sujeito curioso. Fã de Gabriel García Márquez e de charutos caros, costuma contar com orgulho que ficou 20 anos sem tomar Coca-Cola em protesto contra o imperialismo ianque.
Amadurecido na militância petista e amigo íntimo de Luiz Inácio e Zé Dirceu, Delúbio tem hoje uma outra obsessão na vida: coletar donativos de empresários abnegados, dispostos a auxiliar o Partido dos Trabalhadores e o companheiro-mor a mudar o país.
Pouco importa se, por uma dessas coincidências, o benemérito detenha contratos oficiais ou esteja enamorado de alguma concorrência pública.
O fundamental é que, para mudar o país, o partido precisa de uma nova sede na cidade de São Paulo, de preferência na região dos Jardins. A atual, no centro, ficou muito pequena depois que o PT desembarcou no Palácio do Planalto e engordou, amigado de tanta gente singular.
No seu itinerário de mármore, Delúbio Soares não pretende pedir muito, considerando o que o PT se propõe a fazer pelo futuro da nação. Algo entre R$ 5.000 e R$ 500 mil (o primeiro valor é suficiente para a concessão de cem bolsas-família, nova roupagem do programa Fome Zero, aquele da campanha presidencial de Lula).
Em troca, pela compreensão com o partido e pela disposição em ajudar o Brasil, o empresário solícito receberá do tesoureiro um kit oficial do PT, o chamado "kit gratidão" - afinal, amizade é tudo na vida.
Mas fica no ar a pergunta: o que diria anteontem a República da Companheirada se essa sacolinha fosse conduzida, digamos, pelo funesto PC Farias? Ou, num plano menos distante, pelo finado Sérgio Motta em nome da fantasia tucana dos 20 anos de poder?
Bobagem. Delúbio Soares é um bom homem, filho de pais analfabetos e vítima de discriminação social em sua Buriti Alegre, no interior de Goiás, onde, nos anos 60, certos lugares do cinema da cidade eram reservados aos filhos da elite. Seu passado realmente o isenta de qualquer tipo de suspeita, não é mesmo, Luiz Inácio?
O problema no Partido dos Trabalhadores atualmente é que ninguém fica mais vermelho. Ninguém tem medo de fazer papel ridículo.
O presidente da República manda comprar um Airbus de US$ 56,7 milhões, embora faltem recursos para a manutenção de muitos programas sociais prioritários, como o Brasil Alfabetizado. Uma piada.
O filho e um velho amigo do chefe da Casa Civil conseguem liberar emendas parlamentares para projetos que lhes interessam, sendo que deputado nenhum apresentou, de fato, emenda para tais fins. Um detalhe.
Sem contar as inúmeras contradições entre o discurso pré-Planalto e o mundo real dos gabinetes refrigerados. Antonio Palocci, quem diria, já empurrou carrinho de supermercado pela praça dos Três Poderes para mostrar ao Brasil que o salário mínimo não dava para nada.
Como escreveu Dostoiévski em "O Eterno Marido", "a pessoa bebe a própria tristeza e como que se embriaga com ela". O PT bebeu o próprio poder e se embriagou com ele.

Rogério Gentile é editor-adjunto de Brasil.

Arrevesada transparência - Dora Kramer - Jornal do Brasil

A concepção de transparência político-administrativa adotada pelo PT no governo é tão avançada que não raras vezes transita solerte pelo terreno da desfaçatez.
O caso mais recente da compra dos ingressos, pelo Banco do Brasil, de um show autobeneficente do partido é só um exemplo. Há vários outros. No próprio BB, inclusive, que financiou os R$ 21 milhões necessários à renovação do sistema de informatização do PT, a fim de modernizar a comunicação dos diretórios partidários nessas eleições.
Lá - isso foi no início do ano - como cá, as direções do partido e do banco não viram nada de inadequado nas operações. O financiamento, para o presidente do PT, José Genoino, não encerra conflito de interesses porque, segundo ele, trata-se de um negócio como outro qualquer.
O BB, na visão de Genoino, é um ''banco como outro qualquer''. Da mesma forma, o presidente e o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, consideram despropositados os reparos à aquisição dos ingressos do show em churrascaria de Brasília para arrecadar dinheiro à construção de uma nova sede para o partido em São Paulo.
Delúbio - vale lembrar, o mesmo que barrou a proposta de exibição das contas de campanha na internet sob o argumento de que ''transparência assim é burrice'' -, deu longa e profícua entrevista ao Globo, no último sábado, sobre o caso dos ingressos.
''Todo mundo assistiu ao show, comeu e bebeu. Portanto, não existe nada de errado. As pessoas estavam satisfeitas naquela noite'', diz a certa altura, em peculiar noção sobre a conduta adequada ao ente público e a relação entre o limite da ética e o divertimento resultante de seus atos. Se é bom, vale tudo.
Ele diz que estava tudo certo porque o PT agiu às claras. ''Se o Banco do Brasil comprou ingressos, o que posso fazer?'' O tesoureiro não vê ligação de causa e efeito entre uma coisa e outra. Bem como o presidente do partido, para quem ''uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa''.
Já o dono da churrascaria, cujos negócios privados não estão tão bem protegidos da reação da clientela quanto as operações de estruturação do PT, exibiu discernimento ante ao fato e mais que depressa devolveu os R$ 70 mil gastos pelo BB. Percebeu o que o tesoureiro e o presidente fingiram ignorar.
Ora, se não há realmente nenhuma relação de causa e efeito entre gentilezas do Banco do Brasil ao PT e o fato de o partido ser o governo, se de verdade ''uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa'', por que só agora, que está no poder, o PT renova sua frota de computadores e faz campanha para construção de nova sede com a participação do Banco do Brasil? Se tudo é tão normal assim, o partido poderia perfeitamente ter estabelecido essas relações quando ainda era oposição.
Na condição de governo, o único partido que não poderia valer-se desses instrumentos ditos ''normais'' seria exatamente o PT. A fim de não dar margem à óbvia interpretação de favorecimento.
A alturas tantas da entrevista, Delúbio Soares mostra-se espantado porque ''O Globo transforma uma coisa maravilhosa, que é a transparência, em algo duvidoso''.
O tesoureiro talvez ainda não tenha notado, mas as dúvidas provocadas por episódios como esses - e mais aqueles de propor a empresários o financiamento da reforma do Palácio da Alvorada e de transformar comitês do partido em abrigo de debates entre dublês de financiadores de campanhas e interessados no acesso aos negócios das parcerias público-privadas - não são quanto à transparência em si.
Duvidoso mesmo é o uso do conceito à conveniência do partido como se fora salvo-conduto ao livre manejo do aparelho de Estado para qualquer fim.

Custo da Presidência - Hugo Studart - Revista Dinheiro

Só há um indicador no Brasil que cresce na mesma velocidade da dívida pública: os gastos do gabinete da Presidência da República. Desde 1995, quando Fernando Henrique Cardoso chegou ao poder, as despesas vinculadas ao presidente cresceram dez vezes, num ritmo médio de 10% ao ano. Na era Lula, porém, a expansão tem sido mais acentuada. Entre 2002, último ano da gestão FHC, e o fim 2004, o aumento das despesas será de 150%. Tais dados foram coletados com exclusividade para a DINHEIRO por um grupo de consultores que tem senha especial de acesso ao Sistema Integrado de Administração Financeira, o SIAFI. É lá que estão detalhadas todas as despesas do Orçamento da União. Descobriu-se que, em 1995, o gabinete presidencial gastou R$ 38,4 milhões. Em 2003, primeiro ano de Lula, as despesas alcançaram R$ 318,6 milhões. Para este ano, está previsto o desembolso de 372,8 milhões - ou R$ 1,5 milhão por dia útil de trabalho. Até o dia 2 de julho, o gabinete tinha gasto R$ 120,3 milhões.
A principal causa da evolução das despesas é o inchaço da máquina pública. Itamar Franco entregou o Palácio do Planalto com 1,8 mil funcionários. FHC, por sua vez, enxugou-o para 1,1 mil. No governo Lula, a administração cresceu - e muito. Há neste momento 3,3 mil funcionários trabalhando diretamente na Presidência. No Palácio da Alvorada, existem outros 75. Há um mês, Lula assinou um decreto, de número 5.087, aumentando de 27 para 55 seus assessores especiais diretos. "Pairam sérias dúvidas sobre a qualidade, a prioridade e até mesmo a legalidade dessas despesas presidenciais", diz o deputado Augusto Carvalho, do PPS do Distrito Federal, chefe da equipe que levantou as despesas do gabinete presidencial para a DINHEIRO. "Além de crescentes, essas despesas estão cada vez mais obscuras". Uma das descobertas da equipe que entrou nas entranhas do Planalto diz respeito ao uso crescente dos cartões de crédito corporativos para cobrir as despesas das autoridades, utilizando o nome de funcionários do Planalto, que ganham entre R$ 3 mil e
R$ 5 mil (leia quadro ao lado). Em 18 meses, já foram gastos R$ 6,4 milhões com os cartões. Procurados insistentemente pela DINHEIRO ao longo da semana, assessores do Planalto, da Secretaria de Comunicação, da Casa Civil e o porta-voz presidencial não responderam as questões formuladas pela reportagem.
A máquina presidencial vem inchando por conta de atribuições que vêm sendo colocadas no Planalto. Lula decidiu alocar em seu orçamento sete diferentes ações de governo, como as políticas de comunicação, segurança alimentar e promoção da ética pública. A ação mais cara, contudo, é o chamado apoio administrativo.
Trata-se da gestão direta do Palácio do Planalto, do Alvorada e da Granja do Torto. Para este ano, o Orçamento é de R$ 151,2 milhões. Do total, R$ 140,8 milhões estão sendo gastos na administração dos palácios. Também estão sendo gastos R$ 3,8 milhões para a remuneração de militares que fazem a segurança do presidente e de sua família - há equipes em São Paulo, Florianópolis e Blumenau cuidando dos filhos de Lula.
Caso as contas do Planalto sejam vistas sob a ótica do Tesouro Nacional, elas atingem R$ 2,6 bilhões. "É a quantia consumida no período por todos os programas sociais, como o Bolsa Família e o Fome Zero", lembra o economista Ricardo Bergamini, que realizou o levantamento no Tesouro. "É mais do que os R$ 2,2 bilhões liberados para a reforma agrária." Isso ocorre porque Lula atrelou ao gabinete órgãos como as Secretarias da Pesca e da Mulher. "Isso mostra uma total inversão de prioridades", critica o senador Arthur Virgílio Neto, que administrou as despesas do Palácio no governo FHC. "Onde tem gente demais, sobram intrigas palacianas."

Os misteriosos cartões de crédito do planalto - Hugo Studart - Revista Dinheiro

As compras começaram modestas, mas logo tomaram volume. Já em 2000, primeiro ano em que o governo FHC adotou os cartões de crédito corporativos, as faturas somaram R$ 761,7 mil. Em 2002, quando entregou o poder, estavam em R$ 2,4 milhões. Mas com a chegada de Lula ao Palácio do Planalto o uso dos cartões de crédito virou uma febre. Em 2003, o governo gastou R$ 3.811.259,48 com cartões, 37,5% a mais do que no ano anterior. Este ano as compras estão ainda mais aceleradas. Até 15 de junho, dia em que a Secretaria de Administração da Presidência da República pagou as últimas faturas ao Banco do Brasil, os gastos há somavam exatos R$ 2.665.977,20. Nesse ritmo, o Planalto chega a R$ 6 milhões até o final do ano.
É a Secretaria de Administração da Presidência, subordinada ao ministro José Dirceu, que emite os cartões e paga as faturas. No governo FHC, as faturas foram enviadas ao Tribunal de Contas da União com a discriminação de cada compra, com a respectiva nota fiscal em anexo. O governo Lula não tem feito o mesmo. Neste ano, na sua primeira prestação de contas, o governo informou somente o valor total das faturas. A lista das autoridades que receberam cartões virou um segredo de Estado. Em abril, por exemplo, Dirceu foi flagrado em São Paulo pagando um hotel com seu cartão corporativo. Mas seu nome - nem o de nenhuma outra autoridade - não consta nas faturas do Banco do Brasil. Na maior parte das ordens de pagamento, não há referência ao verdadeiro dono do cartão.
Há, contudo, um grupo de 16 funcionários do Palácio do Planalto cujos nomes aparecem tanto nas faturas quanto no Siafi. São eles os ordenadores oficiais de despesas. Estão encarregados de suprir todas as necessidades do presidente, de sua família e dos ministros palacianos. Trabalham com agilidade e compram sem licitação. Alguns chegaram ao Palácio com Lula, como o ordenador Roberto Freire Soares, antigo companheiro de São Bernardo do Campo. A maior parte, contudo, está no Palácio há uma década ou mais. Todos eles têm salários entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. Dentro dessa turma, há um grupo especial, o dos "ecônomos". O termo foi criado no regime militar, quando ajudantes de ordens andavam com dinheiro vivo no bolso para pagar despesas dos chefes. Hoje, nas viagens presidenciais, os ecônomos do PT estão sempre perto de Lula, alertas para todas as despesas. Um deles, Adhemar Paoliello, é da nova safra do partido. Em seu nome, há faturas de R$ 79.235,21. O ecônomo-mor de Lula chama-se Clever Fialho. Era um funcionário do protocolo nos tempos de FHC. Também chegou a cuidar da legalidade das licitações. Suas faturas em cartões somam R$ 641.225,54. Outro ecônomo de destaque é Anderson Aguiar, com faturas que somam R$ 192.400,62. O último ecônomo de Lula chama-se Josafá F. Araújo, um agente administrativo que começou como datilógrafo. No governo Lula, já pagou R$ 185.770,46 em despesas do presidente.


Blogo, logo, existo!

Hoje é o aniversário de Nora de Língua de Mariposa e há dois dias foi o aniversário de Ariane de Retalhos e pensamentos, em outra postagem voltarei a falar delas, mas preciso ao menos fazer o registro e repetir os votos de parabéns. É uma imensa honra e desmesurado prazer tê-las como parte dos elos agrestinos.

Escola

Alguns políticos paulistas se notabilizaram pela aplicação prática da consigna "roubo, mas faço".
Lulla, formado na escola política paulista, aluno pouco aplicado, só fez a primeira parte da lição.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Setembro 15, 2005
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Sábado, Setembro 10, 2005


Para compreender a pobreza no Brasil

Faz muito tempo que eu não vejo Victor Valla.
Há muito ele não vem à minha casa e não vou à casa dele.
São os atropelos da vida de uma cidade grande e violenta; as pessoas dia a dia se recolhem e os encontros com amigos em torno de um vinho são substituídos pela comunicação virtual.
Victor Vicent Valla nasceu nos EUA e, na condição de padre católico, veio morar no Brasil.
Aqui abandonou a batina, mais que isto: renunciou à cidadania estadunidense ao se naturalizar brasileiro.
Ele foi um dos fundadores do PT, militava em uma tendência oriunda da AP, Ação Popular, na qual despontava o pernambucano José Eudes, morador de Laranjeiras.
O grupo todo saiu do PT em 1985, mas Valla se desligou do grupo quando todos seus integrantes aderiram ao PSB, em 1988.
Na época, ele se aproximou de outro grupo, mais heterogêneo, que muitas vezes se reunia em minha casa.
Descobrimos um amigo comum: Chocolate; o famoso Chocolate, integrante da Seleção Brasileira de Basquete Bi-Campeã Mundial em 1959 e 1967, da qual faziam parte os lendários Vlamir, Amauri e Rosa Blanca.
Duas vezes por semana, Valla e Chocolate se encontravam às cinco horas da manhã para jogarem basquete no Ginásio do Mourisco então pertencente ao Botafogo Futebol Clube.
Generosamente Chocolate dizia que Valla jogava bem; modestamente Valla dizia que era o pior do time e tirava proveito do porte físico e da idade, afinal era uma pelada de veteranos craques de selecionados nacionais.
Depois que Valla saiu de Santa Tereza, ele ainda retornou à minha casa e eu fui algumas vezes à casa dele no Catete.
Ele coordenava a área de Educação em Saúde da Fiocruz, Fundação Oswaldo Cruz, e desenvolvia um trabalho muito interessante na Penha.
O amigo Jorge Gonçalves, então Presidente da Associação de Moradores da Penha e Presidente do Sindicato dos Advogados do Rio de Janeiro, atestava a seriedade do trabalho de Valla.
Eu recebi a notícia do lançamento de um livro que tem Valla como um dos organizadores.
O livro, editado pela Livraria Cultura, será lançado na Feira Primavera dos Livros, no dia 25/09, das 14 às 16 horas, no Jóquei, na Gávea.
Por tudo que sei e conheço de Valla, é coisa séria.


Para Compreender a Pobreza no Brasil

Prefácio: A resistência do compromisso
Ana Clara Torres Ribeiro

Parte I - Pobreza e nova Pobreza

Globalização, a questão social e a nova pobreza
Victor Vincent Valla
Pobreza e capitalismo
Eduardo Navarro Stotz
As ações da sociedade civil e do Estado diante da pobreza
Eveline Bertino Algebaile

Parte II - As políticas sociais e a reprodução da pobreza

Educação nacional: pobreza do direito e (não) direito dos pobres
Wagner Mattos
Saneamento e pobreza no Brasil
Rosely Magalhães de Oliveira
A ordem do dia: o programa Fome Zero nos meios de comunicação
Homero Teixeira de Carvalho

Parte III - Algumas respostas da sociedade civil

Feminização da pobreza e religiosidade
Maria Beatriz Guimarães Lisboa
Recursos comunitários em saúde
André Mourthé


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sábado, Setembro 10, 2005
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Terça-feira, Setembro 06, 2005


Notícia bem dada

Ele teve uma vida de trabalho duro, mas compensador.
Constituiu um bom patrimônio e começou a gozar a vida.
Depois de muitos anos, finalmente férias maravilhosas, na Europa é claro!
Antes de viajar, deixou tudo no "piloto automático", todos os pagamentos agendados, tomou as decisões mais importantes e delegou a execução de ações pertinentes.
Nada mais justo que não querer ser incomodado, a não ser, evidentemente, "por motivo de força maior".
Qual não foi a sua surpresa e contrariedade quando tocou o telefone, às três e meia da madrugada, interrompendo o "bem bom".
Tinha que ser João Osório, o capataz de sua principal fazenda.
Lembrou-se de que o capataz nada devia saber de fuso horário.
— O que foi João, algum problema?
— Não, nada não.
— Se não há problema, por que me telefonou?
— É só pra dar um aviso, nada demais.
— Que aviso, rapaz! (já começando a ficar irritado).
— O seu cachorro morreu...
— Que cachorro? Bingo?!
— É sim este mesmo.
— Será possível?! O meu cachorro de estimação! Com inúmeras premiações internacionais.
— Pois é. Doutor, nem as medalhas e os troféus livraram ele.
— Morreu de quê?
— Comida.
— Que comida?! Enveneram o bichinho?!
— Não Doutor, comeu carne estragada...
— Não acredito! Deixei comida estocada para mais de um mês! Que carne foi esta?
— Carne dos cavalos, que se estragou.
— Que cavalos? Aí só tem dez cavalos de corrida, apenas os campeões!
— Deles mesmo, morreram todos.
— Será possível? Estavam medicados, vacinados e sempre assistidos pelo veterinário. Como morreram?
— Acho que foi de cansaço...
— Cansados de quê? Estavam na época de repouso, nem era para treinarem.
— Cansados de tanto carregarem água...
— Carregarem água? Aí tem água canalizada, irrigação, pra que carregarem água?
— Pra apagar o fogo...
— Fogo?!?! Que fogo rapaz?
— Do incêndio da casa grande.
— Você está falando da casa restaurada, repleta de móveis de antiquários e obras de arte?
— Esta mesma, o fogo lambeu tudinho.
— Mas como foi pegar fogo? há um sistema contra incêndio, as instalações elétricas foram revisadas recentemente.
— Foi a vela que caiu.
— Vela, mas pra que usar vela? tem gerador, até lâmpada de emergência tem na casa!
— Vela do velório.
— Velório?!?! Do que você está falando?!
— Velório da senhora sua mãe.
— Minha mãe?! Ela nem mora aí, você ficou maluco?
— Mas este foi o problema, pois ela chegou de noite sem avisar, aí eu mandei bala!

Polêmica

O crime não compensa e quando compensa, muda de nome - Millor Fernandes.

Quantos grupos musicais seriam famosos se tocassem, por exemplo, música evangélica?
Não vejo problema algum em grupos musicais religiosos, aliás, muito da música negra dos EUA, e não apenas spiritual, tem motivação e vinculação religiosa, sem deixar de ser música de qualidade.
No Brasil há inúmeros folguedos religiosos de grande qualidade artística.
O ruim é quando o músico usa a religião por ser um atalho para o sucesso, independente das crenças dele.
Na arte, na política e até na ciência há exemplos de oportunismo; muitos deles absolutamente legais, mas antiéticos.

Em nenhum momento, na postagem anterior, questionei o fato de alguém fazer propaganda em blogue e ganhar algum dinheiro com isto.
É legal e é ético.
Contudo, a mim desagrada botar um anúncio, sobre o qual eu não terei controle, podendo anunciar um produto que eu não aceite consumir.
Além disto, a propaganda certamente afetaria a estética (minha pobre estética) de Agreste e tornaria a carga da página mais lenta do que já é.
Atualmente ela é lenta por ter música e fotos, mas isto faz parte do que pretendo mostrar aos amigos que visitam o Agreste.
Não pretendi e nem pretendo exercer o patrulhamento ideológico.
Mais que isto: até concordaria em fazer parte de um projeto, individual ou coletivo, que buscasse patrocínio como forma de remuneração de produção cultural ou literária, mas aí já são outros quinhentos.

Outro reparo que me fizeram: seria falsa modéstia dizer que Agreste tem poucos leitores?
Não.
Há amigos que recebem diariamente mais de trezentas visitas, muito além das registradas em Agreste.
E nem me refiro a blogueiros famosos, como Ricardo Noblat que chega a ter mais de dois mil comentários diários.
Não se trata de falsa modéstia, mas de reconhecimento da realidade.
E não estou insatisfeito, pois prezo os leitores que visitam e fazem comentários, se não fossem eles, talvez Agreste já tivesse sido desativado.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Setembro 06, 2005
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Sábado, Setembro 03, 2005


Mensalão meu

Juca Chaves conta que, certa vez, ante uma bela, faceira e gostosa jovem, ele não resistiu e insinuou, interrogando-a: — por um milhão você iria pra cama comigo?
Ela: — claro, Juca!
Juca: — então vamos! Eu pagarei cem reais.
Ela: — que é isto?! Você pensa que sou prostituta?!
Juca: — isto já foi respondido na primeira pergunta, agora é apenas uma questão de preço.

Eu recebi uma proposta, transcrita abaixo, de botar propaganda em Agreste.
Antes mesmo de aceitar, já faço planos para quando me tornar biliardário.
Pouco ligo se os gifs piscantes, as incômodas janelas irritarem os parcos leitores de Agreste, eles que se danem!
Epa! Foi ato falho! Eu não poderia revelar isto, afinal preciso de público, senão quem visitará e clicará para eu enricar?
Desconsiderem o dito acima.

Eu tenho princípios e não venderei o meu espaço, ainda mais depois que fiz algumas contas.
Pois é, eu sei contar, com alguma desenvoltura, faço as quatro operações aritméticas.
Ao contrário do professor de Matemática, Delúbio Soares, o qual revelou que não tem facilidade com números e, por isto, não consegue se lembrar de ter lidado com algumas dezenas de milhões de reais.
Nas minhas contas, eu percebi que, no limite do meu sucesso, tomando por base o retrospecto, eu poderia ganhar, pelas visualizações, a fortuna de R$ 90,00 em um ano e meio! Se 10% dos visitantes clicassem, eu ficaria mais rico ainda, pois ganharia cerca de R$ 900,00 no mesmo período; com tanto dinheiro, por que não fazer como o PT?

Eis a proposta que quase corrompeu os meus ilibados princípios éticos.


Obs.: Obtivemos este email através de visita ao seu Site: http://www.agrestino.blogger.com.br/

Prezados Senhores,

O Clique Banner é um Sistema Brasileiro que paga por Clique (Pay per Click) que iniciou em 2000 e conta hoje com mais 1500 sites associados. Nossa meta é triplicar o numero de sites cadastrados.
Hoje nós somos o sistema que melhor paga aos webmasters , o valor do clique em banner varia de R$ 0,15 a R$ 0,30 e para os PopUnders pagamos R$ 1,50 a cada 1000 visualizações.
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Para começar a ganhar basta se cadastrar em nosso site http://www.cliquebanner.com
Havendo qualquer dúvida favor entrar em contato
Abraços,


Pontos de Fuga

A amiga escritora Maria Azenha falará sobre Coimbra na TSF, neste sábado, 3 de setembro, às 12 horas, no programa Pontos de Fuga.
Creio que a diferença de fuso horário atual (se não houver acabado o horário de verão) é de cinco horas em relação ao horário de Brasília, portanto às 7 (ou 8) horas de Brasília.
Para nós brasileiros é possível ouvirmos através de:
http://www.tsf.pt/online/primeira/default.asp

Graciliano da TV

Havia uma emissora de rádio, em Pernambuco, cuja consigna era: rádio tal, a primeira da faixa.
Isto porque a freqüência da emissora era a primeira do dial.
Então nós dizíamos: rádio tal, a primeira da faixa, a última da audiência.
A TV Câmara (canal 28 da Sky) usa a consigna: TV Câmara, a TV que vê o Brasil.
Em meus tempos de adolescente em Pesqueira, certamente completaríamos: — a TV que o Brasil não vê.
Contudo, neste sábado, às 18h30, vale a pena vê-la, pois será exibido um programa sobre Graciliano Ramos.

Cine Santa

Neste domingo o Cine Santa estará na Igreja Anglicana de Santa Tereza com duas exibições.
18 horas - Nossa Música - de Jean-Luc Godard
20 horas - Aldir Blanc, Dois pra lá, dois pra cá - de André Sampaio, Alexandre Ribeiro de Carvalho e José Roberto de Morais

Curso de Criação Literária

Moacir C. Lopes me avisou que o curso noticiado na postagem anterior foi iniciado com doze alunos, portanto ainda há três vagas.

Blogo, logo,existo!

Um dos maiores prazeres que Agreste me proporcionou foi o reencontro com Portugal.
Refiz contato com antigos amigos e fiz novas amizades.
Hoje é o aniversário da autora de Texere.
Envio os parabéns para M. E. M. e, através dela, faço minha homenagem aos amigos portugueses.
Dedico Festa do Sol, de Júlio Pereira com o autor, para ouvi-lo, por favor, clicar aqui ou abaixo



MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sábado, Setembro 03, 2005
Comentário e zombaria:




Clicar nas fotos para ver os álbuns correspondentes
Praia do Porto - Costa Dourada
Litoral Sul de Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Parque das Emas
Goiás - Mato Grosso do Sul
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Chapada dos Guimarães
Mato Grosso
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Serra dos Órgãos
Estado do Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Campos do Jordão
São Paulo
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Provetá - Ilha Grande
Estado do Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Candeias
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Mercado São Josá - Recife
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Piedade
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Pouso Alegre
Minas Gerais
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Pão-de-Açúcar
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Cristo Redentor
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Nascente - Pão-de-Açúcar
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Poente - Floresta da Tijuca
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Maracanã
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Niterói
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Quinta da Boa Vista
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Zona Norte
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Micos
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Igreja da Penha
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro