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wAgreste |
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Rabiscos e divagações
 Auto-retrato |
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Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos. Contato |
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"Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós" Agostinho Neto |
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"Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos" Vital Farias |
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"Não há vento favorável para quem não sabe a que porto quer chegar" Luiz Carlos Prestes |
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"Eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim" Paulinho da Viola |
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"Quando a riqueza de poucos afronta a miséria de muitos, a insegurança é de todos" Josué de Castro |
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wDivagações e citações - Sábado, Julho 30, 2005 |
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< b>Mãe África
Recebi uma mensagem de um amigo e a transcrevo abaixo.
Ela merece comentários, mas não os farei hoje, pois há aspectos gerais que fazem parte de um mesmo processo global, portanto numa nova postagem tratarei do assunto.
Cabe a transcrição direta.
Caro Pinheiro,
Tendo regressado de Maputo, resolvi matar o atraso e ler as várias postagens que fizeste em Agreste, sobre a situação brasileira e não só. Apesar da esperança ser a última coisa a morrer por vezes é difícil mantê-la. Deixo-te a resposta que dei a um amigo de longa data emigrado actualmente em Lisboa, que me
perguntava o seguinte:
"O que achaste da terra? Tenho ouvido as opiniões mais dispares. Uns dizem que está a ir de vento em popa - "muita construção, Maputo muito cosmopolita, restaurantes" etc, etc, etc. - mas outros dizem que as assimetrias são cada vez maiores e que as duas realidades - desenvolvimento e miséria ¿ estão de costas voltadas e entre elas um grande barril de pólvora... Conta, conta."
Respondi:
"Quanto a Maputo podes aceitar as duas versões, excepto a parte "de vento em popa".
De facto abriram imensos restaurantes e pastelarias, onde se come e bebe bem, discotecas e bares, a exemplo do Rangel (fotógrafo) que abriu um bar de jazz na estação dos CFM, "Chez Rangel", onde encontrámos a fina flor da intelectualidade moçambicana, Magid Osman (ex-ministro das Finanças), José Luís Cabaço (histórico da Frelimo e ex-ministro da Informação), Pedrão (o velho amigo brasileiro do Centro de Formação do Ministério dos Transportes) , etc. e outros menos fina flor, os resquícios freaks e surumados, agora mais velhos, mas sempre porreiraços. Algumas pastelarias e bares, tipicamente portuguesas, são o que se chama do quadrado de Marracuene (do Mouzinho de Albuquerque das campanhas de África), onde praticamente só a "tugalhada" frequenta.
Construção e reconstrução existem muitas, até nos bairros de caniço, onde se constroem condomínios fechados, com casas de cerca de 300 mil euros para cima, no meio do palhotal, sendo agora fino dizer-se que se mora na Polana Caniço. Miradouro, Caracol, Barreiras está tudo construído com empreendimentos de luxo e moradias que chegam a custar mais de um milhão de USD. Onde a malta arranja o dinheiro já é outra coisa...
Desenvolvimento... Basta dizer que cerca de 80% do PIB moçambicano têm origem nos grandes projectos tipo MOZAL, Gás de Pande e Areias Pesadas detido por sul-africanos, para teres uma ideia do desenvolvimento. A indústria desapareceu, o comércio vive de produtos importados da África do Sul, sendo os preços bastante caros, para o nível de vida da população em geral. A agricultura deu passos tímidos, mas continuam a existir os eternos problemas de escoamento, chegando a existirem zonas do país onde as pessoas estão a morrer à fome
(notícias publicadas em diários e semanários moçambicanos) e ao lado, deita-se produção fora, porque não há forma de escoar!
Estatísticas oficiais apontam que apenas 5% da população activa estão empregues no sector formal! O resto é informal, eufemismo para dizer candongueiros, mukheristas, traficantes, vendedores de rua, vendedores de artesanato, prostitutas, mendigos, etc., etc.
Assiste-se ao desfile de uma nova burguesia(?!) formada por três extractos de pessoas. A primeira e a mais rica, formada pelos detentores do poder e seus apaniguados, a elite da Frelimo, seus familiares, que actuam como uma verdadeira máfia, quer na sua composição quer nos métodos e os seus capangas das ONGs e instituições financeiras nacionais e internacionais. A segunda, formada pelos nacionais de 2ª linha adaptados à situação e que colhem as migalhas sobrantes, (algumas somas não são tão migalhas assim...) e que vivem
também em casa boas, novas ou reconstruídas, as casas nacionalizadas, na Polana ou Sommerchild, com casa de campo ou praia no Bilene, Ponta do Ouro, Xai-Xai ou Vilanculos, que fazem compras todas as semanas ou todos os meses em Nelspruit, que visitam o Kruger Park semana sim, semana não, coadjuvados pelos tugas expatriados, alguns muito novos, que constituem grupos fechados, os quais têm como motivação principal as festinhas das suas criancinhas, em que as mamãs aparecem com as criadas... Faz-me lembrar o tempo colonial, só as caras é que mudaram.
Muitos deles têm negócios que ninguém sabe muito bem o que são. Bons carros e bons fatos fazem também parte do status, bem como barcos de desporto.
A cidade em si, de cimento e de caniço, com excepção dos bairros citados e de algumas ilhas na Baixa, em frente da Facim e do Bairro do Triunfo, está um caos. As ruas cheias de buracos, asfalto por vezes é difícil encontrar, lixo maningue, água estagnada e pedintes idem, inclusive velhos e mulheres que era coisa inusitada no passado. Agora imagina isso tudo, com os chapas (viaturas privadas de transporte do tipo combi) a circularem por todo lado e sem um mínimo de civismo e de segurança rodoviária.
Todo o mundo pede refresco (gorjeta) desde os funcionários do aeroporto, incluindo a polícia aduaneira, até aos bagageiros e em qualquer repartição onde te dirijas. Estacionas o caro e aprecem-te um monte de gente dizendo que te vai guardar o carro, na expectativa de receber uns trocados.
A Renamo só berra porque quer uma parte do bolo e só fica com as migalhas.
Oposição real, nem vê-la. Quando existe ou são comprados pelo poder ou então acabam como o Catoja (Carlos Cardoso). Não tive tempo para saber se há alguma organização da sociedade civil, para actuação em termos cívicos. As revoltas populares que existiram por causa do aumento dos combustíveis e consequentemente
do preços dos chapas em Maputo e na Beira, foram espontâneas e da população em geral, o que pode, de facto, ser um verdadeiro barril de pólvora. Foram no entanto sufocadas à bastonada, tiros de balas de borracha e gás lacrimógeneo.
Mudam-se os tempos...
Existe, claro, gente boa, com o mesmo espírito combativo de que o Zégui (José Negrão, amigo e cientista social falecido há duas semanas) era um exemplo, há gente a escrever nos jornais com fortes críticas, como por vezes aparece nas mensagens que me envias, há novos escritores e poetas, um desenvolvimento da música com a recuperação dos ritmos locais como a marrabenta, mas não se vislumbra qualquer alteração da situação em termos de assimetrias de distribuição da renda nacional, pelo contrário, o fosso é cada vez maior e sem fim à vista, dado que a indústria da ajuda é um grande negócio, quer para as ONGs e seus funcionários que são pagos a peso de ouro e com condições excelentes, quer para a elite governante, que assim pode manter o seu nível de vida, com os desvios dos fundos que efectua a seu bel prazer e na maior das impunidades.
Os amigos continuam os mesmos, sem peneiras, adaptados o quanto baste para sobreviverem com dignidade e algum conforto, para garantirem a sua reforma e a qualidade de vida dos seus filhos, não renegando nunca a sua qualidade de "moçambicanos" inconformados e críticos, ainda que alguns sejam portugueses e brasileiros. Infelizmente aquela solidariedade, aquela partilha de vida e de problemas, a vivência conjunta desinteressada e principalmente o gozo de estarmos juntos e discutirmos os mais diversos assuntos e nos divertirmos, desapareceu. Exemplo disso, é que no grupo que viste na foto, muitos deles já não se viam há anos! Consideravas isso possível há uns tempos?
Bem sei que isto também é um sinal dos tempos. Envelhecemos, o projecto político e social ruiu, começamos a ter outros interesses na vida e a pensarmos mais em termos de família e bem estar, pelo que o que vivemos passou a ser meramente uma imagem utópica e saudosa, de nós, os que vivemos fora e acabámos presos
a um passado que nos marcou e que talvez, em parte, nos recusemos a aceitar que morreu. A maior parte do pessoal já partiu para outra. Os que se recusaram meteram-se nos copos, como o C., irmão do L. C., o F. (L. C. irmão da S.) ou noutras coisas ainda piores, como drogas pesadas.
Apesar disso tudo, não desgostei de estar em Maputo, visitar a Namaacha, Pequenos Libombos e Bilene. Continua a ser a nossa casa, estragada é certo, mas ainda assim a nossa casa e como dizia o meu tio César que vive em França há mais de 50 anos, o nosso povo, a nossa gente. Estranho, não? Ainda que
no início, nos primeiros dias, a vontade fosse correr para o avião para me ir embora, passado uns tempos, começas a entrar no ritmo, sentir a pulsação, principalmente se saíres de Maputo, longe da escória citadina. Sem dúvida que é a nossa terra, à qual ficaremos eternamente amarrados, qual verso adaptado do Nogar, "eu bebeu suruma do teu olho, Moçambique".
Um grande abraço"
Depois disto, caro amigo, continuo pensando que ainda vale a pena, pelo menos vociferar, postar a nossa indignação, juntar amigos na crítica e principalmente mantermos a amizade.
Um grande abraço e obrigado pelas tuas postagens e mensagens; e por saber que continuas o mesmo.
Zé Paulo
PS: Encontramo-nos com a Alexandra que continua a mesma também, sem compactuar, crítica severa de toda corrupção e mesquinhez.
Glossário:
Bilene, Xai-Xai, Ponto do Ouro, Vilanculos - zonas de praias extensas e relativamente virgens.
Candongueiro ¿ especulador; em geral comerciantes inescrupulosos que obtêm grandes lucros à base de crises de abastecimento.
CFM ¿ Caminhos de Ferro de Moçambique.
Freaks - termo utilizado para designar os jovens urbanos, que se seguiram à geração hippie, adotando um estilo semelhante
Kruger Park - parque natural protegido, com inúmeras espécies animais.
Marrabenta ¿ música e dança do Sul de Moçambique, sensual e agitada.
Miradouro, Caracol, Barreiras - zonas da cidade voltadas para a baía de Maputo onde no período colonial era proibido construir devido ao risco de desabamento. A vegetação que cobria a zona é que segurava os terrenos, daí que as casas sejam construídas assentes em pilares de betão de vários metros de profundidade. Quando ocorrem as chuvaradas aparecem verdadeiras crateras, já que a areia é levada pela água até à baía...
Mukheristas - sacoleiras
Nelspruit - cidade sul-africana fronteiriça a Maputo.
Polana, Sommerchild ¿ Bairros nobres de Maputo.
Porreiraços ¿ supimpas, ¿irados¿.
Surumados ¿ maconheiros.
Tugalhada ¿ de tuga, referência pejorativa aos portugueses.
Blogo, logo, existo!
Inverto a cronologia e faço um registro do mais recente prazer que o Agreste me proporcionou.
A emocionante troca de mensagens é clara.
É a demonstração evidente de que vale a pena manter o agreste.
Não sei como agradecer a Tesco de Nós por nós.
Salve, Manoel!
Estou mandando 'emeio', na tentativa de não ter a mensagem perdida e
despercebida, na multidão de comentários do mais recente post.
Pouco tempo atrás (pô, foi em abril! Como o tempo passa!), você falou que procurava obter o livro de Orlando Tejo, "Zé Limeira, poeta do absurdo".
Eu tenho um exemplar da 5ª edição, (que não é uma das melhores, parece-me que as folhas são coladas, e não costuradas), e posso cedê-lo a você.
Para isso, preciso que me confirme se deseja recebê-lo e o endereço para a remessa.
Ah, não é uma oferta de venda, é doação mesmo.
Ah, de novo, eu sou o 'tesco' do Nós por Nós.
Abraço.
Roberto Dantas de Oliveira
Roberto, quanta gentileza!
Se você é do Rio, poderíamos nos encontrar!
Não há problema em dar meu endereço :0)
Contudo, você é do Rio? Por que não nos encontramos?
Fraterno abraço.
Manoel Carlos
Caro Manoel:
Sou pernambucano, mas moro em Aracaju há 25 anos.
Já fui muito ao Rio, a trabalho, porém agora não estou indo mais, pois estou pensando é na aposentadoria.
Depois que li o post em que você fala na sua busca pelo livro, peguei-o na estante e fui relê-lo.
Aí pensei: O Manoel Carlos é um pesquisador, tem um blog legal e bem freqüentado, eu raramente vou reler o livro, portanto é melhor que ele vá para mãos que o manuseiem com mais freqüência.
O pensamento veio casar com uma idéia que eu estava desenvolvendo, de sortear no nosso blog, alguns discos (CD's, claro) que eu tenho em duplicata e alguns livros que eu não vou reler.
Em vez de sortear o livro, que pode não despertar o interesse da maior parte dos freqüentadores, achei mais proveitoso oferecê-lo a alguém que já tinha manifestado interesse.
É mais lógico, né?
Mandá-lo-ei provavelmente na segunda-feira.
Aguardo notícias.
Abração.
Roberto.
Registro que o recebi e estou relendo. Dizer mais o quê?
De portas abertas
Hoje e amanhã Santa Tereza será invadida pelo pessoal que não é do bairro.
Há quem diga que os que não são de Santa Tereza, quando sobem o morro, se fantasiam de malucos e acham que ficam com jeito de moradores daqui.
O evento se chamava Santa Tereza de portas abertas.
Agora, por brigas comerciais, é: Arte de portas abertas.
Mais de cem artistas plásticos do bairro abrem casas e ateliês à visitação pública.
Sílvia estaria aqui, mas adiou em uma semana a vinda, então ficarei em casa mesmo e passearei pelo bairro quando as coisas voltarem à normalidade, sem os malucos que se acham iguais a nós.
República brasileira
De Geraldo Vandré, com o Quinteto Violado.
Para ouvir, por favor, clicar aqui ou ao lado. |
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Julho 27, 2005 |
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Evento sentinela
Há alguns anos, estarrecidos, tivemos conhecimento de que um enfermeiro assassinava doentes terminais, no Hospital Salgado Filho, no Rio de Janeiro.
Mais surpresas do que a população em geral ficaram as pessoas que o conheciam; todas o descreveram como uma pessoa muito gentil, prestativa, solidária e excelente funcionário.
O que pouca gente sabe é que não foi a polícia que descobriu os assassinatos.
Chegou-se ao assassino pelo sistema de indicadores gerenciais então utilizado pela Secretaria Municipal de Saúde.
Neste sistema há o que se denomina evento sentinela; isto é, eventos que fogem ao padrão; as sucessivas análises das discrepâncias levaram os gestores a desconfiarem do enfermeiro, uma equipe passou a vigiá-lo até pegá-lo em flagrante; daí então virou um caso policial, o enfermeiro foi julgado e condenado pelos crimes cometidos.
Contudo, as pessoas têm a falsa idéia de que um evento sentinela seja indício de algo errado.
Não é; apenas é algo que foge ao padrão.
Ainda bem que há técnicos inteligentes que sabem disto.
Se um evento sentinela fosse indicativo de algo ruim, o que seria da vida?
A variabilidade, e conseqüente acúmulo de alterações, em combinação com vantagens adaptativas é a chave do processo seletivo, base da Teoria Evolutiva.
Há outro caso interessante do uso de evento sentinela em sistema de indicadores gerenciais; também na saúde municipal do Rio de Janeiro.
Na comparação de indicadores de desempenho dos grandes hospitais municipais cariocas - e o Rio tem a maior e mais diversificada rede municipal de saúde do Brasil, com o maior número de grandes hospitais - verificou-se que o Hospital Lourenço Jorge gastava muito mais luva cirúrgica que os demais hospitais.
Um tecnocrata qualquer, apressadamente, concluiria que havia desperdício ou desvio de material.
Não os técnicos comandados por Antônio Werneck, capazes de verem além das aparências.
Estudos e análises levaram a uma conclusão: os procedimentos adotados pelo Hospital Lourenço Jorge eram responsáveis pelo menor índice de infecção hospitalar, com impacto positivo em outros indicadores combinados.
O resultado é que os procedimentos foram adotados pelos demais hospitais e os reflexos na redução da mortalidade foram os esperados pelos técnicos.
Pois é, o diferente não é ruim.
O tempo todo, todo o tempo, devemos desvencilharmo-nos de preconceitos e estereótipos, senão nossos métodos estarão irremediavelmente comprometidos.
A imprensa brasileira noticia muitas coisas sobre o brasileiro "morto por engano" em Londres.
E eu me pergunto: morto por engano?
Há uma questão de método muito séria.
Os governos ingleses têm muita experiência em políticas de assassinato, de genocídio, de guerras de pilhagem.
Delmiro Gouveia e a Guerra do Paraguai foram episódios menores se comparados aos inúmeros casos em África, Ásia e Oceania.
Eu sou contrário a ações armadas que tenham como alvo a população civil.
É necessário que nos manifestemos contra atentados que provocam a morte de civis.
Contudo é insuficiente.
O combate ao terrorismo de estado deve ser a nossa prioridade.
É a política desenvolvida por Bush e seus comparsas que pode provocar a destruição da Terra.
A política do terrorismo ambiental, sem adesão ao Acordo de Kioto, do não reconhecimento do Tribunal Penal Internacional, do desprezo pelas ações multilaterais, do desrespeito à autodeterminação dos povos, da guerra de saques e partilhas; esta política é responsável pela insegurança de todos nós.
O combate aos homens-bomba é necessário, mas a causa da existência deles não pode ser ignorada.
É muito difícil sermos coerentes.
Muitas vezes precisamos de muita coragem para contrariarmos a verdade oficial.
Para mantermos nossas opiniões e a coerência entre nossas idéias e nossas posições, desafiamos o senso comum.
Um fato gerou muita discussão no seio de nossa família.
Houve um atentado no estado de Oklahoma, nos EUA.
Um prédio público foi destruído.
O culpado foi preso, julgado e condenado à morte.
Houve manifestações contra a execução do condenado.
Entre os manifestantes contrários à pena de morte, havia um casal cujo filho perdera a vida no atentado.
Mesmo que eu fosse favorável à pena de morte, e sou contra, eu respeitaria profundamente as convicções e a coerência daquele casal.
Espero jamais ter necessidade de dar provas de coragem e coerência em situação similar à do casal.
Se sou contra a pena de morte, como poderia admitir a execução sumária de um suspeito?
Como admitir que a polícia intencionalmente mate alguém?
Em Londres, não houve morte por engano, houve assassinato, a decisão de matar é anterior à culpa, ao julgamento, à condenação.
A polícia inglesa é tão coerente quanto o casal de Oklahoma, afinal é uma longa tradição de política de extermínio, de genocídio, de assassinatos, de crimes contra a humanidade.
No Século XXI, os ingleses assumem o que sempre praticaram e que parecia fazer parte do passado.
Curiosamente, a deflagração da política assassina foi marcada pela declaração, há cerca de cinco anos, das autoridades britânicas de que jamais devolveriam os objetos de arte, verdadeiros troféus de guerra, o resultado de pilhagens, expostos nos museus londrinos oriundos da China, da Índia, do Egito...
Queremos, de fato, a paz mundial?
Então lutemos pelo desarmamento.
Lutemos pela desativação das fábricas de armas nucleares, de armas de destruição, armas químicas e bacteriológicas.
Lutemos para que a assombrosa quantidade de recursos investidos na indústria bélica seja destinada à produção de alimentos.
Boicotemos as empresas que financiam atividades bélicas, devastação ambiental, crimes contra a humanidade...
E lutemos também, pelo direito de sermos diferentes sem sermos suspeitos.
Blogo, logo, existo!
Tentarei, a partir da próxima postagem, diminuir a minha inadimplência em relação ao meu universo bloguístico, aos elos agrestinos.
Desde a criação de Agreste, em novembro de 2004, obtive muitos ganhos.
Como dizem os tecnocratas de plantão, os bens intangíveis têm mais valor do que os bens tangíveis.
Contudo, fica mais difícil registrá-los.
Mesmo assim, tentarei registrar todos os presentes que recebi, todas as atenções e todo o carinho.
Placar imoral
Caixa 2 X Fome 0
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Julho 27, 2005
Comentário e zombaria:
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wDivagações e citações - Sábado, Julho 23, 2005 |
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A estréia
O frio e o tempo nublado não foram os únicos motivos para o pequeno público presente ao Parque São Jorge naquela tarde de sábado.
A fase não era boa para os corintianos e o Botafogo de Ribeirão Preto não se constituía em atração, pois mal se agüentava no Come-Fogo.
Em quinze minutos de jogo, a incompetência do centroavante adversário, por duas vezes, foi responsável pela falta de gol.
Foi quando um rapaz jovem, com barba por fazer, usando camiseta e calça de brim, aproximou-se do alambrado e, com as mãos em concha, gritou para o banco do Botafogo.
O que se viu então foi algo inusitado.
O roupeiro do Botafogo se dirigiu ao jovem, depois, foi até um policial e ambos foram conversar com o rapaz que, autorizado, pulou a cerca de arame.
Se a torcida corintiana estava surpresa com o que via, ficou muito mais com o que veio a seguir.
O jovem rapaz trocou de roupa ali mesmo, à beira do gramado, vestiu o uniforme do Botafogo, fez um rápido aquecimento e substituiu o centroavante tricolor.
A torcida corintiana, que até então assistia sonolenta ao jogo chinfrim, entre gargalhadas e pilhérias, começou a depreciar o time de Ribeirão Preto.
Não por muito tempo; aos poucos, a torcida mosqueteira deixou de rir, o jovem deu um baile e foi o autor dos quatro gols da partida, na impiedosa goleada imposta pelo Botafogo.
Ninguém podia suspeitar de que aquela foi a estréia de um futuro ídolo corintiano.
O jovem chegou atrasado ao jogo, pois fora prestar exames na Faculdade de Medicina; conforme o combinado, chegou atrasado, mas valeu a pena.
Pois é, estou me referindo a Sócrates, o Doutor.
* Come-Fogo é o clássico de Ribeirão Preto entre o Comercial e o Botafogo.
Adendo
Não vá a Londres; você poderá ser a próxima vítima, das bombas ou da polícia assassina!
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sábado, Julho 23, 2005
Comentário e zombaria:
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Julho 18, 2005 |
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A matriarca
Dona Anália era a rainha da gafe.
As festas familiares eram propícias às antológicas gafes da velha senhora.
Revelações de segredos familiares resultaram em grandes brigas.
Constrangimentos, lágrimas e risos... ninguém sabia ao certo o que Dona Anália poderia provocar.
Apesar disto, ninguém se zangava com ela, afinal não havia pessoa mais solidária, prestativa e bondosa que Dona Anália, a quase venerada matriarca.
Dorival sabia que o jantar para Odorico estava muito bem organizado, não havia possibilidade alguma de não ser um sucesso absoluto.
Amigos desde a escola, mantiveram contato mesmo quando Odorico esteve fora do estado.
Se já era rico, Odorico voltou bilionário.
Convidou o amigo para conversas e sondagens, e desenvolveram um projeto comum.
A parceria entre os amigos fez prosperar a empresa de Engenharia de Dorival.
Transcorrido o tempo certo, chegou o momento de lançar a candidatura de Odorico a Governador do Estado.
Coube a Dorival, já Deputado Estadual, organizar o jantar.
Pela própria confirmação dos convites, Dorival antecipadamente saboreava o sucesso do evento.
Não custaria conversar com Dona Anália: — mamãe, por favor, cuidado com o que vai dizer, lembre-se bem, o nome da mulher de Odorico é Dona Vaglina.
Dona Anália, com seu jeito tranqüilo, respondeu: — pode deixar, meu filho.
Odorico insistiu: — Vaglina, mamãe, Va-gli-na, com ele no meio.
Antônia, defensora oficial da sogra, interveio: — Dorico, meu bem, não trate sua mãe assim!
Dona Anália: — não se aperrei Toinha! só abrirei a boca pra não desfazer dos acepipes de Tiana!
Como esperado, o jantar foi um sucesso.
Dana Anália cumpriu a promessa de ficar calada a noite toda.
Ao fim da festa, todos fizeram cerimonioso silêncio quando Dona Anália se dirigiu a Dona Vaglina.
Como boa anfitriã, Dona Anália gentilmente perguntou: — então? está satisfeita Dona Bucleta?
Operação Paraguai
Ontem a televisão brasileira apresentou uma entrevista, realizada em Paris, com o presidente Lula.
Lula pareceu ter tudo combinado; Marcos Valério, Delúbio e Lula zombaram da inteligência do povo brasileiro ao apresentarem uma fantasiosa versão para os crimes cometidos pelo governo e o PT.
Reconheceram um crime menor, justificaram-no como sendo a prática comum e desvincularam as ações governamentais das ações partidárias, embora as reuniões de Sílvio Pereira e Delúbio Soares ocorressem em espaços governamentais sem os mesmos ocuparem cargo algum na administração pública.
Lula afirmou que, durante vinte anos, o seu projeto de vida foi tornar-se presidente; não foi mudar a realidade brasileira; não foi a construção de um Brasil no qual os frutos do trabalho sejam de quem trabalha; a terra para quem nela vive e produz; trabalho, comida, saúde e educação para todos; um processo de desenvolvimento com sustentabilidade sócio-ambiental; a garantia das liberdades individuais e o respeito às diferenças...
Não! Um simples projeto pessoal de poder, jamais um projeto de governo ou de país.
Além de depreciar os escolhidos por ele para dirigirem os PT, Lula desvinculou a imagem dele do PT e, mais uma vez, mentiu ao afirmar que deseja a apuração dos fatos; ao mesmo tempo cria embaraços e dificuldades para que os órgãos governamentais forneçam as informações oficiais; será que a demora é uma desesperada tentativa de fabricação de documentos que tornem plausíveis as afirmativas do trio?
A cada verdade desmentida, uma nova e sincera verdade.
Ele é inePTo ou corruPTo?
Nesta aposta, sugiro palpite duplo.
Lula apelou ao petismo para se tornar presidente.
Agora, apela ao pietismo para se manter no cargo.
Será que a Velhinha de Taubaté acredita na cínica entrevista veiculada ontem?
Perguntar não ofende: cadê Duda Mendonça?
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Julho 18, 2005
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wDivagações e citações - Terça-feira, Julho 12, 2005 |
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Responsabilidade
No Brasil, alguns técnicos de futebol, apesar da reconhecida competência profissional, não fizeram sucesso; e isto se deve ao fato de a eles ser atribuída a postura de: "eu ganhei, nós empatamos, eles perderam".
Circunstancialmente ocupei alguns cargos de responsabilidade na administração pública; a última vez que o fiz, ao ser convidado recusei o convite.
O titular do órgão insistiu e Sílvia, minha mulher, me convenceu a aceitar.
O principal argumento dela foi que eu poderia ajudar tecnicamente, apresentar alguns projetos que ajudassem a melhorar um pouco as condições de vida de nosso povo; enfim: apelou para o meu senso de responsabilidade social.
É bobagem dizer que quem aceita um cargo impõe condições, contudo, ao aceitar, avisei: — não conte comigo para caça às bruxas, e eu não ocupo cargos, eu os exerço.
Lá fui eu ser Chefe de Gabinete e, apesar de prometer a mim mesmo que trabalharia normalmente, durante o tempo que permaneci no cargo era o primeiro a chegar e o último a sair do trabalho, talvez movido pela arrogância de achar que posso consertar o Mundo.
Sempre que havia um problema e me procuravam em busca de culpados, eu orientava as ações em busca de soluções.
É claro que, resolvido o problema, é necessário identificarmos as causas e o modo como o problema se deu; até para que ele não se repita.
Quando se trata de um erro, o responsável deve ser orientado para não mais cometê-lo.
Quando se trata de um crime, apuramos as responsabilidades, identificamos os culpados, garantimos o direito de defesa e punimos, tudo dentro da mais absoluta legalidade; é indesculpável, sob qualquer pretexto, alimentarmos a cultura da impunidade!
Não há uma ação praticada, no exercício de cargo público, da qual eu me arrependa.
Entretanto, na maioria das vezes, é muito difícil agirmos de acordo com a nossa consciência.
Por vezes, é muito desagradável e constrangedor.
Nos recentes episódios, há quem fique incomodado com as coisas que tenho escrito, há quem não entenda como posso criar ou reproduzir piadas sobre assunto tão sério.
É a minha natureza...
Para mim não foi agradável escrever as duas postagens anteriores, mas foi um imperativo de minha consciência.
No dia 04 de março de 2004, a minha postagem teve o título de Qual é o jogo?
Esther a reproduziu em porcas e parafusos e Li Stoducto o fez em palavras tortas.
O mineiro Jansen, que viveu em Angola e Portugal, fez o seguinte comentário:
Estou lendo esse comentário em 10/07/2005, portanto mais de um ano depois de publicado. Na altura ainda estava esperançado e o acharia cruel. Hoje entendo como uma previsão, perfeita, do que está agora acontecendo. Realmente a esperança se esvai. Cheguei até a pensar em ser beneficiário de um Brasil novo, melhor. Hoje luto, e poderei até lutar em campo de batalha, dos antigos, por um país mais digno para meus netos. E, infelizmente me pergunto: ainda haverá tempo?
Jansen | Email | 10-07-2005 12:36:53
Eu peço que leiam a postagem original (inclusive os dois artigos sugeridos na ocasião) clicando aqui.
Ao contrário dos técnicos de futebol citados, o verdadeiro líder assume a responsabilidade pelos erros de sua equipe e dá, nominalmente, o crédito pelos acertos.
Já os covardes se escondem, jogam os leais auxiliares às feras e imitam as lagartixas que dão o rabo para não perderem a cabeça.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Julho 12, 2005
Comentário e zombaria:
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Julho 08, 2005 |
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O artífice
Com mais de oitenta anos de idade, Octavio Brandão saía sozinho pelas ruas centrais do Rio de Janeiro e recolhia doações em dinheiro entre antigos camaradas comunistas.
De posse do dinheiro recolhido, ia de ônibus para os bairros periféricos e distribuía, de forma organizada, o total recolhido entre antigos militantes desempregados ou famílias de comunistas mortos.
Nesta atividade, nada além do espírito de solidariedade movia o velho fundador do Partido Comunista Brasileiro.
Aliás, solidariedade era uma palavra mágica para Octavio Brandão.
Ele freqüentava regularmente a minha casa, tínhamos longas conversas, discutíamos política; o universo literário dele era um dos mais ricos entre todas as pessoas que conheci.
Ele gostava de falar dos amigos, alguns famosos, contava casos e destacava o que apreciava nos amigos: a fidelidade aos princípios, a coerência entre idéias e prática, o espírito de fraternidade.
Eu gostava muito de ouvi-lo relatar o convívio com Wan Min, fundador do Partido Comunista Chinês, com a espanhola Dolores Ibarruri, a Passionária, com o búlgaro Dimitrov, que presidiu a Internacional Comunista, e com o Camarada Walter, codinome do líder da resistência ao nazi-facismo nos Bálcãs, o Marechal Tito.
Octavio Brandão poderia ter vivido os últimos dias de vida na Iugoslávia, presidida pelo amigo Tito; poderia buscar honrarias e fama, mas preferiu a vida modesta e simples, satisfeito por ter lutado toda a vida e jamais ter traído os seus princípios.
Quando Leôncio Basbaum lançou Vida em Seis Tempos, Octavio Brandão me procurou; percebi que ele estava deprimido, coisa incomum em seu comportamento.
Conversa vai, conversa vem, ele acabou me contando que não sabia que Leôncio passara por aqueles momentos de angústia e que, caso soubesse, teria procurado conversar com ele, apoiá-lo.
Mesmo quando se tratava daqueles com os quais teve divergências políticas, a solidariedade e o espírito de companheirismo o moviam.
Eu me lembro de que falávamos com freqüência sobre as revelações dos crimes de Stálin.
Ele costumava dizer: — Stálin foi um gigante, nos acertos e nos erros.
E conversávamos sobre o desencanto provocado pela surpreendente revelação dos tais crimes de Stálin.
Muitos intelectuais, no Mundo inteiro, se afastaram do movimento comunista, alguns chegaram a ponto de renegarem o socialismo.
Octavio Brandão falava com serenidade sobre o desencanto que tomou conta de muitos conhecidos dele.
Ressaltava que muitos se abateram, mas que a vida seguia seu curso, que a História tem marchas e contramarchas, e que a Humanidade cumprirá o seu destino de construir um Mundo de paz, no qual a solidariedade supere a beligerância.
Era sempre bom ouvir isto de um homem que viveu na URSS em plena guerra mundial, que ficou sitiado por soldados nazistas, que participou dos imensos sacrifícios, que perdeu a própria mulher, a poetisa Laura Brandão, enterrada no cemitério dos heróis do Kremlin.
Ainda criança, aprendi a decifrar a História através de expressões e de músicas populares.
No Brasil houve um momento de profunda comoção popular: o suicídio de Getúlio Vargas.
Em Pesqueira, quando queríamos dizer que alguém era muito mau, usávamos a expressão: — fulano é ruim como a bala que matou Getúlio!
E ouvíamos, na voz de Jackson do Pandeiro, a música de Edgar Ferreira Ele disse - para ouvi-la, por favor, clicar aqui ou ao lado
Acabou nosso carnaval
Ninguém ouve cantar canções
Ninguém passa mais brincando feliz
E nos corações
Saudades e cinzas foi o que restou
Pelas ruas o que se vê
É uma gente que nem se vê
Que nem se sorri, se beija e se abraça
E sai caminhando
Dançando e cantando cantigas de amor
E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar e alegrar a cidade
A tristeza que a gente tem
Qualquer dia vai se acabar
Todos vão sorrir, voltou a esperança
É o povo que dança
Contente da vida, feliz a cantar
Porque são tantas coisas azuis
E há tão grandes promessas de luz
Tanto amor para amar
De que agente nem sabe
Quem me dera viver pra ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais
Que marchas tão lindas
E o povo cantando seu canto de paz
Seu canto de paz
Para ouvir a música, numa interpretação de Toquinho, por favor, clicar aqui ou ao lado |
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wDivagações e citações - Sábado, Julho 02, 2005 |
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E agora José?
Quando estive em Alta Floresta, cidade do Mato Grosso na divisa com Pará e Amazonas, conheci Ana Luísa Riva.
Na ocasião, ela era a Chefe do Escritório Regional do IBAMA de Alta Floresta.
Além de muito simpática e prestativa, Ana Luísa demonstrou ser muito dedicada ao trabalho.
Por iniciativa dela, foi desenvolvido um sistema de cadastramento de empresas madeireiras que propiciou a identificação de empresas fantasmas que promovem o desmatamento ilegal da Amazônia.
Em abril deste ano, a Gerência Regional do IBAMA de Sinop, à qual o Escritório de Alta Floresta é subordinado, teve o seu titular afastado por suspeita de envolvimento em irregularidades.
Ana Luísa foi convidada para assumir o cargo.
Cerca de um mês depois, os jornais e televisões do Mato Grosso estamparam a imagem de Ana Luísa algemada e presa como integrante de uma quadrilha que pratica crimes ambientais na região.
Dois dias depois, foi preso em Brasília Antônio Carlos Hummel, Diretor de Florestas do IBAMA, sob as mesmas acusações de Ana Luísa.
Não conheço e jamais tive contato com Hummel.
A prisão de ambos causou espanto.
Trata-se de fundadores e militantes do PT, ambientalistas reconhecidos pelo trabalho que desenvolviam.
Os advogados de Ana Luísa ingressaram com o pedido de habeas corpus, o qual foi concedido, desde que a acusada fosse interrogada.
O delegado da Polícia Federal não a interrogava dizendo que ela deveria ser interrogada pelo Ministério Público o qual afirmava que o depoimento deveria ser colhido pela Polícia Federal.
Por que associei Hummel a Ana Luísa?
Porque no dia 25 de junho saiu uma notícia em O Globo, na qual há uma mensagem do delegado Tardelli Boaventura, da Polícia Federal, a um amigo em que relata a experiência: "O depoimento desse senhor (Hummel) foi uma das coisas mais angustiantes que já vivi na Polícia Federal. Aliás, dele só não. Também da senhora Ana Luísa Riva, então gerente do Ibama em Sinop, Mato Grosso, e presa a pedido do Ministério Público Federal (a propósito, ela também é filiada ao PT)", afirma Tardelli no e-mail enviado ao colega. - para ler a matéria completa, por favor, clicar aqui.
Continuam presos muitos funcionários do IBAMA com sérios indícios e graves acusações de crimes ambientais, entre eles há fundadores e militantes do PT.
Atualmente, o interventor do IBAMA no Mato Grosso tira o sofá da sala e promove o fechamento de diversos escritórios regionais do IBAMA; o resultado será o aumento de atividades ilegais relativas a desmatamento, tráfico de animais silvestres, extração mineral, além de roubo do patrimônio genético.
Recentemente, o Senador Eduardo Suplicy, que sempre tive em conta de homem sério e digno, reconheceu que em 1992 assinou um documento acusando o Deputado Roberto Jefferson de receber um milhão de dólares para ficar ao lado do então Presidente Collor; o senador não contestou a afirmação de que a declaração assinada por ele não correspondia à verdade.
O senador do PT paulista ainda continua merecedor de respeito e crédito, contudo, esperamos que a experiência sirva para que o senador não aja açodadamente, pois uma ação leviana dele pode causar, como já causou, irremediáveis danos à imagem de outrem.
A Senadora Ideli Salvatti, do PT de Santa Catarina, numa sessão da CPMI dos Correios, fez uma série de acusações a um funcionário da ECT. Após ler a longa lista de acusações, a senadora a assinou, entregando-a à presidência da comissão; contudo, o que me espantou foi o fato de a senadora demonstrar claramente não saber se eram verdadeiras as acusações que formulara; a senadora não foi capaz de informar que recebera uma lista anônima de acusações, encaminhando-as à mesa diretora dos trabalhos para que as mesmas fossem apuradas; de forma leviana, inconseqüente e irresponsável, a senadora desrespeitou o povo brasileiro ao não atuar com a seriedade que o cargo dela exige.
Ninguém contestou um fato apresentado pelo Deputado Roberto Jefferson.
A Polícia Federal, por determinação de uma juíza federal de Brasília, sem jurisdição no Estado do Rio de Janeiro, invadiu duas residências em Petrópolis.
A primeira, por engano, de um casal que se encontrava na cidade do Rio de Janeiro.
A segunda, da filha do Deputado Roberto Jefferson.
As invasões ocorreram quando o Deputado Roberto Jefferson se dirigia para a Comissão de Ética da Câmara dos Deputados para depor.
Um parlamentar presente à sessão, após indagação ao Deputado Roberto Jefferson, afirmou que a referida juíza é casada com um procurador da república nomeado por Lula.
A Senadora Heloísa Helena, do PSOL de Alagoas, demonstrou que, durante o depoimento, em sessão fechada, do funcionário da ECT Maurício Marinho, o então Ministro José Dirceu e o Ministro Aldo Rabelo se encontravam na casa do Deputado Roberto Jefferson e a Assessoria de Comunicação Social da Polícia Federal noticiou que, durante o depoimento, repito: em sessão secreta!, Maurício Marinho isentou o Deputado Roberto Jefferson.
A dedução da Senadora Heloísa Helena foi lógica: a quebra do sigilo da sessão, promovida pela Polícia federal, em desacordo com as funções de Estado do órgão, como elemento de informação para um possível acordo entre os dois ministros e o deputado no sentido de encerrarem o assunto com apenas um culpado: o subalterno funcionário.
O mesmo acordo que, através de um pronunciamento tortuoso, o Deputado Jorge Bittar, do PT do Rio de Janeiro, insinuou ao Deputado Roberto Jefferson; a única preocupação do deputado carioca foi demonstrar que não foi responsabilidade do governo a gravação da fita que incriminou o Sr. Maurício Marinho.
O Senador Pedro Simon, do PMDB do Rio Grande do Sul, fez uma comparação, na qual ressaltou que Collor não interferiu na comissão que levou ao impeachment dele, ao contrário, botou a Polícia Federal, o Ministério Público e a Procuradoria Geral da República, além de outros meios, à disposição da comissão.
Ao contrário, Lula tem interferido para dificultar o trabalho da atual comissão, embora diga que quer a apuração dos fatos e a revelação da verdade.
Lucáks, ao ser indagado sobre a condição dele de marxista, afirmou que era marxista não porque Marx houvesse acertado algumas previsões econômicas, mas pelo método desenvolvido e aplicado por Marx e Engels à análise do processo social, ou seja, pelo materialismo dialético e pelo materialismo histórico.
Paulo Freire certa vez afirmou que uma sociedade se caracteriza não pelo que ela produz, mas como produz, ou seja, mais uma vez a questão do método.
O PT tem se caracterizado, nestes vinte e cinco anos, por ser maniqueísta.
O PT, segundo ele próprio, é do bem e os diferentes são do mal.
A integridade, honestidade, seriedade petistas são um axioma, dispensam demonstração, pois sendo petistas, estes atributos lhes são imanentes.
Além de maniqueístas, são casuístas.
Como se não bastasse, são corporativistas.
Toda a bancada do PT do Rio de Janeiro votou contra a implantação do ensino público de qualidade, em horário integral, nas escolas públicas estaduais.
E o fizeram para não favorecerem eleitoralmente o Governador do Estado do Rio de Janeiro, o qual construíra 507 escolas em horário integral.
Os interesses eleitorais do PT sempre foram colocados acima dos interesses do povo brasileiro.
A lógica era a mesma de sempre: os fins justificam os meios; a vitória do bem justifica todas as práticas.
Quando foram detectadas evidências de corrupção na primeira prefeitura petista de São Paulo, foi desencadeada a campanha nacional cujo lema era: honestidade não se pune.
Um ou outro subprefeito foi afastado, um secretário municipal também.
Se eram honestos, foram injustiçados.
Se eram culpados, deveriam ser punidos.
Nada.
Caso abafado.
Na mesma época, Lula viajava, na condição de candidato a presidente, em um avião particular de propriedade do filho do Deputado João Alves, o famoso Anão do Orçamento.
Não importava que o filho do deputado fosse o proprietário da empresa fornecedora da merenda escolar para toda a Prefeitura de São Paulo.
A singela justificativa é que ele é um ex-colega de faculdade de Jorge Bittar.
Quem não conhece casos de uso da estrutura sindical e das ONGs a serviço do PT?
O aparelhamento da estrutura sindical levou à sua aniquilação como representação dos interesses dos trabalhadores.
Mais uma vez, o método: os interesses partidários, a vitória do bem, acima dos interesses das categorias profissionais representadas.
E deu no que deu.
Tão logo Lula assumiu o governo, tornou-se voz corrente que ele liqüidaria os sindicatos e promoveria algumas ONGs à condição de Organizações Neo Governamentais.
Através delas, quantos recursos têm sido drenados do Estado Brasileiro?
Uma completa promiscuidade entre os interesses de partido, de governo e de estado.
A conseqüência natural foram os atos antidemocráticos, em absoluto desrespeito às normas e leis instituídas.
Lula chegou ao Planalto com um projeto de poder, sem projeto de governo, sem projeto de país.
A superficialidade no trato dos problemas nacionais, inconseqüência e irresponsabilidade no trato da coisa pública, desrespeito aos mais elementares direitos.
Infelizmente estas são as características do modo petista de governar.
O tesoureiro do PT, em entrevista coletiva, repetiu a tese de que o PT é uma vítima dos conservadores que não aceitam negros em universidades, não aceitam pobres em universidades particulares.
Ou seja, o governo retira dinheiro público do Sistema de Educação Pública, repassa para universidades particulares, distribui bolsas de estudos (quais os critérios? eleitoreiros? fisiológicos?) e quer dizer que quem é contra este absurdo é a elite conservadora?
Será a elite contrária a que o governo não invista no ensino público em todos os níveis e crie um sistema de cotas para mascarar a falência, promovida pelo próprio governo, da educação pública?
Os banqueiros internacionais elogiam Lula, por quê? Por seu governo proporcionar os maiores lucros aos banqueiros em todo o Mundo! - para ver uma explicação, por favor, clicar aqui.
Ao contrário de Delúbio, o Deputado Fernando Gabeira, do PV do Rio de Janeiro, acusa o PT de crimes contra a democracia, contra a humanidade e contra o planeta - ver o pronunciamento do deputado clicando aqui.
Aliás, se o Senador Pedro Simon fez uma comparação desfavorável a Lula com Collor, o Deputado Gabeira comparou o PT à Ditadura Militar, na qual disse que os militares o torturaram e, mesmo assim, o respeitaram, mas o PT queria que ele abrisse mão da própria alma - ver na íntegra clicando aqui.
É muito triste vermos tudo isto, pois muitos se apegaram sinceramente ao sonho, acreditaram que um novo tempo chegara, que as transformações políticas, sociais, econômicas e culturais estariam em marcha.
É muito difícil reconhecermos uma derrota, em muitos casos a recuperação é lenta, principalmente porque não acreditamos quando os sonhos foram frustrados, quando fomos traídos.
Mesmo os que votamos em Lula por considerá-lo o menos ruim, ainda assim, fomos traídos.
Há um texto muito interessante de Darcy Ribeiro, cuja leitura acho apropriada ao momento, trata-se de Fala aos Moços que ele inicia afirmando: "Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando e lutando, como um cruzado, pelas causas que me comovem. Elas são muitas, demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária, o socialismo em liberdade, a universidade necessária. Na verdade, somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isto não importa. Horrível seria ter ficado ao lado dos que nos venceram nessas batalhas." - para ler o texto integral, clicar aqui.
Não podemos ser levianos, inconseqüentes e irresponsáveis de acusarmos inocentes.
Da mesma forma não podemos desprezar indícios e evidências, não podemos aceitar que sérias denúncias não sejam apuradas; mais ainda: não podemos aceitar que o governo utilize a máquina de estado para questões restritas de governo, de partido e de indivíduos.
É inconcebível aceitarmos que o governo continue a fazer todos os esforços, a utilizar todos os meios para impedir que a corrupção venha à tona.
Cabe a todos nós, sobreviventres da utopia, uma tarefa histórica que exige muita coragem.
Pelos indícios, pelos métodos, não há mais dúvidas que, se quisermos passar o Brasil a limpo, não há como não iniciarmos imediatamente o processo de impeachment de Lula.
"O erro pela causa o presidente aceita. O erro em causa própria, não"
José Genoino aqui
"Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós"
Agostinho Neto
"Quando a riqueza de poucos afronta a miséria de muitos, a insegurança é de todos"
Josué de Castro
"A resignação é um suicídio cotidiano"
Balzac citado por Leila
"Ousar lutar, ousar vencer!"
Carlos Lamarca
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sábado, Julho 02, 2005
Comentário e zombaria:
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Praia do Porto - Costa Dourada Litoral Sul de Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
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Parque das Emas Goiás - Mato Grosso do Sul Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
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Chapada dos Guimarães Mato Grosso Foto: Manoel Carlos Pinheiro |
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Serra dos Órgãos Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Campos do Jordão São Paulo Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Provetá - Ilha Grande Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Candeias Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Mercado São Josá - Recife Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Piedade Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Pouso Alegre Minas Gerais Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Pão-de-Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Cristo Redentor Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Nascente - Pão-de-Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Poente - Floresta da Tijuca Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Maracanã Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Niterói Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Quinta da Boa Vista Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Zona Norte Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Micos Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Igreja da Penha Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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