 |
 |
wAgreste |
 |
 |
 |
Rabiscos e divagações
 Auto-retrato |
 |
 |
 |
Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos. Contato |
 |
 |
 |
"Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós" Agostinho Neto |
 |
 |
 |
"Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos" Vital Farias |
 |
 |
 |
"Não há vento favorável para quem não sabe a que porto quer chegar" Luiz Carlos Prestes |
 |
 |
 |
"Eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim" Paulinho da Viola |
 |
 |
 |
 |
 |
|
 |
 |
wDivagações e citações - Terça-feira, Março 29, 2005 |
 |
 |
 |

Plagiato
Na mesmo temporada à qual me referi em Anos de chumbo, o Quinteto Violado, às segundas-feiras, fazia apresentações especiais, cuja denominação geral era Som da Terra.
A cada segunda-feira, o Quinteto se apresentava com outros músicos, entre eles, Marinês, Dominguinhos, Sérgio Ricardo, Banda de Pífanos de Caruaru, etc.
Pela primeira vez a Banda de Pífanos se apresentou em um teatro no Sul Maravilha.
Por coincidência, na mesma ocasião, um famoso compositor e cantor baiano iniciou uma temporada no Teatro Teresa Raquel, em Copacabana.
No programa, constava a música Pipoca Moderna, sendo indicada a autoria do próprio astro baiano.
Na verdade, já havia a música gravada e ele botou uma letra.
O autor da música é Sebastião Biano, então líder da Banda de Pífanos de Caruaru.
De pouco falar, Sebastião Biano soltou os cachorros, revoltado com a apropriação de sua composição.
Parece que no disco, produzido tempos depois, consta Sebastião Biano como co-autor.
O mesmo compositor e cantor registrou como sua uma tradicional música de roda baiana: Marinheiro só.
A lei brasileira de direitos autorais permite que, no caso de músicas de domínio público, caso seja registrada como "domínio público, adaptação de" os direitos autorais são de quem a adaptou.
Portanto, nem mesmo a justificativa financeira pode ser usada.
Se há plagiário, evidentemente há plagiado.
João Pernambuco é um caso conhecido.
Desgostoso por perder o crédito de muitas músicas, notadamente de um dos maiores sucessos do cancioneiro popular brasileiro, Luar do Sertão, João Pernambuco morreu deixando inúmeras músicas inéditas, poucas pessoas, entre elas Villa-lobos, tiveram acesso às suas últimas composições.
Ninguém merece ser plagiado, mas há pessoas que nem imaginamos como alguém pode plagiar.
Manuel Bandeira, por exemplo, destacou-se pela autocrítica ("Verdes Mares", que este até Pedro Dantas, meu fã nº 1, considera imprestável), franqueza e honestidade no trato com literatos de sua época.
Foi grande a sua capacidade de fazer amigos.
("Assim, a publicação do volume Poesias fiquei devendo-a a dois homens a quem atacara: ao poeta (Goulart de Andrade) que eu satirizara nos "Sapos", e ao editor (Laudelino Freire) contra cuja revista havia gritado "Abaixo!")
Reconhecia, de forma explícita, as influências que sofria.
(Apesar de certas rebarbas que sempre me feriram na sua poesia, senti de pronto a força do poeta e em muita coisa que escrevi depois reconhecia a marca deixada por ele no meu modo de sentir e exprimir a poesia. Foi, me parece, a última grande influência que recebi: o que vi e li depois disso já me encontrou calcificado em minha maneira definitiva. Grande influência, repito, e de que eu tinha então clara consciência, tanto que depois de escrever certos poemas - "Não Sei Dançar", por exemplo, "Mulheres", "Pensão Familiar" - estive quase a inutilizá-los porque me pareciam verdadeiros "à la manière de". Se não o fiz, foi porque o mesmo Mário (de Andrade) me convenceu de minha ilusão, provando-me, com bons argumentos, que eles eram tudo o que poderia haver de mais "Manuel".)
Algumas vezes, quem pratica o plágio tem reconhecido talento, daí ser inexplicável a não citação do autor original.
Creio que o caso que apresento a seguir caracteriza plagiato.
O que é uma pena, pois o plágio, no caso, é de excelente qualidade.
Por favor, leiam o poema Cantadores do Nordeste, a letra da música Violeiros e um comentário aqui e ouçam, numa execução do Quinteto Violado, a música aqui ou cliquem abaixo.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Março 29, 2005
Comentário e zombaria:
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
wDivagações e citações - Sexta-feira, Março 25, 2005 |
 |
 |
 |

Há noventa anos, o poeta húngaro Charles Piker, precocemente falecido, escreveu o poema que transcrevo a seguir, com a tradução de Manuel Bandeira.
Herbst
Die Stunde atmet, frei von allen Sheweren.
In leisem Scheine lacht der Bergeszug
Und rot und üpring ballen sich die Beeren
Am Braume der einst blasse Blüten trug.
Und Fackeln gleich entzünden sich die Föhren
Wie hinter eines lichten Engels Flug,
Und selig schlummert jegliches Begehren
Und noch im Traume lächelt es: genug!
Outono
Respira a hora, livre de todo peso.
Ri em suave luz a montanha.
Rubros e luxuriantes pendem os frutos
Da árvore onde um dia só havia flores pálidas.
Ardem como fachos os pinheiros,
Como se um anjo de luz houvesse passado,
E todo desejo dormita em beatude
E mesmo em sonho sorri como que murmurando: basta!
Registro
Hoje é o aniversário de minha primeira filha, Diana.
Foi comemorá-lo no Sul de Minas.
Inefável a sensação de ser pai, de cada dia aprender a sê-lo, como todos estes anos Diana tão bem me ensina.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Março 25, 2005
Comentário e zombaria:
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
wDivagações e citações - Quarta-feira, Março 23, 2005 |
 |
 |
 |

Ciúme de morte
Magnólia respirou fundo para se conter.
Ela não desejava fazer um escândalo, por mais que ele merecesse.
Ordinário! este desgraçado! vai ver só...
Todo homem é assim mesmo, não vale o que o gato enterra!
Este cachorro!, sempre foi mulherengo.
E não pense ele que só por ela não ver signifique que não sabe.
É óbvio demais!
Este jeito distraído, o ar ausente e pensativo... só pode ser paixonite!
Quando me amava, era assim que ele ficava.
Ela gosta de acompanhá-lo em viagens à terra natal dele.
Ele fica mais alegre, mais comunicativo, e até mais carinhoso; isto ela reconhece.
Reconhece também que Rildo não deu bolas para Jurema, bonita, faceira, rebolativa e toda oferecida a ele.
Ele foi gentil, mas se esquivou com delicadeza.
E logo com Jacira?!
Aquela mosca morta?
Não é possível entender por que homem, além de safado, é tão estúpido.
Como se ela não fosse perceber.
Rildo, em sua terra natal, é outro homem.
Na verdade, é o contrário.
Longe, na lida cotidiana, ele se sente despedaçado, fragmentado.
Ao voltar, o que o move não é o saudosismo.
Mais que o reencontro com lugares, coisas e pessoas, comidas, bebidas, familiares e amigos, há o reencontro consigo mesmo.
Ele se sente recomposto, reconstituído, revitalizado, revigorado.
Há inteireza e, sendo completo, nada lhe falta.
As tentações?
Sempre soube que há duas formas eficazes de lidar com as tentações: evitá-las ou ceder a elas.
Ele as evita, mas não ali, nem as sente.
Magnólia, sua flor, é tudo que o atrai.
Para ela, é todo alegria, muxoxos, atenções.
O encontro com ex-namoradas não lhe causa mossa.
Foi outro o impacto que Jacira lhe causou.
Não pode contar para Magnólia, jamais falou disto com alguém.
Ele sabe o que é.
Não consegue uma explicação e isto o desorienta.
Aconteceu outras vezes.
Aprendeu a reconhecê-la.
Como na última vez que viu os avós, os pais, os tios...
Sempre com pessoas idosas.
Agora foi com Jacira.
Ele a conhece e reconhece, estava nos olhos dela quando o olharam.
Ele sabe quando vê a morte.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Março 23, 2005
Comentário e zombaria:
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
wDivagações e citações - Sexta-feira, Março 18, 2005 |
 |
 |
 |

Matapa
A Copa do Mundo de Futebol, realizada na Ásia, quebrou uma tradição familiar.
Em copas anteriores, nós aproveitávamos os semiferiados nos dias de jogos da Seleção Canarinho e realizávamos uma refeição especial.
No cardápio, um prato típico da culinária do país adversário do Brasil.
Devido ao fuso horário, os jogos da mais recente copa foram realizados às seis ou às oito horas da manhã.
Entre nós, a cada ocasião especial, uma refeição é necessária.
Encontros, comemorações, despedidas, discussões políticas, confraternizações... tudo é motivo para uma refeição especial.
Ontem Sílvia retornou ao Mato Grosso, portanto, anteontem fizemos um jantar especial.
Exclusivamente para nós dois.
No cardápio, um prato moçambicano: matapa.
Na verdade, da culinária tradicional moçambicana, mboa é meu prato predileto, não gosto de cacana e mapata certamente, por ser mais comum, foi o que mais saboreei.
Prefiro à moda macua, na qual a castanha-de-caju substitui o amendoim.
Sílvia sugeriu que mantivéssemos a forma consagrada.
Ela jamais havia comido matapa e queria fazê-lo de acordo com a tradição.
Na receita, meio quilo da folhas de mandioca.
Sugere-se a substituição por espinafre.
Contudo, a minha memória gustativa (existe isto?) sempre me fez pensar que matapa é um prato à base de amendoim, camarão e couve.
Adotamos a couve.
Ao começarmos a preparar o prato, uma decisão importante: Dulce Pontes.
Em nossa família temos poucas preferências comuns.
Em questões fundamentais, filosóficas e políticas, há muito em comum.
Entretanto, se pedirmos uma lista de dez preferidos, seja de literatura, cinema, música, etc., as listas não coincidirão.
Dulce Pontes é uma das poucas unanimidades.
Ficou mais agradável pilar meio quilo de couve, uma xícara de camarão seco e outra de amendoim ao som da maviosa voz de Dulce Pontes.
Já não houve consenso na escolha da bebida.
Digo que Sílvia procura um pretexto para beber vinho branco e ela diz o mesmo de mim em relação ao tinto.
Não sou injusto a ponto de negar que ela apresentou argumentos razoáveis.
Não sou imparcial para apresentá-los aqui.
Apresento apenas os meus argumentos.
Não concordo com esta necessidade imperiosa que as pessoas têm de harmonizarem carnes com tintos e frutos do mar ou aves com brancos.
Para mim, o determinante é a presença ou ausência de tanino no vinho.
O tanino provoca a sensação de ressecamento.
Daí, o vinho tinto, que o contém, deve ser harmonizado com pratos que contêm molho.
Os europeus, com seus grelhados e assados, que se virem.
Nossos pratos à base de frutos do mar são abundantes em molho, acompanhados de pirão, capazes de dissiparem a ressecação provocada pelo tanino.
E nossa galinha de cabidela?
Chegamos ao acordo com o champagne.
Durante o dia, fizemos algumas compras.
E, na última semana, andar no Centro do Rio, como diz Flora, faz-nos parecer picolés: quando expostos ao sol, derretemos.
A simples lembrança das andanças pela cidade ajudou a dispensar um tinto, entre 16° e 18° C, e aceitar o champanhe, entre 6° e 9° C.
Usamos a nossa panela de barro, mesmo não sendo uma peixada.
Parecia linha de montagem: macerar e botar na panela para retirar todo o líquido; primeiro a couve, seguida pelo camarão.
No Recife, em qualquer esquina do Centro, é possível comprar camarão seco.
No Rio, encontra-se em todas as filias da Casa Pedro, no Saara, ou na Casa Flora, na esquina da Rua da Carioca com Ramalho Ortigão.
Quando ficou uma pasta, sem líquido, acrescentamos o leite de coco.
E, por último, o amendoim.
Por uma hora, mexendo às vezes, deixamos apurar.
Para acompanhar, apenas arroz branco.
Vejam a foto do prato.
Se Alan, exemplo de gourmet e enólogo, já está de cara feia, ficará mais horrorizado quando souber qual foi a sobremesa.
Rapadura de caju; presente de uma amiga cearense.
Feita da polpa de caju, na Fazenda Olaria, Barreiras, Ceará, é uma fina iguaria, mas absolutamente fora dos padrões culinários europeus que Alan, com muita razão, tanto aprecia.
Durante o jantar, à falta de Alexandre Langa, marrabenta e orquestra de timbila, ouvimos músicas angolanas, guineenses e cabo-verdianas.
Se foi uma noite perfeita?
Quase perfeita.
Não há noite de despedida perfeita.
Receita de Zé Paulo
MATAPA SABOROSA
½ kg de folhas de mandioca (para quem esteja em Portugal, pode experimentar com folhas de espinafre)
6 dentes de alho
4 malaguetas
1 colher de chá de sal
1 chávena de camarão seco e sem as cabeças (pode ser substituído por camarão fresco ou congelado pequeno)
2 cocos (leite)
1 chávena de farinha de amendoim
Escolhem-se as folhas mais tenrinhas, lavam-se e pisam-se, com alho e malagueta num pilão ou na máquina. Põem-se numa panela a cozer sem água e um pouco sal. Depois de secar a água natural deita-se o camarão seco pilado, e em seguida o leite de coco e deixa-se ferver. Por fim, deita-se a farinha de amendoim e deixa-se apurar durante uma hora.As folhas de mandioca podem ser substituídas por folhas de couve. Se desejar confeccionar matapa à moda makua substitua o amendoim pela castanha de caju.
Observação de Manoel Carlos
No Brasil, o camarão seco tem mais sal grosso que raiz de coqueiro plantado longe da praia.
É prudente dessalgá-lo antes da maceração.
Nós aumentamos um pouco a porção de camarão.
Recomendo fazê-lo.
Sugiro o uso de 600 ml de leite de coco.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Março 18, 2005
Comentário e zombaria:
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
wDivagações e citações - Segunda-feira, Março 14, 2005 |
 |
 |
 |

Consultoria
Ao telefone, Josué me perguntou:
- Manoel Carlos, você se lembra de um importante pintor pernambucano que se tornou conhecido em meados do século passado? Ele..
- Lula Cardozo Ayres?
- Este mesmo! Não é por acaso que você é meu consultor para assuntos pernambucanos. Como você sabe, tenho cada vez mais me distanciado das coisas de lá...
Josué é um grande economista, mas isto vale pouco quando o assunto é cultura pernambucana. Ser o consultor de Josué é uma honra, pois ele é inteligente e bem informado, pernambucano, filho do grande Josué de Castro, fundador e primeiro presidente da FAO. Isto mesmo, o autor de Geopolítica da Fome.
Tenho meus consultores, entre eles, o próprio Josué, para assuntos de projetos e planejamento..
Em caso de saúde, seja a política de saúde, as questões mais amplas e até acompanhamento de doenças na família, Antônio Werneck é o meu consultor. Eu sei que há um homônimo que é jornalista, mas refiro-me a Antônio Joaquim Werneck de Castro, filho de Luiz e Maria. Isto mesmo, aquela que aparece no filme Olga, sendo escolhida, entre as companheiras, para acompanhar Olga ao hospital, o que na verdade seria a extradição de Olga. Saudosa amiga Maria...
Toinho Alves, música e cultura pernambucanas.
Aliás, através de Toinho, conheci nomes importantes, alguns dos quais ficariam famosos, como o alagoano Djavan e o pernambucano Chico Science, e outros que não tiveram a fama que mereciam, como os baianos Djalma Cão e Gereba.
Antônio Jardim, em assuntos musicais, estética, filosofia... além de ser uma das poucas pessoas com quem discuto futebol.
Ainda há muitos outros, como Natércia, em Língua Portuguesa; Jorge Luiz, em energia; Humberto Tanure, em ciência e tecnologia; Sandro em informática do dia-a-dia; Bruno e Mauro em comunicação gráfica; Heitor, que teve destacada atuação no Timor Leste, à época de Sérgio Vieira, em geopolítica; além de Sílvia, a minha Sílvia, em genética, evolução e outros aspectos fundamentais da Biologia, da Biotecnologia e do Meio Ambiente.
Sobre África, nem pestanejo, uso a consultoria do moçambicano Zé Paulo; como faço com o cubano Figueroa quando o assunto é o Caribe.
Em literatura, o meu consultor-mor é Moacir Lopes.
Por intuição, gosto de alguns textos e manifesto minha impressão.
Moacir, por delicadeza e atenção, os lê e dá sua opinião.
Na maioria das vezes o faz num papo que anima o chope nosso de cada semana.
Num destes papos, ele elogiou muitíssimo o poema de Márcia Maia aqui publicado.
Outras vezes, envia algum comentário escrito, como na mensagem que reproduzo abaixo.
Manoel Carlos
Pela amostra que você me enviou, de Leila Silva, com o poema Formas, quero louvá-la como poeta de grande força, com uma visão universal de conteúdo, ainda mais com sua visão de eternidade de tempo e de espaço, pelo uso do símbolo O, que representa o círculo fechado do tempo, o princípio e o fim em que estamos imersos. Não gostei do So Sorry, que tem mais o sentido de desculpas que se pede pelo esbarrão no meio da rua. Lamento, em português, tem mais profundidade, ainda porque a sílaba men dá idéia de continuidade. O que não desmerece o poema. Está de parabéns a Leila, que pode incorporar-se entre os grandes poetas modernos.
Sobre o Mia Couto, qualifico-o entre os grandes escritores modernos da língua portuguesa e da literatura universal, com extraordinária visão do mundo, da psicologia dos tipos humanos e das situações de extremos. E um grande renovador da linguagem popular, de indivíduos de origem luso-africana e brasileira. Como disse pessoalmente a você, por vezes ele exagera na criação e justaposição de palavras, como Guimarães Rosa exagera às vezes em sua prosa, mas ambos são mestres na construção de conteúdo e forma.
Estou com o exemplar de O Globo, em que saiu no suplemento Prosa & Verso, deste sábado último, a entrevista com Mia Couto, a propósito da edição brasileira do seu romance "O último vôo do flamingo", muito boa entrevista, na qual ele afirma: "A condição de um escritor é ser de um tempo e de um lugar. A terra lhe entrega a raiz. O tempo lhe dá a asa".
Parece até que ele leu o "Bloco 1 - O Autor e seu Universo", do meu livro Guia prático de criação literária, em que discorro com muitos detalhes e exemplos sobre esse aspecto, onde afirmo: "Compreendemos a Literatura como a cristalização das tradições culturais de uma sociedade, que tem por base quatro instintos primários do homem: a) Instinto reprodutivo da espécie; b) Instinto gregário; c) Instinto social; d) Instinto estético".
Nós escritores, incluindo você, nos encontramos no empenho de debulhar, através do item d) Instinto estético, a alma da nossa gente. E, por isso, o escritor é o intérprete mais confiável, mais autêntico e permanente, porque ele é a própria carne e a consciência de seu povo, não está sujeito a injunções do poder e aos poderes institucionais, incluindo a História oficial e a grande Imprensa, que manipulam, castram, bestializam a consciência coletiva.
Abraço
Moacir
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Março 14, 2005
Comentário e zombaria:
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
wDivagações e citações - Quinta-feira, Março 10, 2005 |
 |
 |
 |

Parece piada
Alguém manipulou o Google.
Quem usasse o mais famoso instrumento de busca da internet, teria uma surpresa ao pesquisar déspota cachaceiro.
Encontraria, como primeira resposta à pesquisa, a página do Presidente Lula.
A mobilização da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), ex-SNI, e do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República durante todo o fim de semana deu resultado, pois o governo diz que identificou o hacker responsável, embora mantenha a identidade do mesmo em sigilo.
Além disto, a Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica (SECOM) tomou "as providências judiciais cabíveis" e entrou com um processo contra o Google.
Com mais um gole, será criado o Conselho Censor da Internet.
Ah se esta presteza fosse para acabar a fila da Previdência Social...
Terrorismo
A intimidação coletiva pelo medo.
O uso sistemático do medo como forma de impor a própria vontade aos demais.
Isto é terrorismo.
O maior ato de terror conhecido foi a explosão de uma bomba atômica.
Milhares de vítimas civis.
A guerra acabara, a rendição estava por ser anunciada.
Durante a guerra, Hiroshima e Nagasaki não foram atacadas, não sofreram bombardeio.
E por quê?
A bomba precisaria explodir numa área sem vestígios de destruição.
Esta a forma de mostrar ao Mundo o seu poder destrutivo.
Tudo planejado.
E as vítimas?
Não passavam de uns amarelos.
Nenhuma importância tinham, pois o objetivo seria alcançado: impor o terror aos demais países.
Millôr Fernandes diz que o crime não compensa, quando compensa, muda de nome.
No pós-guerra, os EUA adotaram o uso sistemático da violência como política de Estado.
Contudo, o Terrorismo de Estado mudou de nome, passou a ser chamado de Guerra Fria.
Com todas as características e atributos dos atos terroristas: invasão de países, golpes de estados sanguinários, atentados a personalidades públicas, prisões injustificadas, torturas... e a ameaça atômica!
Até o tal Programa Guerra nas Estrelas foi criado.
Um programa bélico, cuja característica principal era a capacidade de destruir toda a Terra.
A maior ameaça terrorista conhecida.
E como vivíamos nós, vítimas da ameaça terrorista?
Gregório Bezerra e tantos outros torturados.
Amílcar Cabral, Patrice Lumumba, Salvador Allende, Stephen Biko, Vítor Jara e tantos outros assassinados.
Nelson Mandela e tantos outros confinados.
Milhares de exilados.
Nos EUA, as escolas de golpes de estado, as escolas de torturadores, as fábricas de armas de destruição.
No Vietnã, o terror: estupro de crianças, assassinatos em massa, uso de armas químicas e bacteriológicas.
Na América Latina, o terror: golpes de estado, prisões, torturas e mortes.
Terror: genocídio na Palestina, no Timor Leste e em diversos países.
Em África, Ásia e América Latina, alvos principais do terror, repressão brutal a todos os movimentos populares.
Crimes de guerra! Crimes contra a Humanidade!
Os terroristas não têm limites impostos pela moralidade cristã, pela ética humanista, por valores familiares por eles professados.
E, se a situação no pós-guerra era crítica, tudo piorou a partir da última década do Século XX.
Na nova ordem geopolítica mundial, caracterizada pela unipolaridade, os terroristas assumiram o comando de todas as frentes.
Um centro de comando em Israel, onde assumiu o governo Ariel Sharon, o qual, antes de ser Primeiro-Ministro, foi considerado responsável por crime de genocídio (Sabra e Shatila) pelo próprio Parlamento de Israel.
O centro de comando principal em Washington, onde os falcões (eufemismo para os terroristas) atacam em todas as frentes.
Às vezes pensamos que nós somos paranóicos e acreditamos em teorias conspiratórias.
Até parece um plano para exterminar a vida na Terra.
Responsáveis pelo maior índice de poluição e destruição ambiental, pelos principais desastres ecológicos, os terroristas não aceitam condições e recusam o Acordo de Kioto.
Responsáveis pela produção e uso de armas químicas, bacteriológicas e de destruição em massa, os terroristas exigem que eles sejam os únicos a possuírem (e usarem) tais armas.
Os terroristas desprezam o princípio de multilateralismo, não reconhecem o Tribunal Penal Internacional, desrespeitam as resoluções da ONU, escarnecem dos valores éticos e morais associados a Direitos Humanos, Liberdade, Democracia...
Considerando que a conjuntura internacional lhes é favorável, os terroristas preparam o assalto final.
Começaram restabelecendo a antiga rota da seda, com a invasão do Afeganistão, onde praticaram e praticam todos os crimes contra a Humanidade previstos pela Conferência de Genebra e outros que nem estão listados.
Invadiram o Iraque, sob falsos pretextos, e lá mantêm tropas, e lá praticam todos os crimes contra a Humanidade.
Antes de atacarem o Iraque, retiraram da Coordenação da Comissão de Controle de Armas da ONU o seu criador e técnico mais brilhante, o brasileiro Bustami.
Silenciaram Sérgio Vieira de Melo, importante diplomata.
Vejam a entrevista da viúva e da mãe de Sérgio Vieira.
(Eu a obtive através de um dos elos agrestinos e peço que o autor do blogue que publicou a mesma, por favor, me avise para o devido crédito).
Por acidente, não conseguiram assassinar a jornalista italiana, apenas o marido, como têm feito com inúmeros aliados.
Mas conseguiram assassinar o ex-primeiro-ministro do Líbano.
É a repetição de uma já desgasta fórmula, a qual só obtém sucesso pelo absoluto controle dos meios de comunicação de massa.
Acusam os infiéis (no caso os sírios) e forçam a Síria a abandonar o acordo que mantém com o Líbano, país sem condição de defesa contra um ataque sionista.
Quando a Síria retirar as suas tropas, os sionistas transformarão o Líbano na base de operações contra a Síria, a Líbia, o Egito...
Outra técnica é a busca de candidatos a subimperialistas, como o Governo Lula que, rompendo a tradição diplomática brasileira, aceitou fazer o trabalho sujo de intervenção no Haiti.
Tudo isto já é conhecido e é chocante, causa nojo e revolta.
Os atos de terrorismo, o belicismo, a opressão, a espoliação rapace, tudo isto ser praticado em nome da democracia, da liberdade do antiterrorismo... é muito cinismo!
Contas de um giga-bytes gratuitas.
Recebi a seguinte mensagem.
Tempos atrás aceitei um convite para ser Alpha User dos sistemas do Google e, ano passado, acabei recebendo uma média de 100 convites por semana do Gmail para distribuir mas, como tinha outros compromissos não pude distribuí-los e acabei acumulando nada menos que 3.298 convites.
Distribui mais de 500 contas e ainda sobraram milhares e como não pretendo passar o resto da minha existência distribuindo convites (gasta-se muito tempo nessa tarefa..rsss) e, ao que parece, essa experiência foi traumatizante para os outros Alpha Users do Google Mail, e como um colega de uma lista de discussão que assino me avisou que existia um site para o qual eu poderia enviar todos os meus convites e quem quisesse um convite era só ir lá e pegar, achei mais produtivo e comentei isso com os outros Alpha Users do Google Mail e concordamos em enviar todos os nossos convites para lá.
Pelo que vi hoje, acho que deu certo, porque lá tem 1.505.863 convites disponíveis. Portanto, acredito que não existirão mais negociações, trocas, vendas, permutas ou o que quer que seja por uma conta do Gmail.
Então, quem deseja uma conta do Gmail é só ir ao site:
http://isnoop.net/gmailomatic.php
Colocar um e-mail para receber o convite e se cadastrar e passar a usar os seus 1 Gb de espaço. ;-))
PS.: e quem tiver convites, envie os seus para lá também.
Abraços,
Richard Delemos
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Março 10, 2005
Comentário e zombaria:
|
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
wDivagações e citações - Sexta-feira, Março 04, 2005 |
 |
 |
 |

Citações
Foi um comentário simples e despretensioso.
Há muito, sou seu assíduo leitor.
Não entendo de literatura, escolas e estilos.
Contudo, intuitivamente, achei muito diferente o que ela escreveu.
Nem mais nem menos bem escrito, apenas diferente do que costuma escrever.
Daí o comentário.
Qual não foi minha surpresa ao ver, na postagem seguinte.
resposta para manoel carlos do agreste
manoel eu te conto;
cada vez que apronto
vem um medo maldito
que me bate confunde
me enterra em assombros.
mudei o estilo
mas não a raiz.
a árvore antiga
é a mesma da sombra.
mas se não mudo
manoel, vagueio.
morta viva, zumbi
portanto se um dia
eu chegar em sextilhas
ou quem sabe em tercetos
quem diria em iâmbicos,
largada bandida é porque
desloquei, manoel
novamente cambiei.
na briga com a idade
garanto: safei.
mas da ceifadora,
amigo, por esta
força do tempo,afeiçoei.
Pois é, refiro-me a Esther de imaginário eixo, no qual vocês poderão ler coisas como:
hilda hilst
fosse mais bonita
mas a vida passa
silente sobre nós
sem dar um pio
nos encontrando sós
a mesma ardida brasa
que se abraça à vida
e de repente, estio
vivendo à fundo
amores rasos e fendidos
feridos na voz que hoje reverso
de verso júbilo merecido
arrosta altivez
a face esbelta
no tropel das rugas
desta fotografia
tão bonita e hoje bela
bebe vinho fuma o vício
bronzeia o arder
de tão ousada pele
na memória de outros corpos
e de vozes apreendidas
assim a vida hilda
veja hilst. a cinza,
paráfrase da fogueira
de uma estrela que veste asa
estórias de espaço, haja tempo...
por isto não há sala
para tanto verso...
e a lareira apagada às suas costas
quem diria?... é metáfora
Em dia de citação, uma mais: Antoniel Campos, grande poeta potiguar, de Poros e Cendais.
Eu
sou fração de um segundo
num milímetro do espaço,
é todo tempo e meu mundo
se de cada, cada faço;
pois sendo raso ou profundo,
mais importa se me inundo,
se me fico, se não passo.
desde o início vi meu fim
e do fim vi meu começo.
lá do fim eu ri de mim,
lembrando cada tropeço,
mas foi lá que vi, enfim,
que melhor foi ser assim,
pois a cada queda cresço.
sou de todo por metade,
há muito sei-me incompleto,
mas o tanto que me invade
é do todo tão repleto,
que digo não ser verdade
- e o contrário, a mim, quem há de? -
que me quero por completo.
em vão me diz este escrito
- tolos versos num papel -
arremedo do meu rito,
não me diz o inferno e céu,
parece que um infinito
me fugiu e não foi dito
quando assino
Antoniel
|
Quem legenda?
A imagem, como tantas que existem na internet, sem referência de fonte ou autoria.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Março 04, 2005
Comentário e zombaria:
|
 |
 |
 |
 |
 |
|
 |
Praia do Porto - Costa Dourada Litoral Sul de Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Praia de Calhetas Cabo de Santo Agostinho Ponto extremo de Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Chapada dos Guimarães Mato Grosso Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Serra dos Órgãos Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Campos do Jordão São Paulo Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Provetá - Ilha Grande Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Candeias Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Mercado São Josá - Recife Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Piedade Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Pouso Alegre Minas Gerais Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Pão-de-Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Cristo Redentor Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Nascente - Pão-de-Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Poente - Floresta da Tijuca Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Maracanã Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Niterói Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Quinta da Boa Vista Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Zona Norte Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Micos Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
 |
Vista de Casa Igreja da Penha Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
|
|