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wAgreste |
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Rabiscos e divagações
 Auto-retrato |
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Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos. Contato |
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"Não basta que seja pura e justa a nossa causa, é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós" Agostinho Neto |
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"Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos" Vital Farias |
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"Não há vento favorável para quem não sabe a que porto quer chegar" Luiz Carlos Prestes |
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"Eu não vivo do passado, o passado é que vive em mim" Paulinho da Viola |
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005 |
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Anos de chumbo
Teatro Casa Grande, Rio de Janeiro, completamente lotado.
Em sua segunda apresentação na noite, o espetáculo A Feira, do Quinteto Violado, transcorria normalmente até que, inesperadamente, faltou energia elétrica.
Em plena Ditadura Militar, a simples falta de energia elétrica era motivo de apreensão por parte de todos.
No teatro às escuras, Sando, o virtuose da flauta, soprou alguma coisa, como se a afinar o instrumento, foram alguns acordes, nada mais.
O público gostou, riu; dissipou-se a tensão.
A energia foi restabelecida, o espetáculo continuou.
Uns três números musicais e aconteceu novamente, por mais tempo que da primeira vez.
No escuro, Sando, estimulado por Toinho, tocou um baião.
Aplausos.
A energia foi, outra vez, restabelecida.
Antes de o espetáculo terminar, outra falta de energia, mais demorada ainda.
Sando não fez por menos, tocou um frevo.
A platéia delirou.
Outra vez foi normalizado o fornecimento da energia e o espetáculo seguiu até o fim.
Após o espetáculo, estávamos nos camarins, combinando onde jantaríamos, quando um espectador insistiu em falar com Sando.
O fã estava entusiasmado.
- Ousado! Revolucionário! Genial! A maior crítica a esta Ditadura que oprime o povo brasileiro!
E falava pelos cotovelos sobre a idéia sensacional do Quinteto Violado.
As trevas da Ditadura impedindo a cultura popular de se manifestar.
O sopro da liberdade, inicialmente, de forma tímida, se contrapôs.
As forças das trevas, do obscurantismo, voltaram a atacar com maior ímpeto.
O sopro da liberdade se apresentou em forma de baião, um som genuinamente popular, diferente de tudo que a pseudo-intelectualidade propõe como símbolo da resistência popular mais estruturada.
Na terceira vez, o frevo, a expressão da euforia popular, a trazer a luz para todos nós numa consagradora e definitiva vitória do povo.
Na ocasião, com quatorze anos de idade, Sando não passava de um tímido adolescente.
Limitou-se a ouvir o que o entusiasmado assistente falou, sem conseguir esclarecer o que de fato aconteceu.
Por certo, na noite seguinte, um frustrado expectador deve ter dito aos amigos: - a censura cortou!
Ganhe um DVD
A promoção é válida até o dia 01 de março.
Escolha duas músicas para comporem o novo DVD do Quinteto Violado e se habilite a ganhar um DVD de brinde.
A promoção do Jornal do Comércio de Pernambuco não é exclusiva para assinantes.
Basta clicar na imagem ao lado, fazer o cadastro gratuíto e concorrer. Aproveite! Boa sorte!
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005 |
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A foto perdida
No fim da tarde, chegamos ao Parque Nacional das Emas.
Waldomiro, que há vinte e quatro anos é Fiscal do IBAMA, veio nos receber.
Ele morou oito anos no Parque das Emas e, evidentemente, conhece tudo de lá.
Ainda estava claro e, um pouco cansado, eu relaxava observando a paisagem do Cerrado.
De repente, impávido e imponente, um veado campeiro, parado, parecia estar à nossa espera.
Waldomiro me disse para fotografá-lo.
Eu teria que pegar a câmera, os disquetes...
E pensei que, em duas semanas, não faltaria oportunidade de fazer outras fotos.
Ainda pensei em filmá-lo, pois estava com o material mais à mão.
Waldomiro parou, insistiu, disse que aquele não se assustaria.
Eu me recusei. E, quase imediatamente, me arrependi.
Waldomiro parou outra vez, mas o veado estava contra o sol, desisti.
Ainda durante a chegada, vi uma ema apostando corrida conosco.
Como a velocidade máxima permitida é de 40 km/h, ela nos ultrapassou.
Eu deveria estar empolgado, mas não.
Algo me dizia que perdera uma grande oportunidade de fazer uma boa foto.
Nos dias seguintes, andei muito por todo o parque.
Vi muitos veados como o da foto ao lado, famílias inteiras, mas muito menores e sem o porte majestoso daquele do primeiro dia.
Soube que aquele talvez seja o maior exemplar de todo o parque.
Como eu poderia desconfiar?
Na vida é assim, nem sempre reconhecemos quando estamos diante de uma rara oportunidade.
Depois, não adianta chorar o leite derramado...
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005 |
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Costa Dourada
No alto de um morro há uma capela, dela é possível ver todo o mar, num ângulo de cerca de duzentos e setenta graus, inclusive a foz do Rio Una.
E que vista! uma das mais deslumbrantes que conheço.
Entretanto, é outra a característica que talvez a torne única no Brasil.
Da época do Brasil Colônia, ela foi usada com fins militares.
A Igreja Católica não permitia tal coisa, mas as janelas (pequenas na parte interna, grandes na parte externa) evidenciam o uso.
Não muito longe dali, há uma praia cujo nome é Porto de Galinhas.
Pouca gente conhece a origem do nome.
Após a proibição do tráfico de escravos para o Brasil, os navios negreiros continuaram a aportar na costa brasileira.
Os mercadores de escravos usavam uma senha para avisarem que havia nova remessa de escravos.
- Tem galinha no porto!
Daí o Porto de Galinhas.
Não é motivo para orgulho o nome, mas a sofisticada praia é maravilhosa.
Nesta região saboreei maravilhosos cajus e mangas, bebi deliciosa água de coco e excelentes cachaças, e me deliciei com pratos de pitus, guaiamuns e lagostas.
Conheci Gregório Bezerra e Francisco Julião, ambos desenvolveram intenso trabalho de organização de trabalhadores rurais na região.
São muitas estórias para contar.
Parece com aquele samba de Paulinho da Viola que diz: "se for falar da Portela, hoje não vou terminar".
Contudo, não é por ter muito que falar e me faltar síntese que tenho adiado a postagem sobre a Costa Dourada, região que vai do Recife até o Litoral Sul de Pernambuco e, na verdade, inclui parte do litoral alagoano.
Conheço apenas a parte pernambucana e sei que não consigo descrever as belezas da região, seus múltiplos e variados aspectos geográficos, tais como: praias, rios, matas, canaviais, coqueirais e, até mesmo, lajedos e vegetação agreste.
A parte pernambucana é constituída por nove municípios - Recife, Jaboatão dos Guararapes, Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca, Serinhaém, Rio Formoso, Tamandaré, Barreiros e São José da Coroa Grande - e tem vinte e nove praias: Pina, Boa Viagem, Piedade, Candeias, Praia do Paiva, Itapuama, Pedra de Xaréu, Enseada dos Corais, Gaibu, Calhetas, Cabo de Santo Agostinho, Paraíso, Suape, Praia do Muro Alto, Camboa, Praia do Cupe, Porto de Galinhas, Baía de Maracaípe, Serrambi, Cacimbas, Toquinho, Barra de Serinhaém, Gamela, Guadalupe, Praia dos Carneiros, Tamandaré, Praia do Porto, Várzea do Una e São José da Coroa Grande.
Porto de Galinhas é famosa.
Luciano do Valle a chama de Principado de Porto de Galinhas, a Mônaco brasileira.
Quando a Rede Globo filmou a novela A Indomada na Praia do Porto, algumas pessoas falaram da região.
Fora isto, apenas Nora Borges (Língua de Mariposa e Cicatrizes da Mirada) algumas vezes usou Toquinho como pano de fundo de alguns dos seus interessantes casos.
Fotografei muita coisa da Costa Dourada, então, ao invés de escrever, resolvi compartilhar as fotos com os amigos, é só clicarem na foto abaixo.
Algumas fotos não estão boas, pois a chuva manchou a lente, mas passam a idéia dos lugares, por isto as inclui no álbum.
E nem posso reclamar de a chuva ter estragado as fotos.
Na ocasião havia uma estiagem prolongada.
Choveu por todos os lugares que fui.
De brincadeira, me disseram: - se os sertanejos descobrirem, vão te levar amarrado para espalhar chuva pela região.
Se alguém quiser usar alguma foto, por favor, me avise antes.
Frase da semana
Antigamente, jornalistas, articulistas, cronistas ou comentaristas eram formadores de opinião, hoje foram reduzidos à condição de reprodutores de opiniões do Palácio do Planalto. Com raríssimas exceções, formam uma nova categoria de despossuídos, que proliferam pelo país: os "sem-caráter".
Acir Vidal - Contra o Vento
Formas
So Sorry!
Disse ela sem parecer.
A sua ausência criou o tédio.
Do tédio fiz um poema
Triste e singelo.
Por demais singelo.
Então fiz as malas e fui para Avalovara
Andei por todas as vielas sem guia
A cada vez que me perdia me achava
Fosse a vida quadrada
Eu percorria os quatro cantos
Mas não!
É redonda como um O
E o fim se confunde com o começo.
Leila Silva - Cadernos da Bélgica
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Fevereiro 17, 2005
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wDivagações e citações - Sábado, Fevereiro 12, 2005 |
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Recentemente, temos discutido em Agreste as nossas identidades e parecenças.
Em função disto, uma grande amiga de São Tomé e Príncipe, residente em Moçambique, me enviou uma apresentação angolana.
Como o formato não era adequado à Internet, mantenho imagens, texto e música com a disposição que é possível.
Lamento a perda de qualidade.
Muxima, que quer dizer saudade, é uma música da qual sempre gostei muito. A execução é do Duo Ouro Negro.
As pinturas estão assinadas.
  
 
Angolano
Neves e Sousa
Ser angolano é meu fado, é meu castigo
Branco eu sou e pois já não consigo
mudar jamais de cor ou condição...
Mas, será que tem cor o coração?
Ser africano não é questão de cor
é sentimento, vocação, talvez amor.
Não é questão nem mesmo de bandeiras
de língua, de costumes ou maneiras...
A questão é de dentro, é sentimento
e nas parecenças de outras terras
longe das disputas e das guerras
encontro na distância esquecimento!
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sábado, Fevereiro 12, 2005
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005 |
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Soam os clarins, rufam os tambores, o Brasil respira carnaval.
Há quem não goste, eu adoro, mas não cairei na folia este ano.
Hoje, em Santa Tereza, sairá o Bloco das Carmelitas, o qual tem uma peculiaridade.
Sai na sexta-feira, da ladeira de Santa Tereza e vai até o Largo do Guimarães.
Somente na terça-feira é que faz o percurso inverso.
Para os que não sabem, há uma espécie de lenda urbana; ninguém prova, nem desmente.
Ela originou o Bloco das Carmelitas e esta forma peculiar de saída e regresso.
No ano passado, escrevi sobre isto: Arcano.
Em Pernambuco, o carnaval é, sobretudo, frevo. Publiquei, aqui em Agreste, Último dia, sobre as circunstâncias em que este maravilhoso frevo foi composto.
É um frevo melancólico.
Bem sei que, para os não pernambucanos, parece estranho alguém afirmar que há frevos tristes, mas como há!
No texto faço referência a algumas versões da execução deste frevo, duas delas apresento aqui.
Orquetra de Duda
dos caminhos de ir e voltar
tijolo cimento e brita?
asfalto concreto e aço?
talvez um laço de fita
talvez a fita sem laço.
que vede. sei como faço.
que guarde além da desdita
silêncio que não limita
grito que diz de embaraço
:
que seja a palavra não dita.
que seja aquém deste espaço.
da cana que reste o bagaço.
da casa nem palafita.
à beira-mar o mormaço
à beira-rio suscita
tardes que a dor premedita
fadadas sempre ao fracasso
por crê-las longe do abraço
que a vida lhes requisita
:
não seja aquém deste espaço
não seja a palavra não dita.
o dia ainda dormita
da noite resta um pedaço
todos dormem e eu aflita
me debruço no terraço
buscando abandono lasso
que a saudade ressuscita
na lembrança inaudita
que fere qual estilhaço
:
seja a palavra enfim dita
aquém e além deste espaço.
Márcia Maia
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005 |
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Ser ou não ser?
Hoje comi Cantuccini e me senti um toscano.
Coisa mais besta!
Cantuccini não faz o toscano!
Nem adianta molhá-lo em vinho de sobremesa; siga eu a tradição toscana, ainda continuarei brasileiro...
Mesmo que eu dançasse Marrabenta; fizesse parte de um grupo de Macuaiela; e, no Mapico, botasse a máscara de madeira e tocasse fogo sobre a cabeça; com tudo isto, ainda assim, não seria moçambicano, nem com mil copos de catembe ou Laurentina..
Sou agrestino de Pesqueira.
É bem verdade que não devia dizê-lo.
Os mais velhos sempre nos diziam para não revelarmos que éramos de Pesqueira; longe da terra natal, não deveríamos dizer nem mesmo que éramos pernambucanos; segundo os mais velhos não podíamos fazê-lo, pois não se deve humilhar os estrangeiros.
Brincadeiras de xucuru à parte, sou pesqueirense; não porque eu seja de Sanharó, Poção, Alagoinha, Venturosa e me faça passar por pesqueirense... nasci e cresci em Pesqueira.
Vivi, desde cedo, segundo as tradições de nossa terra, de nossa gente.
Não havia conservadorismo em minha atitude, mas o entendimento da importância de que algumas manifestações tradicionais são partes essenciais de mim; a ponte que me unia a todo o meu povo.
Contudo, não basta sermos uma coisa e assumirmos que o somos.
É preciso mais que isto.
É necessário que os demais pesqueirenses me reconheçam e aceitem como um deles.
E... até o fazem, mas já não me consideram um pesqueirense típico.
Não os censuro; andanças e vivências fizeram-me incorporar outros modos de ser.
Daí eu ser um pesqueirense genuíno, mas atípico.
Nguembo jamais pensou em sair de sua aldeia.
A Guerra de Libertação Nacional é que o forçou.
Os mais velhos se reuniram, mais de uma vez, em volta da fogueira.
Discussões, ponderações... e a decisão final.
Ele foi escolhido para representar o seu povo na luta.
Foi difícil e penosa a viagem.
Nem tanto pelos estorvos do percurso.
O que mais doía era o afastamento do seu povo, de seu kimbo; a muxima, o banzo.
Incorporou-se à Frente Norte, logo após o treinamento em Brazaville.
Conviveu com fiotes, kikongos, bailundos, kimbundos, lundas, kaluandas, umbundos... Destribalizou-se, tornou-se angolano.
Alfabetizou-se, dedicou-se à luta com bravura, estudou, desenvolveu nova visão do Mundo.
Após muitos anos de luta, a vitória!
A Independência! O Governo Popular sob o comando do Camarada Agostinho Neto!
Pôde finalmente casar com Irina, namorada conhecida no Leste, e constituir família.
E o fez sem o aval de sua gente.
Assumiu funções de Estado.
O retorno à terra natal sempre sendo adiado.
Até que combinou a vontade de reencontrar o seu povo com a necessidade de desenvolvimento de trabalho político entre os seus.
De regresso à aldeia, foi recepcionado com festa, deu presentes...
Tudo vem à lembrança enquanto corre desesperadamente.
Apesar do medo, a esperança de ser possível escapar às hienas.
Na primeira meia hora de correria não parou para respirar.
Aos poucos o cansaço o dominava, mas o pavor o impelia.
Breves segundos para recuperar o fôlego.
E desandava a correr outra vez.
Ignorava as dores nos pés que sagravam.
Como foi bom reencontrar os parentes, conhecer irmãos mais novos.
À volta da fogueira, comer, beber, dançar...
Fizera uma longa viagem e pediu para dormir.
Os mais velhos o autorizaram.
A ansiedade não o permitia.
Toda a sua vida passava em sua mente, como se fosse um filme de ação.
Sentindo-se observado, fingiu dormir para ficar a sós com os pensamentos.
Então, escutou vozes, em sua língua mãe.
Os mais velhos se reuniam, por quê?
Ouviu ser o tema da reunião.
Uns diziam que ele era um parente, que fora embora por decisão dos mais velhos.
Outros diziam que ele não mais era um igual.
Não mais o jeito, nem a fala, ou o andar... e o cheiro?
Não tinha o mesmo cheiro da gente.
Não era mais a mesma carne, talvez estivesse sob domínio de outros espíritos.
Nguembo fez um grande esforço para fingir que dormia enquanto esperava que todos adormecessem.
Afinal, ouvira a decisão: no dia seguinte, ao almoço, ele seria servido.
Esclarecimento.
O nome do personagem foi trocado; os nomes do povo e da aldeia foram deliberadamente omitidos; a narrativa é baseada em fatos.
Canto uma canção
Maria Azenha
Canto uma canção.
Canto a canção do homem livre.
Canto os sonhos e pesadelos.
Canto o irmão branco
e o irmão negro.
Canto o Oceano e o longo
poema do mar.
Canto e fortaleço-me no azul.
Canto ouvindo cantar.
Esta é a canção do homem livre.
E ninguém ousa calar-me.
Quantos quererão cantar comigo?
Quantos mais?
Mandai-me todos estes homens e mulheres
que não têm abrigo.
E eu os cantarei.
Outros que se ocupem de outras coisas.
Há muito trabalho em todos os lugares.
Não somos porventura mais que meia dúzia?
O meu nome dizem os rapazes
das montanhas,
alcança a outra margem.
Vai a casa dos mendigos.
Eu sempre os cantarei.
Já disse.
Eu só vim para cantar.
Outra coisa não sei fazer.
Cada som que sai
vai a todos os pontos cardeais.
Vai a casa dos poderosos
e a casa dos humildes.
Entra pela janela dos humilhados,
e canta pelos oprimidos.
Uma canção livre vai a muitas milhas em redor.
Já disse.
Eu só vim para cantar.
E cada um habitará a canção a seu modo.
Eu canto então uma canção livre.
Canta Maria
Homenagem
Hoje, em encarnado, branco e preto, como dizia Jackson do Pandeiro, toda a Nação da República Popular Independente do Arruda comemora noventa e um anos do Mais Querido.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005
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Praia do Porto - Costa Dourada Litoral Sul de Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Praia de Calhetas Cabo de Santo Agostinho Ponto extremo de Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Chapada dos Guimarães Mato Grosso Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Serra dos Órgãos Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Campos do Jordão São Paulo Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Provetá - Ilha Grande Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Candeias Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Mercado São Josá - Recife Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Piedade Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Pouso Alegre Minas Gerais Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Pão-de-Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Cristo Redentor Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Nascente - Pão-de-Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Poente - Floresta da Tijuca Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Maracanã Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Niterói Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Quinta da Boa Vista Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Zona Norte Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Micos Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Igreja da Penha Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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