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wDivagações e citações - Sexta-feira, Novembro 26, 2004




Lançamento

Sexta-feira, 26 de novembro de 2004 - hoje.
Das 19 às 22 horas.
Largo das Letras - Rua Almirante Alexandrino, 501
Largo do Guimarães - Santa Tereza - Rio de Janeiro

Por aqui não passaram rebanhos - 3a edição
Moacir C. Lopes
Editora Quartet
Rio de Janeiro, RJ - 2004

A invenção de Caicó
Moacy Cirne
Sebo Vermelho edições
Natal, RN - 2004

As dunas vermelhas - romance em tempo de rebelião
Nei Leandro de Castro
A. S. Editores.
Natal, RN - 2004


Após o evento, certamente os três amigos escritores nos acompanharão numa esticada pela noite de Santa Tereza.
Sejam bem-vindos.


Cuma é o nome dele?

Carlos Drumonnd de Andrade, indagado sobre poesia erótica, respondeu que não havia, entre poetas brasileiros, a tradição de fazer poemas eróticos, contudo, afirmou:
- Há pouco tempo surgiu um poeta muito bom, eu não o conheço, mas ele publica uns poemas eróticos muito bons no Pasquim, chama-se Neil de Castro.

Neil de Castro era o nome adotado por Nei Leandro de Castro no Pasquim.
Alguém consegue imaginar a reação de Nei Leandro?
Eu já o ouvi contar em minúcias este caso, com os olhos a brilharem de satisfação.
Não é para menos, quem reagiria de outra forma?

Certa vez, numa conversa com amigos, alguém citou Nei Leandro e eu disse que Moacir Lopes o considerava um bom poeta.
Moacir Lopes me corrigiu:
- Não. Bom escritor: bom poeta e bom romancista. As pelejas de Ojuara é um grande romance.
Aliás, é bom comprá-lo agora, pois Bruno Barreto comprou os direitos e produzirá o filme, com direção de Moacir Góes.
Além de ficar mais caro, certamente uma nova edição sofrerá a influência do filme.
Eu, por exemplo, prefiro a antiga edição de Olga, que tenho em casa, à atual com a foto da bela atriz na capa.

Há uma polêmica envolvendo Nei Leandro.
Segundo as más línguas, ele ajudou o amigo Moacy Cirne a criar o mítico Chico Doido de Caicó.
Ambos negam a acusação e garantem que Chico Doido, em carne e osso, conservado em álcool, vivia entre o Doradinho e o Tangará, ali na Rua Álvaro Alvim, na Cinelândia.

Diversas vezes já me atrevi a falar de Moacy Cirne e Moacir C. Lopes aqui em Agreste.
Se bem que, como Nei Leandro, eles dispensam apresentação.
Moacy Cirne ganhou o prêmio da Casa das Américas de Cuba.
Entre os admiradores confessos de Moacir Lopes podemos citar Jorge Amado, Câmara Cascudo, Raquel de Queiroz, Alceu de Amoroso Lima, Pachoal Carlos Magno...

Largo das Letras

Em setembro deste ano fomos, convidados pelo amigo Werneck, à inauguração da livraria Largo das Letras.
Por se tratar de um evento em livraria, Flora não apenas concordou, mas até se propôs a ir conosco.
Foi numa sexta-feira, véspera do Santa Tereza de Portas Abertas.
Este evento, no qual mais de cento e cinqüenta artistas plásticos abrem ao público as portas de suas casas e ateliês, merece uma postagem à parte.

Santa Tereza é um bairro atípico.
Parece uma pequena cidade do interior.
Embora no interior, o centro da cidade seja, em geral, uma grande praça.
No caso de Santa Tereza, é o Largo do Guimarães o centro.
Um espaço muito acanhado, no qual quase não é possível estacionar.

Procuramos uma rua secundária.
Sílvia estacionava quando um carro parou atrás de nós.
Além de parar, deu uma buzinada.
Nem demos bola, mas comentamos entre nós.
Sílvia: - será que estou fazendo alguma coisa errada?
Eu: - claro que não, será que o estúpido não viu que você está chegando e não saindo?
Sílvia: - ele não pensa em querer estacionar aqui também...
E nada de o carro sair.
Sílvia me pediu para não sair do carro.
Após buzinar outra vez, o carro foi procurar uma vaga um pouco mais acima.

Caminhamos um pouco pela rua Paschoal Carlos Magno e paramos um pouco numa loja de artesanato.
Werneck, Bárbara e Chico chegaram:
- Vocês são surdos e cegos? Não viram a gente buzinando?
Pois é.
Eles estavam com quatro imensos e pesados volumes.
Eram as publicações da ANS ¿ Agência Nacional de Saúde.
Dois deles para os donos da Largo da Letras e os outros dois para mim.
Foi minha pena carregar dois volumes pelo resto da noite.

Na livraria, encontramos muita gente conhecida, mais médicos que gente, é verdade.
Até comentei com Carlos Mercês: - estou com medo de passar mal.
Diligente cirurgião, preocupado, Mercês me perguntou se estava sentindo alguma coisa.
Respondi: - claro que não! Meu medo é exatamente este, pois a quantidade de médicos que tem aqui me indica que, se passar mal, estarei ferrado!

Terminamos a noite comendo uma carne-de-sol no Bar do Arnaudo.
Bárbara propôs que Flora e Chico (um ano mais novo que ela) fizessem uma parceria, na qual ele seria responsável pelas músicas e ela pelas letras.
Os dois nem deram bolas.

Confesso que a idéia do lançamento de hoje foi minha, naquela noite em conversa com Davi, um dos donos.
E por falar em Davi, ainda devo o envio de uma foto na qual ele e a filha ladeiam Yoko Ono.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Novembro 26, 2004
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Segunda-feira, Novembro 22, 2004



Por aqui não passaram rebanhos

Exatamente hoje faz 94 anos de um movimento que poderia, como tantos outros, ter sido esquecido.
A Revolta da Chibata.
Os livros de História do Brasil, estudados nas escolas, não registram o episódio.
Ainda bem que temos escritores como Moacir C. Lopes.
O seu romance histórico O Almirante Negro (Revolta da Chibata - A Vingança) é resultado de muita pesquisa, mas também dos relatos que ouviu no seu tempo de marinheiro.
A tudo isto, Moacir acrescentou uma boa dose de imaginação.
O episódio e a vida da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro no início do Século XX são retratados por um mestre da narrativa.
Não podemos nem devemos olvidar estes fatos.

Moacir é um homem muito simples.
Vocês terão oportunidade de conhecê-lo na próxima sexta-feira.
O que ele escreveu?

O romance de estréia, Maria de cada porto (1959 e nona edição em 2002), é o dramático relato de um naufrágio, durante o qual os náufragos misturam suas lembranças às vicissitudes.
A partir daí, Moacir foi rotulado de escritor do mar, pois escreveu outros livros com este tema.
E esta não é a única polêmica envolvendo Moacir e seus livros.
Qual o seu melhor romance?
Para muita gente, o romance de estréia é o seu mais bem escrito livro.
Muito mais gente considera A ostra e o vento a principal obra, inclusive o livro já foi objeto de seis teses de doutorado, transformado em filme por Walter Lima Júnior, com música de Chico Buarque.
E Belona, latitude noite lançado em 1968?
Alguns dos mais exigentes amantes da literatura o consideram um dos mais originais e apurados romances brasileiros.

Sugiro que leiam algumas opiniões sobre a obra de Moacir C. Lopes.

Moacir C. Lopes juntou o seu nome aos do mexicano Juan Rulfo, do guatemalteco Miguel Angel Astúrias e do colombiano Gabriel Garcia Marques ao escrever o romance cuja terceira edição será lançada na próxima sexta-feira.
Por aqui não passaram rebanhos é um romance ambientado no Parque das Sete Cidades no Piauí.
Diz-se que os fenícios, por volta de 1.100 a.C., habitaram esta região e que as gravuras rupestres são inscrições deixadas por eles.
Sugiro a leitura de uma brevíssima resenha.

A invenção de Caicó

Sonhos delirantes, nos quais há cidades ideais que reúnem atributos maravilhosos e essenciais de cidades reais.
Aspectos espaciais e temporais do processo de ocupação de significativa região sertaneja.
Personagens e seus dramas; fatos marcantes; casos curiosos; lendas regionais; e marcos constitutivos de um povo, quase nação.
Palavras e expressões reveladoras de um linguajar típico.
Amostra da culinária regional.
Depoimentos de personalidades sobre a própria existência.
A reunião de tudo isto em um livro poderia ser uma tese, resultante de uma boa pesquisa antropológica ou sociológica.
E serviria como bom material de consulta.
Não é o caso do livro que li.
Li terno e emocionado depoimento; narrativa típica dos contadores de estórias à volta de fogueiras, de conversas em calçadas; de bate-papo em bodegas e botecos; memórias afetivas de um sertanejo que carrega consigo o Sertão e impregna tudo que o cerca deste modo de ser.
Este depoimento, além de ser a extensão de uma existência, a síntese de vivências, é exigência de um povo que, necessitando se expressar, revela-se através de um dos seus expoentes.
Assim se deu a invenção de Caicó.

As dunas vermelhas

Recomendo que não leiam o romance de Nei Leandro de Castro.
Isto mesmo.
Aqueles que têm idéia formada a cerca de tudo, mesmo do que desconhecem, não devem e não podem ler As dunas vermelhas.
É um livro que destrói mitos e dogmas.
Respeita fatos.
Não é uma mera narrativa factual.
Em uma linguagem deliciosamente nordestina Nei discorre sobre vidas.
Vidas vividas durante o Levante Comunista de 1935, em Natal, Rio Grande do Norte.
Vidas de protagonistas, alguns involuntários, da História.
Personagens reais, humanos, movidos por amor, ódio, paixão, tacanhice, vaidade, idealismo, cobiça, justeza, ambição...
Vidas que se entrelaçam e se confundem.
Nei não é um escritor regional, bizarro, excêntrico.
O uso de regionalismo não é forçado ou artificial, apenas confere realismo às situações e personagens.
Quem gosta de descobrir a dimensão universal de pessoas comuns; quem consegue perceber o Mundo de forma crítica; quem gosta de um bom romance; aí sim, a estes recomendo que leiam as dunas vermelhas.

Lançamento

Sexta-feira, 26 de novembro de 2004.
Das 19 às 22 horas.
Largo das Letras - Rua Almirante Alexandrino, 501
Largo do Guimarães - Santa Tereza - Rio de Janeiro

Por aqui não passaram rebanhos - 3a edição
Moacir C. Lopes
Editora Quartet
Rio de Janeiro, RJ - 2004

A invenção de Caicó
Moacy Cirne
Sebo Vermelho edições
Natal, RN - 2004

As dunas vermelhas - romance em tempo de rebelião
Nei Leandro de Castro
A. S. Editores.
Natal, RN - 2004


Após o evento, certamente os três amigos escritores nos acompanharão numa esticada pela noite de Santa Tereza.
Sejam bem-vindos.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Novembro 22, 2004
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Sexta-feira, Novembro 19, 2004



Vinte segundos de fama



Não há como deixar de registrar.
Através de um comentário, soube que Agreste havia sido incluído no Blogs of Note, do Blogger Brasil, da semana em 16/11/2004.
Evidentemente, fui verificar.
Em What¿s up estava o sonho agoniado de Milton Ribeiro.
Aliás, eu já havia lido e comentado o tal sonho, mais para pesadelo.
Não conheço os demais listados, mas conheço, em três versões diferentes, Cicatrizes da Mirada.
Algumas pessoas conseguem produzir mais de um blogue.
Márcia Maia, por exemplo, produz dois excelentes: Mudança de Ventos e Tábua de Marés.
É difícil dizer qual o melhor, eu gosto mais de Tábuas de Marés, embora comente mais em Mudança de Ventos.
Nora Borges também produz dois: Cicatrizes da Mirada e Língua de Mariposa.
Cicatrizes da Mirada já foi destaque na imprensa pernambucana, trata-se da Espanha vista por Nora.
Em compensação, o Língua de Mariposa, que já teve outro nome, é a revelação da própria Nora.
Fica mais fácil a opção, não acham?

Se fosse há uns seis meses, provavelmente a inclusão de Agreste no Blogs of Note geraria um grande número de acessos e de comentários.
Na maioria dos casos, pessoas que estariam entrando no universo bloguístico e sem referências próprias.
Uma indicação é melhor que tatear no escuro.
Pouquíssimas continuariam a freqüentar o Agreste e passariam a integrar os elos agrestinos.
A maioria deixaria um convite para uma visita ao seu blogue e jamais retornaria.
Atualmente, o universo bloguístico está quase estabilizado.
Ainda perde muita gente para Orkut, Multiply, etc.
Uns poucos estão sempre a ingressar.
Já não provoca muito impacto na vida de um blogue a sua indicação no Blogs of Note.

É claro que fiquei contente.
Quem não ficaria?
Contudo, o que mais prezo são os comentários dos amigos que freqüentam o Agreste.
As homenagens que Agreste recebeu em blogues amigos me comovem.
Recentemente, em Língua de Mariposa, Nora Borges fez uma homenagem ao Agreste.
A sensação é inefável.
Por mais que eu queira e tente, não consigo traduzir em palavras o quanto representa receber este tipo de homenagem.

No próximo dia 05 de dezembro, Agreste completará um ano no ar.
Tentarei fazer uma retrospectiva.
Porém, antes disto, teremos uma oportunidade de encontro não virtual.
Na próxima sexta-feira, dia 26, haverá um triplo lançamento na livraria Largo das Letras.
A terceira edição de Por aqui não passaram rebanhos, de Moacir C. Lopes; A invenção de Caicó, de Moacy Cirne; e As dunas vermelhas de Nei Leandro de Castro serão lançados no Rio de Janeiro.
O evento será das 19 às 22 horas,como já disse, do dia 26 de novembro.
A livraria Largo das Letras fica situada à Rua Almirante Alexandrino, 501.
Isto é bem no Largo do Guimarães, em Santa Tereza.
Se houver interesse, poderei reservar algumas mesas em um dos bares (Marcô, por exemplo) de Santa Tereza e, após o lançamento, daremos uma esticada.
Na próxima semana, antes do dia do lançamento, comentarei os três livros.

Quem legenda?

Não sei se ele faz referência ao segundo mandato ou a mais quatro anos de governo.
Talvez seja o tempo que falta para que ele provoque o extermínio da vida na Terra.
Não sei.
Desconheço a autoria da foto.




MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Novembro 19, 2004
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Terça-feira, Novembro 16, 2004



Fazendo a feira

Moacy Cirne, lançou o almanaque número 3 do balaio vermelho.
Sem intencionalidade, ele atesta a grande afinidade histórica entre as culturas potiguar e pernambucana, pois, em todas as edições do almanaque, ele indicou blogues de pernambucanos.

Num papo de mesa de bar, na Tasca do Edgar, Moacy já havia falado da feira da Rua General Glicério, em Laranjeiras.
Há muitos anos eu não apareço lá na feira, pois tenho outras opções aos sábados ou noutros dias.
Desconhecia o fato de, entre 13 e 16 horas, o chorinho tomar conta da feira.
No meu comentário no balaio, eu disse que iria lá.
Claro que não combinei com Moacy nem esperava encontrá-lo lá, embora não descartasse esta possibilidade.
Fui com um amigo cubano, há muito membro da UNEAC - União Nacional de Escritores e Artistas de Cuba.
O amigo adorou a feira e comprou um CD do grupo que se apresenta lá.

A Rua General Glicério é uma das mais tradicionais de Laranjeiras.
Seus antigos edifícios, em sua maioria com nomes de cidades pernambucanas, datam da Era Vargas.
Amplos e confortáveis, além de bem situados.
Perto de lá há tudo: Restaurante (a antiga Parmê, que passou a ser Ponto 13 e, atualmente em reforma, será outra coisa), farmácias, etc.
Só não há banheiros.
Este é o único problema da feira.
Os desavisados, como eu, bebem cerveja e depois precisam andar bastante até o botequim mais próximo.
Talvez seja por isto que quase todo mundo bebe cachaça.

Um encontro de gerações, pois tanto entre os músicos quanto na platéia, há jovens adultos e velhos.
É claro que o desempenho dos músicos é o fundamental.
Desde a escolha do repertório, que inclui alguns clássicos do chorinho, até a execução, o grupo se apresentou muito bem.
Também adquiri o CD Choro na feira, quase todo de músicas compostas por integrantes do grupo que tem o nome do CD.
Mas é preciso registrar outro aspecto que eu valorizo muito nestes eventos: o relacionamento entre músicos e platéia.
Há uma natural interação.
A descontração e a espontaneidade são características marcantes da feira musical.
Cabe esclarecer que há uma feira comum, apenas à entrada da rua, de quem chega da Rua das Laranjeiras, há o que chamei de feira musical.

No Recife é, ou era, muito comum este tipo de feira.
Com uma diferença fundamental: o horário.
Habitualmente as feiras se realizavam em dias de semana e eram à noite.
Vendia-se tudo: frutas, verduras, legumes, utensílios de barro, etc.
Muitas barracas de comida e a música.
Não deixa de ser um resgate das feiras pernambucanas.
Em Pesqueira, por exemplo, a principal feira era às quartas, mas na terça-feira à noite, no Pátio da Liberdade, começava um verdadeiro baile popular.
O que não excluia, na quarta-feira, durante a feira propriamente dita, haver banda de pífanos, trio de forró, cego cantador, emboladores, repentistas e até Cancão Piou, tradicional samba-de-coco.
Luiz Gonzaga tornou uma delas famosa: a feira de Caruaru.

Certa vez, estava com alguns amigos numa destas feiras do Recife.
Repentinamente, chamou a nossa atenção um velhinho com um balaio, contendo frutas e legumes, na cabeça.
Quando tocou um daqueles frevos que não permitem a ninguém ficar parado (não lembro se Fogão, Vassourinhas, Gostosão...), o velhinho, com balaio e tudo, começou a marcar o passo.
Para quem não conhece o frevo, basta imaginar um velho com um pesado balaio na cabeça a dançar, ao som da balalaica, uma vibrante dança cossaca russa.
O desagradável é que, ao perceber que paramos de pular para observá-lo, o velhinho parou e foi embora, ficando todos, ele e nós, sem graça.

Sempre que este amigo cubano está no Rio, ele fica em minha casa.
Costumamos passar a noite em conversas.
Há um acordo tácito.
Eu falo de coisas brasileiras e esclareço, à medida do possível, as dúvidas dele; estabeleço comparações entre nossas manifestações culturais.
Ele fala de Cuba.
Não apenas da situação atual, principalmente das experiências pessoais.
Ele, ainda adolescente, participou de uma das primeiras brigadas.
Conheceu muitas figuras notáveis de Cuba.
Na maioria das vezes, ele desmistifica algumas figuras ilustres.
Ressalto que ele é admirador de Raul e Fidel.
No caso de Camilo e Che, que conheceu diretamente, ele diz que o homem superava o mito.

Como a verdade está no fundo do copo (ao menos nós, pernambucanos, gostamos de pensar assim), sempre que possível bebemos uma boa cachaça.
A primeira vez que ele veio ao Brasil foi em 1990.
Nós dois passamos uma noite descascando camarão para o bobó do dia seguinte.
Junto com as cascas, duas garrafas vazias: Mucuri e Alvorada.
Desta vez, ele conseguiu beber Serra Grande.
E almoçar na Severina da Glória.

Adendo em 20/11

No sábado seguinte, Robertinho Silva apareceu e deu uma canja no pandeiro.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Novembro 16, 2004
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Quinta-feira, Novembro 11, 2004



Al-Qods

Pouca gente sabe quem foi Abreu e Lima.
Mesmo em Pernambuco, muita gente sabe apenas que é uma cidade da área metropolitana do Recife.
Os mais bem informados sabem que ela foi emancipada de Paulista.
E que foi sede da primeira indústria têxtil nacional.
E quem foi Abreu e Lima?
Um general.
Quem sabe que ele foi um general, por preconceito, já o imagina como integrante da Ditadura Militar.
Ou mesmo um repressor dos movimentos nativistas ou populares.
Mas não foi.
O General Abreu e Lima foi um libertador.
Ao lado de Simon Bolívar, lutou pela criação de uma América livre.
Retornou à terra natal onde faleceu.
Os portugueses, senhores coloniais, proibiram que fosse enterrado em solo pátrio.
Em Santo Amaro, bairro popular do Recife, há o Cemitério dos Ingleses.
Quando o General Abreu e Lima faleceu, ele foi enterrado lá, pois, na época, era considerado solo estrangeiro.
Homenageado com o nome de uma cidade.
Mesmo assim, a memória não é cultuada como o general merece.

No Dia do Armistício, faleceu Arafat.
Como Abreu e Lima, Arafat não poderá ser enterrado onde desejava.
Perseguido e injustiçado em vida, Arafat será um exilado, mesmo morto.
Pranteado por todo o sofrido povo palestino.
Respeitado e amado pelos amantes da paz.
Nem assim ele terá o direito de repousar em Jerusalém.
Os sionistas não respeitam a vida, por que respeitariam a morte?
Repudio mais esta demonstração de insanidade, de desumanidade.

A Arafat, minha homenagem, meu respeito, minha saudade.

Como seria?

É comum uma pessoa pensar: como seria minha vida se...
Em geral, a imaginação tem como alvo os sonhos infantis não realizados.
Quase sempre envolve viagens espaciais, invenções mirabolantes ou descobertas de curas de doenças ou da imortalidade.
Às vezes, penso em coisas diferentes.
Como seria minha vida se eu fosse, por exemplo, um camioneiro?
Jamais considerei a hipótese de ser camioneiro.
Creio que a profissão não se ajusta ao meu perfil.
Certamente qualquer estagiário de um Departamento de Recursos Humanos de uma transportadora de cargas chegaria a esta conclusão.
De qualquer forma, posso imaginar.
Entre as inúmeras coisas que eu teria que pensar, uma seria inevitável.
Escolher algumas frases para pintá-las em pára-choques e lameiras.
Pelo menos uma delas teria que ser machista.
Todo motorista de caminhão que se preza é machista.
A frase teria que falar mal de mulher, aviltando a feiúra ou a gordura.
Talvez insultar a sogra.
Ou mesmo depreciar o casamento.
Que tal: "casar é trocar a admiração de várias mulheres pela crítica de uma só."?
Claro que não!
Afinal, com uma frase destas, o camioneiro ganharia, imediatamente, a fama de morde-fronha.
Tem que ser mais grosseira, igual a papel de embrulhar prego.
Que tal: "mulher feia, como pantufa, em casa é gostosinha; na rua mata de vergonha" ou "mulher feia, como ventania, só quebra galho"?
Ficou mais grosso que parede de igreja.
Os colegas adorariam, mas eu não suportaria.
Poderia ser sobre outro tema?
"O Mundo só gira em torno de você quando você bebe demais"
"Preguiçoso é dono de sauna que vive do suor alheio"
É... ainda bem que não sou camioneiro.

Encontro de camioneiros

Biu, pernambucano, baixinho, franzino.
O braço esquerdo mais amorenado que o direito denuncia a profissão de camioneiro.
Não há lei ou bom senso que impeça o camioneiro de dirigir com o braço apoiado para fora da janela.
Estacionou o caminhão.
Entrou na lanchonete, pediu um bauru e um maltado.
Trazia uma carga do Sertão e viajara a noite inteira.
Era cedo demais.
Seria bom descarregar antes de o trânsito do Recife ficar engarrafado.
Mas precisava esperar um pouco.
Ao seu lado estava sentado um galegão de quase dois metros.
A beber cachaça.
Quando o gaúcho olhou para ele, Biu já imaginou que poderia ter problemas.
- Na minha terra só tem macho, tchê!
Biu olhou e apenas imitou um riso, pois não soube o que dizer.
- Na minha terra só tem macho, tchê! E na tua!?
- Na minha não... há machos e fêmeas que se dão muito bem.


Observação

Qualquer dúvida, por favor, a partir do menu superior, consultar o glossário.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Novembro 11, 2004
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Terça-feira, Novembro 09, 2004



Em meados de outubro, Roberto Ananias me convidou para participar da gravação do depoimento dele na Fundação Cartola.
O depoimento foi sábado e faz parte de um projeto do MIS - Museu da Imagem e do Som.
A importância deste projeto está na incorporação da História oral aos arquivos do Museu.
Por motivos alheios à minha vontade, não fui.
Fiquei a imaginar quanta conversa agradável perdi.
Por telefone, Ananias já me informou que foi muito bom o encontro.
Das pessoas mais conhecidas, registrou a presença de Fafá de Belém.
Também esteve presente o amigo Walter Norambê (da Orquestra Afro-Brasileira), há vinte anos radicado nos EUA, que enviou o recado querendo que nos encontremos.

Imagino que, entre tantos fatos, Ananias tenha registrado um que, quando jovem, ele protagonizou e que se incorporou à antologia dos causos do mundo do samba carioca.

O Presidente do Senegal visitou o Rio de Janeiro.
Ananias, sabe-se lá como, conseguiu convidar o Presidente para visitar uma escola de samba.
Até então, apesar de tudo que fizeram Paulo da Portela e Ismael Silva, o samba ainda era marginalizado e nenhum Chefe de Estado visitara a quadra de uma escola.
Convite aceito, visita marcada para o domingo.
A escola a ser visitada era uma pequena escola em Santa Cruz, extremo da Zona Oeste carioca.
A notícia se espalhou.
Natal, Presidente da Portela, soube e mandou chamar Ananias.

- Como você ousa fazer uma desfeita destas?
- Desculpe, mas eu fiz o quê?
- A Portela tem uma História, criou uma ala de crianças que só participa quem mostrar o boletim escolar; criou uma ala de deficientes físicos que desfilam em cadeiras de rodas; tem a Velha-Guarda que reúne o melhor que o mundo do samba já produziu, melhores passistas, melhores ritmistas, melhores mestres-salas, melhores porta-estandartes, melhor ala de baianas; quem valoriza a cultura e a História do samba como a Portela?
- Ninguém!
- E então? Você resolve passar por cima de Madureira! Eu posso admitir?
- Por favor, me desculpe... Não pensei que podia conseguir uma visita à Portela.
- Desde quando a Portela se nega a abrir as portas para um evento destes? Um presidente africano! Cuidado com o que fala!
- Se o senhor quiser, podemos transferir para a Portela...
- Aí também não. Você veio aqui se explicar, mesmo tarde demais, já combinou as coisas, não vamos deixá-lo mal.
- E o que o senhor quer que eu faça?
- A Portela receberá o Presidente em Santa Cruz. Bagdá e Tijolo serão os mestres-salas, Vilma a porta-bandeira, Nega Pelé e Valdir 59 vão mostrar o samba no pé à frente de um grupo de passistas, Tamborim de Ouro vai puxar o grupo, ao ritmo de Marçal, no comando, Mestre Velha, a Velha-Guarda será o nosso cartão de visita - mandarei fazer terno de linho branco para todos: Seu Rufino, Argemiro, Seu Valter Tavares, Monarco, Mijinha, Manacéia, Casquinha, Anacleto, Cascudo, Jair do Pandeiro, Jair do Cavaco... Manda chamar Vicentina e Santinha! Vão buscar Candeia! Cadê Zé Kéti? E o menino Paulinho? Eu quero convidar o pessoal que pensa, quem vai procurar Solano Trindade? Você tá dispensado! Volte aqui no sábado pra acertar os detalhes!
- Agradeço ao senhor pela compreensão e...
- Desta vez passa, mas lembre que a Portela não vai deixar cair aquilo que construiu!

"Seu Diretor de Bateria
aquilo que eu disser não leve a mal
agora que chegou a calmaria
vamos esquecer o vendaval
reúna os nossos batuqueiros
que eu já peguei meu violão
pois este ano a Portela
vai sair pra decidir aquela situação
quem chorou, chorou
quem sorriu, sorriu
o nosso destino é lutar
Portela não vai deixar cair
aquilo que construiu
Seu Diretor!"

Paulinho da Viola


Foi o encontro do Balé do Senegal com o samba.
A empresária do balé, uma francesa, por cláusulas contratuais, não permitiu que os bailarinos se apresentassem e dançassem.
Quando o samba esquentou, os bailarinos desrespeitaram a determinação e caíram no samba.
O Ginásio Othon Mota quase explodiu.

Definição

O PT é um partido concebido por intelectuais que lêem e não trabalham;
constituído por militantes que trabalham e não lêem;
e dirigido por sindicalistas que não lêem e não trabalham.

Dica cultural

Acir Vidal publicou uma excelente dica cultural sobre o cabo-verdiano Mário Lúcio. Vale a pena conferir em Contra o Vento

Águas de Outubro

Passaram despercebidas, na maior parte do Mundo, as eleições presidenciais uruguaias.
Não podemos comparar a importância de um pequeno país da América do Sul e a megapotência hegemônica do Norte, cujas eleições atraíram as atenções gerais.
Nem poderia ser de outra forma, pois o Senhor da Guerra, em seu fundamentalismo, determina o nosso dia-a-dia.
Contudo, há um interessante artigo de Eduardo Galeano que analisa as eleições uruguaias, cuja leitura recomendo aqui.

Quem legenda?

Imagem publicada em BushForDummies.com





MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Novembro 09, 2004
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Quarta-feira, Novembro 03, 2004



Lila

Cinco estudantes cearenses residiam no Recife.
Não formavam uma república estudantil.
Dividiam o aluguel de um apartamento no Bairro da Boa Vista.
As regras de convivência eram muito rígidas.
Eles as adotaram no ano em que prestaram exame vestibular.
E deu certo.
Não havia bebedeiras em casa, não usavam drogas, dividiam o espaço.
Evidentemente, as despesas eram rateadas em partes iguais.
O item de despesa que promovia o equilíbrio era o pagamento do salário de Lila.
Uma jovem ainda não balzaquiana, embora mais velha que os rapazes, todos em torno dos vinte anos de idade.
Três deles estudavam na Escola de Engenharia da UFPE, um era aluno da Escola Politécnica e o outro estudava Medicina na UFPE.

Lila arrumava a casa, fazia as compras do mercado e a feira, cozinhava e, às sextas-feiras, levava a roupa suja para casa e a trazia limpa e engomada na segunda-feira.
Todos a respeitavam, mas, com três anos de convivência, tinham certa intimidade e alguma liberdade, o que permitia algumas singelas brincadeiras, nada além de troças ou piadas.

Ninguém sabe ao certo como começou a brincadeira, mas os rapazes ameaçavam, algum dia, darem maconha para Lila experimentar.
De início, ela dava verdadeiro chega-pra-lá.
Aos poucos, apenas resmungava coisas do gênero: - vocês são muito bobos, sou uma moça direita, não me meto em vícios; já pensou? Só se eu fosse doida de pedra.
Volta e meia, o assunto, sempre em tom jocoso, vinha à tona.

Nas férias de meio de ano, um deles trouxe palha de enrolar cigarro, outro um pouco de fumo de cachimbo do pai.
Um dia, após misturarem o fumo de cachimbo com o fumo de dois cigarros de marcas diferentes, mostraram para Lila e disseram ser maconha.
Claro que ela deu uma bronca e ameaçou jogar no lixo.
Por mais que ela recusasse, via-se claramente que havia muita curiosidade por parte dela.
Um dia, tanto insistiram que ela, relutante, resolveu experimentar.
Deu dois tragos e perdeu a cabeça, tirou a roupa e queria correr nua pelo meio da rua.

Agreste na rede

Recentemente, Agreste foi alvo de várias citações.
Elas representaram, cada uma ao seu modo, uma alegria e justificam a existência deste blogue.

Em 13/10/2004, Leila nos dedicou um conto. Como é bom ter este tipo de surpresa!

Em 28/10/2004, Rosângela fez uma especial citação em Ilíquido. Compartilhar lembranças, da forma que ela fez, é algo que nos faz amigos.

Em 30/10/2004, Moacy Cirne lançou o Almanaque 01 de seu balaio vermelho, como sempre muito gentil, escolheu Agreste, na categoria blogue. Eu preciso urgentemente arrumar duas cachaças (Chica Boa, fabricada em Palmares, e Monjopina, fabricada no Engenho Monjope, ambas de Pernambuco) para Moacy deixar de considerar Topázio a melhor cachaça.

Em 31/10/2004, Acir em Contra o vento, também citou Agreste. Há melhor forma de conhecer um blogue?

Ainda em 31/10/2004, Adriano Vinagre, um dos primeiros freq?entadores de Agreste, fez uma citação em O Lepárido.

Em 01/11/2004, Nipiula fez uma citação em Imagine the possibilities....

O triste é que Adriano fez a postagem de despedida e diz que em um mês desabilitará o blogue.
O mesmo ocorreu com Nipiula.
Em ambos os casos, senti que parte do meu universo bloguístico se desfez.

Freio de arrumação

Entre os elos agrestinos, há muitos blogues que estão permanentemente apresentando problemas de acesso.
Apenas para citar um dos mais antigos, o blogue de Rafael, Vox Noctis Líber; além disto, Rafael sumiu e não tem mais aparecido em Agreste.
Tento reorganizar os elos, mas fico sem querer excluir alguns deles, sem a certeza de que inexistem, pois mantenho uma relação afetiva com cada elo incluído em Agreste.

Revista Preá

Primeiro foi Nei Leandro de Castro, depois Moacy Cirne, mais recentemente, Francisco Sobreira.
Os três me presentearam com um exemplar da excelente revista cultural Preá, editada pela Fundação José Augusto do Rio Grande do Norte.
A excelência da revista está na forma de difusão da produção cultural.
Evidentemente, não fosse a valiosa produ&ccircão cultural rio-grandense-do-norte, Preá não teria serventia.
A revista resgata cantadores, escritores, pintores e personalidades da região.
Há um fio condutor que une a carga histórica e o movimento cultural contemporâneo.
Esta relação é estabelecida sem academicismos ou artificialidades.
Também estão contemplados os mais variados aspectos e formas de expressão cultural do povo potiguar.
Tem me impressionado a qualidade do que se produz, em matéria de cultura, atualmente no Rio Grande do Norte.
Como produtos culturais, merecem destaque especial os livros:
A invenção de Caicó, de Moacy Cirne;
Dunas Vermelhas, de Nei Leandro de Castro; e
Infância do coração, de Francisco Sobreira.
Voltarei a comentar cada um destes livros aqui em Agreste.

Glossário

Eu concordo com a necessidade de existência do glossário, pois alguns amigos, inclusive d´além mar, têm dificuldades; o mesmo ocorre quando há expressões africanas.
Desde o dia 31 de outubro o glossário já está disponível.
Estou relendo todo o material publicado nestes dez meses de Agreste e atualizando o glossário.
Para ver o glossário, basta clicar em Glossário no menu superior ou aqui.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Novembro 03, 2004
Comentário e zombaria:




Praia do Porto - Costa Dourada
Litoral Sul de Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Praia de Calhetas
Cabo de Santo Agostinho
Ponto extremo de Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Chapada dos Guimarães
Mato Grosso
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Serra dos Órgãos
Estado do Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Campos do Jordão
São Paulo
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Provetá - Ilha Grande
Estado do Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Candeias
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Mercado São Josá - Recife
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Piedade
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Pouso Alegre
Minas Gerais
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Pão-de-Açúcar
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Cristo Redentor
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Nascente - Pão-de-Açúcar
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Poente - Floresta da Tijuca
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Maracanã
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Niterói
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Quinta da Boa Vista
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Zona Norte
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Micos
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Igreja da Penha
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro