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wAgreste |
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Rabiscos e divagações
 Auto-retrato |
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Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos. Contato |
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?S? ? cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos? Vital Farias |
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wDivaga??es e cita??es - Domingo, Outubro 31, 2004 |
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Em plena Ditadura Militar, o general indicado para assumir a Presidência da República fez uma visita ao Recife.
Ao desembarcar, um imprevisto o retardou e ele atrasou um pouco a saída do aeroporto.
Isto salvou a vida dele.
Uma bomba explodiu.
Entre as vítimas, faleceu um jornalista.
Ninguém jamais soube quem provocou a explosão.
Depois disto, uma verdadeira paranóia tomou conta dos aeroportos brasileiros, notadamente do Aeroporto dos Guararapes no Recife.
Naquela época, havia técnicos de manutenção de computadores que viajavam regularmente do Recife para a Base Aérea da Barreira do Inferno no Rio Grande do Norte.
Certo dia, um daqueles técnicos estava no Aeroporto dos Guararapes pronto para o embarque.
Como bagagem de mão, levava uma maleta de um modelo muito popular, apelidada de 007.
Nela, o técnico carregava todas aquelas quinquilharias necessárias ao seu trabalho: aparelhos elétricos e eletrônicos, ferramentas e fios, muitos fios, amarelos, vermelhos, pretos, azuis, verdes...
Alguns dos fios estavam saindo da maleta.
Quando foi botá-los para dentro, o técnico se deu conta de que esquecera a chave da mesma em casa.
Dirigiu-se a uma cabine telefônica, deixou a maleta no chão enquanto telefonava para casa.
Repentinamente, saídos ninguém sabe de onde, vários homens engravatados correram em direção à cabine.
Cerca de meia dúzia deles agarraram violentamente o técnico e o imobilizaram no chão.
Enquanto isto, um outro agente de segurança pegou a maleta, correu em direção a uma área aberta, jogou a maleta para longe e, rolando pelo chão, se lançou para trás de um muro de concreto.
Hoje, eu lembro do episódio como algo cômico.
Certamente não é esta a lembrança do técnico que, atônito, ficou mais apertado que filhote de cobra no ovo para explicar que não pretendia explodir o aeroporto.
Antes que o episódio fosse devidamente esclarecido, um mujimbo tomou corpo, cresceu e se espalhou pelo Recife, dando conta de que a Revolução Popular se iniciara.
Glossário
Alguns amigos reclamaram, com muita razão, que há regionalismos em Agreste o que torna alguns textos incompreensíveis.
Não há como deixar de usar os regionalismos.
A solução que encontrei foi elaborar um glossário.
Aliás, isto já era previsto, pois o menu superior já apresenta a opção.
O glossário certamente está incompleto.
Tentarei complementá-lo ao longo do tempo.
Mais que isto, tentarei mantê-lo atualizado a cada uso de uma palavra pouco conhecida.
Resta um esclarecimento: o glossário visa elucidar o uso das palavras em Agreste; portanto, é possível que os dicionários apresentem outros significados, ou até não apresentem algumas palavras constantes do glossário.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Domingo, Outubro 31, 2004
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wDivaga??es e cita??es - Terça-feira, Outubro 26, 2004 |
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Costumo dizer que o meu primeiro contato com o concretismo se deu quando eu era muito pequeno.
Fim de tarde, muito calor e uma leve brisa a soprar.
Pouco a pouco todos botaram as cadeiras na calçada.
Não havia uma combinação, mas pelo movimento espontâneo, eu percebi que haveria uma tertúlia.
Sem grandes pompas, algumas estórias, alguém mais desinibido diria um verso, tudo muito simples...
Então aconteceu.
Algumas crianças ao longe diziam: - larga, estreita, larga, estreita...
Não havia dúvida, tentavam confundir o trôpego e cambaleante bêbado.
O irregular ziguezague o conduziu à nossa calçada.
Papai, qual um cão de guarda, retesou-se.
Antes de se aproximar, o bêbado pediu licença para dizer um verso e ir embora.
Autorizado, olhou a imensa e prateada lua, respirou fundo e começou.
- Lá vem a lua saindo, branquinha como leite...
Titubeou ligeiramente e concluiu:
- ... se "quaiá", eu como!
Risos e aplausos.
O bêbado foi embora e eu, que no máximo tinha uns cinco anos, fiquei a imaginar a lua como um imenso queijo de coalho.
A partir dos doze anos de idade, quando todos os meus amigos descobriam o Rock, a Jovem Guarda e coisas do gênero, eu, além de adorar frevo e forró, vivia mergulhado em outro universo: Samba-de-côco, Bambelô, Cambinda Véia, Pífanos...
Encantava-me especialmente o improviso dos emboladores, dos cegos de feira e, notadamente, das brigas de viola.
Há uma conexão entre os versos improvisados e a literatura de cordel.
Nem sempre os versos escritos são frutos do improviso.
Hoje recebi, com a sugestão de publicação em Agreste, uma obra da literatura de cordel.
Quem enviou foi Thimóteo de Via oral.
O autor é Batista Melo e o título é O coronel e o exame da próstata.
Aproveito e dou uma amostra de Patativa do Assaré, um cordel dirigido Aos Poetas Clássicos.
Quem legenda?

MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Outubro 26, 2004
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wDivaga??es e cita??es - Quinta-feira, Outubro 21, 2004 |
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Embora Flora sempre me diga que não lembra nem imagina como era o Mundo sem computador e internet, o uso de computadores pessoais e a internet, principalmente, são fenômenos recentes.
Quando fui para a África, alguns amigos, para mangarem de mim, perguntavam se eu iria implantar teleprocessamento por tambor.
Claro que havia muito de ignorância e preconceito.
Eu ria, pois não costumo exercer patrulhismo ideológico quanto ao humor, o qual nem sempre é politicamente correto.
Encontrei lá alguns computadores mais modernos que os existentes no Brasil.
Contudo, sempre soube que se embalarmos lixo, teremos apenas lixo embalado.
Ter computadores modernos e processos arcaicos não indica modernização, muito menos otimização, ao contrário.
Em Moçambique eu tive algumas divergências com alguns dirigentes, pois considerei haver mitificação e mistificação do uso dos computadores.
A tecnocracia subordinando a política.
Deu no que deu.
Quando retornei ao Brasil, ainda não existia internet.
Aos poucos fui perdendo o contato com inúmeros amigos.
Os telefones, cá e lá, mudaram de número, etc.
Houve ocasião que fui à África, a Portugal e não encontrei amigos, pois não havia como localizá-los.
No mês de setembro Mia Couto esteve no Brasil.
Ao saber que ele estaria aqui, tentei, através dos amigos comuns, encontrá-lo.
Falei com um amigo que vive em Portugal, ele falou com amigos que vivem em Moçambique e o máximo que consegui foi o nome de uma jornalista da Folha de São Paulo que foi responsável pela vinda dele ao Brasil.
Conversei com Moacir Lopes e pedi que procurasse Mia Couto, pois ambos estariam no evento internacional de escritores em Fortaleza.
Até tentei fazer Moacir Lopes ler Vinte e Zinco para conhecer um pouco de Mia Couto.
Moacir desconseguiu encontrá-lo em Fortaleza, pois quando lá chegou soube que Mia já estivera e retornara.
Conversando com outros escritores, Moacir perguntou quem o lera e qual a opinião.
Roberto Pontes, poeta e Doutor em Letras, disse: - Mia Couto é um Guimarães Rosa... melhorado.
Eu imagino qual a opinião dele sobre Luandino Vieira.
Em comum estes escritores têm a relação do seu conteúdo universal expresso numa forma regional.
O que não ocorre com Graciliano Ramos, José Lins do Rêgo e Jorge Amado, por exemplo, que abordam realidades regionais sem adotarem muitos regionalismos.
O próprio Moacir Lopes, pelo fato de ser ex-marinheiro, quase foi caracterizado como um escritor do mar, seja lá o que isto signifique.
A Revolta da Chibata, Maria de cada porto, Onde repousam os náufragos, A ostra e o vento... a temática é muito presente na obra de Moacir, mas quem pode negar a universalidade do conteúdo e da forma de sua escrita?
O curioso é que Mia Couto diz que a sua principal atividade profissional não é ligada à literatura.
Ele se considera biólogo, professor e escritor, nesta ordem de importância.
Não se considera mais um jornalista.
Quando eu vivia em Moçambique, ele foi, sucessivamente, Diretor da AIM - Agência de Informação Moçambicana; Diretor da revista Tempo; e Diretor do jornal A Notícia.
Havia publicado apenas um livro de poesias, o qual nem sei bem por que eu trouxe para o Brasil.
Entre tantos livros de autores famosos, eu trouxe um livro de um autor desconhecido.
Atualmente, ele tem muitos livros publicados.
Sempre que Mia Couto publica um romance, o meu consultor especial para assuntos africanos me envia um exemplar.
Por tragédias inexplicáveis e incompreensíveis, dos romances recebidos resta-me apenas Vinte e Zinco.
Quem me conhece sabe que adoro polêmicas.
Pois bem: eu valorizo muito o escritor Mia Couto, entretanto, o que eu mais valorizo nele é algo que não se enquadra em uma categoria profissional específica.
Mia Couto pensa o seu mundo e a sua época.
Não é um filósofo, nem um Analista Sei-lá-o-quê.
Mia Couto aborda os problemas fundamentais, com clareza, objetividade e precisão, a partir da realidade moçambicana.
Para demonstrar a afirmativa, apresento alguns artigos de Mia Couto.
Aproveito a oportunidade para dar um pequeno freio de arrumação.
A partir de hoje, no menu superior de Agreste, o item Citações deixou de ser uma caixa vazia.
Nele há um subitem Mia Couto no qual estão relacionados alguns artigos.
A disposição dos artigos está em ordem cronológica de publicação em Savana ou em A Asa da Letra.
Contudo não vale a pena ler qualquer um, pois alguns são incompreensíveis para quem desconhece a realidade moçambicana.
Sugiro, inicialmente, a leitura de: As negações; O meu nome é África; Economia a fronteira da cultura; Samba de um continente só; e Carta ao Presidente Bush.
Quanto ao nosso, digamos, desencontro.
O amigo que acionei foi a Maputo e lá passou três semanas.
Durante este tempo não encontrou Mia Couto.
Aliás, eu já soube por outros amigos moçambicanos que ele não encontrou Mia Couto nem outros amigos, pois foi a trabalho e não teve tempo para coisa alguma.
Dizem que seria mais fácil eu encontrar uma nota de cem reais numa calçada alta (para apanhá-la sem ter o trabalho de me abaixar) que alguém encontrar o meu consultor especial em Maputo durante o período em que lá esteve.
Em seu retorno a Lisboa, devidamente instalado no avião, foi surpreendido por um amigo que o viu e foi cumprimentá-lo: Mia Couto.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Outubro 21, 2004
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wDivaga??es e cita??es - Segunda-feira, Outubro 18, 2004 |
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O amigo Humberto Tanure está sempre a enviar, via e-mail, dicas interessantes.
Na semana passada, enviou um artigo que nos obriga a refletir.
Eu já conhecia as possibilidades de uso dos serviços telefônicos através da internet.
Há mais de um ano, pela primeira vez, Luana, minha filha que reside na Europa, telefonou para o telefone comum usando a internet.
É claro que Flora fala, através do MSN, com pessoas de todo o Mundo, mas não se trata disto.
Trata-se de telefonar para um telefone fixo ou celular usando o serviço da internet.
Além de explicar como funciona, o artigo é interessante por abordar a posição do governo brasileiro.
Na época de FHC, uma empresa foi punida porque obteve financiamento no exterior para vender automóveis; a empresa repassava aos consumidores o financiamento, evidentemente a juros baixíssimos para nossos padrões.
Sabe-se também que FHC obrigou a Antárctica a vender a Bavária para evitar o monopólio da cerveja quando foi criada a AMBEV, uma associação entre as duas maiores fabricantes de cerveja do Brasil.
O mesmo FHC propiciou que um grupo estrangeiro passasse a controlar a CSN (siderurgia), a Vale do Rio Doce (mineração) entre outras atividades estratégicas.
Na verdade, a criação de uma grande empresa de cerveja e refrigerante criou a possibilidade de concorrer, no exterior inclusive, com as empresas estadunidenses que não podem revelar a fórmula do seu refrigerante.
Não se tratava de monopólio, mas de outro princípio: a defesa dos interesses estrangeiros em detrimento dos interesses nacionais.
Lula continua a ser uma cópia de FHC o qual foi uma cópia de Collor.
Por isto, Lula proibiu uma empresa aérea de vender passagens baratas.
E o que isto tem a ver com telefonia via internet?
Eis um pequeno trecho do artigo:
"...Para confirmar isso, há cerca de dois meses, em um evento sobre telecomunicações patrocinado pela Intel, em São Paulo, expus ao representante da Anatel a seguinte situação hipotética: eu conecto meu computador doméstico, através da internet, a um servidor, digamos, em Miami. De lá, fecho uma conexão para um telefone comum, de linha discada, situado seja no Brasil seja no exterior. O telefone de meu interlocutor está ligado à rede pública, mas a ligação foi originada no exterior. Seria isso ilegal? Eu estaria violando alguma norma, lei ou regulamento?
- Infelizmente, não - respondeu o homem da Anatel.
Entendi o "não", já que a lei brasileira não tem jurisdição em outros países. Mas não entendi o "infelizmente" e perguntei qual sua razão.
- Porque, embora não seja ilegal, isso rouba mercado das operadoras e faz parte da missão da Anatel proteger os altos investimentos que elas fizeram no setor.
Nesse ponto, retruquei:
- Mas não faz parte também da missão da Anatel defender o bolso do consumidor?
Para minha surpresa, fui vigorosamente aplaudido. E olhe que a platéia era composta, em sua grande maioria, de especialistas em telecomunicações."
Em todos os setores da vida nacional tem sido assim, daí todos nós, em maior ou menor grau, estarmos mergulhados numa crise profunda.
Para ler o artigo na íntegra, basta clicar aqui.
Outras dicas sobre telefonia via internet aqui.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Outubro 18, 2004
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wDivaga??es e cita??es - Quinta-feira, Outubro 07, 2004 |
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Estava indeciso.
Não sabia se almoçaria ali mesmo, no Favo, quase na esquina da Kenneth Desirée Kaunda com Vladimir Lenine.
Lá, mesmo que o restaurante estivesse lotado, seria sempre benquisto.
Não ficaria na fila de espera, seria conduzido ao bar do subsolo e lá ficaria até vagar uma mesa e ser a sua vez na fila.
Enquanto esperasse, comeria canivete e um prato de camarão-tigre; beberia um vinho, talvez uma Laurentina número 4, disponível apenas para os amigos da casa.
Por certo, encontraria amigas e amigos.
Ao subir ao restaurante, certamente comeria a deliciosa febra de porco, uma das especialidades da casa.
Uma alternativa seria caminhar pela Vladimir Lenine até quase a esquina da Agostinho Neto, pois lá havia uma tasca interessante.
Preencheria o tempo sem nada fazer.
Ao som da marrabenta, uns tragos até viriam a calhar.
Talvez devesse descer até a Baixa.
Havia boas opções na 24 de Julho ou mesmo na 25 de Setembro.
Uma coisa era certa, não estava com vontade de ir para o lado da Polana.
Gostava de ir ao Chai, na Amílcar Cabral, de apreciar o seu mural pintado por Malhangatana e comer matapa, mas naquele momento não apetecia ir lá.
O certo é que desejava o incerto.
Gostaria de trilhar caminhos desconhecidos.
Ainda por decidir o que fazer, atravessou a rua.
Nestes momentos de distração, o simples fato de atravessar a rua tornava-se um risco, principalmente com a mão-inglesa.
Deu-se o que nenhuma teoria de riscos preveria.
Ele a viu.
Uma visão impactante.
Jamais vira beleza igual.
Desconfiou - e depois confirmaria - que ela fosse da Ilha de Moçambique, em Nampula.
Pensou então não ser um mito que as mulheres de lá eram incrivelmente belas.
Ela o viu, inicialmente, com um olhar entre displicente e interessado.
Perdeu o comando das próprias pernas.
O olhar dela, mais que interessado, o arrastou.
Aproximou-se com natural familiaridade.
Aliás, naturalidade é a palavra exata para os gestos e atitudes deles na ocasião.
Evidentemente, ela estava à espera de um machimbombo, daí ele perguntar:
- Faz tempo que estás aqui?
- Não, apenas três dias.
Evocação
Esta foto, publicada por Chato, dispensa legenda, mesmo sendo merecedora de poemas e canções.

MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Outubro 07, 2004
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wDivaga??es e cita??es - Sexta-feira, Outubro 01, 2004 |
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Bertold Brecht
Flora precisa ler O Pagador de Promessas.
Comecei a procurá-lo.
Achei alguma coisa de cinema: Os Deuses Malditos de Visconti, diversos livros sobre filmes de Felini, Deus e o Diabo na Terra do Sol; em teatro, até peça infantil de Eugénia Neto, mas não encontrei os dois volumes de Teatro de Dias Gomes; no meio deles, o livro sobre Vitalino (aquele mesmo que a família conseguiu, através da Justiça, proibir a comercialização) e um de Eric Hobsbawm sobre Jazz..
Quanta confusão!
E a demora na procura?
Parei minutos, ao encontrar o livro, pensando na novela radiofônica, As aventuras de Ngunga.
Contudo, não foi por isto que postei aqui sobre o que, com eufemismo, chamei de desorganização dos livros.
Eu tratei da, digamos, desorganização dos livros porque procurei e não encontrei um livro para fazer determinada citação.
Faço as citações a seguir sem estar certo da correção das mesmas.
Uso o recurso de citar Brecht porque ele consegue dizer, de forma apropriada, algo que eu não consigo.
É comum querermos chamar a atenção de alguém para a necessidade de participação em um processo cultural ou político e o chamamento soar como uma crítica à inércia alheia.
Também é comum parecermos arrogantes, como se nos considerássemos engajados e os demais fossem alienados.
Pelo menos para mim, Brecht parece dar o recado no tom certo, na medida exata, sem ser agressivo ou arrogante, como em
O Analfabeto Político - Bertold Brecht
O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão estúpido que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política nasce a prostituta,
o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo
Não fique aí parado?
Há um episódio que me marcou, talvez além de sua importância.
Na ocasião, havia um grande movimento por Liberdades Democráticas e, entre as bandeiras de luta, a Anistia.
Uma grande passeata tomou conta da Avenida Rio Branco, no Centro do Rio.
Dos edifícios comerciais, começou a cair papel picado, uma evidente manifestação de apoio.
Nas calçadas, muitas pessoas apenas observavam.
Uns aparentavam curiosidade, outros demonstravam simpatia, alguns pareciam amedrontados.
Repentinamente, um dos grupos manifestantes começou a gritar:
- Não fique aí parado, você é explorado!
Não gostei.
A mim, pareceu que o grupo manifestante foi agressivo.
Ninguém pode impelir outro a fazer algo que não queira.
Ninguém deve aderir a um movimento cultural, político, social, etc. sem ter consciência do que se trata.
Não interpretem como um apelo à inação.
Ao contrário, acredito na necessidade de participação, no engajamento político, mas não em atitude de bobo-alegre, maria-vai-com-as-outras.
Mais uma vez, valho-me de Brecht para tratar de indiferença geral.
Indiferença - Bertold Brecht
Primeiro vieram levar os judeus e eu não me incomodei, porque não era judeu.
Depois levaram os comunistas e eu também não me importei. Não era comunista. Levaram os liberais e também dei de ombros. Nunca fui liberal.
Em seguida os católicos, e eu era protestante.
Quando vieram me buscar não havia mais ninguém para protestar...
A guerra pelas mentes
Recebi um convite de Nora Borges para um evento ao qual não poderei comparecer.
Quando tiver oportunidade, certamente eu irei adquirir o livro, pois o tema é de meu interesse.
Atualmente estou muito preocupado com o papel dos meios de comunicação, os quais já se constituem, notadamente a televisão, em um poder paralelo e que, muitas vezes, se sobrepõe aos poderes constituídos.
IRAQUE - A GUERRA PELAS MENTES
Vou aproveitar esse espaço para convidar todos os meus amigos de Pernambuco para um programa que infelizmente eu não vou poder fazer.
Dia 29 de setembro, às 19:00 horas será o lançamento do livro IRAQUE - A Guerra Pelas Mentes**, de Paula Borges Fontenelle, na Livraria Cultura, em Recife*.
O assunto do livro é muitíssimo interessante, pois trata da atuação da mídia inglesa durante a Guerra do Iraque.
Paula estava em Londres de outubro de 2002 à outubro de 2003, fazendo um mestrado em Marketing Político, na Universidade de Greenwich.
O tema escolhido por ela para sua dissertação foi uma análise do conflito do ponto de vista da sua cobertura jornalística e para isso ela entrevistou correspondentes de importantes jornais ingleses, da BBC, ITV News e do Ministério de Defesa Britânico.
A manipulação da mídia durante a guerra, tanto de um lado quanto de outro é estarrecedora.
O resultado de seu trabalho ultrapassou o objetivo de uma dissertação de mestrado e transformou-se no livro que vocês poderão ver e ter seu exemplar dedicado pela própria autora.
Não deixem de ir. Eu já li um pouco do que ela me enviou, e fiquei grudada na tela do computador. A linguagem de Paula é clara e de fácil compreensão e o assunto é extremamente instigante.
Espero com ansiedade que ela me envie o livro de verdade, no papel, que é como eu gosto de ler.
Aí vocês me perguntam: "E por que esse comercial aqui no e-mail? "
Ah... porque o livro é MUITO BOM e a Paula é Borges Fontenelle! Claro!
Minha linda e inteligente prima jornalista!
Querem mais algum motivo?
...Para aprendermos a "filtrar" a informação que engolimos pelos jornais e televisões de todo o mundo.
* Para quem não está em Recife, aguarde novas informações sobre outros eventos.
** Editora Sapienza, São Paulo, SP
sapienza@sapienzaeditora.com.br
E as eleições?
Apenas com Getúlio Vargas o voto passou a ser secreto e universal, pois antes dele as mulheres brasileiras não votavam.
O processo eleitoral brasileiro tem uma longa tradição de fraudes e manipulações.
Havia até nomes para designar cada processo de fraude.
Voto de cabresto, urna grávida, etc.
Com a informatização, todos passaram a acreditar na lisura do pleito eleitoral.
Todos não, quase todos.
Entre os especialistas em segurança de dados, a maioria acredita na fraude eleitoral.
Há inúmeros indícios de fraude.
Há inúmeras falhas nas urnas eletrônicas.
A principal delas foi sacramentada de vez pelo atual Governo Federal, a impossibilidade de conferência do voto.
Alguém aceitaria ter conta em um banco se não pudesse consultar o próprio saldo?
Sem poder obter extrato bancário?
Então, por que devemos aceitar uma votação sem possibilidade de conferência?
Os votos não têm materialidade.
Após a eleição, tudo é apagado.
Nenhum especialista indicado por partidos políticos pode ter acesso ao código fonte dos programas.
Nos EUA, a Microsoft foi obrigada a revelar o código fonte do Windows, que é um produto comercial, o qual ninguém é obrigado a usar.
Sobre este assunto há um fórum, cujo endereço é: http://www.votoseguro.org
É possível a fraude?
Aliás, por ser possível haver fraude na urna eletrônica brasileira, ela foi rejeitada nos EUA.
Nas atuais circunstâncias, a fraude, para ser possível e eficaz, precisaria ser sustentada em um tripé: institutos de pesquisa de opinião, mídia e urna eletrônica.
Em seu estágio embrionário, a fraude eletrônica foi desmascarada no Rio de Janeiro.
Muita gente não lembra mais do escândalo da PROCONSULT.
Não é coincidência que os técnicos sejam os mesmos que programam a urna eletrônica.
Comete-se crime eleitoral impunemente.
As televisões fazem uma pesquisa de opinião e determinam quais serão os candidatos que serão tratados como tais.
Se as pesquisas não fossem manipuladas.
Se o critério de determinação da amostra fosse tecnicamente correto.
Se 200 pessoas fossem capazes de refletir a intenção de milhões.
Ainda assim, a pesquisa decisiva é realizada no momento em que ninguém ainda conhece os candidatos, ninguém definiu o voto.
No caso do Rio de Janeiro, a pesquisa foi realizada antes da definição das candidaturas.
Teve candidato que não foi incluído na pesquisa porque ainda não era oficialmente candidato.
Depois disto, todo dia, os jornais e, principalmente, as televisões apresentam apenas os cinco candidatos a prefeito escolhidos, quer dizer, eleitos pelos institutos de pesquisa.
Apenas os cinco candidatos têm espaço nos jornais e na televisão (exceto no Horário Eleitoral Gratuito, pouco visto), tanto para apresentarem as suas propostas para todos os temas, quanto para terem as suas atividades de campanha divulgadas.
Ao mesmo tempo, um processo de massificação de desmoralização da atividade política promove a desconfiança da população, levando ao menoscabo.
A televisão mostra um universo diferente daquele no qual vivemos.
Todo dia é uma boa notícia sobre o desempenho maravilhoso da economia brasileira.
Alguém já foi beneficiado pelo momento maravilhoso que atravessamos?
Não me refiro aos banqueiros nem àqueles que estão em cargos públicos.
E o povo?
Sem educação, saúde, moradia, transporte, condições mínimas de uma vida digna que povo nós somos?
Como é mesmo aquela frase de Brecht?
Algo como: "primeiro a barriga, depois a moral"; na qual ele afirma ser impossível a consciência política de um povo que não tem as mais elementares condições de vida.
Ao menos no Rio de Janeiro, o Tribunal Eleitoral proibiu inclusive o que é previsto e permitido na lei eleitoral, como o uso de galhardetes.
A Justiça Eleitoral orienta os eleitores a usarem cola (em Pernambuco dizíamos fila) e proíbe distribuição de mesma, caracterizando boca-de-urna.
Dizem que numa guerra, a primeira vítima é a verdade.
Nas atuais eleições brasileiras, a primeira vítima foi a Democracia.
Ah! Meu voto?
Claro que é secreto, mas posso revelar.
Quem quiser saber em quem votarei e porque o farei, basta clicar aqui.
Quem legenda?
Imagem de autoria desconhecida.

MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Outubro 01, 2004
Coment?rio e zombaria:
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Praia do Porto - Costa Dourada Litoral Sul de Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Praia de Calhetas Cabo de Santo Agostinho Ponto extremo de Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Chapada dos Guimar?es Mato Grosso Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Serra dos ?rg?os Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Campos do Jord?o S?o Paulo Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Provet? - Ilha Grande Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Candeias Jaboat?o dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Mercado S?o Jos? - Recife Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Piedade Jaboat?o dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Pouso Alegre Minas Gerais Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa P?o de A??car Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Cristo Redentor Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Nascente - P?o de A??car Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Poente - Floresta da Tijuca Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Maracan? Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Niter?i Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Quinta da Boa Vista Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Zona Norte Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Micos Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Igreja da Penha Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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