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wAgreste |
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Rabiscos e divagações
 Auto-retrato |
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Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos. Contato |
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“Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos” Vital Farias |
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Setembro 23, 2004 |
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Desde criança, em Pernambuco, ouvi dizer que:
Há quatro coisas no Mundo
que aperreiam um cristão:
uma casa gotejadeira, um menino chorão,
uma mulher depravada e um cavalo xotão.
Mas tudo na vida se ajeita
a casa se arretia, menino se acalenta
na mulher se mete a peia,
havendo necessidade, cavalo se negoceia.
Tirante estas quatro coisas, há algo mais complicado que mudança ou obra em casa?
Minha primeira mudança foi quando saí de Pesqueira.
Lá deixei meus poucos livros, afinal, aos quinze anos, ninguém tem uma vasta biblioteca.
De início, mamãe não permitia que ninguém mexesse em nada.
Talvez para manter a presença do filho ausente.
Aos poucos, fui passando um ou outro para os irmãos mais novos e outros, pouquíssimos, levei para o Recife.
No Recife fui um dos clientes fundadores da Livraria Livro 7.
Tarcísio Sete, o seu proprietário, gostava de dizer que a primeira livraria era tão pequena que as pessoas podiam comprar os livros, mas a dificuldade era pagá-los, pois não havia espaço para dobrar o braço e pegar a carteira no bolso.
Aos sábados, lá na Rua Sete de Setembro, nós nos reuníamos no corredor da galeria, pois não havia espaço dentro da livraria.
O pai de Tarcísio era dono de um bar à entrada da galeria e fornecia, gratuitamente, batida de caju e bate-bate.
Das onze às treze horas bebíamos e conversávamos sobre literatura.
Gostava muito de ouvir Amaro Quintas, a grande autoridade em Revolução Praieira.
Na Livro 7, adquiri muitos livros.
Algumas vezes, quando surgia um livro mais raro do meu agrado, Tarcísio me presenteava.
Eram livros sem preço, caso os cobrasse, eu não teria dinheiro para pagá-los.
Quando saí do Recife, deixei muitos livros.
Alguns amigos ficaram com eles e passaram a emprestá-los uns aos outros.
Os livros ganharam tanta utilidade que não consegui pensar em reavê-los.
Os amigos, sabendo do carinho que eu tinha por alguns deles, me ¿presentearam¿ com alguns, incluindo obras completas de Graciliano Ramos e de Gregório de Matos.
Quando saí do Rio para a África, perdi alguns livros especiais, como uma edição rara de Os Sertões. No caso, errei ao escolher com quem deixar.
Também deixei livros em Maputo.
Lamento não ter trazido os livros editados pelo INLD de Moçambique.
Nem sei porque trouxe o livro de poesias de Mia Couto, ninguém poderia imaginar que ele se tornaria um escritor importante.
E obras em casa?
Quem consegue rearrumar os livros?
Em casa, os livros estão todos em prateleiras, mas desorganizados.
Às vezes, vou direto pegar um livro sobre uma manifestação tradicional e quando o puxo: surpresa! Trata-se de um compêndio de Genética de Comportamento Humano.
Imagino que Sílvia pode tê-lo procurado inúmeras vezes.
Casa de ferreiro, espeto de pau.
Eu nunca me animo a arrumar os livros.
Atualmente há excelentes programas gratuitos que ajudam a organizar livros discos, manuais, revistas, etc.
Um bom exemplo é o
MiniBiblio.
Quem legenda?
Foto de autoria desconhecida.

MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Setembro 23, 2004
Comentário e zombaria:
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Setembro 17, 2004 |
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Linguajar
É turco ou turque?
A pronúncia sai meio enrolada, até parece com a forma popular de falar palavras estrangeiras.
Havia uma árvore destas atrás do campo dos muçambês.
Quando a pelada já havia começado, às vezes eu subia nela.
Eu e um bando de crianças nos pendurávamos até a nossa vez de adentrarmos o gramado.
Até parecíamos leopardos, todos esparramados.
Algumas árvores, basta balançá-las para os frutos maduros caírem.
Naquele caso, cairia criança para todo lado.
É uma árvore parecida com a algarobeira.
Não sei se é nativa ou de origem altaica, pois isto justificaria o nome.
Ela produzia umas vargens verdes, muito tenras, de sabor agridoce, mais para adocicado.
Já tentei descobrir, mas nunca soube o nome correto.
Eu o aprendi com analfabetos, camponeses ou operários simples.
Jamais vi o nome escrito.
No Brasil, falamos a mesma língua em todo o território nacional.
Não é como nas demais ex-colônias portuguesas.
Na Guiné Bissau, por exemplo, os pouco mais de um milhão de habitantes, além das oficiais Crioulo e Português, falam dezessete línguas nacionais, com destaque para Papel e Oyo.
Até as primeiras décadas do Século XX, mesmo em São Paulo, falava-se Guarani.
No Nordeste, havia línguas do tronco Macro-Gê, contudo, não há ligação do nosso Xucuru com qualquer outra língua.
Já em meados do século passado, a partir da Era Vargas, desencadeou-se um processo de modernização e de unificação nacional.
Desde então, quase todos falamos o português.
Restam alguns indígenas na Amazônia, infelizmente, coisa residual.
Mas não falamos exatamente o mesmo português.
Nem me refiro às gírias, circunstanciais, de alguns grupos.
Para os baianos, exclamação é ponto de admiração!
No próprio futebol, reconhecidamente o nosso esporte nacional, há diferenças.
Em Pernambuco, damos tacadas, enquanto os cariocas fazem embaixadinhas.
Banho-de-cuia é lençol.
Toque-de-arrodeio ou infantil, no Rio é drible-da-vaca.
A baliza chama-se trave, em Pernambuco, e gol no Rio.
Aliás, a emoção máxima do futebol pernambucano é alguém furar (e não fazer) um gol.
Antigamente, até a numeração das camisas era diferente.
Em Pernambuco, o meia-armador usava a camisa 10, enquanto no Rio, usava a 8.
Atualmente, a numeração já embolou e nem poderia ser diferente, pois há inúmeras variações táticas.
E como se comportam as torcidas nos diferentes estádios de futebol?
Calma, não vou me referir ao tratamento dispensado a Sua Senhoria, o juiz.
Por certo, é o único momento que torcidas rivais se irmanam, ao saudarem a entrada do trio de arbitragem.
Até no Serra Dourada vi jogo de futebol.
Torcedores, ah, os torcedores. Somos todos iguais.
Com pequenas variações comportamentais.
Por exemplo, qual a reação quando a bola trisca a trave?
Em comum a todos os estados, há um murmúrio uníssono.
No Pacaembu, em São Paulo, é: oooooooohhhh!
No Maracanã, no Rio, é: uuuuuuuuuuurrrr!
No Arrudão, ou seja, no campo da República Popular Independente do Arruda, no Recife, é: iiiiiiiiiiigggeeee!
Registro
Hoje, Agostinho Neto completaria 82 anos.
Exatamente há 110 anos foi inaugurada a Confeitaria Colombo, no Rio de Janeiro, citada em livros de inúmeros escritores brasileiros.
Quem legenda?
Foto de autoria ignorada.

MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Setembro 17, 2004
Comentário e zombaria:
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Setembro 15, 2004 |
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Santa Tereza - Parte I
Dos 159 bairros do Rio de Janeiro, Santa Tereza é o 38º em extensão territorial.
Com seus 515,71 hectares, pode ser considerado um bairro pequeno se comparado a Guaratiba com seus 13.950,12 ha, mas grande se comparado a Zumbi com seus 16,11 ha.
Está bem!
Sei que Zumbi não é considerado um bairro por muita gente.
Oficialmente é.
A Ilha do Governador mudou de status e foi desmembrada.
Deixou de ser bairro e passou a ser Região Administrativa da Ilha do Governador.
Congrega quinze bairros, nenhum deles se chama Ilha do Governador.
Santa Tereza é região administrativa com apenas um bairro: Santa Tereza.
Deixemos a polêmica, pois Santa Tereza pode ser comparada ao Catete com seus minguados 68,10 ha.
Quem tiver curiosidade, poderá consultar a tabela oficial.
Não é a extensão territorial que faz de Santa Tereza um bairro especial.
O nosso território representa apenas meio por cento da área da cidade.
Santa Tereza não tem indústria ou comércio relevante.
Tampouco Santa Tereza tem praias, rios, lagoas, restingas, mangues ou apicuns.
Contudo, quase a metade do seu território é natural.
Isto mesmo, 45,30% de Santa Tereza são áreas naturais, florestas.
Quando foi governador do Rio pela primeira vez, Brizola desenvolveu um intenso programa de recuperação ambiental.
Santa Tereza foi uma das inúmeras áreas beneficiadas.
Menos de dez anos depois, retornaram os tucanos, as maritacas, os gambás e os famosos sagüis que povoam o Bloggagens de Flora.
Atualmente temos mais de 1,5 milhão de metros quadrados de unidades de conservação: APA - Área de Proteção Ambiental; APARU - Área de Proteção Ambiental e Recuperação Urbana; e Parque.
Temos ares silvestres e recebemos a brisa marinha.
Para o padrão do Rio, faz frio em Santa Tereza.
Aliás, foi o clima o principal responsável pelo processo de ocupação.
No Século XIX, achava-se que o calor provocava a febre amarela.
Europeus, notadamente ingleses e suíços, radicados no Rio, passaram a habitar o bairro para fugirem da febre.
Mesmo o espaço urbano de Santa Tereza tem um terço de campo antrópico.
Sem contar que o nosso espaço estritamente urbano, pela especial característica arquitetônica e paisagística, pelo interesse cultural, contém muitas áreas classificadas como APAC - Área de Proteção do Ambiente Cultural.
Poderíamos ter mantido a denominação antiga que revelava a nossa topografia: Morro de Santa Tereza.
Muitos que foram a Olinda, mas não a conheceram, costumam dizer que Santa Tereza se parece com Olinda.
Esta afirmativa é equivalente à das pessoas que dizem serem todos os africanos ou todos os asiáticos parecidos entre si.
Há algumas características comuns, insuficientes para a afirmativa ser verdadeira.
Se assim fosse, poderíamos agrupar o Chiado, a Cidade Alta e parte da Mouraria para dizermos que esta área de Lisboa parece Olinda e Santa Tereza.
Ou mesmo Luanda e Maputo, mesmo sem terem morros têm, como Santa Tereza e Olinda, uma parte alta de frente para o mar, mais que isto, para uma baía, como Santa Tereza.
E Nápoles?
Podemos considerar que Santa Tereza parece com muitos lugares.
Nada disto.
Santa Tereza se parece com Santa Tereza.
Mesmo que teimem em compará-la a Monmatre.
E esta comparação merece uma abordagem própria em outro momento.
Pelos morros de Santa Tereza se espalham pouco mais de 14 mil domicílios, os quais abrigam pouco mais de 41 mil habitantes.
Por favor, não façam contas.
Elas não serão conclusivas.
Santa Tereza é um desafio aos estatísticos.
Mais que isto: é um lembrete àqueles que usam, inadvertidamente, indicadores sócio-econômicos como reveladores da verdade absoluta.
Temos domicílios com menos de 42 m2 que é o mínimo preconizado pela ONU.
E temos domicílio com mais de 100.000 m2.
Assim é nosso bairro.
As suas tortuosas e ladeirosas ruas deveriam ser iluminadas pelos 3.228 pontos de luz instalados, em sua maioria de vapor de sódio de alta pressão, embora restem algumas lâmpadas de vapor de mercúrio.
Deveriam, mas sabem como é... à noite muitos pontos de luz ficam apagados e, de dia, muitos outros ficam acesos.
Faz muita diferença?
Claro (sem trocadilho) que faz.
Os cariocas brincam com os moradores de Niterói e dizem que lá só há uma coisa muito melhor que no Rio: a vista.
Afinal de contas, de Niterói se vê a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Ninguém diz isto de Santa Tereza.
De dia ou de noite, é muito bom contemplar a cidade do alto, mas também tem o seu encanto apreciar o Morro de Santa Tereza a partir de outros bairros que a circundam: Castelo, Centro, Lapa, Glória, Catete, Flamengo, Laranjeiras, Cosme Velho, Rio Comprido, Catumbi, Fátima...
Curiosamente, Santa Tereza é um bairro central, mas isolado.
Não é bairro de passagem, como Botafogo e os citados acima.
Isto reduz, e muito, o trânsito em Santa Tereza.
Não temos engarrafamentos.
É bem verdade que o pessoal da Escola Suíço Brasileira bem que tenta.
Como, em geral, os alunos são das mais ricas entre as mais ricas famílias do Rio, os seus motoristas se consideram acima dos deveres comezinhos de todo e qualquer cidadão.
Costumam parar dos dois lados da rua, interditando-a completamente.
Eles quase que conseguem irritar os habitualmente tranqüilos moradores.
Estamos acostumados a vermos um ônibus parado sem qualquer motivo aparente.
Depois de ficarmos pacientemente atrás do ônibus, concluimos que o motorista aguardava algum passageiro habitual que se atrasara naquele dia.
Há curvas, para desespero dos estrangeiros, que os carros a fazem na contramão.
Há um conhecimento tácito de todos os códigos e ninguém estranha.
Não é o caso dos visitantes comuns.
O pessoal de Santa costuma brincar com os visitantes cariocas.
Dizemos que todos, ao visitarem Santa Tereza, se vestem de malucos.
Acham que é a indumentária adequada para o bairro, pois assim é que nos vêem.
Têm razão.
Em nossa quietude, no sovaco esquerdo do Cristo Redentor, somos românticos, descontraídos, displicentes, irreverentes e metidos a artistas ou intelectuais: um bando de malucos!
Quem legenda?
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Setembro 15, 2004
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Setembro 13, 2004 |
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Terrorismo
Eu conheci o Capitão Sérgio Macaco.
A serenidade do seu rosto não demonstrava a vida que teve.
Em plena Ditadura Militar, o Capitão Sérgio comandava um grupo de elite da Aeronáutica.
Era um grupo de resgate, muito bem treinado, reunindo os melhores pilotos de nossa Força Aérea.
Certo dia, ele recebeu uma ordem e não obedeceu.
Evidentemente foi punido.
Expulso das Forças Armadas.
Seus direitos civis foram cassados.
Lutou toda a vida pela reabilitação.
Nada conseguiu, até porque, uniu-se a Brizola e se candidatou a Deputado Federal pelo partido brizolista.
Ah, sim!
Qual a ordem recebida?
Bombardear o gasômetro no Rio de Janeiro.
Estima-se que um milhão de pessoas teriam morrido se ele cumprisse a ordem.
Uma ordem destas, por quê?
Seria a justificativa para uma caçada mais brutal aos comunistas.
Isto mesmo, já havia provas da culpa dos comunistas.
A chamada linha dura das Forças Armadas assumiria o comando das operações.
Jamais quem deu a ordem foi punido.
Certamente do mesmo grupo que ordenou o fechamento dos portões do Riocentro e a explosão de duas bombas durante um espetáculo musical.
Sérgio Macaco morreu sem a reabilitação.
O Comandante Daut (outra História a ser contada) até hoje também não foi reabilitado.
Nos EUA, a linha dura, que sustenta Bush, é chamada de Grupo dos Falcões.
Eles mudaram o Mundo desde o 11 de Setembro.
Certamente para pior.
Creio que vale a pena ler o artigo de Robert Fisk.
Ele é Correspondente em Bagdá, para os jornais The Independent, britânico, e La Jornada, mexicano.
Registro
Há vinte e cinco anos, faleceu Agostinho Neto.
Quem legenda?

MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Setembro 13, 2004
Comentário e zombaria:
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Setembro 03, 2004 |
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Nana e Sueli
Quase que eu comecei a tratar do assunto dizendo que foi uma noite comum, apesar da tietagem explícita.
Ainda bem que caiu a ficha.
Comum em quê?
Foi parecido como toda quinta-feira.
O mesmo agradável ambiente.
Dividi-me entre três mesas.
Na maioria do tempo, fiquei com Moacir Lopes e Eduarda Zandron, acompanhados de Gian Luigi de Rosa que traduziu e editou na Itália A ostra de o vento.
Deslocava-me algumas vezes para fazer companhia a Roberto Ananias.
Por vezes ficava com Dadá e Gute, filhos de Nilo, com os quais tramei a nova invasão do Simplesmente na próxima quarta-feira.
Nana cantou músicas do pai, Dorival Caymmi.
Cantou no palco, como se fosse um espetáculo comum.
Lá pras tantas, cometeu um errinho.
Pediu desculpas, mas disse:
- Esqueci que estamos apenas entre amigos.
Sueli Costa se apresentou depois.
Beijo partido, 20 anos blues...
Quem se habilita a comentar?
Eu não.
Fiz o que me cabia fazer: aplaudi e muito!
Nana voltou a cantar, desta vez mais descontraída, pois ficou na própria mesa, como na foto que tirei.
No momento da foto cantava uma das minhas músicas preferidas: Carinhoso, de Pixinguinha.
O que houve de comum?
O fato de ser uma noite tão especial quanto têm sido todas as quintas-feiras.
Um ponto de encontro com amigos fazendo música para os que, como eu, apenas a apreciam.
Ontem, por exemplo, eu perguntei:
- Gute, você não vai tocar bateria hoje?
- Com tanto mestre na área, acho melhor ficar quieto.
Robertinho Silva, um dos mestres presentes, deu um verdadeiro espetáculo, sendo ovacionado.
No mais, merece registro o nosso comportamento pouco educado.
Não esperamos os intervalos das apresentações para conversarmos.
Em Maputo, por exemplo, lembro que os garçons avisavam:
- Daqui a tantos minutos começará a apresentação, quer fazer algum pedido antes?
Durante as apresentações, nada era servido, ninguém conversava.
E ainda há quem fique surpreso e diga que a Namíbia é tão limpinha que nem parece África.
Indesculpável, até mesmo para quem vive de porre.
Entropia
Alguns amigos têm enviado mensagens por e-mail para reclamarem que não conseguem ler o Agreste.
Outros afirmam que conseguem ler, mas não conseguem comentar.
Comigo tem ocorrido o mesmo.
Algumas vezes não consigo acessar alguns blogues.
Noutras, eu até consigo acessá-los, mas não o sistema de comentários.
Há ainda os casos de abrir a caixinha de comentários, dizer alguma bobagem e desconseguir enviar.
É o caos que chega ao ciberespaço!
O desconseguir aí em cima deve ter assustado o diminuto e letrado público.
Mina equele - Eu durmo.
Mia ziaequele - Eu dormirei.
Mina ziaequelile - Eu acordei (acabei de dormir).
Provavelmente, deve estar tudo errado, pois sou ignorante em Ronga e jamais vi estas palavras escritas, apenas as ouvi.
Não é importante.
Quero apenas chamar a atenção para a estrutura complexa de algumas línguas africanas.
Os africanos têm declinação - e, por favor, não cometam a descortesia de me perguntarem em quais línguas e quantas declinações.
Usam regularmente prefixos e sufixos.
O Português falado por eles, não sendo a língua mãe, recebe a influência das línguas nativas.
Daí a maravilhosa expressão desconseguir, análoga a desfazer, descumprir, desobedecer...
Os Urbanitas
A amiga Rita Amaral informa que saiu o segundo número de Os Urbanitas, Revista Digital de Antropologia Urbana.
Organizado por Rita Amaral, o segundo número de Os Urbanitas traz catorze artigos sobre temas urbanos:
O espaço turístico em países emergentes: a morada desagregrada do homem
Alfredo Ascanio
Cidade e Internet: o estreitamento das dimensões on e off-line
Jonatas Dornelles
Práticas de educação intercultural e comunitária das religiões afro-brasileiras em Santa Catarina
Cristiana Tramonte
Festejando os Pretos Velhos: da senzala ao reinado, as estratégias da Umbanda no período autoritário em Santa Catarina
Cristiana Tramonte
A construção da identidade a partir da dança e da religião
Jurandir de Souza
Revisitando Baudelaire o pintor da vida pós-moderna e a ciberarte
Clarissa Fonseca de Castro
Olhar a diferença: percurso antropológico pelas imagens das margens sociais
Gisela Maria Gracias Ramos Rosa
O Discurso da Modernidade. A fundação de Belo Horizonte como marco enunciativo
José Márcio Barros
A Aurora Letras-Artes-Sciencias e as "Questões de seu Tempo"
Maria Alice Pohlmann e Teresa Peixoto Faria
A Cultura Material no processo educativo: museus, objectos e ofícios tradicionais na reconstrução de identidades e evocação de memórias
Sandra Nogueira
Juventude em família: rebeldia institucionalizada - Um ensaio sobre as relações familiares como produtoras de indivíduos "bem ajustados" socialmente.
Nívea Silveira Carpes
Selva tropical ou tropicalização da selva? Ensaio sobre a cidade de Manaus
Paulo Castro Seixas
Povo-de-Santo, Povo de Festa - a centralidade da festa de candomblé como potência estruturante da religião
Rita Amaral
Desejo amputado, desejo resistente: mulheres amputadas e a comunidade devotée
Alison Kafer
Tradução de Rita Amaral
Na rede:
http://www.osurbanitas.org/
Javali
Para finalizar a noite, o delicioso javali do Capela.
Nesta empreitada, Gláucio (Editora Quartet) me acompanhou.
O chope de lá não é ruim, é bom, bem tirado, bem gelado.
Mas ao lado fica o Alemão da Lapa, melhor chope do Rio.
Nem sempre é possível combinar a melhor comida com a melhor bebida.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Setembro 03, 2004
Comentário e zombaria:
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Praia do Porto - Costa Dourada Litoral Sul de Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Praia de Calhetas Cabo de Santo Agostinho Ponto extremo de Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Chapada dos Guimarães Mato Grosso Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Serra dos Órgãos Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Campos do Jordão São Paulo Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Provetá - Ilha Grande Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Candeias Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Mercado São José - Recife Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Piedade Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Pouso Alegre Minas Gerais Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Pão de Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Cristo Redentor Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Nascente - Pão de Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Poente - Floresta da Tijuca Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Maracanã Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Niterói Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Quinta da Boa Vista Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Zona Norte Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Micos Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Igreja da Penha Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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