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Auto-retrato
Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos.
Contato
“Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos”
Vital Farias


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wDivagações e citações - Terça-feira, Julho 27, 2004



Olga, o filme

Domingo, Antônio Werneck me telefonou.
Há um jornalista que também se chama Antônio Werneck, mas o meu amigo, médico, é Antônio Joaquim Werneck de Castro.
Isto mesmo, filho de Luís e Maria Werneck.
Antônio é um amigo muito importante.
Não por ter sido Secretário do Ministério da Saúde e manda-chuva na Secretaria Municipal de Saúde do Rio.
Cargos são transitórios.
Costumamos responder, quando alguém nos pergunta se somos determinada coisa: sou não, estou.
Em nossa língua temos esta grande diferenciação entre o efêmero estar e o permanente ser.
Antônio é um amigo muito importante.
Mesmo que passemos muito tempo sem nos vermos, nos momentos importantes, ele está presente.
- Manéo, tudo bem?
- Diga lá, Antônio! tudo bem?
- Escuta, terça-feira vai ser a pré-estréia de Olga, no Odeon, vamos lá?
- Claro! Vou apenas falar com Sílvia, mas não vejo problema.
- Eu comprarei os ingressos amanhã, ao invés de chegarmos às sete e meia, chegaremos às seis e meia e beberemos um chope antes.
- Tudo bem.
Depois de confirmar com Sílvia e falar com Flora, telefonei pedindo para ele comprar três ingressos, pois Flora se interessou em ir conosco.

Também fui amigo da mãe de Antônio, Maria Werneck.
Não a conheci através dele, mas por meio de Prestes.
Durante alguns anos, mantive amizade com ambos, sem qualquer conexão.
É claro que, eventualmente, até encontrava os dois juntos, mas eram círculos de amizade independentes.
Quando ela faleceu, sofremos juntos.
No Cemitério Fonte da Saudade, Antônio, seus dois irmãos e eu carregamos o corpo no trajeto entre o carrinho e a sepultura.
O velório e o enterro juntaram muita gente, pois ela era maravilhosa e muito querida.

Para que vocês avaliem a importância deste convite, basta um comentário.
Evidentemente não vimos o filme, contudo, por certo, um dos momentos marcantes deve ser a retirada de Olga da prisão para ser deportada.
As companheiras de prisão protestaram e escolheram uma delas para acompanhar Olga Benário: Maria Werneck.

Infelizmente, ontem, ele telefonou dizendo que, desde quinta-feira, os convites estavam distribuídos.

Prensa Latina

A agência de notícias cubana, Prensa Latina, criada por Ernesto Che Guevara, terá seu escritório aberto no Brasil, à Rua Regente Feijó, nº 49 - 2º andar - RJ, o qual oferecerá os serviços da agência - notícias e fotos - o que permitirá, aos órgãos de imprensa e demais interessados, o acesso a mais uma fonte de informação e análise geopolítica - com ênfase na América Latina e Caribe, além de Europa, EUA e África; com cadernos especiais de Cultura, Esporte, Ciência e Política.

Programação do ato de lançamento


ABI ¿ Associação Brasileira de Imprensa

17h30: Abertura da Exposição de fotografia da Prensa Latina
18h: Saudação das autoridades e entidades convidadas
19h: Assinatura do acordo entre a Cooperativa Inverta e a Agência Prensa
Latina
20h: Palestra do Embaixador, Carlos Trejo, Cônsul Geral de Cuba em São Paulo

Círculo Militar da Praia Vermelha

21h: Jantar de adesão com a presença do Cônsul Geral de Cuba.

Quem estiver interessado em adquirir convite (R$50,00) para o jantar, por favor, entre em contato comigo

Amigos abandonados

Estou em falta e sou réu confesso.
Por um motivo muito justo, aproveito a companhia de Sílvia, não consigo tempo para visitar, de forma decente, ou seja, para ler atentamente e comentar os blogues amigos.
Desculpem-me, infelizmente, na próxima semana, voltarei à rotina, pois Sílvia viajará outra vez.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Julho 27, 2004
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Sexta-feira, Julho 23, 2004



África em agrestia

Através de meu consultor especial para assuntos moçambicanos, Pinto Lobo, recebi para publicação em Agreste o conto de Mia Couto.


Pela gravata morre o tímido

De tanto esperar o amor, ele acabou por amar a espera. Era Horácio, de olhos inodoros, vida acanhada e sonhos aguados. Tímido e desencorporado, ele era um subexistente. Os outros arrumavam-se com as namoradas, exercendo-se. Horácio não, solteirava em estado de deserto sensual.
- Às vezes tenho-me pena - suspirava.
Os amigos escutavam-lhe a solidão, compaixonados. Havia que ajudar Horácio a sair de si, desentocar-se. Procuraram uma miúda que aceitasse dar despacho aos suspiros do solitário. Não existia nenhuma. Horácio, diziam elas, é caril sem tempero, carente de vivência. Os amigos não tinham coração a medir: continuaram, indagando toda a garotoria disponível. Nenhuma acolhia a ideia. Até que se lembraram de Marta, a gorducha do bairro. Ela aceitou.
Nessa mesma noite, iriam os dois ao baile no clube ferroviário. No fundo, também ela sofria de solidão. A alma dela corria o risco das ilhas distantes que, para serem vistas, carecem de muita viagem.
A gorda vestiu-se do melhor: foi ao fundo do armário e ajeitou os veludos sobre o imenso corpo. Eram tantas as carnes e tão sobradas do corpo que o vestido parecia curto, perigosamente ínfimo.
A menina carnosa olhou-se ao espelho e quase desistiu. A imagem dela excedia o reflexo. Quis ir à balança mas teve medo. Só uma perna chegaria para desmanchar o ponteiro. Sufocada em sua própria redondez, desatou a soluçar. E quando se esperava que gordas lágrimas escorressem, afinalmente, se viu descerem lagriminhas estreitas, em pranto quase do passarinho. Marta quis reagir mas aquela era uma tristeza talentosa: ela ficou, sentada no assento das horas.
No outro canto da cidade, Horácio tentava entender os abismos da vida. A ideia de ir ao baile lhe aterrorizava.
- Mas fazer o quê?
Os outros empurravam-no para fora do medo. Ora, você vai, estão lá as miúdas. O pobre Horácio estremecia só de pensar. As miúdas! Queria explicar os seus temores, dizer que tudo em si permanecia internamente. Era como um prisioneiro que, de tanto cativeiro, acabara receando a liberdade.
- Não sei mexer com miúdas.
Os outros riram-se e forçaram-no a que se vestisse. Horácio era só corpo, desprovido de vontade. Meteram-lhe uma gravata vermelha, ordenando que a usasse assim, sem casaco. Foram pondo ornamentos: óculos escuros, cinto prateado, gola alevantada. Explicaram-lhe alguns trejeitos, tiques e gestos próprios de quem quer acabar a noite em dupla horizontal.
Horácio enfrentou-se ao espelho, nem se reconheceu. Tossiu para ver se o espelho lhe devolvia a aflição. Os amigos ironizaram, divertidos com o novo Horácio, parecia um mascarado fora da época.
- São horas, Horácio. Agora, passa a buscar a Marta.
Ele ainda ensaiou barafrustrar. Quem sabe se ela não está disposta, não será que é demasiado cedo? Mas foi indo, os outros atrás, assegurando-se que o tipo não escapava no virar da esquina.
Foi subindo as escadas do prédio de Marta. Em cada andar se livrava de um enfeite. No primeiro, tirou os óculos. No segundo, retirou o cinto. No terceiro, ajeitou o cabelo e baixou a gola. Só depois de ter tocado a campainha deu da gravata, essa tira de mau gosto que lhe pesava toneladas. Mas não dava tempo de a tirar, já alguém abria a porta. Era Marta, espreitando uma entrefresta. Horácio, por aquela nesga, só vislumbrava uma fatia da gorda.
- Sou Horácio, venho buscá-la para a festa.
Marta respondeu que ainda não se aprontara. Pela abertura examinava o candidato, atento ao detalhe dele.
- Como disse que se chama?
- Sou o Horácio.
- Tem uma gravata muita bonita, Horácio.
Ele entrou e esperou na sala enquanto ela, no quarto, terminava a enfeitação. Esperou, esperou, esperou. Foi nesse enquanto que começou de escutar um soluço: no compartimento ao lado, alguém chorava. Era um pranto que vinha das profunduras, uma tristeza que atravessava galerias até desabrochar em lágrimas. Horácio empurrou ao de leve a porta do quarto e chamou:
- Marta!
Do outro lado, o silêncio. Ele insistiu e foi entrando mais um pouco. Foi então que uma mãozinha gorda lhe agarrou na gravata e, de um puxão vigoroso, o atirou para cima da cama. Horácio não viu nem ouviu: apenas sentiu um planeta deitando-se sobre o seu corpo desprevenido.
Quem visita o casal, hoje, nota na parede da sala o mais estranho quadro: enquadrada em moldura dourada, uma gravata vermelha. E ainda agora, tantos anos passados, nos dias de humidade, Horácio se queixa de dores no pescoço, resultado da sua primeira aterrisagem, torcicolado, nos domínios amorosos.


Encontro de bloguistas

A realidade não se descreve, interpreta-se.
Alguém muito famoso, que não me lembro, disse a frase acima.
Talvez tenha sido Santiago Alvarez, fabuloso cineasta cubano, mas dito numa conversa, jamais por escrito.
Está dado o crédito para a frase, com a qual concordo plenamente.

Cada um viu o nosso encontro de uma forma, cada um percebeu as conversas à maneira própria, apenas interpretei o encontro, não o descrevi.
Todos os demais têm as suas interpretações.
Gostaria de repetí-lo, de forma ampliada, com mais gente sendo responsável pela organização.
Nei Leandro de Castro não foi porque se submeteu a uma cirurgia e deve ficar dez dias sem sair de casa.
Noutra ocasião, certamente estará conosco.

Caso o Quinteto Violado venha ao Rio, tentarei reunir o pessoal com o Quinteto como costumo fazer.
De qualquer forma, poderíamos pensar em organizarmos uma reunião em setembro.
Pensei em coisas alternativas, por exemplo, vermos o filme a Ostra e o Vento e conversarmos com Moacir Lopes, autor do romance que originou o filme, o qual esteve presente no nosso encontro.
Ou pedir para Nei Leandro falar como está a filmagem do seu romance, a cargo de Bruno Barreto.
Cada encontro poderia ter um evento central, nada acadêmico ou chato, apenas como impulsionador das conversas, preferencialmente dirigidos para cultura em geral e literatura em especial.

Os comentários foram muito gentis e afetuosos, contudo, um causou mossa.

O bolo-de-rolo é muito importante para nós, pernambucanos.
Quando Allan disse que o conhecia como rocambole, fiquei com uma dúvida: ele não conhece pernambucanos e seus costumes ou os conhece bem demais?
Se há uma coisa que irrita profundamente um pernambucano é alguém dizer que bolo-de-rolo é o mesmo que rocambole.
Se Allan conhece os pernambucanos fez uma provocação digna de um, pois nós, pernambucanos, costumamos ser provocadores e irônicos, não valemos o que o gato enterra.

A diferença fundamental está na massa.
Quando sugeri que ela fosse espalhada na forma com um pincel, certamente as pessoas tiveram idéia de quão fina deve ser a massa.
Tão fina quanto a camada de recheio.
No rocambole, a massa grossa e fofa parece até pão-de-ló.
A massa do bolo-de-rolo, mesmo tendo ido ao forno, parece cozida e não assada.

Mal comparando, é o mesmo que dizer que pão-de-queijo e tapioca são a mesma coisa porque ambos são feitos de mandioca.
Aliás, a comparação entre rocambole e bolo-de-rolo é diferente, pois tapioca e pão-de-queijo são gostosos, mas rocambole não é.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Julho 23, 2004
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Julho 19, 2004



Bolo-de-rolo

Sílvia Chueire, na foto ao lado de Moacir Lopes, de eugeniainthemeadow perguntou como se faz bolo-de-rolo.
Não é complicado, basta fazer três coisas: a massa, o recheio e o bolo propriamente dito.
Primeiro, prepara-se o recheio.
Há quem use doce de leite com ou sem ameixa, mas o tradicional é o recheio de goiaba.
Para quem sabe fazer goiaba em calda, da própria fruta, é o ideal.
Com as cascas e as sementes - com polpa - é possível fazer um creme delicioso.
Quem não sabe... dá-se um jeito.
A partir de uma goiabada (Tigre, Rosa, Gaibu, Recreio ou Peixe, todas de Pesqueira, a Terra da Goiaba), também dá para fazer.
Uma lata de goiabada cortada em cubos ou fatias, batida numa batedeira com meio copo d'água, até ficar cremosa.
Depois, cozinhar até ferver.
Uma boa alternativa é acrescentar um cálice de vinho do Porto, um toque especial.
Deixar esfriar enquanto se prepara a massa.

Para a massa, os ingredientes são: 250 g de açúcar, 250 g de manteiga, 250 g de farinha de trigo e 5 ovos.
Bate-se a manteiga e o açúcar; quando estiver bem batido, acrescente-se, um a um, os cinco ovos; ainda batendo, acrescenta-se a farinha de trigo.
Unta-se uma forma de alumínio com manteiga, pulveriza-se farinha de trigo.
Espalha-se a massa muito fina. Um macete é espalhá-la com um pincel.
Como a massa é muito fina, rapidamente fica pronta, no máximo em três minutos.
Quase esqueci de dizer, embora seja óbvio para boleiros, o forno deve ser preaquecido.

A preparação do bolo deve ser enquanto a massa ainda está quente, senão ela se quebrará ao enrolar.
Espalha-se açúcar em uma toalha ou pano de prato sobre uma pedra ou mesa.
Vira-se o bolo sobre o açúcar.
Espalha-se o creme de goiaba.
Enrola-se por igual.
Recomenda-se esperar esfriar para comer à vontade.

Pois é, foi assim o nosso encontro: uma troca de receitas, algumas piadas.

Sílvia Chueire foi a Paraty no fim de semana anterior, onde participou da FLIP.
Ela gostou muito e elogiou bastante o encontro, não pela presença de escritores, mas pela própria participação do público.
Claro que ela não tem noção dos bastidores da organização, mas vale a pena ler o artigo de Sebastião Nery.

Moacy Cirne, de balaio vermelho e Nel Meirelles, de Fala Poética, , chegaram antes dos demais.
Ambos sem poderem beber álcool, tomaram um porre de chá.
Muito falaram sobre o nosso universo bloguístico, as coisas do Nordeste, cultura em geral e revelaram-se ótimos contadores de piadas.
Contudo, o senso de humor se revelou nas situações de improviso.
Nel, ao contar casos da infância, imediatamente foi acusado de crime ambiental.
Incontinênti, conseguiu escapar da prisão em flagrante, ante a Analista Ambiental, a minha Sílvia.
Para alguma coisa serve a agilidade mental de um repentista.
Moacy revelou uma prodigiosa memória.
Se dado a exibicionismos, certamente diria a escalação do jogo em que o Santa Cruz derrotou o Íbis por 15 X 2 em 1969.
Não a escalação do Santa Cruz, esta até eu sei, mas a do Íbis.
Os oito gols de Fernando Santana, creio que ele registrou.
Apenas é conhecido como especialista em cinema e estórias em quadrinhos, mas sabe tudo de futebol.

Nana, de Coisas de Nana, e Cosme, de Epistase, conseguiram conversar um pouco com Flora e Moacir Lopes.
Até as brigas entre eles são engraçadas.
Não passam de brincadeiras sobre o jeito de falar, os regionalismos.
Um paulista e uma carioca.
Ambos já viajaram bastante pelo Brasil.
Cada um já morou em outros estados.
Agora estão a decidir: ela irá a São Paulo ou ele virá para o Rio?
Na próxima semana, ela irá à paulicéia conhecer a família dele.
Estou confiante no futuro do casal.

Restamos eu, Sílvia e Flora.
Apenas nove participantes.
A minha estimativa era do triplo de pessoas, numa disposição que facilitaria todos conversarem entre si.
Para quem estava no Rio, nem é necessário explicar o porquê.
Choveu muito, torrencialmente.
Se eu tivesse como telefonar para todos, tentaria cancelar o encontro.
Logo de manhã, o dono do restaurante telefonou para minha casa.
Explicou que nem pensar em manter o local que nós reservamos.
Seria em um ambiente aberto, a melhor vista do restaurante.
Perguntou se eu queria cancelar.
Informei que não podia, pois não conseguiria avisar a todos.
Ficaríamos no bistrô, melhor alternativa, nas circunstâncias.
Não é a mesma coisa, pois se trata de um local fechado.
Em um dia sombrio.
A conversa amiga é que ajudou a aquecer um pouco o ambiente.
Podemos pensar em outro encontro, mas deixemos passar o inverno.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Julho 19, 2004
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Julho 16, 2004



Dignidade

Há pessoas que são, acima de qualquer outra coisa, pessoas dignas.
Uma vez eu fui caluniado.
Na época, infelizmente, era muito comum algum mau-caráter inventar que um desafeto era agente da CIA.
Isto liqüidava reputações.
Quem me caluniou foi estúpido.
Inventou que eu fui expulso de Moçambique.
Embora o ônus da prova caiba a quem acusa, neste caso foi fácil as pessoas perceberem que se tratava de uma grossa mentira.
O mais complicado é que eu não sabia que estava sendo caluniado.
Pois é, além de tudo, sem direito à defesa.

Eu só soube depois de tudo resolvido.
Resolvido como?
Nilo Baptista soube do boato.
Identificou o velhaco que o criou e o espalhou.
Conseguiu obrigá-lo a dizer, em público, que inventara tudo por estar com raiva de mim.
O que moveu Nilo Baptista a fazer isto?
Certamente o seu profundo sentimento de justiça.

Ganhou um grande e leal amigo.
Faz cerca de vinte anos.
Desde então, só tenho motivos para considerar Nilo Baptista uma pessoa digna, acima de tudo.
Não é por acaso que ele tem tantos amigos.
Ontem mesmo fomos à inauguração de um bar.
Não é exatamente um bar.
Trata-se de um ponto de encontro em um bar já existente.

Todo mundo sabe que Nilo é um grande advogado.
Foi Governador do Rio de Janeiro, Presidente da OAB.
Pouca gente sabe é que ele toca piano e que compôs músicas para os filhos.
Chegou a tê-las gravadas, mas impediu a reprodução em CD.
Entretanto, ele se reúne habitualmente com amigos para beber um pouco e desfrutar de boa música.
Este encontro foi institucionalizado ontem.
Deverá se repetir toda quinta-feira das 18 às 20 horas.
O nome é Nilo Bartista, fica no Casarão Cultural da Lapa à Av. Mem de Sá, 23.
Ontem, Nilo tocou três músicas.
Seu filho, Carlos Bruce o acompanhou à bateria.
Verinha, grande e simpática amiga, a fazer as honras da casa.

Danilo Caymmi foi o destaque da noite.
Cantou umas dez músicas, composições próprias e do pai.

Eu estava com Sílvia, Moacir Lopes, Eduarda Zandron e encontramos muitos amigos.
Foi uma noite muito agradável, sobretudo por ver quantos amigos Nilo Baptista, um homem digno, é capaz de reunir.

A propósito da dignidade humana, creio que é oportuna a leitura da crônica Até onde pode chegar a nobreza humana de Rubens Nunes de Andrade.

Encontro

Confirmadíssimo.
Amanhã às 16 horas.
Círculo Militar da Praia Vermelha.
Praça General Tibúrcio S/N - Urca.
Ao lado do IME - Instituto Militar de Engenharia, o qual fica ao lado do Bondinho do Pão de Açúcar.
Na verdade, fica ao fundo da praça, indo pela calçada da praia, não há como errar.
Qualquer leitor de Agreste pode comparecer e será bem-vindo.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Julho 16, 2004
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Julho 14, 2004



Centenário de Neruda

Quem Morre

Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê, quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu
amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma
em escravo do hábito, repetindo todos
os dias os mesmos trajetos, quem não
muda de marca, não se arrisca a vestir
uma nova cor ou não conversa com
quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma
paixão, quem prefere o negro sobre o
branco e os pontos sobre os "is" em
detrimento de um redemoinho de
emoções, justamente as que resgatam
o brilho dos olhos , sorrisos dos
bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa
quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto
para ir atrás de um sonho, quem não
se permite pelo menos uma vez na vida
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem passa os
dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona
um projeto antes de iniciá-lo, não
pergunta sobre um assunto que
desconhece ou não responde
quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige
um esforço muito maior que o simples
fato de respirar.
"Somente a perseverança fará com que
conquistemos um estágio esplêndido de
felicidade".

Pablo Neruda


Encontro no próximo sábado

Todas as providências já foram tomadas.
Com sol ou chuva, com ou sem vento.
Temos diversas opções no mesmo local.

Círculo Militar da Praia Vermelha
Praça General Tibúrcio S/N - Urca
Ao lado do IME - Instituto Militar de Engenharia, o qual fica ao lado o bondinho do Pão de Açúcar.
Início às 16 horas.
Dia 17 de julho.

Gostaria que todos enviassem mensagem por e-mail confirmando presença.
Pretendo enviar, ainda hoje, a relação dos inscritos para os que confirmarem a presença.

Cinema em Santa Tereza

A pedido de Alvanísio, com muito atraso, divulgo o texto que ele enviou.


O romancista Moacir C. Lopes participa das atividades do primeiro aniversário do Cinesanta - Cinema em Santa Teresa - com palestra sobre o romance A ostra e o vento, que deu origem ao filme homônimo de Walter Lima, Jr. A palestra será no Restaurante Sobrenatural (Rua Almirante Alexandrino, 432, Santa Teresa, próximo ao Largo do Guimarães), dia 14/07, quarta-feira, às 20h. Na ocasião será exibido o filme A ostra e o vento, de Lima, Jr., e Moacir autografa seus livros. Enquanto não dispõe de sede própria, o Cinesanta promove exibições na igreja anglicana, que fica na Rua Paschoal Carlos Magno. No mês do aniversário, além da igreja, os restaurantes Sobrenatural, Sansushi e Mike's Haus e os Bares do Mineiro, Simplesmente e do Marcô, todos em Santa Teresa, também viram salas de exibição. Especializado em frutos do mar, o Sobrenatural foi o escolhido para a exibição de filmes relacionados ao mar, como A ostra e o vento. Ex-marinheiro, Moacir C. Lopes é um autor cuja obra tem como tema central o mar e os que a ele devem sua existência. Para mais informações sobre Moacir C. Lopes e sua obra, por favor contate Alvanísio Damasceno, Quartet Editora, tel.: 2516-5353 ou 2233-6845 (fax). Para a programação completa do mês de aniversário do Cinesanta, por favor visite: www.cinesanta.com.br Agradecemos antecipadamente a possível divulgação de nosso evento.

MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Julho 14, 2004
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Sexta-feira, Julho 09, 2004



Potiguaras

Há quem diga que potiguar significa comedor de camarão.
Mais ainda, dizem ser uma palavra tupi.
Aí começa a polêmica.
Há quem diga que tupi é uma língua criada pelos jesuítas, uma língua de laboratório como o africâner.
A diferença é que o tupi reuniu termos de diversas línguas brasileiras, partindo dos cinco troncos lingüísticos principais, enquanto o africâner partiu do holandês.
Se fosse para aumentar a polêmica, poderíamos discutir bantu, bantuísmo, mas este é outro assunto a ser abordado noutra ocasião.

Não é por acaso que o índio Potí, integrante do panteão de heróis da Insurreição Pernambucana (ver De mazombo a brasileiro), foi rebatizado como Felipe Camarão.

Muitos caminhos levam ao Rio Grande do Norte.
Mais de uma vez estive, fisicamente, lá.
Pouco conheço.
Não tenho certeza, mas creio que um dos primeiros caminhos que me levaram ao Rio Grande do Norte foi Câmara Cascudo.
Mais polêmica, eu sei.
A esquerda potiguar ainda tem alguma dificuldade, um certo travo, ao abordar Câmara Cascudo.
Algo como o que ocorre com a esquerda brasileira em relação ao pernambucano Gilberto Freyre.
A partir do reconhecimento, pela esquerda nacional, do valor da obra de Câmara Cascudo é que a esquerda potiguar tem, aos poucos, se rendido a este expoente da cultura local.
Com o autor de Casa Grande e Senzala foi o oposto.
A esquerda pernambucana é que amenizou a resistência da esquerda nacional à obra dele.

Estes desvios todos dão a idéia de como são tortuosos os caminhos que nos levam ao Rio Grande do Norte.
Muitos conhecem o estado a partir de atividades anteriormente famosas no Ceará, como os esportes nas dunas praianas.
Até o título de maior cajueiro do Mundo não mais pertence ao Ceará.
Mais polêmicas e brigas regionais.
O certo é que muito antes de Chico César cantar as coisas de lá eu fui apresentado a aspectos importantes da cultura norte-rio-grandense.

Anísio Teixeira, pedagogo baiano, inspirou o mineiro Darcy Ribeiro que, por sua vez, deu forma, no Rio de Janeiro, a uma política do gaúcho Leonel Brizola e desenvolveu o melhor, maior, mais amplo, mais democrático programa educacional brasileiro, o CIEP - Centro Integrado de Educação Pública, apelidado carinhosamente pelo povo do Rio de Brizolão.
Poucos sabem que, em meados do século passado, o Nordeste foi palco de uma rica experiência pedagógica, sendo o MEB - Movimento de Educação de Base um dos aspectos mais visíveis.
Dois pernambucanos ficaram famosos e tomaram rumos diferentes a partir de excelentes trabalhos realizados: Paulo Freire e Lauro de Oliveira Lima.
Pouca gente conheceu o trabalho maravilhoso de um potiguar: Moacir Góes.
A sua filha, grande amiga, Clara Góes foi minha guia em mais um caminho para o Rio Grande do Norte.
Mostrou-me o filme De pé no chão também se aprende a ler.
Na verdade, um documentário realizado por uma televisão alemã, em 1961.
Abordava o trabalho de Moacir Góes.
Com Clara aprendi outras coisas sobre o seu estado natal.

Os norte-rio-grandenses têm orgulho da carne-de-sol por eles produzida.
É outra polêmica sem fim.
Os recifenses se orgulham de comerem a melhor carne-de-sol, independente da procedência.
Não se discute se Picuí ou Seridó é o melhor certificado de origem.
Aliás, é muita esperteza dos recifenses estimularem a competição entre os fornecedores.
É como se os parisienses dissessem aos diversos produtores de vinho ou queijo que eles, parisienses, querem decidir qual a melhor região produtora.
No Recife não há unanimidade, mas ninguém se importa.
A minha carne-de-sol preferida era a servida no Gregório.
Para se ter uma idéia, eu a considerava mais gostosa que a do Restaurante Leite, à Praça Joaquim Nabuco; a feijoada, inferior à carne-de-sol, era melhor que a de Jaime do Pina a do Bar do Luna no IPSEP, a do Bar de Mira em Casa Amarela, a do Buraco de Otília à Rua da Aurora.
Pense!
O tradicional restaurante do Pátio de São Pedro marcou a História do Recife.
O hábito de expor amarrados em cordas os folhetins junto à entrada do restaurante deu origem ao nome do que seria um gênero literário: literatura de cordel.
Acabou.
Era localizado embaixo do atual Museu do Frevo.

Uma vez, no Recife, eu disse a um grupo de amigos que comera uma carne-de-sol maravilhosa em Aracaju.
Foi um reboliço.
Cada um argumentava que não podia se comparar a tal e qual.
Resultado: usei o feitiço contra o feiticeiro.
Garanti, durante toda a minha estada no Recife, a programação de visita comparativa aos inúmeros restaurantes especializados, incluindo os tradicionais, como Expedito e Edmilson.

Quantas voltas gostosas conduzem ao Rio Grande do Norte.
Outros caminhos foram mostrados por Eliane Potiguar, a então companheira do amigo Taiguara, estes ligados ao universo indígena.
Ela me apresentou a Marcos Terena e a outros líderes indígenas.
Entretanto, com ela muito aprendi sobre o povo potiguar, não mais sobre todo rio-grandense-do-norte, mas especificamente sobre o povo indígena potiguar.

Outra vez tenho o prazer imenso de estar cercado por gente potiguar.
São pessoas que mantêm costumes indígenas de oferecer presentes aos novos amigos.
Moacy Cirne, do balaio vermelho, me presenteou com três livros seus: Cinema, cinema - Os filmes dos meus sonhos; Continua na próxima - Poesia; e Poética das águas.
Nei Leandro de Castro me deu um exemplar de Preá, excelente revista cultural.
Por muitos considerado, entre os vivos, o maior escritor potiguar, Nei publica uma coluna semanal na Tribuna do Norte, às sextas-feiras, e, brevemente, terá filmado um dos seus romances por Bruno Barreto.
Atendendo a um pedido meu, gentilmente cedeu para publicação em Agreste um poema para Neruda .
Bené Chaves superou a gentileza potiguar.
Presenteou-me com bêbado bordel para ser publicado em Agreste.

Quanta coisa a descobrir sobre uma terra em que o mar virou sertão.
Conduzido pelo povo potiguar, sigo encantado*.

* encantado - tomado por espíritos ancestrais.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Julho 09, 2004
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Segunda-feira, Julho 05, 2004


Não basta que seja pura e justa
a nossa causa
é necessário que a pureza e a
justiça existam dentro de nós



Mais que um verso, um lema de vida.
Todos que conviveram com Agostinho Neto testemunham a grandeza em forma de humildade, simplicidade, decência, coerência, abnegação, inquebrantável espírito de luta.
Uma das maiores figuras de todo o Século XX, cedo demais deixou o seu povo.
Aos cinqüenta e sete anos, vitimado por um câncer, faleceu em Moscou.
Médico, poeta, mas sobretudo um grande líder, um grande dirigente político.
Enfrentou as prisões da PIDE em Angola e em Portugal.
Jamais traiu o seu povo, convertendo-se em Pai da Pátria angolana.

O primeiro poema é de cerca de dois anos antes da Independência, o segundo, feito após a tentativa de golpe de estado por parte de Nito Alves e seus seguidores.


Velho negro

Vendido
e transportado nas galeras
vergastado pelos homens
linchado nas grandes cidades
esbulhado até o último tostão
humilhado até ao pó
sempre sempre vencido

E forçado a obedecer
a Deus e aos homens
perdeu-se

Perdeu a pátria
e a noção de ser

Reduzido a farrapo
macaquearam seus gestos e sua alma
diferente

Velho farrapo
negro
perdido no tempo
e dividido no espaço!

Ao passar de tanga
com o espírito bem escondido
no silêncio das frases côncavas
murmuram eles:
      Pobre negro!
E os poetas dizem que são seus irmãos.

Do povo buscamos a força

Não basta que seja pura e justa
a nossa causa
é necessário que a pureza e a
justiça existam dentro de nós
Dos que vieram
e conosco se aliaram
muitos traziam sonhos no olhar
intenções estranhas
Para alguns deles a razão da luta
era só ódio. Um ódio antigo
centrado e surdo como uma lança
Para alguns outros era uma bolsa
bolsa vazia (queriam enchê-la) queriam
enchê-la com coisas sujas, inconfessáveis
Outros vieram
Lutar para nós é ver aquilo que o povo
quer realizado
é ter a terra onde nascemos
é ter para nós o que criamos
Lutar para nós é um destino
ponte entre a descrença e a certeza do
Mundo novo
Na mesma barca nos encontramos
Todos concordam - Vamos lutar!
Lutar para que?
Para dar vazão ao ódio antigo?
Ou para ganharmos a liberdade e ter para nós
o que criamos?
Na mesma barca nos encontramos
Quem há de ser o Timoneiro?
Ah, as tramas que eles teceram
Ah, as lutas que aí travamos
Mantivemo-nos firmes; no Povo buscamos a força e a razão.
Inexoravelmente como uma onda que ninguém trava venceremos
O povo tomou a direção da barca
mas a lição lá está, foi aprendida:
Não basta que seja pura e justa a nossa causa
é necessário que a pureza e a justiça existam dentro de nós.


Nosso encontro

Por dois motivos proponho o adiamento do nosso encontro para o dia 17 às 16 horas.
O primeiro motivo já seria bastante, creio que todos avaliam a importância: Sílvia, minha mulher, virá do Mato Grosso no dia 15 e achamos muito importante a participação dela.
O segundo motivo, de menor monta, é que, por minha culpa, talvez devido ao meu sumiço de uma semana, estamos muito desorganizados.
Ainda não consegui fazer uma relação de todos os interessados e não tenho certeza da preferência de local.
Alguns não opinaram sobre o local, aparentemente sendo indiferente.
Dos que se manifestaram, a maioria opinou pelo Círculo Militar da Praia Vermelha.
Gostaria que os interessados enviassem mensagem por e-mail, com nome, endereço do blogue e preferência de local.
Uma curiosidade, ninguém é obrigado a informar a idade, mas já sabemos que há inscritos entre 14 e 87 anos de idade.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Julho 05, 2004
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Quinta-feira, Julho 01, 2004



Agreste deixou de ser apenas uma forma de manter a relação diletante com a escrita.
Tornou-se uma pequena rede de relacionamento.
Em seis meses, novos amigos surgiram de diversas partes do Mundo.
Muitos deles, com freqüência, deixam os seus comentários.
Outros enviam mensagens por e-mail sem jamais deixarem comentários.
Há até quem faça as duas coisas.

Já não é de hoje que Agreste tem um serviço publicitário.
Ao preço de um "valeu!", um "grato!, sem nem mesmo o tapinha nas costas de bonificação.
Dizem que mineiro trabalha em silêncio, mas Marcos Jansen faz um barulho desgraçado.
Ele é o propagandista mor do Agreste.
Antes de assumir o "cargo", viveu em Angola, Portugal, Rio de Janeiro e voltou às origens, alterosas origens.

Vejam dois exemplos de divulgação, um através de mensagem geral e outro através de mensagem individual.

Meus caros,
Visitem o blogue abaixo. É muito interessante e rico. Conheço os ideais de seu idealizador. Veja um interessante comentário sobre o Brizola, entre outros.
Um abraço,
Jansen
http://www.agrestino.blogger.com.br/

Visite este blogue do meu amigo virtual. Gosto muito de suas idéias. Além disto, escreve muito bem. Você vai gostar.
Beijos,
Marcos


Um exemplo de resposta: Eduarda de Portugal.

Por que será que nos blogues prevalece uma alta qualidade de escrita?
E este confirma plenamente a quase-regra...
Gostei do que já vi/espreitei - fica para próximas núpcias o resto, pois amanhã levanto-me a horas indecentes.

E os americanos a devolverem o poder aos iraquianos dois dias mais cedo... quem não os conhecer que os coma, os lindos meninos...


Com outras pessoas, aprendo sobre a realidade dos lugares em que vivem, mantenho um certo nível de informação.

Um bom exemplo é a mensagem da portuguesa Fátima.
Perguntei alguma coisa sobre o processo de inserção de Portugal na União Européia.
Além disto, fiz algumas observações sobre o Programa URBAL - leia mais.
Ela faz parte dos elos agrestinos em branco e preto, a mensagem na íntegra está aqui.

Também interessante foi esta mensagem vinda d'África, enviada pela amiga Ximinha, a propósito de um artigo da jornalista são-tomense São de Deus Lima.

Caríssimo Carlos Pinheiro,

Aqui tudo bem e espero que por aí também vá bem contigo e com todas as tuas "meninas", em especial a mais nova, que é o querubim da família.

Tens toda a razão no que toca ao glossário. Fiquei com tanta preguiça de o fazer que nem imaginas! Mas sabia que grande parte das coisas não fariam
sentido sem esse particular. Prometo corrigir a minha falha.

Quanto ao artigo, penso que o objectivo dela era sobretudo falar sobre a questão da xenofobia e do "medo" do estrangeiro africano que assola o país e
esta nossa África em geral. Mesmo eu tenho muita coisa a contestar nele e com o qual estou em total desacordo. Nota-se um certo "atabalhoamento" na
apreciação das questões e muita mistura de assuntos sem grande conexão.

Contudo, o meu objectivo principal em enviar, foi o sobretudo para que visses essa questão da xenofobia que infelizmente tem estado a se espalhar por essa
África fora e, por outro lado, ela foca também, e muito bem, a questão da corrupção e o "clientelismo" que por lá grassa.

Era para veres que aquilo que eu costumo contar sobre Moçambique, não é apanágio só deste país, mas de todos os "cinco" (talvez menos em Cabo
Verde), falantes de português.
Todos os problemas que vocês têm aí e contra os quais já levam um longo curriculum de luta, "caíram" sobre nós como uma praga, e com a agravante,
penso eu, que dentro da nossa estrutura social não existe nenhum sector preparado para o combater. Isso felizmente vocês têm e com muito valor e
brio.


Há muitas outras mensagens interessantes que ao longo do tempo tentarei postar por aqui, mas algumas exigiriam permissão dos respectivos autores.

Ainda graças a Agreste, pude acompanhar o início do romance entre Nana e Cosmos que agora são Lampião e Maria Bonita. Foi um processo comovente. Eles estão bem e certamente ficarão cada vez mais afinados.

Esta foi uma semana bem difícil, daí não ter atualizado Agreste e já ter recebido, principalmente por e-mail, reclamações e até manifestações de inquietude e preocupação. Calma, não foi qualquer problema pessoal ou familiar, apenas excesso de atividades não rotineiras que invadiram até o meu fim de semana.

Recebi dois pacotes com presentes maravilhosos.
Um dos pacotes, com três CD sobre os quais comentarei em outra oportunidade, apenas adianto que um é de Dulce Pontes, um da fadista Mariza e um de Nancy Vieira de Cabo Verde.
Noutro pacote uma fita de vídeo com imagens do velório e enterro de Brizola.

Precisamos retomar a organização de nosso encontro do próximo dia 10.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Julho 01, 2004
Comentário e zombaria:




Praia do Porto - Costa Dourada
Litoral Sul de Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Praia de Calhetas
Cabo de Santo Agostinho
Ponto extremo de Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Chapada dos Guimarães
Mato Grosso
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Serra dos Órgãos
Estado do Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Campos do Jordão
São Paulo
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Provetá - Ilha Grande
Estado do Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Candeias
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Mercado São José - Recife
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Piedade
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Pouso Alegre
Minas Gerais
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Pão de Açúcar
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Cristo Redentor
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Nascente - Pão de Açúcar
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Poente - Floresta da Tijuca
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Maracanã
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Niterói
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Quinta da Boa Vista
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Zona Norte
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Micos
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Igreja da Penha
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro