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Rabiscos e divagações

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Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos.
Contato
“Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos”
Vital Farias


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wDivagações e citações - Quinta-feira, Abril 29, 2004



Evocações

Nora, pernambucana radicada na Espanha, escreve uma novela em capítulos.
Com todos os ingredientes de uma boa novela.
Baseada na própria vida, a narrativa é deliciosa.
O melhor é vocês conferirem e não eu escrever sobre o que ela escreve.

Não resisto a um rótulo: Pecados Capitais; assim deveria chamar-se o sétimo capítulo desta novela.
Nora começa a despertar nossa gula, nossa inveja, quase nossa ira não fosse a felicidade que transborda de sua narrativa e nos contagia.
Ah! Claro, a luxúria tácita!

Evocação, gosto de repetir, é uma palavra pernambucana; significa muito mais para os pernambucanos que para os demais falantes nativos do português.
Nora evocou coisas maravilhosas.
Não seguiu o Guia de Carlos Pena Filho, mas fez o seu próprio roteiro, maravilhoso, do Recife e arrebalde.

E as lembranças que evocou?
Oficina do Sabor... um guiné (capote, galinha-d´angola, tô-fraco) ao molho de manga, não ao estilo indiano, mas do Sertão do Pajeú.
Poço da Panela... um bar, nem nome tinha, verdadeiro fundo de quintal, mas cujo quintal, com pomar e tudo, tinha uma varanda maravilhosa.
Bargaço... e o arroz de polvo?
Sorvetes, a região da Costa Dourada - clicando na primeira foto à direita aqui em Agreste dá para ver outras da mesma região.
O que vocês estão fazendo aqui no Agreste?
Corram, ou melhor, naveguem até Língua de Mariposa!


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Abril 29, 2004
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wDivagações e citações - Terça-feira, Abril 27, 2004



A internet

Bruna Lombardi e seu marido, Carlos Alberto, foram os responsáveis pela implantação da internet no Brasil.
Claro que a internet chegaria cá, com ou sem o casal de atores.
O casal residia em Los Angeles onde constituiu uma empresa, de produção de vídeos e coisas afins.
Entre as necessidades da empresa do casal estava a transmissão, para o Brasil, de imagens que os modernos aparelhos de fac-símile não suportavam.
O casal entrou em contato (1993) com a FAPERJ e, a partir deste contato, houve o investimento no primeiro nó da internet no Brasil.
Antes disto, já havia os BBS que, cedo ou tarde, certamente adeririam à WEB.
O começo foi apenas FTP mesmo.

Encontro entre os mundos virtual e físico

Ao criar o Agreste, passei a me relacionar com outros blogues. Mariza de Proseando e Márcia de Mudança de Ventos e Tábua de Marés foram as primeiras.
Antes delas, eu já fizera amizade com o mineiro Marcos Jansen e os pernambucanos Carlos Galvão e Antônio Virgílio através da Usina de Letras.
Mariza é minha madrinha numa lista literária, jamais nos vimos ao vivo e a cores.

Tenho imensa facilidade para lembrar de fisionomia e de vozes.
Pessoas que ficam muito tempo sem telefonarem para minha casa, quando o fazem, reconheço como se fosse um videofone.
O inverso ocorre com nomes.
Quando vi uma foto de Márcia, lembrei dela, como não lembrara pelo nome.
Para quem não sabe, ela é foliona, fundadora do Eu acho é pouco de Olinda, amante do que há de melhor no futebol pernambucano, tricolor que é, escritora e poetisa, com dois livros publicados, e, nas horas vagas, também é médica.
Entretanto, o surpreendente é que nós já havíamos nos encontrado.
Em um carnaval de Olinda, chegamos a conversar, pois ela estava com os filhos na inauguração do Eu acho é pouquinho e o seu marido era um colega da Escola de Engenharia da UFPE, Davi.
Soube, recentemente, através dela, que muita gente achava que eu morrera, para usar o linguajar da época, nos porões da ditadura.
Vinte anos depois, um reencontro não propiciado pelo convívio com tantos amigos comuns.

Outro dia, escrevi algo numa lista da qual participo.
Recebi uma mensagem de Ana Cristina, a qual, além de comentar o que eu escrevi, disse ser pernambucana.
Respondi e ela, noutra mensagem, disse ser de Limoeiro.
Conheço algumas pessoas de Limoeiro.
Lembro de colega do Colégio Agrícola da UFRPE, de Luciano Pimentel (ex-Quinteto Violado), Fernando Finizola (também ex-Violado), Anjinho...
Poderia ter me referido a Chico Heráclito, o último representante do coronelismo.
Nenhum destes eu citei.
Disse para Ana Cristina que conhecia Limoeiro, inclusive tinha dois amigos limoeirenses, Afrânio e Romero, os quais há muito não via e de quem sentia saudades. Não citei o sobrenome, pois não lembrava.
Ana Cristina me respondeu dizendo-se irmã de Afrânio e Romero.
Deu-me notícias de ambos e passei a conhecer um pouco a respeito dela, médica no Recife.

Nem sempre os reencontros são coincidências.
Pinto Lobo, o nosso estimado Zé Paulo, moçambicano radicado em Cascais, outro dia comentou aqui, no Agreste, e no Bloggagens de Flora.
Ele tem sido um dos meus elos com África, inclusive enviando vez ou outra um livro do amigo Mia Couto.
Zé Paulo e Fernanda formam um casal especial, dois moçambicanos amantes das coisas de seu torrão, cujo conhecimento do Mundo não se restringe a uma machamba.
Eles têm uma visão cosmopolita e africana das questões determinantes neste Mundo moderno e globalizado.
Eles deram uma efetiva contribuição ao processo de construção de uma nova sociedade após a Independência.
Através deles, reencontrei uma amiga timorense... como no mundo físico, a internet é cheia de elos.
Parodiando Paulinho da Viola, as pessoas estão na internet, só o que é preciso é descobrí-las.

Eu citei, em 20/04/2004, sem apontar para os endereços dos respectivos blogues: Adriano , Guilherme , Helena, Rafael e Renata . Correção efetuada.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Abril 27, 2004
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wDivagações e citações - Sábado, Abril 24, 2004



Comentários impertinentes

Sempre fui chato, um aluno que, se eu fosse professor, detestaria ter.
É ruim ter aluno que não entende o que se explica.
É ruim ter aluno mal comportado.
É ruim ter aluno desatento.
É ruim ter aluno que não participa das aulas.
Pior que isto é ter alunos tão chatos quanto eu sempre fui.
Querem a prova?
Eis algumas participações, desde o nível mais elementar, em sala de aula.
- Professora, temos que estudar o mistério da Santíssima Trindade?
- Claro, meu filho, por quê?
- Santo Agostinho diz que jamais conseguiremos entendê-lo.
- Menino! Depois faz cara de vítima quando perde cem na média! Com este comportamento!
__________________________________

- Professora, a hóstia representa o corpo e o sangue de Cristo?
- Não, meu filho. A hóstia, depois de consagrada, é o corpo e o sangue de Cristo.
- Então, professora, a comunhão é um tipo de canibalismo?
- Menino, deixe de ser herege! Deste jeito não pode fazer a primeira comunhão!
Não fiz. Um dia fui à missa e, sem jamais ter confessado, comunguei.
Dá para imaginar o escândalo?
__________________________________

- ... Tonga na África...
- Professor, Tonga é no Pacífico Sul, na África é Togo.
- !?!?
- O senhor quis dizer Tonga ou Togo?
- Você me confundiu, pare com isto! Fora de sala!
__________________________________

- Professor, quando nós erramos a regência, a concordância e outras coisas, é erro de analfabeto, quando é um escritor famoso, vira silepse, sinédoque, anacoluto e outras figuras de sintaxe?
- Você não entendeu o que expliquei! Vá estudar garoto!
__________________________________

- Professor, podemos dizer que a Projetiva está para a Descritiva assim como a Relatividade está para a Física Clássica?
- Boa pergunta, podemos inferir...
Um colega, que ficou em dúvida se comandava ou evitava meu linchamento, me disse que a prova mudara de paradigma por minha culpa.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sábado, Abril 24, 2004
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Abril 22, 2004



Valor da informação.

Provavelmente na TELEMAR há muitos doutores em gestão do conhecimento.
Todos eles a bradarem, em uníssono, entre outras baboseiras, que a informação é um valor estratégico para a empresa.
Se fosse um estudo de caso, gostaria de vê-los explicarem o seguinte fato.
No dia 10 de abril um técnico da empresa me informou que não conseguiria consertar o acesso ao Velox, pois o problema era de cabo.
No dia 21 de abril, após eu repetir, para dezenas de atendentes, tudo o que eu sabia sobre os defeitos, um técnico me telefonou para dizer que não poderia consertar o acesso, pois se tratava de um problema de cabo e ele não era técnico de cabo.
A sorte dele (e minha também) é que eu não estava ao seu lado para pegar o cabo e... deixa pra lá!
Onze dias!
E sabemos que os engomadinhos e sorridentes doutores em gestão do conhecimento são capazes de recitarem, desde 1999, os seis capítulos, além da introdução e o apêndice de "A empresa na velocidade do pensamento", em inglês, é óbvio.
O valor da informação deve ser tão estratégico que eles não a dão uns aos outros.
Será que eles têm noção do que é um sistema de informações gerenciais?
Duvido!
Eu penei para tentar registrar alguns fatos.
Algumas atendentes teimavam que queriam me ajudar, mas não cabia a elas registrar, apenas os setores técnicos o poderiam fazer, a não ser nos casos em que, após repetidos "aguarde um momento que estou transferindo a sua ligação", seguidos de longas esperas e irritantes arremedos de músicas. Quando elas mesmas desistiam da transferência da ligação registravam tudo que eu já informara anteriormente.
E todas elas ficavam muito ofendidas quando eu perguntava alguma coisa sobre o que estava registrado, afinal, sendo estratégico o seu valor, eu não posso ter acesso à informação que dei.

Se vivesse no Brasil atual, Sartre reescreveria o seu inferno, poderia ser representado por uma seqüência infinita de: participação em eventos sobre gestão do conhecimento com os referidos doutores e diálogos com atendentes da TELEMAR, ambos com o tal fundo "musical".
Os eventos, sempre com pomposos nomes, seriam um verdadeiro festival de anglicismo, pois até o intervalo para cafezinho tem nome em inglês; como soa desenvolvido para estes provincianos aculturados!
O resultado? Nós sofremos na pele, na carne, nos nervos, atingindo-nos o âmago, com passagem pelo bolso.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Abril 22, 2004
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wDivagações e citações - Terça-feira, Abril 20, 2004



Teoria da relatividade.

Dilação do tempo, contração do comprimento; transformação de matéria em energia...
Mudança de referencial, espaço e tempo como invariantes de acordo com... será que faltei no dia desta aula?
Como entender a teoria da relatividade?
Ela passou oito dias no Rio, um átimo.
Há oito dias foi embora, uma eternidade.
Agora entendi.

Universo bloguístico

Há menos de cinco meses criei este espaço virtual.
Agreste.
Áspero, pedregoso... fértil.
De sua fertilidade surgiram @migos.
A maioria, nem consigo identificar; não sei idade, gostos pessoais.
Outros, revelam emoções de seus amores, como a pernambucana radicada na Espanha, Nora.
Somos todos muito diferentes.
Com cinco jovens estabeleci, há muito tempo, mesmo o blogue existindo há apenas cinco meses, uma relação especial.
Adriano, Helena, Guilherme, Rafael e Renata.
Tenho aprendido muito com eles.
De certa forma, eu os incorporei ao meu universo e sinto um carinho especial por eles.

Sidney Poitier

Há quarenta e um anos, Sidney Poitier recebeu o Oscar de Melhor Ator.
Há uma coisa que me incomoda muito.
As pessoas dizem que Sidney Poitier é um grande ator negro.
Não é.
Sidney Poitier é um monstro: um grande ator e um grande diretor; sem adjetivos outros.

Dulce Pontes

Alguns amigos conversaram com Dulce Pontes.
Arrependo-me de não termos ficado; a pressa de chegar em casa; a prova de Português que Flora faria em poucas horas...
A cantora os recebeu com extrema simpatia.
Flora, habituada a dormir às 21 horas, não se conforma de não ter bancado a tiete, coisa que em geral abomina fazer.
Eugênia, um amigo disse para Dulce que, depois de Retrato em Branco e Preto ele poderia afirmar que Dulce Pontes é a melhor cantora de música brasileira.
Mariza, não sabia que antes de cantar no Rio ela cantou em São Paulo?
No domingo ela já cantou em Amsterdã.
Rafael, talvez Flora também tenha uma puta inveja de você. E "sêo" por quê?
Adelaide, você só precisaria subir um pouquinho, depois, pela Estrada de Furnas, para descer todo santo ajuda e até o diabo empurra.
Sérgio, embora goste muito de São Paulo, até hoje confundo Chácara das Flores e Chácara Flora, em lados opostos da Washington Luís, numa morava uma irmã, noutra uma amiga...
Adriano e Auri, espero que tenham encontrado músicas dela e gostado; não tendo gostado, a amizade continua...
Cosmos, em 1982, a Revista Veja publicou em sua capa: "Guerra Civil no Rio de Janeiro"; sei que não é o seu caso, mas as pessoas atribuem aos governantes eleitos pelo voto direto, a partir de 1982, a violência no Rio. As estatísticas comprovam que há mais violência em São Paulo, cidade maior. Eu me sinto mais intranqüilo no Rio do que me sentia em Moçambique em guerra, mas não podemos ser prisioneiros do medo, embora devamos senti-lo sempre.
Maria, você dá um toque poético até a um simples comentário.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Abril 20, 2004
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wDivagações e citações - Domingo, Abril 18, 2004




Fotos: Manoel Carlos Pinheiro

Flora tem um universo literário bastante amplo, apesar de seus catorze anos de idade.
Atualmente ela lê os romances do ciclo do açúcar de José Lins do Rego e Cem Anos de Solidão.
Talvez por isto temos muita coisa em comum neste campo.
Não posso afirmar o mesmo em relação ao seu universo musical, mais restrito.
Em comum gostamos, por exemplo, de Janis Joplin, Quinteto Violado e Dulce Pontes.
Ela é quase indiferente a Chorinho, Blues, Jazz, Samba, Abdhullah Ibrahim, Bonga, Chico Science, Edu Lobo, Geraldo Vandré, Jackson do Pandeiro, Paulinho da Viola, Rui Shangara...
A recíproca é verdadeira em relação a Nirvana e uns grupos que desconheço.
Outra coisa em comum: o fato de nos irritarem funk e outras coisas similares.
Tiramos proveito de nossas afinidades.
Sexta-feira, fomos ver o espetáculo de Dulce Pontes.
Única apresentação, portanto, ir ou não ir, nenhuma alternativa.
Sexta-feira às 22h30, na Barra.
O primeiro problema: Flora teria prova no sábado às 7h15.
O segundo problema: na Barra da Tijuca.
Para quem não conhece o Rio de Janeiro, é bom esclarecer.
A Barra fica longe dela mesma.
É uma espécie de Miami brasileira.
Do ponto de vista da concepção de desordem urbana.
Fica a uns sessenta quilômetros do Centro do Rio.
Um agravante: tínhamos que passar pela Rocinha ou pelo Vidigal.
Para alguns eventos, temos o hábito de comprar os ingressos pela Internet.
É muito prático.
Mediante uma pequena taxa, pagamos com cartão de crédito, escolhemos nossos lugares, optamos por recebermos os ingressos em casa ou retirarmos na bilheteria, não há falha.
Desta vez, não venderam pela Internet e os postos de venda cobraram a comissão de 20%.
Só o valor da comissão daria para comprar o novo CD de Dulce Pontes.
O problema maior seria contornado se Flora conseguisse dormir à tarde, pois não acordaria cansada no sábado; por falta de hábito não conseguiu cochilar.
Valeu a pena?
Flora saiu de lá a reclamar.
- Ela não cantou o "Fado da Mouraria", na verdade, "Zanguei-me com meu amor", não cantou Laurindinha, não cantou...
- E se não pedíssemos bis? ela sairia sem cantar Lágrimas e Canção do Mar?
Ainda bem que foi este o tipo de insatisfação, nem poderia ser outro.
Elogiar a voz de Dulce Pontes seria chover no molhado.
Ela foi muito simpática, tentou até falar em "brasilairo", evidentemente sem conseguir, como fez questão de registrar Flora.
A produção do espetáculo deixou a desejar.
Nem mesmo um programa impresso havia.
Qualquer espetáculo chinfrim tem o programa, contendo o roteiro do espetáculo e a ficha técnica completa.
Ainda bem que fomos ver e ouvir Dulce Pontes.
Objetivo alcançado plenamente.
Arrebatadora.
Nalguns momentos, os seus trejeitos lembravam uma camponesa trasmontana.
Também houve momentos de fadista.
Entretanto, destaque maior: a incrível capacidade de representar a música portuguesa, como se cada canção pertencesse simultaneamente a tempo pregresso e venturo.
Após Zeca Afonso não surgira nome de importância na música lusitana, até esta fabulosa cantora despontar.
Canta Dulce Pontes! Enche-nos de feliz melancolia.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Domingo, Abril 18, 2004
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Abril 15, 2004



A nossa língua é complexa, sofisticada, embora o poeta a tenha definido como "inculta e bela".
Em alguns casos, há regras claras e simples, por exemplo, em fonética.
Toda palavra proparoxítona é acentuada.
Não há exceção a esta regra.
Quer dizer, apenas os analfabetos, ou seja, jornalistas e publicitários, desobedecem a esta regra.
Logo eles que têm o poder de transformar em língua-padrão tudo que falam ou escrevem.
Estamos no ano da Olimpíada (que eles teimam em usar no plural) de Atenas, vai ser um tal de recorde pronunciado como se fosse proparoxítono...
Surgiu uma nova categoria profissional, igualmente constituída por analfabetos e também com poder para determinar o padrão de nossa língua: teleatendente.
Estes profissionais cismam que Velox é paroxítona.
Velox, isto mesmo.
Agora sei porque comecei este assunto.
Não me incomodaria se, pelo resto de meus dias, tivesse que falar a palavra como oxítona e ouvi-la paroxítona.
Acontece que algo estranho ocorre numa empresa cujos funcionários nem mesmo sabem pronunciar corretamente o nome do seu principal produto.
Assim é com os profissionais que trabalham com o Velox, da Telemar.
Jamais tive um relacionamento amigável com a Telemar.
Para dar uma idéia de quão ruim é o nosso relacionamento, basta dizer que nossa melhor fase é a da completa indiferença, ou seja, quando esqueço que a empresa existe.
Caso contrário, ela está a me causar problemas.
Recentemente tive problemas com o serviço Velox.
Estou sendo otimista ao dizer "tive", infelizmente o pretérito é mais um desejo que uma realidade.
Numa determinada noite a conexão caiu.
Após inúmeras e infrutíferas tentativas de restabelecê-la, Flora desistiu e foi dormir.
Evidentemente, ela me perturbou durante cerca de três horas, antes de desistir.
Na manhã seguinte foi impossível ficar indiferente.
É desanimador iniciar um processo quando já sabemos que será kafkiano.
Telefonar, ouvir todas aquelas instruções destinadas a quem tem meio neurônio...
Ser transferido diversas vezes de atendentes.
Nestas ocasiões, muno-me de um livro, ligo o viva voz e leio, espero, falo, ouço, leio, espero...
O viva voz.
Oportunidade para o riso debochado de Flora.
Nesta manhã de sábado, o que não faltou foi oportunidade para o escárnio de Flora.
Aconteceu tudo.
O que imaginarmos aconteceu.
Realmente não é força de expressão afirmar que aconteceu de tudo um pouco.
Mais de quatro horas de diversão.
O serviço voltava a funcionar durante cerca de oito minutos e tudo acontecia de novo.
Mais parecia um pesadelo.
Teve atendente surpresa, sobressaltada, por ter voltado a funcionar.
E Flora aproveitando todas as oportunidades para rir.
Numa delas, Flora tapou a boca com a mão, correu para fora do escritório e, já longe, na sala, deu uma sonora gargalhada.
Não era para menos.
A mocinha (ao menos imagino que seja uma ingênua mocinha) pediu que eu desligasse o fio do modem e o esticasse.
Foi dito tudo isto de uma maneira que, quando ela perguntou se estava bem esticado, Flora não resistiu, pois pensou que ela fosse mandar enfiá-lo...
Miraculosamente, um atendente demonstrou algum conhecimento técnico.
Fez perguntas pertinentes.
E, aparentemente, fez um diagnóstico preciso.
Assegurou-me que o problema era na "planta", ou seja, lá neles e não em minha casa.
E deu um prazo para a solução.
Apenas o prazo, não a solução.
Evidentemente, eu fiz uma outra solicitação: enquanto o problema não fosse solucionado que ao menos a cobrança fosse suspensa.
No domingo a novela continuou.
E ocorreu outro milagre.
Um técnico disse que a Telemar me prestara um mau serviço
Que o problema deveria ter sido solucionado no sábado por um técnico que verificara algo lá na rua.
A informação estava incorreta, pois fora dado como resolvido o problema.
Este atendente me disse ter consultado o seu supervisor e me pediu para que, caso até o meio-dia de segunda-feira não houvesse uma solução definitiva, que eu telefonasse, citasse determinado número, dissesse o setor que me atendera e deu o próprio nome como referência.
Senti firmeza.
Na segunda-feira, tudo às mil maravilhas.
Na quarta-feira, compareceu um técnico a serviço da Telemar, alegando precisar resolver o problema.
Eu e Flora fora de casa.
O meu filho o atendeu.
O técnico mexeu lá em alguma coisa.
Resultado: a outra linha telefônica foi cortada.
Isto mesmo: os fios completamente isolados do aparelho dela e do aparelho que conjuga as duas linhas.
Vocês conseguem imaginar o meu novo diálogo com a Telemar?
Nem Kafka conseguiria descrevê-lo.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Abril 15, 2004
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wDivagações e citações - Terça-feira, Abril 13, 2004



Não é primeiro de abril

1.
Circula na internet uma informação interessante.
Em 1994, o Ministro José Dirceu foi candidato a Governador de São Paulo.
Concorreu e perdeu para Mário Covas.
Perdeu apenas a eleição.
Ganhou muito.
Há quem considere que, naquele momento, ele consolidou o seu patrimônio, digamos, político.
O tesoureiro de sua campanha era Waldomiro Diniz
2.
O Prepone Lula e seus Aspones abriram de vez a Boceta de Pandora.
Retroagindo ao Século XIX, propõem acabar o dissidio coletivo.
Há vinte anos eu brincava dizendo que o corporativismo dos lulistas poderia nos conduzir às corporações de ofício.
jamais imaginei que a minha brincadeira fosse tão verdadeira.
Ou seja, neste ritmo, até o fim do governo petista, chegaremos ao Século XIV.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Abril 13, 2004
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wDivagações e citações - Terça-feira, Abril 06, 2004



Estou vivo

Sinto falta de atualizar o blogue mais que qualquer pessoa.
Nestes dias vai ser difícil...
Pedro, do Mas tudo bem..., aliás excelente, quer dizer, o blogue, pois Pedro às vezes não vale o que o gato enterra :)))
O exemplo de um destes momentos foi quando postei, no dia 05/03/2004, Contagem regressiva, ele perguntou:
- e ela chegou?
Pois é... a resposta é sim, daí a minha justificada ausência.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Abril 06, 2004
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Praia do Porto - Costa Dourada
Litoral Sul de Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Praia de Calhetas
Cabo de Santo Agostinho
Ponto extremo de Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Chapada dos Guimarães
Mato Grosso
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Serra dos Órgãos
Estado do Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Campos do Jordão
São Paulo
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Provetá - Ilha Grande
Estado do Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Candeias
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Mercado São José - Recife
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Piedade
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Pouso Alegre
Minas Gerais
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Pão de Açúcar
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Cristo Redentor
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Nascente - Pão de Açúcar
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Poente - Floresta da Tijuca
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Maracanã
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Niterói
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Quinta da Boa Vista
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Zona Norte
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Micos
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Igreja da Penha
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro