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Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos.
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“Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos”
Vital Farias


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A espera
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A Mata do Caboclo
A ressaca
A vingança
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Amuo
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Atrapalhado
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Março 31, 2004



Pouso Alegre

Pouso Alegre é a mais importante cidade mineira?
Depende do referencial.
Não é por beleza, qualidade de vida, importância econômica.
Minas Gerais tem tesouros fabulosos.
Entretanto, os lugares são ou se tornam importantes para nós pela ligação que temos com eles.
Por este prisma, Pouso Alegre é a mais importante cidade mineira para mim, pois lá reside a minha filha mais velha.
E é por isto que botei uma foto de lá no blogue.
Este blogue que está em processo de construção, pois apenas a foto superior dá acesso a um álbum de fotos da Praia do Porto.
As demais darão, assim que eu conseguir organizar as coisas.
Não discuto a reclamação feita no comentário de Desalinhada.
Apenas para demonstrar o tipo de ligação, apresento a seguir uma redação feita em sala de aula por minha filha quando tinha quinze anos.


Minas Menina
(Autora: Diana Bellardi Tavares Pinheiro - 15 anos)

Minas menina, moça bonita, de lembranças, de infância, de amor.
Menina rica, formosa, de encantos, colinas, de água que fertiliza e enriquece,
de verde no corpo e vermelho no coração.
Nunca viu mar. Seu mar é o céu azul que a faz navegar sem destino em belos
horizontes.
Ela gosta de sol forte que deixa seu calor e rastro no corpo e na alma da
menina cor de ouro, cor de escravo.
Na sua vida tem viola, roça, roceiro e mineiro.
Menina veloz que corre como um raio pela Mantiqueira, pelo Espinhaço, pela
Serra do Mar, querendo chegar ao fim de sua luta. Sim, luta! Essa doce menina
também tem força, decisão e luta por sua liberdade. Por ela também lutaram
muitos homens chamados inconfidentes, Tiradentes, enforcado, esquartejado
por amar subversivamente uma linda menina. A independência e a liberdade,
ainda que tardia, representam as mais antigas e queridas aspirações de uma
menina, uma mulher, que se veste de branco e vermelho e traz consigo os
ideais de milhares de sonhadores.
Possui um imenso tesouro, ferro, diamante, manganês, ouro, Ouro Preto, Uberaba,
Mariana, Poços de Caldas, Caxambu, São Lourenço, Araxá, Sabará, Juiz de
Fora, Barbacena...
Essa menina gerou muitos filhos, belos filhos dos quais até hoje se orgulha.
Ela é mãe de Afonso Pena, Delfim Moreira, Carlos Chagas, Basílio da Gama,
Guimarães Rosa, Tancredo Neves, Aleijadinho, Santos Dumont e também Marias
e Josés que o mundo esqueceu, mas a menina não.
Essa moça tem lindas casas, fazendas, igrejas barrocas, coisas que sua história
marcou.
Seu nome? Drumond, Milton, Bárbara, Olímpia... Essa menina não é menina,
é mina, seu nome é Minas Gerais!

MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Março 31, 2004
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wDivagações e citações - Domingo, Março 28, 2004



Em 19 de março, no balaio vermelho, Moacy publicou o nosso Curió da Tiazinha; no dia 23 de março, no Villas Basket´s Blog, Guilherme publicou o nosso A Ressaca.
O caminho para ambos está em elos agrestinos há bastante tempo.
Agradeço a gentileza.

Uma experiência muito interessante foi ser entrevistado por Esther em porcas e parafusos no dia 23 de março.
Na véspera ela deixou um recado em comentário feito aqui.
Eu a encontrei no MSN, combinamos para o mesmo dia.
Não houve conversa anterior ou preparatória.
Confesso que pensei ter ficado muito ruim.

Já fui entrevistado antes, mas em outros meios de comunicação.
Através do MSN (é a segunda vez, será que Bill Gates vai pagar pelo comercial?), tem tudo para ser complicado.
Aquela confusão típica de bate-papo.
Cada um digita enquanto o outro também está digitando, as perguntas e respostas em descompasso com os dedos, a falta do tom de voz a realçar a importância de pergunta ou resposta.

Fiquei de enviar uma música de Capiba para Esther.
Não consegui copiá-la; tentei pelo leitor de CD-ROM, depois pelo gravador, cada vez a situação se complicava mais.
Até consegui saldar uma das dívidas: fazer e enviar um breve resumo de determinada teoria de um camaronês.

A minha surpresa foi imensa, pois no dia 26 a entrevista foi publicada.
Um verdadeiro trabalho jornalístico.
Esther fez uma pesquisa sobre temas tocados en passant e botou as ligações; até música com a voz do cacique Xucuru Chicão, prevendo o próprio assassinato.

Fiquei emocionado.
Embora, repito, ao terminar a entrevista, tenha ficado insatisfeito.
Não fui um bom entrevistado, pois involutariamente não me deixei conduzir, como deveria, pela entrevistadora.
E nem consegui abordar as coisas que gostaria de ter abordado.
Não consegui demonstrar para a entrevistadora a importância do universo cultural do Agreste, notadamente de Pesqueira.
Caso houvesse conseguido, poderíamos fazer uma verdadeira renda de bilro ou renascença, unindo o universo marcadamente indígena, a influência africana...
Não citei Cambinda Véia, Velha Guarda (de Pesqueira e da Portela), Lira da Tarde, Muntolia, Bacalhau na Vara, Cancão Piô, Dois de Ouro, Natambijara, Zabumba de Norato.
Também não citei pessoas que conheci e que se tornaram referências para mim: Gregório, Agliberto, Prestes, Maria Werneck...

Apesar disto ela saiu em busca de informações e montou um painel rico e interessante, cuja incompletude deve-se a mim.
Apesar de a entrevistadora não conseguir suprimir por completo as falhas do entrevistado, vale a pena a visita, apesar das já citadas lacunas.
Por favor, aceitem a sugestão e deixem um comentário lá.
Ah! porcas e parafusos pode ser acessada por elos agrestinos.
Para ver a entrevista clique aqui


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Domingo, Março 28, 2004
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Março 25, 2004



Aniversário

Terça-feira da Semana Santa.
Lembro como se fosse hoje.
Minha vida nunca mais seria a mesma.
Deixei de ser eu, Manoel Carlos; ou simplesmente Carlos, para a família; Mané Carlos para pernambucanos; Manéo, para cariocas; até Pinheiro para alguns.
Passei a ser pai, para o resto de minha vida.
A desejar todo dia, toda hora, todo instante, que ela fosse feliz.
Não sei o quanto ela é feliz, mas sei quanta felicidade ela espalha por este Mundo.
Filhinha, grato por você ter nascido.



MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Março 25, 2004
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Março 24, 2004



Qüiprocó

- Você não se enxerga?
- Como?!
- Como o quê? Não seja cínico!
- Mas...
- Nem mais, nem menos! Pensou que eu não estava ouvindo?
- Ouvindo o quê?
- Ainda quer negar? Você é um doente!
- Negar o quê?
- Você vai insistir? Eu ouvi tudo!
- Querida...
- Nem vem com esta falsa calma! Isto me irrita mais ainda!
- Pára com isto. O que eu fiz?
- Pára você! Um marmanjo de trinta anos, dando em cima de uma garota de dezessete!
- Eu?! Como assim?
- Chamando de filhinha o tempo todo!
- Não é nada disto...
- Pedindo para ela ficar de perfil. Cadê o desenho? ela levou, aquela sonsa!
- Não é nada disto...
- Mostrou seus dotes artísticos. Quando vai exibir os dotes físicos!?
- Não é nada disto...
- Ainda pediu para ela falar baixo!
- Pera lá!
- Pera lá, o quê?!
- Você que pediu para eu dar aula a ela.
- Aula sim! Assédio não!
- Que assédio...
- Não se faça de besta! Seu tarado! Sem-vergonha!
- Pára com isto. E vê se me ouve!
- Não tem o que ouvir! Você não presta!
- Eu posso falar?
- Não quero ouvir nada, acabou!
- Leia aqui!
- Ler o que?!
- A aula! Geometria Descritiva!
- E o que tem isto?
- Perfil é um plano, olhe aqui!
- !?!?
- Não disse para ela falar baixo, foi um corte, planta baixa!
- ??
- Aqui, na reta, há o ponto f (efe) e o f´ (efe linha), tenho culpa do quase cacófato!?
- Calma, também não precisa ficar nervoso...
Em noite de reconciliação, melhor não esticar a corda, até porque, se briga tem pé, livrara-se de uma centopéia; no mais, seria humilhação.
Antes tivesse sido humilhada, encerraria o assunto, desde então, em reuniões familiares, quando alguém usa um termo de arquitetura ou desenho, todos olhares se voltam para ela.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Março 24, 2004
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Março 22, 2004



Amargoso

Desconcertado ficou quando ela recusou as três sugestões para o almoço: arroz de polvo no Bargaço, carne-de-sol com farofa matuta no Leite e lagosta no Donatário.
Ela riu dele. Apenas preferiu almoçar em casa.
Levou o vinho, embrulhado na ilusão, quase certeza, de que passaria a noite com Aurora.
Almoço agradável, boa conversa, literatura, música e amenidades.
Dela a casa e o controle da situação.
Ele, na própria teia da viúva-negra, disposto a ser devorado.
O impasse; nenhum dos dois tomou a iniciativa e não aconteceu.
Retirou-se muito antes do esperado.
Mesmo no ocaso, a luz do Sol ainda era mais forte que a do poste, recém acesa.
Para ele, o simbolismo do quanto ela ainda está presa ao amor do passado.
Mas a sensação de que o vento sussurrou as palavras da poetisa a lhe dizerem que a boca dela sabe a restos de almoço e beijo não dado.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Março 22, 2004
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Março 19, 2004



Pressão máxima

Eu disse a mim mesmo que não estabeleceria comparações, pois são situações diferentes.
Ao mesmo tempo, como não comparar?
Poderíamos ter seguido caminhos similares.
Dez anos antes dele, nasci e me criei no Agreste de Pernambuco.
Ele nasceu e se criou numa favela carioca.
Diferentes formas de pobreza.
A diferença maior foi o supremo esforço do meu pai em nos fazer estudar.
Nenhum de nós trabalhou na infância, nossa obrigação, além das tarefas domésticas e da busca constante por água em tempo de estiagem, foi sempre o estudo.
Misso, esperto, ladino, inteligente, logo teve oportunidade de ganhar um dinheirinho.
Destacou-se em seu ambiente.
Não sendo jogador de futebol nem compositor de samba, ele foi atraído pela única atividade econômica que lhe ofereceu prestígio e uma pequena possibilidade de ascensão social: o tráfico de drogas.
Jamais foi considerado "bicho-brabo", apenas exercia o controle da região.
Fora do Morro, agia como qualquer cidadão.
Até mesmo buscou participar de atividades sociais e políticas, sem qualquer pretensão eleitoral.
Não tivemos qualquer contato no seu mundo, no seu "movimento", mas no movimento social sim.
Ele jamais usou a sua condição de "gerente de boca" para fazer valer as suas opiniões.
Sua participação no movimento social era discreta, na sua área nenhum candidato era impedido de fazer campanha eleitoral.
Um cidadão comum... poderia ter sido eu.
Droga! Lá vem a comparação! Como não fazê-la?
Ele poderia ter sido eu e o inverso também, pois eu poderia ter sido um Misso qualquer.

Um dia Misso foi preso.
Não tive mais notícias dele, pensei que tivesse morrido, afinal já passava dos vinte e cinco anos de idade, tornara-se longevo demais para a sua profissão.
Apenas estava na prisão.
Cumpriu pena e saiu.
Soube disto quando o encontrei, numa reunião política, em Santa Tereza mesmo.
Apareceu com cara de desesperado, pedindo ajuda para comprar remédio para um filho doente.
Disse estar morando em São Gonçalo.
Tocado pelo seu desespero, dei algum dinheiro, coisa que não costumo fazer.
Tenho sempre em mente a letra de Zé Dantas: "Mas doutor, uma esmola a um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão".
Vozes da Seca. Até o título diz muito.
Os retirantes não querem esmola, querem uma oportunidade de trabalho digno.
Mesmo pedindo esmola, Misso queria trabalhar.
No exercício de uma profissão qualquer, mas sem voltar para o crime.
A vida de crimes fora o único caminho, mas ele pensou que fora apenas uma opção.
Eu tive escolha, ele não tivera. Droga! Já estou comparando outra vez!

Misso tentou.
Com todas as suas forças ele tentou tomar as rédeas do seu destino.
Procurou emprego, foi a entrevistas.
Quando descobriam que ele estivera na prisão, perdia o emprego.
Retornou ao Morro, mas não ao tráfico.
"A Rapaziada do Movimento" admitiu que ele ficasse de fora, uma grande vitória pessoal.
Poucos conheciam a sua real situação.
Nenhuma instituição o apoiava.
E ele desesperado procurando emprego.
Procurado por "moradores do asfalto" que se queixaram de assaltos em plena rua Almirante Alexandrino, todo sábado pela manhã, Misso esclareceu: - não é o pessoal dos Prazeres, eu estou fora do movimento, mas posso pedir que eles atuem.

No sábado seguinte, nenhum assalto foi registrado.
Misso, mais uma vez, fizera o seu papel.
Surpreendentemente, na segunda-feira, os habituais três assaltantes armados estavam agindo no local de sempre.
A Polícia chegou, subiu a escadaria, enquanto os assaltantes, armados de fuzis, andaram pela rua e embarcaram em um ônibus da linha Castelo - Silvestre.
Os policiais subiram e encontraram Misso, sem qualquer arma, sem qualquer droga, e o prenderam.
Algemado, mãos para trás, de bermudas e sem camisa, Misso foi executado com dois tiros na cabeça.
Os policiais o enrolaram em um cobertor e desceram com o corpo, o qual foi encontrado no Morro da Providência, oficialmente morto em um confronto com a Polícia.
Para Misso acabou a pressão da miséria e do desemprego.
Ele virou um número na estatística oficial.
O Secretário de Segurança se jactará ao dizer que um criminoso comum, com passagem pela polícia, reincidente, foi morto em confronto com a Nova Polícia, na aplicação da nova Política de Segurança: a Pressão Máxima.
Não é para comparar, mas bem que poderia ter sido um desempregado qualquer.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Março 19, 2004
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Março 17, 2004



Abobalhado

Eduarda Zandron e Moacir Lopes, escritores, em viagem de férias no Ceará.
Aquela coisa... amigos a arrastá-los para praias, restaurantes, bares, botequins.
Cada dia uma festa, uma cantoria, uma tertúlia.
O número de pessoas a cercá-los, a acompanhá-los, crescia a cada dia.
Sempre a agraciá-los com mimos, atenção, hospitalidade, simpatia.
Certa vez, entrou uma verdadeira multidão em um botequim.
Os bebuns de plantão, meio ressabiados, foram sentar praça em outra freguesia, exceto um.
De início, o recalcitrante apenas observava o animado grupo.
Pouco a pouco foi se acercando, a ouvir atentamente as declamações, as piadas, as brincadeiras.
A partir de um dado momento, já estava quase a integrar o grupo; inicialmente elogiando o que alguém dizia; depois ele, o ébrio, dizia uma frase de efeito, fazia uma observação mais prolongada...
O dono do botequim, que lera os jornais e sabia que Moacir estava sendo tratado como uma grande personalidade, tentou dissuadir o bêbado a fazer parte do grupo.
Claro que sempre com alguma delicadeza, afinal tratava-se de um cliente com cadeira cativa.
Entretanto, à medida em que se impacientava, o botequineiro ficava mais grosso que papel de embrulhar prego, até que, num rompante, exclamou:
- Você deixe de dizer besteira! Fica aí dizendo estas bobagens à toa! Aquele lá (apontando para Moacir) é um escritor famoso, do Rio de Janeiro, ele vai ouvindo o que você diz e depois escreve no livro e nós, cearenses, ficamos como abobalhados!
O ébrio:
- Ele é escritor? Escuta o que eu digo para escrever? Então, se ele, para escrever, precisa ouvir o que digo, quem é o abobalhado?


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Março 17, 2004
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wDivagações e citações - Domingo, Março 14, 2004



O retrato

Ansiedade. O passado a tomar conta de seus pensamentos. A foto é tudo que restou do seu caçuá de lembranças. Vinte anos depois ele se prepara para enfrentar os seus fantasmas. Sempre que se programou para esta viagem, cedeu à pressão da mulher que prefere a Europa ao Sertão. Espera reencontra-se no seu mundo infantil, intocado na lembrança. Analisa mais uma vez a foto.

Há dias, tirou uma cópia e enviou a Raimundo, Mundinho de Seu Afonso. Pediu que ele reunisse toda a turma. Lembrou mais que o nome de cada um, descreveu seus sonhos e ambições; contou casos daquela época; começou a desenterrar o mundo perdido, mas não esquecido.

Com tudo pronto para a partida, chegou a carta de Mundinho.

Elisa não se tornou médica, morreu tísica aos dezessete. Almerinda não é maestrina, nem mesmo estudou música, dizem que é meretriz, sabe-se lá onde. Heloísa não virou freira, casou com um fazendeiro que, numa crise de ciúme, a matou a peixeiradas; alegaram defesa da honra e o absolveram. Givaldo, que a todos encantava com a bola nos pés, jamais jogou no Santa Cruz, nem mesmo no Íbis, entregou-se à calibrina; a cirrose o levou. Dinamérico não é cientista, abilolado, vive de esmolas, nem mais reconhece as pessoas. Augusto não é engenheiro, foi em busca de ouro no Mato Grosso ou Acre, a malária deu conta dele. Ele, Raimundo, não lembrava mais dos planos da infância, não escreve versos, nem pinta quadros, veleidades há muito deixadas de lado. Trabalha na padaria que era de Seu Nonô, casou-se com uma moça de Brejinho, ele não a conheceu.

O progresso? Resume-se à existência de aparelhos de televisão em muitas casas e lâmpadas de sódio em algumas ruas. Não há mais coreto na praça, nem Banda de Música. O campo de futebol virou pasto para os bodes de Seu Honório, parente de Dona Jurema de Seu Valdeci. Não há mais o serviço de alto-falante, todo mundo escuta rádio da capital. Quermesse, ninguém nem sabe mais o que é isto. Ingá, turco, ubaia, araçá, jatobá, pirim... nem ele, Mundinho, se lembrava mais deste tipo de fruta. Laranja-cravo, pixototinha, nem gosto tem. Cocada de batata de imbu, nego-bom e confeito de angico? A lembrança o fez rir muito...

Tentou reunir alguns amigos, mesmo os que não estão na foto. Não há mais amigos dele; aliás ninguém mais lembra dele. Jurema, a bela Jurema, já é avó, nem sombra é daquela que ele conheceu; ninguém acreditaria que ela algum dia foi jovem e bonita.

Guardou a foto, cancelou a viagem; beberá Fojo às margens do Douro.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Domingo, Março 14, 2004
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Março 12, 2004



Crianças moçambicanas

Moçambique ficou independente em 1975. O que pensavam os moçambicanos a este respeito? Em 1978, houve um trabalho muito interessante nas escolas moçambicanas. As crianças foram estimuladas a fazerem redações em sala de aula; os temas propostos foram: liberdade, guerrilha, independência, paz....
Reproduzo aqui três redações, entre inúmeras que foram publicadas.


FRELIMO, o teu nome.

Este teu nome FRELIMO
escrito com sete letras
é nome de paz
nome de razão e liberdade.
Sem ti, quem seria eu hoje?
Seria aquela criança escrava
de palavra proibida.
Seria aquela criança humilhada
aquela criança sem pão
sem calor nem amor
que noite e dia sonhava com a liberdade.

Sem ti, FRELIMO, eu não seria nada.
Tu és a chama na escuridão
tu és a luz e a razão
tu és a paz, o amor, o bem.

FRELIMO! Ó FRELIMO!
Este teu nome FRELIMO
é um nome quase tão belo
como quando escrevo LIBERDADE.

Maria Jacinta José Carlos Madeira - 11 anos.

O guerrilheiro morto

Este guerrilheiro que está aqui morto
serve-me de grande exemplo
mas tem uma bala
que lhe atravessou o coração.

Era ele que nos guiava
e nos animava na guerra
Este corpo que aqui está morto
ainda serve de exemplo
mas tem uma bala no coração.

Este nosso camarada que morreu
depois de dez anos de luta
já tinha libertado o Niassa
e Cabo Delgado.
E sempre que nós tivermos de lutar
devemos lembrar este irmão.

Deu-nos a Liberdade.
Deram-lhe uma bala fria
no coração.

Carlos Vaz - 10 anos.

Com estas mãos

Estas são as mãos
as negras mãos
cansadas
humilhadas
as negras mãos
donde nasceu o teu nome
LIBERDADE

Estas são as mãos
as negras mãos
que nos muros negros
do tempo
escreveram a fogo e sangue
o teu perfil de pomba clara
PAZ

Com estas mãos se semeou o milho
se pegou na arma
se abriu o livro
se sarou a ferida.

Com estas tuas mãos
camarada
deslizaste entre o capim
e foste semeando
o pão e a Liberdade.

Com estas tuas mãos
de calos
e força
se ergueu a bandeira
se fez o País
se apagou o ódio
se escreveu Amor.

Foi com estas mãos
- negras mãos -
as tuas mãos, camarada!
que do fundo da noite escura
do chicote e opressão
tu derrubaste o colonialismo
tu fizeste
a REVOLUÇÃO

Com estas mãos, camarada!
As tuas mãos!

Maria Manuel Colaço Malaquias de Lemos - 12 anos

MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Março 12, 2004
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Março 11, 2004



Agreste na rede

No dia 06/03/2004 Eliane Stoducto reproduziu em palavras tortas, a crônica Qual é o jogo? Aqui publicada.

Em 11/03/2004, Moacy Cirne tesourou um dos rabiscos à esquerda, Pacatez, e o publicou em balaio vermelho,

Em ambos os casos, a publicação, com o devido crédito, foi previamente autorizada.

Eliane é profissional, tanto na produção de páginas na Internet quanto de livros, a partir do nome dela é possível acessar alguns dos seus diversos sítios.

É fácil conferir a qualidade do trabalho de Moacy no próprio balaio vermelho.

A ambos o meu agradecimento.

O mural

Leila Silva, concisa e clara, fez uma excelente resenha do livro "Chroniques de l´étrange" de Pu Songling (1640-1715), contos traduzidos do chinês e apresentados pelo sinólogo André Levy. De quebra, ela nos brinda com a tradução (da tradução francesa) do conto O Mural. Vale a pena conferir em Verbo21


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Março 11, 2004
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Março 10, 2004



Publicado em
Uma coisa e outra


Complicações idiomáticas

É verdade matemática
Que ninguém podi negá
Que essa história de gramática
Só serve pra atrapaiá

Inda vem língua estrangera
Ajudá a compricá
Meió nóis cabá cum isso
Pra todos podê falá.

Na Ingraterra ouví dizê
Que um pé de sapato é xu
Desde logo já se vê
Dois pé de sapato é xuxu

Xuxu pra nois é legume
É verdade e não boato
O ingrês que lá se arrume
Mas nóis num come sapato.

Ná Itália ouví dizê
Eu não sei porque razão
Que manteiga lá é burro
Lá se passa burro no pão

Desse jeito pra mim chega
Sarve o povo do sertão
Onde manteiga é manteiga
Nóis num come burro não.

Na América corpo é bódi
Veja que bódi vai dá
Conhecí uma americana
Doida pro bódi entregá

Fiquei meio atrapaiado
E disse pra me escapá
Oia moça eu não sou cabra
Chega seu bódi pra lá.

No Chile cueca é dança
Pra se dançá e bailá
Lá se dança e baila cueca
Até a noite acabá

Mas se um dia um chileno
Vié pro Brasil dançá
Tente mostrá a cueca
Pra vê onde vai pará.

Uma gravata esquisita
Um certo francês me deu
Perguntei onde se bota
Acho que num entendeu

Me danei com a resposta
Isso é coisa eu que não faço
Seu francês mal educado
Mete a gravata no seu.

(Estes versos circularam na internet sem indicação de autor. Agradecimentos ao CAT e a Manoel Carlos Pinheiro.)

MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Março 10, 2004
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Março 08, 2004



Sendo o Dia Internacional da Mulher, aproveito para inserir o logotipo da Campanha do Laço Branco, na parte inferior esquerda. Através do logotipo, chega-se à página da campanha.

Há amizades que resistem ao tempo e à falta de convício cotidiano.
É o caso do amigo Benjamim.
Entre as maravilhosas lembranças do convívio com Benjamim, descata-se o fato de, em todas as festas em sua casa, lá estava, com o violão, para cantar a noite toda se preciso fosse, nada mais nada menos que Cartola.

O amigo Benjamim enviou a sentença judicial, copiada do original, que transcrevo a seguir.


Sentença Judicial

O adjunto de promotor público, representando contra o cabra Manoel Duda,
porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora Sant'Ana quando a mulher do Xico
Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra que estava de
tocaia em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta a dita
mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazer a lume, e como
ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão,
deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará. Elle não conseguiu
matrimônio porque ella gritou e veio em assucare della Nocreto Correia e
Norberto Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leises que
duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágio do sucesso faz prova.

CONSIDERO:

QUE o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com
ella e fazer chumbregâncias, coisas que só marido della competia conxambrar,
porque casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana;

QUE o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar
as famílias de suas vizinhas, tanto que quiz também fazer conxambranas com a
Quitéria e Clarinha, moças donzellas;

QUE Manoel Duda é um sujeito perigoso e que não tiver uma cousa que atenue a
perigança dele, amanhan está metendo medo até nos homens.

CONDENO o cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez à mulher do Xico Bento,
a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE. A execução desta peça
deverá ser feita na cadeia desta Villa. Nomeio carrasco o carcereiro.

Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos.

Manoel Fernandes dos Santos
Juiz de Direito Vila de Porto da Folha (Sergipe), 15 de outubro de 1833

MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Março 08, 2004
Comentário e zombaria:


wDivagações e citações - Domingo, Março 07, 2004



Seleção

A evolução das espécies é uma questão absolutamente fora de minha área de conhecimento.
É um incômodo, pois é um assunto que diz respeito a todos nós, seres vivos.
E ser ignorante em questão tão importante, mais que um incômodo é um constrangimento.
É claro que todos nós - não todos os seres vivos, apenas os humanos - temos noção, ou vaga idéia, da teoria evolutiva em vigor.
A variabilidade e a adaptabilidade são importantes.
É a variabilidade que proporciona o surgimento de mutações, enquanto a adaptabilidade permite o sucesso de novas espécies.
Uma combinação de tudo isto resulta na seleção natural.
Se tudo que foi dito até o momento estiver incorreto, apenas duas hipóteses justificam a abordagem: eu estava na aula concentrado em decidir o campeonato de futebol de salão, enquanto ouvia um zumbido, muito vago, vindo do professor; ou a explicação foi dada por uma professora e eu avaliava que seria muito mais útil e prático se ela estivesse a dar aula de anatomia comparada, fazendo de mim um báquico.
Seja qual for o conceito de seleção natural, se ele existe é porque há outro processo de seleção não-natural.
Seleção social, quem sabe?
Ainda baseado em minha incomparável ignorância em Biologia, lembro que o processo de seleção, mesmo tratando de indivíduos, apenas se configura quando surge um grupo com algumas características comuns, consideradas determinantes para a sua preservação.
Para alívio de quem teve a paciência de ver reveladas todas as minhas inexatas, imprecisas e incorretas noções de Biologia, tratemos apenas de seleção não-natural.
Analisemos um grupo que tem um comportamento padrão, homogêneo, como os motoristas do denominado transporte alternativo, isto é, os kombeiros ou perueiros, como dizem os paulistas.
Consideremos verdadeiras duas premissas: o acaso não existe, as relações sociais são causais, ou seja, com causas e efeitos; os referidos motoristas dirigem rigorosamente da mesma forma.
Com base nestas premissas, podemos concluir que os citados motoristas são resultantes de um processo de seleção não-natural.
Como se dá este processo seletivo?
Ensimesmado, cogitei que há um mecanismo, absolutamente científico, de seleção.
Imaginei-me responsável por tal processo, a elaborar um roteiro de avaliação dos candidatos a, digamos, kombeiro.
Neste roteiro, haveria algumas perguntas que o avaliador deveria responder utilizando três alternativas: sim, talvez e não.
O talvez é polêmico, mas necessário.
Embora introduza uma subjetividade à avaliação, o talvez permite que o avaliador possa expressar o mais ou menos, o pode ser, o nem tanto e o próprio sabe-se lá!
O preenchimento do formulário não precisaria ser feito numa entrevista, poderia ser feito a partir da observação de um teste de campo, ou seja, soltar o candidato dirigindo numa linha semi-regulamentada, seguí-lo e, ao fim do dia, entregar o formulário de avaliação ao responsável, provavelmente alguém que jamais tenha exercido ou venha a exercer alguma função em qualquer órgão governamental.
Como já foi dito, o formulário constaria de algumas perguntas, de uma atribuição de pontos e de uma avaliação final.
A pontuação seria muito simples: dois pontos para cada sim, um ponto para cada talvez e zero ponto para cada não.

Perguntas

1. O candidato jamais ouviu falar em espelho retrovisor e seta?
2. O candidato mantém o pisca-alerta sempre ligado?
3. Em noventa e oito por cento das vezes que deveria usar o freio, o candidato usou o acelerador?
4. Das vezes que usou o freio, o candidato o fez inopinadamente?
5. O candidato sempre estaciona no meio da rua atrapalhando o trânsito?
6. Sendo rua de mão dupla, o candidato fez o tipo de parada descrita na questão anterior para algo muito importante como conversar com o colega que estava em sentido contrário?
7. Todas as vezes que viu uma possível candidata a, digamos, namorada o candidato freou, deu uma cantada grosseira e arrancou olhando sempre para trás?
8. Ao dar partida, invarialmente o candidato arranca "puxando" o veículo para a esquerda?
9. Se está parado, o candidato espera o momento oportuno para partir, preferencialmente se algum veículo o estiver ultrapassando e, melhor ainda, vier algum veículo se aproximando em sentido contrário?
10. Ao menos uma vez em cada viagem, o candidato desceu repentinamente do veículo, escancarou a porta e ignorou que havia outros veículos trafegando?
11. O candidato fez ultrapassagens em curvas, sem visão do que poderia vir em sentido contrário?
12. Em um dos raros momentos que o candidato dirigia a baixa velocidade, ele acelerou no instante que algum veículo iniciou a sua ultrapassagem?
13. Ele criou situações para discutir com motoristas de ônibus e táxi?
14. Sempre que parou próximo a uma cabine da Polícia Militar, o candidato aproveitou para exigir um aperto no fulaninho que não está participando da caixinha?
15. O candidato buzinou insistentemente ao passar em frente a hospitais e escolas?

Avaliação

De 0 a 15 pontos
Conceito
Incapacidade permanente.
Justificativa
O candidato é uma séria ameaça à estabilidade do transporte alternativo.
Ação do avaliador
Preenchimento da circular impedindo que o candidato possa sequer candidatar-se outra vez.
De 16 a 20 pontos
Conceito
Incapacidade temporária.
Justificativa
O candidato não demonstra aptidão para o serviço. Na falta de candidatos poderá se candidatar após seis meses.
Ação do avaliador
Entregar ao candidato um formulário para novo teste em seis meses, mas ficar atento, pois se o candidato fraudar o documento deverá contar com a benevolência do avaliador na próxima vez.
De 21 a 25 Pontos
Conceito
Apto com ressalva
Justificativa
O candidato precisa adquirir algumas manhas da profissão
Ação do avaliador
Encaminhar o candidato ao ponto de táxi do Aeroporto Santos Dumond ou da Rodoviária Novo Rio para um estágio de um mês, após o qual o candidato será considerado apto sem necessidade de nova avaliação.
De 26 a 30 pontos
Conceito
Apto.
Justificativa
Sabe tudo!
Ação do avaliador
Fazer um contrato, ou melhor, um trato com o candidato, soltando-o imediatamente nas ruas.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Domingo, Março 07, 2004
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wDivagações e citações - Sábado, Março 06, 2004



Agradecimento

Márcia Maia, em tábua de marés, no dia 10 de fevereiro dedicou um martelo agalopado a AC, AAM, Manoel Carlos (o agrestino cá) e Eliane. Existe presente maior?

No dia 11 de fevereiro, quis reproduzir uma matéria que me fora enviada por c.a.t., mas o redirecionamento apresentou erro; c.a.t. com gentileza e paciência, imediatamente restaurou os seus arquivos. Aliás, não é a primeira vez que ele demonstra presteza para atender uma solicitação.

Rafael em Vox Noctis Liber, nos dias 20 e 25 de fevereiro fez referências, comoventes referências, ao agrestino.

Esther, em porcas e parafusos, no dia 05 de março, em dupla homenagem, dedicou-nos um poema e reproduziu, com o devido crédito, o nosso texto intitulado Qual é o jogo? Aqui publicado no dia anterior.

Márcia, pernambucana, é médica nas horas vagas. Quando não vaga pelos blocos carnavalescos, fundadora que é do Eu acho é pouco de Olinda, brinda-nos com prosa e poesia.

Carlos Alberto Teixeira, c.a.t., é colunista de O Globo - ver Catalisando.

Rafael, carioca da Ilha do Governador, estuda Direito no CACO, a tradicionalíssima Faculdade de Direito da UFRJ, de tão tradicional ainda é chamada por muitos de FND, ou seja, Faculdade Nacional de Direito. Em tempo: Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, de tão importante, é o nome informal da própria faculdade. Certamente ainda ouviremos falar muito de Rafael.

Esther, também carioca, "uma senhora que encontrou a fonte da juventude", eleva à arte o ato de fazer um blogue.

Nestes momentos, que dificuldade em expressar o que sentimos! Deveria ser mais simples e fácil dizer algo apropriado.

Grato.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sábado, Março 06, 2004
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Março 05, 2004



Contagem regressiva

Dilatório.
Relatórios pendentes; telefonemas não retornados; e-mails não lidos; despensa vazia.
Moroso.
Banho ou lavação de pecados? Barbear ou colher junco? Calçadas ou dunas saarianas?
Alheio.
Autômato no trabalho; mouco em conversas; cazumbi em reuniões.
Ausente.
Ainda sim, latente, fremente, à espera dela.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Março 05, 2004
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Março 04, 2004



Qual é o jogo?

Podemos não saber exatamente qual é a jogada do governo ou da mídia neste episódio envolvendo jogo e corrupção. Sabemos apenas que nós, povo brasileiro, perdemos o jogo, sem estarmos participando da jogatina.
Há pouco mais de um ano, nós votamos contra o candidato de FHC na esperança de dias melhores.
Votamos na perspectiva de mudança radical das políticas públicas, notadamente a política econômica.
E, desolados, vimos serem reafirmadas e aprofundadas as políticas do governo anterior.
É cópia de filme antigo; com um agravante: a cópia é muito inferior ao original.
O Prepone Lula e seus aspones conseguiram mais do que um mau governo, mais do que nos decepcionarem; conseguiram deixar-nos desesperançados.
O mal maior deste governo (ou desgoverno?) foi matar, temporariamente, a nossa esperança.
Mataram, temporariamente, nossa crença na organização popular para lutar.
Qual a novidade? qual a mudança?
A arrogante pretensão de interferir em outros poderes? a liquidação do que resta do patrimônio público? o descarado favorecimento do capital financeiro internacional?
Os sindicatos, quase todos, tornaram-se pelegos.
As ONG agora são, em sua maioria, Organizações Neogovernamentais.
E o que temos?
A fome, a carestia e o desemprego aumentaram.
A corrupção, o favorecimento de parlamentares em troca de apoio e a pressão descabida sobre opositores permanecem.
O próprio governo desrespeita o que resta de legislação de proteção ambiental.
Em síntese: temos um governo antipopular, antinacional e antidemocrático.
Até quando? Quando nós, povo brasileiro, assumiremos as rédeas do nosso destino?
Até quando ficaremos sem lutar? Mas, lutar para quê?
Lutar por um Brasil dos brasileiros para os brasileiros.
Para termos os frutos do trabalho para quem trabalha; a nossa terra para quem nela vive e produz; trabalho, comida, saúde e educação para todos; um processo de desenvolvimento com sustentabilidade sócio-ambiental; a garantia das liberdades individuais e o respeito às diferenças...

Sugestões de leitura:
Quando se perde a alma - A esperança vendida


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Março 04, 2004
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Março 03, 2004



O Atiçador de Wittgenstein

Recebi uma mensagem do amigo Humberto Tanure, a qual reproduzo na íntegra.

________________________________________________________
ATA DE REUNIÃO (não houve consenso)

Reunião ordinária da Associação de Ciências Morais de Cambridge

Local: King´s College, Cambridge, Edifício Gibbs, sala H3;
Dia e Hora: Sexta feira, 25 de outubro de 1946, às 20 horas (uma noite muito fria);
Tema em debate: Existem problemas filosóficos?
Palestrante convidado: Dr. Karl Popper, de Viena;
Presentes, entre outros, o prof. Ludwig Wittgenstein, presidente da associação. Também estava presente Bertrand Russel, membro do King´s College e anfitrião;
________________________________________________________
Desde o inicio houve uma veemente troca de palavras entre Popper e Wittgenstein sobre a natureza essencial da filosofia -- se os problemas filosóficos realmente existem (Popper) ou se são apenas perplexidades, quebra-cabeças lingüísticos (Wittgenstein).
________________________________________________________
Popper apresentou vários exemplos do que considerava serem problemas filosóficos reais. Wittgenstein rejeitou-os todos, um por um. Enquanto isso Wittgenstein brincava nervosamente com o atiçador de brasas da lareira, como se fosse uma batuta, para reforçar suas afirmações.
Surgiu então uma pergunta sobre o status da ética. Wittgenstein desafiou o palestrante a dar um exemplo de regra moral. Popper então disse:
--- "não ameaçar palestrantes com atiçadores"
Ao que Wittgenstein, num acesso de raiva, jogou o atiçador no chão e se retirou da sala, batendo a porta.
________________________________________________________

O que de fato aconteceu nessa reunião memorável, e mais o panorama intelectual da época, as razões do conflito essencial entre os dois grandes filósofos, ambos patrocinados por Bertrand Russel, é discutido no brilhantissimo ensaio filosófico-policial "O Atiçador de Wittgenstein" por David Edmonds e John Eidinow (jornalistas da BBC) Editora DIFEL - 2001

Prezados amigos,
Li as 300 páginas do livro no Carnaval.
Foi impossível parar.
Recomendo-o calorosamente.
Abs,
Humberto

MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Março 03, 2004
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Março 01, 2004



FMI e IBGE

Enviei, via e-mail, para inúmeros amigos, uma mensagem contendo duas notícias sobre reunião entre técnicos do IBGE e do FMI e as conseqüentes alterações metodológicas na realização de censos econômicos. Entretanto, para evitar interpretações levianas, consultei o amigo Sérgio Besserman Vianna, Presidente do IBGE no governo anterior.
Eis a resposta de Besserman.

Caro Manoel, a reunião com o FMI é rotina. Quando eles elaboram seus relatórios costumam reunir com muita gente. Quanto às atualizações da PIMES, o IBGE abandonou a realização dos censos econômicos (por razões de custos) e passou a utilizar base amostral através de pesquisas estruturais para atualizar as pesquisas econômicas. Leva um tempo para ter uma série que permita atualizar as ponderações das pesquisas conjunturais. É isso que está ocorrendo agora com a PIMES. Abraço,SBV.

Adendo
Interessante artigo, sem tecniquês, de Carlos Lopes, sobre medição de qualidade de vida.


MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Março 01, 2004
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Praia do Porto - Costa Dourada
Litoral Sul de Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Praia de Calhetas
Cabo de Santo Agostinho
Ponto extremo de Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Chapada dos Guimarães
Mato Grosso
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Serra dos Órgãos
Estado do Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Campos do Jordão
São Paulo
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Provetá - Ilha Grande
Estado do Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Candeias
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Mercado São José - Recife
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Piedade
Jaboatão dos Guararapes
Pernambuco
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Pouso Alegre
Minas Gerais
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Pão de Açúcar
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Cristo Redentor
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Nascente - Pão de Açúcar
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Poente - Floresta da Tijuca
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Maracanã
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Niterói
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Quinta da Boa Vista
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Zona Norte
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Santa Tereza
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Micos
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro
Vista de Casa
Igreja da Penha
Rio de Janeiro
Foto: Manoel Carlos Pinheiro