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wAgreste |
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Rabiscos e divagações
 Auto-retrato |
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Pernambucano, residente no Rio de Janeiro. Analista de Sistemas. Casado, com quatro filhos. Contato |
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“Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta de seus vivos” Vital Farias |
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wDivagações e citações - Domingo, Fevereiro 29, 2004 |
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Cultura ou comércio?
Duas frases definem bem o que atualmente é o carnaval do Rio.
Uma delas proferida pelo Seu Walter, à época presidente da Velha Guarda da Portela. Conversávamos sobre a evolução do carnaval, sobre a contradição entre evoluir e preservar valores.
Ele explicava que a evolução é inevitável, mas não pode ser confundida com a descaracterização reinante.
Concluiu com uma frase simples, mas lapidar: - o carnaval do Rio só passará a ser uma grande manifestação popular quando a sua organização passar da Secretaria de Turismo para a Secretaria de Cultura.
Este o busílis da questão, verdadeiro nó górdio.
A produção cultural como mercadoria.
A estrutura de comercialização determinando o quê e como produzir.
Não é por acaso que "Produtor Cultural" no Brasil não é quem compõe, escreve, esculpe ou pinta.
É quem lida com a estrutura de comercialização do produto cultural transformado em mercadoria.
E como tal subordina e condiciona a produção cultural.
A segunda frase é do saudoso João Saldanha.
"Do jeito que vai o carnaval carioca, se uma sociedade alemã vier disputá-lo será campeã".
Pouco a pouco, os itens que têm a ver com samba foram perdendo importância e sendo substituídos por aspectos secundários, tais como: alegorias, adereços...
Cada vez mais as figuras de destaque são estranhas ao samba e às manifestações culturais populares.
Os "estrangeiros" influíram na própria cadência do samba, pois atualmente os sambas enredo das escolas têm o andamento mais acelerado.
As escolas adotaram o andamento que antes caracterizava os chamados blocos de empolgação.
Surgiu até uma expressão "desfile técnico" para justificar a vitória de escolas que não despertam a emoção do povo.
Os próprios julgadores são, cada vez mais, figuras distantes do mundo do samba.
Tais jurados são submetidos a um cursinho para saberem como devem julgar o quesito sob sua responsabilidade.
Este ano, pelo visto, faltaram à aula, pois não viram dois carros se desfazendo no desfile da Beija Flor que neste quesito superou Portela e Império Serrano.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Domingo, Fevereiro 29, 2004
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004 |
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Eça de Queiroz
A Associação Brasileira de Imprensa - ABI realizará na próxima quarta-feira, dia 03/03/2004, às 18 horas, em sua sede, Rua Araújo Porto Alegre, 71, 7º andar,
Centro - Rio de Janeiro - RJ, palestra com Consócio João Duque Estrada Meyer sobre a vida e a obra de um dos maiores autores da literatura clássica portuguesa, Eça de
Queiroz.
Duque Estrada, em sua palestra, abordará a obra e a vida de Eça de Queiroz, inclusive o seu forte engajamento político retratado, principalmente, em Os Maias.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004
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wDivagações e citações - |
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Prepone
Maldito Millôr Fernandes!
Mais uma vez ele expressou aquilo que pensamos e não conseguimos expressar.
Pois não é que ele criou o neologismo prepone?
Evidentemente, destinado a Lula, na mesma linha de aspone...
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004 |
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Beijo roubado
Ninguém lembra quando começou a prática que se consagrou como costume.
Sempre que alguém muito importante visitava a escola, o mestre-sala conduzia a porta-bandeira e ela aproximava o estandarte da figura ilustre.
Em sinal de respeito, o visitante beijava o símbolo da escola.
Quando os desfiles passaram para a Presidente Vargas, as autoridades começaram a freqüentá-los, afinal não deixava de ser uma boa forma de caçar votos.
O governador da Guanabara compareceu ao desfile.
Na vez do Império Serrano, por orientação do Diretor da escola, o casal levou a bandeira até o governador que, ignorante quanto aos costumes do povo, nada fez.
A platéia gritava: - beija! beija!
E nada de o governador entender.
Canelinha, o grande Canelinha, rodopiou, conduziu a porta-bandeira de tal forma que a bandeira roçou a boca do governador.
A platéia delirou.
Décadas depois, eu sempre me deliciava com o brilho dos olhos e o sorriso tímido de Canelinha toda vez que alguém lembrava a façanha.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004 |
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Arcano
Noite. O silencioso giro da chave fecha o portão. A rua deserta, sem testemunhas à vista. Ao longe, o som dos batuques e das marchas. O andar sorrateiro em direção à Lapa. Nada além de um vulto a contrastar com o casario de Santa Tereza.
Cinqüenta e uma semanas por ano de inflexível disciplina, irrepreensível dedicação, entrega absoluta. Não no carnaval.
A reedição de outras saídas de outras sextas-feiras que antecederam o tríduo momesco.
Que fantasias usaria? Colombina, palhaço, Clóvis, bate-bola? Pularia no Cordão do Bola Preta? Sairia no Bafo da Onça? Dançaria no baile do Clube dos Democráticos? Sambaria na Portela? Acompanharia os passos de Lopita? Frevaria com Luiz Freire? Beberia com Madame Satã? Flertaria? Amaria com culpa, mas sem reservas?
Ao fim da noite de terça-feira, como sempre, retornaria. Qual um filme rodando ao contrário, giraria a chave do portão e desapareceria no interior do vetusto casarão.
Na manhã seguinte, iniciada a quaresma, penitente, reassumiria plenamente os votos de clausura no Convento das Carmelitas.
______________________________________________________________________________
O Bloco das Carmelitas sai da Ladeira de Santa Tereza na sexta-feira de carnaval e dispersa no Largo dos Guimarães. Na terça-feira faz o percurso de regresso.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004
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wDivagações e citações - |
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O batismo de um bamba.
Para ser membro da Ala de Compositores da Portela, há todo um ritual que inclui a apresentação por um membro e a aceitação, por parte de outro membro, de parceria em um samba com o candidato.
Com Paulinho da Viola não foi diferente. Ao ser apresentado, Paulinho levou a primeira parte de um samba, feito para a ocasião. E a cantou.
Leva o recado
a quem me deu tanto dissabor
e diz que no passado
eu fui um sofredor
E cantou o refrão.
Agora já não sou,
o que passou, passou.
E agora já não sou,
o que passou, passou.
Nem bem cantou o refrão, de improviso, Casquinha emendou.
Vai dizer a minha ex amada
como é feliz meu coração,
mas que na minha madrugada
eu não esqueço dela não!
Estava selada a parceria e acabara de ingressar na Ala de Compositores aquele que seria escolhido como o afilhado da Velha Guarda que o consideraria o sucessor de Paulo da Portela.
O samba afirma na primeira parte o que nega na segunda. Casquinha estava com a razão, se o que passou, passou, por que o recado?
A guardiã
A Velha Guarda da Portela é considerada a guardiã da escola. Não foi casual a presença dela à frente do desfile, como não o foi no último carro. Mais que isto, enquanto todas as demais escolas procuram atrizes ou modelos famosas para serem rainhas de bateria, mesmo que precisem de aulas de samba nas semanas que antecedem o carnaval, na Portela a rainha de bateria foi Dodô da Portela de oitenta e três anos.
O respeito que se tem em Madureira pela Velha Guarda é tanto que houve um caso antológico.
Seu Rufino, sócio número um da Portela, com seus passos miúdos caminhava por uma calçada na qual estava ocorrendo um assalto. Alguém disse: - olha seu Rufino! O assaltante escondeu a arma, o assaltado baixou os braços e o assalto só prosseguiu após a passagem de Seu Rufino.
Um rio...
Mesmo acolhido pela Velha Guarda, Paulinho da Viola esteve mal durante algum tempo, consigo e com a Portela. Ele fizera uma melodia, ainda sem letra, mostrou a diversas pessoas. Hermínio Bello de Carvalho a levou e botou uma letra, incluído-a em um repertório de um espetáculo. Era simplesmente Sei lá Mangueira. Foi um grande constrangimento.
Amargurado e ressabiado, Paulinho compôs Foi um rio que passou em minha vida, reconciliando-se completamente com toda a Portela.
É muito difícil alguém alcançar o significado pleno deste samba.
Os festivais.
Há inúmeros fatos curiosos com este samba de Paulinho. Um deles foi em festival. Cada rede de televisão fazia o seu próprio festival. Uma delas resolveu promover um festival de música tradicional brasileira; outra criou um festival que era um feira aberta às novas experiências musicais.
Paulinho da Viola pegou duas músicas suas: Foi um rio que passou em minha vida e Sinal fechado. Na hora de enviar as músicas, errou e trocou os envelopes. Resultado: primeiro lugar em ambos festivais. O que evidenciou a incompetência dos jurados, pois foi um absurdo tão grande aceitar Sinal fechado como uma música tradicional quanto aceitar Foi um rio que passou em minha vida como uma nova experiência musical.
Aliás, Paulinho já sabia disto, pois em um festival anterior, havia oito finalistas já escolhidas quando uma televisão concorrente exibiu o filme Rio Zona Norte de Nelson Pereira dos Santos, cujo tema musical era uma das classificadas no festival. O problema é que havia a exigência de todas as músicas serem inéditas. Isto causou a desclassificação da música de Zé Kéti. Os jurados se reuniram, às pressas, para escolherem, entre as preteridas, uma substituta. E encontraram exatamente Coisas do Mundo, minha nêga. Não a escolheram como campeã porque seria assinar a própria incompetência.
A primeira escola a gente esquece?
A primeira vez que fui a um ensaio de escola de samba foi na Mangueira. Achei tudo muito interessante, muito bonito, animado, um espetáculo digno de qualquer turista.
Resolvi ir a escolas menores: Tupi da Brás de Pina, Aprendizes de Lucas, Unidos de Padre Miguel, Unidos do Cabuçu. Na maioria delas, um ambiente mais descontraído, as pessoas sambando mais, mas não consegui entender a paixão pelo samba. Fui a blocos, à época com sambas em andamento diferente, de empolgação, uma vez que os sambas enredo das escolas eram mais cadenciados.
Um dia, fui ao Império Serrano e fiquei impressionado com a sua bateria mão-de-ferro. Até que finalmente fui à Portela, só então entendi o que significava o samba Foi um rio que passou em minha vida. Até aquele momento, no dizer de Paulo Freire, eu estava adaptado ao Rio de Janeiro; aquela sexta-feira marcou o início do meu processo de integração à cidade.
O fato de ser portelense jamais me impediu de freqüentar outras escolas. Seu Geraldo, do Caxambu do Salgueiro, então presidente da velha guarda de lá, chegou a realizar jongo a meu pedido, inclusive quando levei membros da direção do Conselho Mundial da Paz. Também fui diversas vezes à casa de Vovó Maria Tereza e ao jongo no alto da Serrinha; à casa de Tia Maria Alice,da Cidade Alta, presidente ala das baianas; e, mais que isto, inúmeras vezes tive a honra de ser recebido às segundas-feiras, por Carlinhos Vovô, no próprio Império Serrano; numa delas, acompanhando alguns músicos angolanos, ri muito quando, entre dezenas de compositores que se apresentavam, um portelense apareceu e os angolanos disseram: este samba é diferente, mais gostoso; Carlinhos olhou para mim e disse: - o que diabo você anda fazendo? Quer converter todo mundo? E eu nada dissera... Apenas, rindo, respondi: - se fosse o caso, não teria trazido para a sua sopa, levaria para o feijão de Tia Vicentina.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004
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wDivagações e citações - Sábado, Fevereiro 21, 2004 |
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"Casamento duradouro é confortável como sapato velho" - Aforismo.
Soneto decassílabo
Entre sapato e casamento
há a estranha associação
o público reconhecimento
de possível identificação.
No começo há o sentimento
de verdadeira alucinação
paixão e ciúme, um tormento!
alternados com a abnegação.
Casamento é absorvedouro
e, se ele não fica estável,
fenece logo no nascedouro.
Não sei se sentença ou agouro:
sapato velho é confortável
como casamento duradouro.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sábado, Fevereiro 21, 2004
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004 |
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Arquitetura e vida
Fotos: Manoel Carlos Pinheiro
Em Duque de Caxias, Baixada Fluminense, será construído o Centro Cultural Municipal Oscar Niemeyer. Aos noventa e seis anos de idade, Niemeyer faz por merecer esta e outras homenagens.
Serão dois prédios equipados com ar-condicionado central. O prédio do teatro, com dois pavimentos e o outro, com três pavimentos, que abrigará biblioteca, galeria para exposições, quatro salas oficina, copas e banheiros públicos.
Com espaço para eventos ao ar livre, o Centro Cultural é um projeto arquitetônico do próprio homenageado, nosso maior arquiteto.
Nas paredes do seu escritório, numa cobertura da Avenida Atlântica em Copacabana, Niemeyer fez alguns traços e escreveu algumas frases, numa delas ele diz que "a arquitetura não é importante, mas a vida".
Sempre que fui ao seu escritório o tema das reuniões era a vida e não a arquitetura.
A única exceção foi na época que estava sendo construído o Sambódromo do Rio de Janeiro.
Havia uma intensa campanha de toda a mídia contra o projeto que acabaria o monta-desmonta de arquibancadas.
O interessante é que o custo do Sambódromo equivaleu a dois anos de monta-desmonta.
Para atender o pedido de Darcy Ribeiro, Niemeyer impôs uma condição: criar, no próprio Sambódromo, um espaço para escolas.
Resultado: mais seis mil vagas em escolas municipais.
A imprensa, em sua campanha, afirmava que não haveria desfile de escolas de samba porque o Sambódromo não ficaria pronto a tempo; que havia risco de cair.
A TV Globo recusou-se a transmitir o desfile e propiciou à Manchete elevadíssimos índices de audiência.
Quando a população do Rio ainda estava perplexa, na condição de Secretário Geral do Instituto Cultural Brasil África, cujo Conselho Niemeyer presidia, reuni todos os presidentes de velha-guarda de escolas, entre eles o Seu Walter, da Portela, Carlinhos Vovô, do Império Serrano, Babaú, da Mangueira, Seu Geraldo do Salgueiro.
Ainda alguns notáveis do mundo do samba como Roberto Ananias.
Foi uma reunião maravilhosa.
Pela animação, parecia um grupo de crianças.
Niemeyer, como sempre, foi um grande anfitrião: paciente, atencioso e simpático.
Ele mostrou todo o projeto, fez traços em grandes folhas de papel (eu deveria tê-las guardado), acolheu sugestões.
Houve até quem fizesse um partido-alto elogiando o Sambódromo, ainda sem este apelido definitivo dado por Darcy Ribeiro, e o seu criador.
A partir de então, o Sambódromo tornou-se irreversível; pouco a pouco, a partir da velha-guarda, a aceitação do projeto foi absoluta.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004 |
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Blogueiros adolescentes
Quem procurar as revistas e jornais da época que o microcomputador surgiu poderá observar que todos vaticinavam: o computador acabará as publicações impressas, não haverá mais jornais, o desemprego no setor gráfico... Parecia uma nova onda de luditismo. O que se viu foi um número maior de publicações independentes, de boletins e jornais de bairro, de associações, etc. É claro que os linotipistas se aposentaram.
Com o surgimento de planilhas eletrônicas, editores de textos e programas de contabilidade, os neoluditas voltaram a atacar. Na época, eu tive uma discussão com um Diretor Financeiro de uma instituição. Ele dizia que um determinado programa de contabilidade provocaria o desemprego de contadores. Eu retrucava argumentando que os contadores deveriam deixar de serem simples anotadores e se tornarem analistas contábeis.
Com o advento da internet, a recrudescência da campanha contra a informática foi notável, inclusive entre os próprios profissionais de informática. Na verdade, a internet promoveu uma extraordinária disseminação do uso da informática. Conseqüentemente, há uma imensa produção de lixo virtual.
A produção em massa leva muitos "intelectuais" a duvidarem se há vida inteligente na internet.
Claro que há, inclusive é uma questão dialética: da quantidade surge a qualidade.
O óbvio é que a facilidade de se pesquisar qualquer assunto na internet já é um indicador seguro da existência de vida inteligente no mundo virtual.
Entretanto, o que me chama a atenção e me deixa animado é o uso que adolescentes fazem da internet. Hoje é grande o número de blogues produzidos exclusivamente por adolescentes que criticam o próprio lixo na internet.
A crítica severa, mas humorada; aberta à crítica também, como demonstrou Christy do Bombardeio para quem enviei um comentário não público e ela, além de publicá-lo, veio até aqui se justificar; nem precisava. Entre os mais destacados está o Queima, Jesus!, inspirador de clones como o irônico Queima o arroz, Jesus!, aliás a clonagem foi recebida com grande espírito esportivo pelo próprio pessoal do Queima Jesus! Há o CruSSificados, o Antiblogueiros. Há até um deles especializado em elogiar: Prestigiados. Enfim: uma explosão de vida jovem, crítica e inteligente na internet. Maravilha!
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004
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wDivagações e citações - |
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Taiguara
Há nove anos (14/02/1995) faleceu o amigo Taiguara.
Mais conhecido por sua fase romântica, Taiguara teve uma fase engajada, uma fase africana...
Além de dar uma grande contribuição à música brasileira, Taiguara, sempre inquieto e questionador, manifestava a preocupação quanto ao papel do artista, à função social da arte...
Faz-nos falta o convívio amigo; as discussões exaltadas, mas fraternas; a permanente instigação a pensar.
Se Taiguara nos faz falta, o que dizer de Pixinguinha (falecido em 17/02/1973) e Darcy Ribeiro (falecido em 17/02/1997), dois dos maiores nomes de nossa cultura?
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004
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wDivagações e citações - |
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Antropologia urbana
O Brasil tem um marcante processo de concentração urbana. Atualmente, a maioria da população brasileira se concentra em apenas onze áreas, considerando-se as dez Regiões Metropolitanas e Manaus. Daí, o paradoxo: conhecer o Brasil não é mesma coisa que conhecer os brasileiros. Conhecer a maioria de nossa população é analisar habitantes de uma parte ínfima do nosso território. De qualquer forma, é fundamental entender as nossas cidades. Na internet encontramos muita informação sobre as cidades, desde estatísticas a enfoque de problemas referentes à gestão urbana, como é o caso do IPP . Entretanto, há uma abordagem muito interessante, resultante do trabalho da antropóloga e pesquisadora Rita Amaral. Esta abordagem está presente em Os urbanitas e na NAU, página do Núcleo de Antropologia Urbana da USP. Vale a pena visitar.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Fevereiro 17, 2004
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Fevereiro 16, 2004 |
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A vingança
Alguns tocos ainda queimando. Restos de lanternas coloridas misturavam-se aos papéis brancos, de chumbinho estourado, pelo chão. Apesar do frio e da chuvinha fina, o menino madrugou. Fez um verdadeiro inventário da rua. Não conseguiu encontrar nada importante. Aproveitou para assar um milho na palha. Com um galho revirava a espiga. Distraído, recordava todas as brincadeiras da noite anterior. Fitando as brasas, pensou que, mais uns dois ou três anos, ele dançaria o toré.
De repente, o outro fez a maldade. Jogou o jumento, com latas d'água para derrubá-lo. Tudo muito rápido. Nem teve tempo para pensar. Desequilibrado, impossível desviar-se do fogo. Cairia dentro da fogueira. Aproveitou o impulso e atirou-se. Voou acima das chamas, bateu com as mãos no chão e, tal um capoeirista, rodopiou no ar, caiu mais adiante. Torceu o pé e estatelou-se.
Nenhum ferimento grave. Ligeiras escoriações nas mãos e muita dor no tornozelo, o qual, imediatamente, começou a inchar. Enquanto aplicava gelo, apenas uma imagem, insistentemente, vinha-lhe à mente: o sorriso maldoso e satisfeito do menino de cara chupada, mais parecendo uma castanha-de-caju.
Ruminante. Sem poder jogar bola, rolar dentro de pneus, andar de patinete, contentava-se em ler gibis. E remoia a raiva surda. Tramava vinganças terríveis. Vontade de, no mínimo, esquartejar o covarde. Não seria fácil. Menor, mais magro, talvez levasse uma surra. Não importava.
É claro que sentia medo de apanhar. O que não o impedia de brigar. Não buscava o confronto, até mesmo o evitava. Até o limite. Mas quando não via alternativa, era um deus-nos-acuda. Só retomava a razão quando via o oponente sangrando. Nas poucas vezes que perdeu, ganhou o respeito de quem o derrotara, pois não desistia jamais. Mesmo apanhando, não parava de bater. Depois de apartado, ia lamber as feridas. Não guardava rancores. Na maioria das vezes, vitorioso, não tripudiava do perdedor. Fazia as pazes na primeira oportunidade.
Desta vez, sabia, era muito diferente. Mais que a covardia da agressão, o que o deixava furioso era a lembrança do sorriso. Tão logo ficou bom do tornozelo, passou a caçar o Cara-de-Castanha-Murcha. Primeiro na sua própria rua, na qual fora agredido. Depois nas ruas adjacentes. Cada vez ampliava o raio da região de caça. E nada. Na primeira semana, deixou as brincadeiras de lado. Piores férias escolares da vida. Caçava obsessivamente. Um mês e nada! Onde diabo se metera? Não mais o encontrou nem esqueceu.
Fazia quase um ano. Aprendera o significado da expressão "sede de vingança". Não havia um só dia sem que a lembrança do sorriso malvado o atormentasse.
Já deveria ter ido para casa jantar. De papo pro ar, contemplava o pôr-do-sol. Pouco antes, brincara no gramado junto ao córrego onde pastavam os animais. Toureara alguns carneiros, ensinando-os, para desespero dos donos, a darem marradas. Ficavam perigosos. Mas se realizava. Era o melhor toureiro. Fizera uma grande apresentação para uma platéia imaginária.
Já escurecia e, sozinho no pasto, resolvera voltar para casa. E o encontrou. Recolhendo o seu jumento. Sem testemunhas. Sem ninguém para apartar. Era bater ou apanhar muito. Antes de partir para cima, teve a decência de avisar. Esperou que o covarde se preparasse.
Batia e apanhava. Dois socos na boca do estômago quase o fizeram perder o ar. O soco no queixo o derrubara. Sangrava um pouco pelo canto da boca. Mas também desferira uns bons golpes. Quando caiu, rolou rápido para o lado e começou a usar os pés. Primeiro para impedir a aproximação, depois para desferir chutes certeiros. Dois terríveis: o primeiro na barriga e o outro, nos ovos, fez o Cara-de-Castanha-Murcha dobrar-se e gritar.
Conseguiu dominar e imobilizar o adversário. Nem o sangue espirrado o conteve. Era muita raiva. Daria uma verdadeira surra naquele safado. Foi quando, apesar da penumbra, seus olhares se encontraram. E viu, nos olhos do inimigo, o pavor. Instantaneamente, a raiva cedeu lugar à pena. Jamais perdoou o pobre diabo, mas não conseguia sentir rancor. Descobrira um novo sentimento: desprezo.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Fevereiro 16, 2004
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wDivagações e citações - Domingo, Fevereiro 15, 2004 |
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Dona Anadyr é muito boa
Pedro, que às vezes visita esta página, mantém mas tudo bem... um blog triste, mas de alma boa no qual, além de variedades, há uma espécie de consultório sentimental com consulentes interessantes e a maravilhosa conselheira Dona Anadyr. É claro que as mensagens de Pedro Bó e NIna K. também são hilariantes. Recomendo uma visita.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Domingo, Fevereiro 15, 2004
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wDivagações e citações - Sábado, Fevereiro 14, 2004 |
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Os dez melhores romances
André Ricardo Aguiar em engrenagem resolveu propor que os seus visitantes listassem os seus dez romances preferidos. Li a lista dele, abri a janela de comentários, comecei a escrever a minha lista. À medida que o fazia, tornei-me recalcitrante, tendendo a abufelado. Por que refilei se André em nada me agredira? Nem foi por discordar da lista dele. É um problema meu com listas de dez mais. Podem dizer que sou meio escalafobético, até mesmo estrambótico, não discordarei.
Comecei aceitando Graciliano, pois ele inicia qualquer lista de escritores preferidos que eu venha a elaborar. Ao me deparar com Menino de Engenho, de José Lins do Rego, sem discordar, pensei no regionalismo universal dele e no Ciclo do Açúcar; isto me fez lembrar de José Condé e do Ciclo do Cacau de Jorge Amado, duas ausências nas listas elaboradas. Quando percebi que nem começara a minha lista e que, mesmo retirando uns três ou quatro nomes da lista inicialmente proposta, tendo que aceitar algumas inclusões já propostas nos comentários, começou a me dar entojo.
Tanto na linha regional (Assunção de Salviano, A Madona de Cedro..) quanto na nacional (Quarup, Reflexo do baile), Antônio Callado não poderia estar ausente; é claro que sempre lembro de Antônio Callado e Joel Silveira como os dois monstros sagrados do jornalismo brasileiro, na condição de repórteres, inclusive por Vietnã do Norte de Callado.
A lista naufragaria sem Moacir Lopes (Maria de cada porto ou A ostra e o vento?); diplomaticamente teria que incluir o Senhor Embaixador de Érico Veríssimo, sabendo que há quem lute até pós-morte pela inclusão de Incidente em Antares.
E José de Alencar? Lima Barreto?
Toda esta engrisilha sem sair do Brasil e sem incluir (ainda) uma escritora que fosse; que tal Clarice Lispector? ´- eu sei que ela era ucraniana, mas como escritora, claro que brasileira!
Ao menos um português eu incluiria: Eça de Queirós, mesmo em dúvida se o faria com O crime do padre Amaro ou com O primo Basílio. O angolano Pepetela e o seu Mayombe também. Como se trata de romance, representaria Moçambique através do escritor Mia Couto, reconhecendo que na literatura, do Rovuma ao Maputo, ninguém se compara ao poeta José Craveirinha.
E deveria deixar de lado Astúrias e América Central?
A esta altura, já me tornei merecedor de um esbregue de Márcia Maia que aderiu entusiasmada à idéia de André. O que não me impediria de incluir (sem retirar Crime e castigo) mais dois russos: Máximo Gorki (Mãe) e Lev Nikolaievitch Tolstoi.
E Os miseráveis? Já que cheguei à França, prefiro parar e beber um vinho, saúde!
Em resumo: fazer a lista dos dez melhores romances é, para mim, tão fácil quanto botar o Estádio do Maracanã dentro do Ginásio do Maracanazinho.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sábado, Fevereiro 14, 2004
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004 |
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Concurso Nacional de Poesia
6º Concurso Nacional de Poesias "POETA NUNO ÁLVARO PEREIRA"
A EDITORA VALENÇA S.A. promove o Concurso Nacional em Língua Portuguesa de Poesias para selecionar autores.
Tema: Livre
Inscrição: As inscrições são gratuitas, podendo inscrever-se autores de todo o país, com o envio de até três trabalhos, duas vias de cada trabalho em trinta
versos no máximo, assinadas, com o número da carteira de identidade e órgão expedidor, profissão, endereço completo, telefone (se tiver) e data de nascimento. Os trabalhos devem ser datilografados em espaço dois, num só lado da folha, em duas vias e disquete (se possível, em arquivo .txt). Os nomes e endereços completos (inclusive o CEP) deverão ser também datilografados. Os selecionados para publicação serão editados em regime de co-edição financeira e editorial no(s) volume(s):
PÉRGULA LITERÁRIA Nº 6 Os trabalhos enviados não serão devolvidos.
Prazo de Inscrição: Até 31 de março de 2004.
Local de Inscrição: Os trabalhos devem ser enviados pelos Correios até 31 de março de 2004 à Caixa Postal
24.272 - Cep: 20.522-970 - Tijuca - Rio de Janeiro - RJ.
Premiação: Todos os trabalhos selecionados para publicação farão parte do(s) livro(s) após contrato devidamente assinado com a Editora Valença e
automaticamente concorrerão aos prêmios do primeiro ao terceiro lugar. PRÊMIOS: 1º Lugar - Troféu "Poeta Nuno Álvaro Pereira" 2004 (um dos patronos da Academia Valenciana de Letras). 1º, 2º e 3º Lugares - Receberão medalhas. O(s) Livro(s), objeto deste concurso, será(ão) lançados solenemente em 2004 na cidade de Valença ¿
RJ. Os casos omissos serão resolvidos pela comissão de classificação e julgamento. Maiores informações ou reclamações deverão ser encaminhadas por escrito à Caixa Postal 24.272 - Rio de Janeiro - RJ - CEP 20522-970.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004
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wDivagações e citações - |
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Estranha forma de vida - Amália Rodrigues e Alfredo Marceneiro
Foi por vontade de Deus
que vivo nesta ansiedade
que todos os ais são meus
que é toda minha a vontade
foi por vontade de Deus
Que estranha forma de vida
tem este meu coração
vive de vida perdida
quem lhe daria o condão
que estranha forma de vida
Coração independente
coração que não comando
vives perdido entre a gente
teimosamente sangrando
coração independente
Eu não te acompanho mais
pára deixa de bater
se não sabes onde vais
porque teimas em correr
eu não te acompanho mais
se não sabes onde vais
porque teimas em correr
eu não te acompanho mais
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004
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wDivagações e citações - |
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Aniversário de São Paulo - Publicado em 28/01/2004 em Cromossomos
Neste fim de semana tivemos a festa de aniversário dos 450 anos da cidade, mas, o que São Paulo tem para comemorar?
O desemprego? A violência em cada canto da cidade? As crianças de rua e seus malabarismos em busca de algum trocado? As enchentes que continuam assolando grande parte da cidade? O trânsito insuportável? A saúde pública que está na UTI?
O que a nossa adorável prefeita fez, foi o que os antigos romanos denominaram de "Pão e Circo": dar ao povo diversão para que eles se esqueçam dos problemas e simpatizem com seus governantes incompetentes. Afinal é mais fácil fazer uma festa do que se pensar em benfeitorias à cidade.
A festa foi também um desperdício de recursos absurdo! Contrataram até uma cantora, a Rita Leexo, que havia debochado recentemente de São Paulo em seu show no Rio de Janeiro. Além de criticar seus moradores, resumiu-a em uma cidade que só serve para ganhar dinheiro.
Bem, neste quesito, esta anciã foi coerente em seu discurso, porque ela não deixou que seu desprezo e escárnio pela cidade de São Paulo, a impedisse de ganhar uns trocadinhos aqui. Foi bastante profissional.
Tudo bem Rita Leexo, nós sabemos como os idosos e aposentados são maltratados neste país, principalmente numa cidade violenta, suja e feia como São Paulo. Nós entendemos e demos de esmola o que você tanto precisava: garantir parte de sua aposentadoria, precisando trabalhar justamente na festa de aniversário de quem tanto achincalhou.
Foram capazes também de interditar a Avenida 23 de Maio, acesso para vários grandes hospitais da cidade e uma das principais vias de acesso que nos liga a vários outros bairros desta cidade que cresceu sem um planejamento.
Para que o Parque do Ibirapuera precisa de um chafariz high tech? Para pulverizar água e melhorar a umidade relativa do ar? Para o Pão de Açúcar aparecer de alguma forma?
Nossa "comPeTente" prefeita prefere pintar as pontes das marginais com seu Projeto Belezura, enquanto nossas ruas têm mais buracos que um queijo suíço. E por falar em Suíça, lá as pontes não são pintadas, mas, em compensação a pavimentação das ruas é impecável e as calçadas também são perfeitas. Coitados, eles não pintam as pontes!
Gente, vamos acordar? Parar de pensar que nossa vida é só carnaval, futebol e cerveja?!?! Parar de achar que a Ana Paula Arósio e o Big Brother Brasil irão resolver nossos problemas...
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004 |
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Martelo agalopado
Há um estilo de nossa cantoria
repente, improviso na arte de rimar
é gabinete, martelo ou beira-mar
dez estrofes, versos ricos em poesia
segunda e terceira em harmonia
primeira, quarta e quinta a combinar
e a receita vamos logo terminar
sexta, sétima e décima é a rima
a nona combina com a de cima
cantando o galope na beira do mar!
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004
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wDivagações e citações - |
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Mensagem suspeita
Recebi uma mensagem enviada por sinrural@networld.com.br.
Habitualmente, sou mais desconfiado que cachorro depois de malfeitoria.
Imaginei que o remetente fosse algum sindicato rural.
Não sou bóia-fria, camponês, pecuarista, madeireiro, usineiro, sem-terra...
Cachorro mordido de cobra tem medo de lingüiça!
Resolvi não abrir o arquivo anexo à mensagem.
Um tal de jqzg.zip
Resolvi investigar e descobri que contém o vírus
W32/Mydoom.a@MM
Portanto, não abram este tipo de arquivo!
A propósito, vejam o artigo que o @migo c.a.t. enviou-me no dia 30/01/2004.
__________________________________________
Vírus: apenas uma hipótese
Muitos desses últimos vírus de computador que estão assolando o planeta têm uma característica em comum. Eles fazem spoof de "From", ou seja, eles forjam remetentes. Vamos pensar numa jovem chamada Alice, que você não conhece e para quem nunca mandou email. É possível que ela receba uma mensagem contaminada que aparentemente tenha sido enviada por você. Como? Uma terceira pessoa, que você também não sabe quem é, foi contaminada pelo vírus, que varreu o caderno de endereços dela e usou aleatoriamente diversos lá encontrados como falsos remetentes das mensagens contaminadas. O seu endereço calhou de estar na lista dela e você acabou sendo um dos remetentes dos emails infectados. É bem bolado, causa a maior confusão e tem um efeito adicional, no mínimo, curioso. Quer ver?
Vamos supor que o provedor da Alice tenha um bom antivírus. Imaginemos também que ela recebe um outro email contaminado, aparentemente remetido por um tal de Zeca. Alice não conhece nenhum Zeca, nem ele também a conhece -- foi o vírus que confundiu tudo propositalmente. O antivírus do provedor de Alice detecta a infecção potencial e automaticamente mata a ameaça, enviando em seguida uma mensagem de advertência para o remetente da mensagem infectada -- o Zeca que, coitado, não tá sabendo de nada.
E aí eu pergunto, qual é a primeira coisa que alguém assim assustado vai fazer? Óbvio: providenciar um programa antivírus para ter certeza que está limpo.
Bem, acho que não preciso ir adiante, conjeturando quem seriam os maiores interessados em propagar um contágio mundial arrasador com estas características tão específicas, né?
(Extraído do Catalisando)
- c.a.t.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004
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wDivagações e citações - Terça-feira, Fevereiro 10, 2004 |
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Os Sertões
Samba Enredo do GRES Em Cima da Hora
Carnaval do Rio de Janeiro - 1973
Autor: Baianinho
Marcado pela própria natureza
o Nordeste do meu Brasil
Oh! solitário Sertão!
de sofrimento e solidão
A terra é seca
não se pode cultivar
morrem as plantas
sufoca o ar
a vida é trsite
neste lugar
Sertanejo é um forte!
supera a miséria sem fim!
Sertanejo, homem forte,
dizia o poeta assim!
Sertanejo é um forte!
supera a miséria sem fim!
Sertanejo, homem forte,
dizia o poeta assim!
Mas foi...
Foi no século passado
no interior da Bahia
que o homem revoltado contra a sorte
do mundo em que vivia
ocultou-se no Sertão
espalhando a rebeldia
revoltado contra a lei
que a sociedade oferecia.
Os jagunços lutaram
até o final
defendendo Canudos
naquela guerra fatal
Os jagunços lutaram
até o final
defendendo Canudos
naquela guerra fatal
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Fevereiro 10, 2004
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wDivagações e citações - Domingo, Fevereiro 08, 2004 |
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Pacatez
Eu sempre disse que não sou de fazer barulho, rapaz!
Nunca fui de correr atrás de mulher, às vezes não conseguia desviar.
Não existe cabra matador.
O ruim é quando se pega fama.
Às vezes o cabra é de fama, mas nem fez por merecer.
A culpa é de cabra de duas qualidades: morredor e arengueiro.
É morredor, por quê?
Tem o sangue desunerado, a carne reimosa... quem vai saber?
Defeito de fabricação, não foi feito com jeito.
O que tem de arengueiro, tem de morredor.
Depois, a culpa é de quem?
Nem precisa sangrar a goela.
Um risco ou furinho de nada na barriga e o cabra bota pra morrer.
Às vezes pode ser culpa do calor que faz as coisas se estragarem à toa.
Eu sempre disse que não sou de fazer barulho, rapaz!
Sou cabra respeitador, não bulo com mulher alheia.
Também, tem hora que não dá pra renegar.
Não precisa ser valente, mas não pode ter frouxidão.
Senão, afeta o fiofó e termina mordendo a fronha.
Bambeza, só nas pernas, depois de fazer uma fêmea gemer - sem sentir dor - feito carro-de-boi.
Depois, a culpa é de quem?
O cabra, sossegado da vida, sem nem bem procurar.
Aí vem a mulher: faceira e delicada.
O cabra bem tenta evitar.
Então a danada tenta, voz de veludo, fogo no olhar, um remelexo da gota!
Pronto. O cabra, sem nem querer, fica encrencado.
Pegar a pulso, não pego; Deus me livre e guarde!
Tem mulher que gosta mais manso, outras até meio bruto, a maioria alternado.
O cabra faz o gosto da freguesa, mas nunca pegando a pulso!
Eu sempre disse que não sou de fazer barulho, rapaz!
Não me meto com afrescalhado, cada um faz o que gosta.
Fora o gosto esquisito, no mais é igual a qualquer um.
Genésio, de Lídio, de Arminda; existe cabra melhor?
Ele engrena marcha a ré; problema dele e de quem se engata com ele.
Com ele jogo sinuca sem fazer distinção.
Pronto. Foi um caso. O safado foi querer bulir com Genésio sem ele querer.
Eu não fiz nada de mais.
Só disse para o safado parar.
Ele é que se jogou em cima de mim.
A mão foi mais ligeira que o pensamento e aparou o bicho com o punhal.
Cabra arengueiro e morredor.
Um furo só e o bicho era todo tremelique.
Nós bem que tentamos dissuadir, mas o negócio do safado era mesmo morrer, acho mesmo que só para apoquentar; logo num dia que eu ganhava na sinuca.
Depois, a culpa é de quem?
Eu sempre disse que não sou de fazer barulho, rapaz!
Virei cabra de fama, sem querer e nem mesmo gostar.
Prefiro viver sossegado, em paz e harmonia.
Nunca dei cascudo em criança, jamais levantei a mão para uma mulher, quer dizer, apenas para acariciar, mesmo assim a pedido dela.
Acho que o povo exagera, pois por mim, nunca matei ninguém.
Na verdade, somente um, aquele que era tarado.
Mas este todo mundo queria, apenas tive que fazer o serviço quando deixaram ele fugir da cadeia, parece até que foi de propósito.
Depois, a culpa é de quem?
Eu sempre disse que não sou de fazer barulho, rapaz!
Eu fico sempre quieto no meu canto.
Até ganhei o Mundo para viver igual a um qualquer.
Matulão nas costas, virei andarilho.
Besteira minha, naquelas bandas o povo é mais morredor ainda.
E o pior é que lá eles gostam de morrer aos montes, todos de uma vez.
Voltei pra minha terrinha, pois o povo aqui é mais calmo, ninguém gosta de morrer e muito menos de matar.
Só se vier gente de fora pra atrapalhar.
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Madeira que cupim não rói - Capiba
Madeira do Rosarinho
Vem à cidade
sua fama mostrar.
E traz com seu pessoal
seu estandarte tão original
Não vem pra fazer barulho
Vem só dizer sua satisfação
Queiram ou não queiram os juízes,
o nosso bloco é de fato o campeão!
E se aqui estamos
cantando esta canção
viemos defender
a nossa tradição
e dizer bem alto
que a injustiça dói
somos madeira de lei
que cupim não rói.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Domingo, Fevereiro 08, 2004
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wDivagações e citações - Sábado, Fevereiro 07, 2004 |
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Vil metal
Há alguma coisa pior que alguém viver pensando em dinheiro?
Sim.
Alguém viver atormentado pela falta dele.
O Senhor Ministro
Ontem eu vi uma entrevista do Ministro da Fazenda e fiquei estarrecido.
As elites dirigentes sempre governam números, estatísticas e não pessoas.
O desemprego aumentou, o poder aquisitivo diminuiu. E muitas vezes vimos comemoração de números abstratos referentes à satisfação do "mercado".
Não temos comida, não temos dinheiro, não temos cidadania, não temos dignidade.
A vida, para a imensa maioria de nós, povo brasileiro, tem sido um pesadelo.
O Ministro fez ironias inconcebíveis. disse que o governo atual já fez tudo que deveria, inclusive feitiçaria.
Pior que a falta de sensibiidade do Ministro ao brincar com coisa séria - a exemplo do Presidente - foi quando ele resolveu falar seriamente.
O Ministro afirmou que o Brasil tem uma tradição de política econômica e que o atual governo está de acordo com esta tradição.
Alto lá! Não foi para mudar a política econômica responsável por nossas mazelas que nós elegemos o atual presidente?
Quando quer justificar os problemas, o atual governo se refere à maldita herança dos governos anteriores, fruto de uma política econômica perversa.
Como o Ministro tem a desfaçatez de dizer que segue a tradição, segundo ele louvável tradição, da política econômica brasileira?
Ao menos serviu para que soubéssemos que o atual governo assume que este modelo crescentemente excludente, voltado para os interesses dos grandes grupos financeiros internacionais, gerador de desemprego e fome, este é, de fato, o modelo ofcial do atual governo.
Considero o pronunciamento do Ministro como o definitivo adeus às ilusões.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sábado, Fevereiro 07, 2004
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wDivagações e citações - Sexta-feira, Fevereiro 06, 2004 |
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Espaços do Rio
Precisei comprar para Flora Le prisonnier du château d´If.
Nestas horas, não há o que pensar: fui à Leonardo da Vinci, subsolo do Edifício Marquês de Herval, na Avenida Rio Branco.
A última vez que fui lá, há muito tempo, a lanchonete mais parecia pé-sujo da Praça Mauá, havia loja fechada, decadência pura...
A resistirem apenas a livraria e a loja de discos (Berinjela).
Desta vez, logo ao descer a rampa espiral, a boa surpresa: ambiente climatizado; ar-condicionado em pleno verão carioca é um diferencial e tanto!
Ao pé da rampa, a lanchonete jeitosa, simpática; à direita, o Café Gioconda, aconchegante, convidativo.
De ambos os lados do corredor, a Leonardo da Vinci, com o seu acervo maravilhoso e atendentes gentis, simpáticos e, sobretudo, eficazes.
Na correria, nem verifiquei se a loja de discos ainda está lá.
Ainda bem, senão sairia carregando, quem sabe, a portuguesa Dulce Pontes, o angolano Bonga, o guineense (Bissau) Rui Sangara, o moçambicano Alexandre Langa, o sul-africano Abdullah Ibrahim (Dollar Brand), o guineense (Conakry) Sekouba Bambino... os incomparáveis camaroneses Os Tubarões.
Na verdade, aquele subsolo pode ser incluído entre os melhores espaços do Rio.
O medo na Cidade do Rio de Janeiro
Excelente o lançamento do livro de Verinha.
É claro que mesmo encontrando muitos amigos, a livraria cheia demais é um incômodo.
Filas imensas, livro esgotado já às nove horas.
A livraria conseguiu repor o estoque às dez horas, menos mal.
Quase à meia-noite o whisky acabou, mas a fila e o vinho branco não.
Nilo fazendo o papel de marido anfitrião.
E quem já teve o prazer de visitá-lo sabe o quanto ele gosta e como sabe receber bem.
Verinha, a simpatia de sempre.
Convidou Luana para ir ao Instituto antes de regressar à Europa.
Exigiu incluir o nome de Sílvia no meu livro.
Eu, agoniado pela impaciência dos que estavam na fila, tendo que falar da viagem ao Mato Grosso.
A grande ausente, Lígia, mãe de Verinha, recuperando-se em casa de um infarto, após quase dois meses em coma.
Havia representantes de todos os partidos políticos institucionalizados, certamente dos clandestinos também.
Às onze, correligionários e adversários entusiasmaram-se com a chegada de Leonel Brizola.
Aos oitenta e dois anos, fazendo piada, "panfletando" cópias de uma matéria que saiu no NY Times. Olhar sereno, firmeza no aperto de mão.
À saída, uma esticada.
Quem disse que faz bem à saúde dormir das três às cinco e meia?
O medo na cidade do Rio de Janeiro
Dois tempos de uma história
Vera Malaguti Batista
Editora Revan
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Sexta-feira, Fevereiro 06, 2004
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wDivagações e citações - Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004 |
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A fuga
Rio, quarenta graus, ele pensa: justiça ao título do filme de Nelson Pereira.
Largo da Carioca.
Cinematográfica é a imagem que vislumbra, vindo em sentido oposto, uma mulher.
Ou será uma miragem? simples fruto da heliose.
As ondas de calor, refletidas pelo chão quente dão esta impressão.
À volta dela, o mundo parece mover-se, cinematograficamente, em câmara lenta.
Homens abobalhados olham-na agressivamente.
Andar langoroso, cadenciado, a exaltar a sensual harmonia de suas formas.
À medida que se aproximam, ele tenta ignorá-la, desviar o olhar, mas descuida-se, perdido em circunspecção.
O objeto de sua atenção visto no contexto, na cena de um filme.
Os seus olhares se cruzam: curto-circuito.
O olhar dele reflete a surpresa, o dela, divertimento.
Perigo! Fio desencapado! Ele deriva à direita, entra na galeria do Edifício Central.
Sabe-se lá o porquê, mas ela o imita.
Ele percebe a coincidência e, à Garrincha, pega a escada rolante, ela passa direto.
Sente um certo alívio, mas olha para baixo e ela para cima.
Outra vez os olhares se cruzam e ela faz meia-volta, também pega a escada rolante.
Ele apressa o passo, distancia-se e entra em uma das inúmeras lojas de informática.
Examina produtos, novidades e entrete-se com os livros.
Aspectos metodológicos, aprender tudo em vinte e um dias, internet, ColdFusion.
Verdadeira fusão a frio, com total desprendimento de energia.
Como na fusão nuclear, sente-se diminuir ante o riso maroto.
- Por favor!
- Pois não.
Pois sim! Mesmo ateu deveria saber que isto é diabo em forma de mulher, calipígia mulher.
Tentação! Este é o nome dela a despeito de qualquer outro que use.
Ele está imaginando coisa. A pergunta dela é pertinente.
A cada resposta dele, uma nova pergunta, um comentário, inteligente, bem-humorado.
Ele se desarma, conversa naturalmente, mas evitando olhá-la, sempre a desviar o olhar para um ou outro livro.
A cada descuido, uma perturbação.
Contradizendo as palavras, a boca e os olhos são puro chamamento.
- Eu vi uma sorveteria aqui, vamos até lá?
Convite repentino, inesperado, que o encabula.
- Naãoo... eu...
- Vamos.
Uma ordem em tom de súplica.
Só há duas maneiras eficazes de lidar com a tentação: evitá-la ou ceder a ela.
Debate-se, sentindo-se uma presa fácil.
- Não posso...
- Por favor, hoje é o meu último dia de férias... Você não quer?
- Não se trata de querer... não é você... sou eu... a minha mulher não gostaria de me ver com você.
- Amanhã estarei longe daqui... apenas conversar, gostaria de ficar um pouco mais com você.
- Não devo... não posso, desculpe-me, preciso ir.
Afasta-se sem olhar para a górgone que lá deixara, petrificado já estava.
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A mulher que passa - Vinícius de Moraes
Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pêlos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Como te adoro, mulher que passas
Que vens e passas, que me sacias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Por que me faltas, se te procuro?
Por que me odeias quando te juro
Que te perdia se me encontravas
E me encontrava se te perdias?
Por que não voltas, mulher que passas?
Por que não enches a minha vida?
Por que não voltas, mulher querida
Sempre perdida, nunca encontrada?
Por que não voltas à minha vida?
Para o que sofro não ser desgraça?
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
Eu quero-a agora, sem mais demora
A minha amada mulher que passa!
No santo nome do teu martírio
Do teu martírio que nunca cessa
Meu Deus, eu quero, quero depressa
A minha amada mulher que passa!
Que fica e passa, que pacifica
Que é tanto pura como devassa
Que bóia leve como a cortiça
E tem raízes como a fumaça.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004
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wDivagações e citações - Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004 |
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Transgênicos
Há um problema quando se discute a questão dos trangênicos.
Mesmo que seja verdadeiro o problema da dependência tecnólogica, não nos serve a alternativa de botar a EMBRAPA para pesquisar transgênicos.
Por quê?
Por uma simples razão.
Só se justifica usar transgênicos em plantações extensivas.
Ou seja, a EMBRAPA estaria fazendo pesquisa para as grandes empresas agrícolas.
Não interessa se nacionais ou estrangeiras.
Cabe à EMBRAPA pesquisar alternativas tecnológicas para os pequenos produtores.
Mais que isto, para a produção com sustentabilidade sócio-ambiental, o que certamente não conduzirá ao superado modelo de "plantation".
Manoel Carlos Pinheiro
Comentário feito em http://www.faustowolff.org/
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Leão do Norte - Lenine e Paulo César Pinheiro
Sou o coração do folclore nordestino
Eu sou Mateus e Bastião do boi-bumbá
Sou um boneco de Mestre Vitalino
dançando uma ciranda em Itamracá
Eu sou um verso de Carlos Pena Filho
Num frevo de Capiba ao som da Orquestra Armorial
Sou Capibaribe num livro de João Cabral
Sou mamulengo de São Bento do Una
vindo num baque solto de um maracatu
Eu sou um auto de Ariano Suassuna
no meio da feira de Caruaru
Sou Frei Caneca no pastoril do Faceta
levando a Flor-da-Lira pra Nova Jerusalém
Sou Luiz Gonzaga e vou dando cheiro em meu bem
Eu sou mameluco
Sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco
Eu sou Leão do Norte
Sou Macambira de Joaquim Cardozo
Banda de "pife" no meio do canavial
Na Noite dos Tambores Silenciosos
sou a Calunga revelando o carnaval
Sou a folia que desce lá de Olinda
O Homem da Meia-Noite eu vou puxando este cordão
Sou jangadeiro na festa de Jaboatão
Eu sou mameluco
Sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco
Eu sou Leão do Norte
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Quarta-feira, Fevereiro 04, 2004
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wDivagações e citações - Terça-feira, Fevereiro 03, 2004 |
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Convite
"Um convidado convida cem e o dono da festa bota cento e um pra fora"
Não é este o caso.
O medo na Cidade do Rio de Janeiro - Dois tempos de uma história
Livro de Vera Malaguti Batista será lançado na próxima quinta-feira a partir das 20 horas na Livraria Argumento à Rua Dias Ferreira, 417 - Leblon - Rio de Janeiro.
Quem conhece Verinha sabe com que afinco e dedicação ela trabalhou neste livro, o qual aborda um tema atual a partir da Revolta dos Malês. Ela é Mestre em História Social (UFF), Doutora em Saúde Coletiva (UERJ), Professora de Criminologia da Universidade Cândido Mendes e Secretária Geral do Instituto Carioca de Criminologia.
Depois, evidentemente, como ninguém é de ferro e a noite é uma criança, esticaremos para bebermos ao sucesso do livro. No mínimo eu, Luana, Moacir C. Lopes e Eduarda Zandron... quem se habilita a engrossar o cordão?
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Lampião moderno - Carlos Araújo, cordelista nordestino
Alguém aí tem resposta
pra pergunta que eu faço?
Lampião, Rei do Cangaço
foi bandido ou foi herói?
Nem sei se esta é a questão,
pois hoje a corrupção
tem um punhal cangaceiro
sem dó nem piedade,
sangrando a dignidade
de quem é bom brasileiro.
O Virgulino moderno
é bandido refinado:
exibe carro importado,
tem jatinho e muito mais.
A caneta é seu fuzil,
com ela assalta o Brasil
do jeito que sempre quiz:
feito cupim na madeira,
fazendo uma buraqueira
nas finanças do país.
Esse novo Virgulino
não tem chapéu estrelado,
não sabe dançar xaxado,
nem canta Mulher Rendeira.
Ele não dorme no mato,
ama o conformo e o bom trato.
E não agüenta repuxo:
com seu dinheiro e malícia,
quando foge da polícia,
se esconde em hotel de luxo.
Não anda pelas caatingas,
nem cruza moita de espinho,
mas constrói o seu caminho
com muito nome esquisito:
é fraude, é clientelismo,
é pilhagem, é nepotismo,
é propina, é malandragem.
Mas ele não se contenta:
a tudo isso acrescenta
a mentira e a rapinagem.
Quando chega a eleição,
sendo ele candidato,
promete roupa, sapato,
dentadura, leite e lote.
Se tem amigo disposto
a sonegar o imposto,
ele segura a peteca
com uma frase canalha:
- se eu vencer a batalha
eu perdôo essa merreca!
No palanque faz de Deus
o seu cabo eleitoral,
criando o clima ideal
à exploração da fé.
Seu discurso é de devoto,
mas sua fé é o voto
da humilde multidão
que, inocente, se dobra:
vira massa de manobra
nas garras do Lampião.
O seu instinto perverso
é muito sofisticado:
ele mata no atacado,
quando desvia milhões
em cada cheque que assina
o bandoleiro assassina
gente em escala brutal.
De onde vem a matança?
da falta de segurança,
do médico, do hospital...
É direito de criança
ensino de qualidade,
mas dessa realidade
pouca criança desfruta.
E quanto ao saneamento,
não existe investimento
neste importante setor
porque o nosso dinheiro
vai parar no estrangeiro,
na conta do malfeitor.
O cangaceiro de hoje
tem site na internet
e grava até em disquete
os seus planos de ação.
Certo da impunidade,
ele se sente à vontade
pra dizer sem emberaço,
justificando a orgia:
- Lampião nada fazia
já eu roubo mas faço!
Penso até ser injustiça
comparar o Virgulino
lá do Sertão nordestino
com esses cabras de hoje.
Pois de uma coisa estou certo:
Lampião nem chega perto
desses que, de forma vil
e com bastante requinte,
saqueiam o contribuinte
que ainda crê no Brasil.
Ah, capitão Virgulino,
que andas fazendo agora?
chega de tanta demora.
Sai dessa cova ligeiro,
vem retomar teu reinado!
Anda logo, desgraçado,
chama teus cabras de fama,
traz Corisco e Ventania,
Quinta-Feira e Pontaria,
tira o país dessa lama!
Chama Dadá, traz Maria,
pra te dar inspiração,
traz Canário e Azulão.
Onde andam Moita Brava,
Jararaca e Zé Sereno
que provaram do veneno
da refrega sertaneja?
E Bem-Te-Vi, bom de briga,
cantando a mesma cantiga,
não vai fugir da peleja.
Não esquece Volta Seca,
Sabonete e Jitirana
que viravam caninana
nos instantes do combate.
Chama também Zé Baiano,
pois entra ano e sai ano
e a coisa fica mais feia.
Já são muitos excluídos
e a culpa é dos bandidos
que precisam levar peia!
Anda logo que o Brasil
já se cansou do teu mito,
ouve o apelo e o grito
do povo deste país.
Mas cuidado, Capitão,
cuidado com a mangação
que pode seu um horror.
Já tem corrupto espalhando
que, em formação de bando,
Lampião era amador!
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Terça-feira, Fevereiro 03, 2004
Comentário e zombaria:
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wDivagações e citações - Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004 |
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A briga
Sigilosa, quase clandestina. Recebi o aviso um dia antes. Não podia contar para ninguém. Pouco a pouco fomos nos encontrando. Era uma quinta-feira. Logo ao cair da tarde, a ansiedade tomou conta de mim. Eu tinha 15 anos e estava de férias. Desde o lendário Pé-de-Ferro que não havia surgido algo tão especial. E agora se enfrentariam.
Em rodas de discussão, os ânimos se exaltavam sempre que alguém dizia qual o melhor. Uma vez houve peixeirada. Não era para menos, chamar Caiado de mestiço, foi demais. - Só tem força, não agüenta dois barrufos apanhando. Foi um deus-nos-acuda. Não houve turma do deixa-disso. Tudo muito rápido. A 14 polegadas rasgou o bucho do falastrão. Sangue pra todo lado. Sobreviveu. Um mês depois voltou a freqüentar a rinha. O ex-amigo fugiu pra São Paulo.
A outra peixeirada foi por motivo ético. Perdeu a briga e maltratou sua própria criação. A culpa é sempre de quem emparelha. Emparelhou mal ou não preparou direito o seu galo. Um galista mais zeloso não resistiu ao ver o capãozeiro dar um safanão no galo caído. Depois do grito de advertência, partiu pra cima e sangrou quem não deveria meter-se em coisa de homem. Não teve escapatória. Na hora, ninguém lamentou. Quem já viu maltratar um galo?!
Caiado e Tesourão. Sabia que assistiria a um confronto histórico. Contaria para os meus netos. Quase todos os presentes já eram avós. Ninguém falava. O clima festivo de brincadeiras e de apostas não existia naquela noite. As apostas foram proibidas. Havia muito mais que dinheiro em jogo.
Talvez eu fosse o único a freqüentar os dois terreiros. Conhecia de perto a ambos. Não conseguia torcer por qualquer dos lados. Dois monstros sagrados. Mais de seis quilos cada um. De puro músculo.
Caiado batia forte demais. Quantos pescoços já quebrara? As estatísticas não eram confiáveis. Bico na crista ou na barbela, puxão pra baixo, subida fulminante: só se ouvia o estrondo. O sangue respingava, não havia pescoço à prova de tal pancada. Se o adversário brigasse na solta, mantendo distância, durava um pouco mais. Se fizesse briga, até dava pra endurecer, senão, era só apostar se passaria do primeiro barrufo.
Tesourão fazia briga e era rei da rebatida. Seu filho, Sapinho, matou três numa manhã. Vinte três minutos o primeiro, dezenove minutos o segundo e quinze minutos o terceiro. Mas não chegava aos pés do pai. O único capaz de derrotar Caiado, todos sabiam.
Seria a luta entre a técnica e raça de Tesourão contra a força e rapidez de Caiado. Ainda bem que, para evitar brigas, as apostas estavam proibidas. Ninguém sabia o que aconteceria. Tesourão conseguiria evitar a queda? Caiado conseguiria brigar os dez barrufos?
No caminho, tremia. Um pouco de frio, um pouco de nervosismo. Lá dentro, até calor fazia. Os olhos pulando das órbitas eram visíveis até sob a cortina de fumaça de cigarros. Os nervos pareciam a corda do berimbau de bacia. Recinto totalmente fechado, cheiro desagradável: mistura dos odores dos garajaus, cigarro e suor.
Além de selecionadíssimo, o grupo foi advertido para manter o evento em segredo e não levar arma ao local. Ou, no caso de ir armado, entregá-la ao dono da casa logo à chegada. Todos concordaram e seguiram as normas estabelecidas. Zé Fraga, claro, foi o árbitro. Nem precisava tanto.
Começou o confronto. Silêncio absoluto. A partir daquele momento, ninguém mais fumou. Talvez para não fazer barulho ao riscar o fósforo ou ao aspirar o cigarro. Olhos vidrados, respiração contida, faces empalidecidas e contraídas. Mesma altura, mesmo peso. Plumagem diferente. Tesourão, vermelho acastanhado misturado com algumas penas pretas. Caiado, uma mistura de tons de amarelo salpicado no preto.
Mais parecia um balé. Giravam, pescoço com pescoço. Ameaçavam o golpe, chegando mesmo a suspender um pouco as asas, mas no meio da ação, parecendo prever um contragolpe, desistiam. Fossem humanos, poderíamos dizer que os dois primeiros barrufos foram de estudos.
A partir do terceiro, Tesourão começou a levar alguma vantagem. Fazia a briga como nenhum. Giros rápidos para ambos os lados. Beliscões disparados como jabs. Duas vezes, como se fosse uma rebatida, aproveitou o puxão na barbela iniciado por Caiado e bateu muito forte. Lábios mordidos denunciaram os gritos mudos.
A partir do quinto barrufo, briga franca. Inimaginável a resistência de ambos. Ninguém jamais vira golpes tão duros não resultarem em quedas. Um torrão ficou entre os dedos de Caiado na hora de um golpe, voou sobre a cabeça de Giva e espatifou-se, ruidosamente, na parede a uns três metros de distância.
No sétimo barrufo, parecia que a coisa se decidiria em favor de Caiado. Começou a soltar-se mais. Bateu três vezes seguidas, o sangue espirrou, a vida de Tesourão estava por um fio, mas ele não demonstrava o abatimento.
No oitavo, a surpresa. Tesourão bateu tão forte que Caiado bambeou, deu dois passos trôpegos para um lado, outro para frente, o pescoço apoiado no de Tesourão impediu a queda. Tesourão nem precisaria bater, apenas afastar-se ou beliscar. Entretanto, pareceu sentir o golpe tanto quanto Caiado, buscara forças e energias onde já não havia. Faltavam ainda trinta segundos para o final do barrufo e nenhum conseguiu mais dar qualquer golpe.
Os dois últimos barrufos duraram um século. O desespero estampou-se em todos os rostos. Golpes secos e alternados evocavam os sons de tambores mágicos, de pisadas fortes do samba-de-coco em dia de mutirão, da zabumba de Norato. Se alguém tivesse ousado propor, a luta terminaria. Só havia motivos para ter vencedores. O empate foi a consagração de ambos.
Entre os humanos, apenas os passadores se movimentavam. Mesmo ao final da luta, demorou um pouco a alguém fazer um movimento, provavelmente um suspiro. Em silêncio o grupo começou a dispersar-se. Éramos, no máximo, trinta pessoas. Parecíamos sonâmbulos ou autômatos. Já longe dali, uma meia hora depois, consegui falar. - Está frio, vou pra casa. - Eu também, disseram os demais.
Uma semana depois, a notícia começou a se espalhar. As pessoas vinham me perguntar, pedir detalhes. Eu emudecia. Parece que todos os presentes agiam assim. Não sei porque. Só sei que, ao lembrar do confronto, voltava a sensação esquisita dos últimos dois barrufos. Pela primeira vez, eu vira os limites de uma criatura serem completamente ultrapassados.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004
Comentário e zombaria:
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wDivagações e citações - Domingo, Fevereiro 01, 2004 |
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Fios de seda - Clarice Lispector JB 17/05/1969
Quase não li Henri James, que parece é maravilhoso, segundo um amigo meu.Ele, Henry James, é hermético e claro. Citando James estarei me tornando hernética para os meus leitores? Lamento muito. Eu tenho que dizer as coisas, e as coisas não são fáceis. Leiam e releiam a citação. Aí está ela, traduzida por mim do inglês:
"Que espécie de experiência é necessária, e onde ela começa e acaba? A experiência nunca é limitada e nunca é completa; é uma imensa sensibilidade, uma espécie de teia de aranha, feita de fios mais delicados de seda suspensos na câmara do consciente, e que apanha no seu tecido cada partícula trazida pelo ar. É a própria atmosfera da mente; e quando a mente é imaginativa - muito mais quando se trata da de um homem de gênio - ela apanha para si as mais leves sugestões, abriga os próprios pulsos do ar em revelações."
Sem nem de longe ser de gênio, quantas revelações. Quantos pulsos apanhados no fino ar. Os delicados fios suspensos na câmara do consciente. Eno inconsciente a própria enorme aranha. Ah, a vida é maravilhosa com suas teias captantes.
Avisem-me se eu começar a me tornar eu mesma demais. É minha tendência. Mas sou objetiva também. Tanto que consigo tornar o subjetivo dos fios da aranha em palavras objetivas. Qualquer palavra, aliás, é objeto, é objetiva. Além do mais, fiquem certos, não é preciso ser inteligente: a aranha não é, e as palavras, as palavras não se podem evitar. Vocês estão entendendo? Nem precisam. Recebam apenas, como eu estou dando. Recebam-me com fios de seda.
MANOEL CARLOS PINHEIRO - Domingo, Fevereiro 01, 2004
Comentário e zombaria:
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Praia do Porto - Costa Dourada Litoral Sul de Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Praia de Calhetas Cabo de Santo Agostinho Ponto extremo de Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Chapada dos Guimarães Mato Grosso Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Serra dos Órgãos Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Campos do Jordão São Paulo Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Provetá - Ilha Grande Estado do Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Candeias Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Mercado São José - Recife Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Piedade Jaboatão dos Guararapes Pernambuco Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Pouso Alegre Minas Gerais Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Pão de Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Cristo Redentor Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Nascente - Pão de Açúcar Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Poente - Floresta da Tijuca Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Maracanã Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Niterói Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Quinta da Boa Vista Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Zona Norte Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Santa Tereza Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Micos Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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Vista de Casa Igreja da Penha Rio de Janeiro Foto: Manoel Carlos Pinheiro
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